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Saúde mental

Depressão psicótica: o que é, sintomas e causas

Revisado pela Equipe de Redação da Medprev

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É comum, quando são abordados temas ligados a doenças psiquiátricas, ou mesmo relacionados à saúde mental, a palavra psicose aparecer com uma certa frequência. Trata-se de um termo usado para descrever um estado mental onde o indivíduo perde totalmente o contato com a realidade. Em outras palavras, a pessoa atingida muda drasticamente a maneira como enxerga a si mesmo e a outros ao seu redor.

A psicose pode manifestar-se também dentro de um quadro de depressão. Essa manifestação é classificada como depressão psicótica e figura entre os subtipos mais raros desta doença.

Entre os principais sintomas, destacam-se os delírios e as alucinações (o paciente passa a ouvir vozes, ou mesmo acredita a todo momento que está sendo perseguido ou ameaçado).

Quer saber mais sobre o assunto? O que é, cura e o diagnóstico para a depressão psicótica? Continue lendo esse post até o final!

O que é depressão psicótica?

Chamada comumente de psicose depressiva, a depressão psicótica é uma forma rara de depressão.

Além de ser uma condição mental bastante complexa, ela compromete de forma significativa a qualidade de vida de uma pessoa.

Em casos mais severos, o paciente desenvolve sintomas de psicose únicos, onde não existe limite para a imaginação e para a realidade que o cerca.

Por vezes, pode haver confusão entre a depressão psicótica e outras doenças que também afetam o cérebro, como o transtorno bipolar e a esquizofrenia.

Dessa forma, é importante um diagnóstico preciso, como será abordado adiante.

Sintomas

Como dito anteriormente, a depressão psicótica leva, além dos sintomas típicos da depressão (tristeza profunda, alterações no apetite, fadiga, etc), a episódios de:

  • Delírios;
  • Alucinações;
  • Comportamentos estranhos;
  • Sentimentos de perseguição;
  • Mudanças repentinas de humor.

Todos estes sintomas mencionados implicam em outros problemas, como o isolamento social, as dificuldades no trabalho, problemas na convivência com outras pessoas, além de aumentar o risco de comportamentos que trazem riscos à vida.

Causas

A causa exata para a depressão psicótica é ainda desconhecida pela comunidade médica.

Contudo, estudos mostram que a combinação de fatores genéticos, químicos e ambientais têm papel crucial no seu aparecimento.

Pessoas, por exemplo, que já possuem histórico familiar psicótico, têm uma probabilidade mais alta de desenvolver a condição.

Entre outras possíveis causas, que podem também agravar o quadro, é possível citar:

  • Uso de substâncias: álcool, drogas ilícitas e alguns tipos de medicamentos podem afetar a química do cérebro de algumas pessoas com mais facilidade;
  • Estresse e traumas: eventos estressantes (como a morte de um ente muito querido, por exemplo) e traumas contribuem para o aparecimento da depressão psicótica;
  • Condições médicas: alguns tipos de doenças, como as autoimunes e, principalmente, aquelas que envolvem distúrbios da tireoide, podem também estar associadas ao desenvolvimento da depressão psicótica.

Vale ressaltar, que apesar das possíveis causas citadas anteriormente, cada pessoa é única e desenvolve a condição de acordo com suas características.

Tratamento

O tratamento para a depressão psicótica envolve, principalmente, ações para melhorar seus sintomas mais problemáticos, como os delírios, as alucinações e as mudanças repentinas de humor.

Assim, o tratamento dos sintomas pode envolver medidas combinadas, como por exemplo:

  • Medicação, que pode incluir medicamentos que ajudam a aliviar os sintomas da depressão, além de tratar os episódios de delírios e alucinações. É fundamental que o paciente siga todas as orientações médicas quanto às doses e à duração do tratamento;
  • Psicoterapia, no qual pode ser usada a TCC (Terapia Cognitivo Comportamental) para ajudar pessoas que sofrem com essa condição de saúde. Ela ajuda na compreensão dos pensamentos distorcidos e negativos, além de desenvolver habilidades no paciente para lidar melhor com os sintomas;
  • Rede de apoio, que pode fazer toda a diferença no tratamento da depressão psicótica. Além do apoio de família e amigos, as terapias em grupo, os grupos de apoio e outras iniciativas podem ajudar a reduzir o isolamento do paciente, contribuindo no suporte emocional;
  • Acompanhamento médico regular: o paciente com depressão psicótica precisa manter o acompanhamento médico para que seu quadro de saúde seja mapeado adequadamente. À medida que o paciente é tratado, ajustes são feitos de acordo com a resposta ao tratamento e às necessidades individuais do paciente.

Além destas ações, para auxiliar na recuperação da qualidade de vida, é importante ressaltar a importância de um estilo de vida saudável, com alimentação balanceada, exercícios físicos e sono adequado.

Diferença entre depressão psicótica e esquizofrenia

A esquizofrenia e a depressão psicótica são duas condições diferentes, mas que partilham entre si algumas características semelhantes.

E isto pode, de certa forma, causar alguma confusão, ou mesmo gerar dúvidas.

Antes de explicar as principais diferenças entre ambas, é importante levantar alguns pontos para melhor entendimento.

A depressão pode ser persistente, duradoura e incluir não apenas sintomas psicológicos, mas também físicos. Os sintomas psicóticos podem ocorrer em episódios depressivos, e incluem alucinações auditivas, visuais e também táteis.

Já a esquizofrenia envolve alterações de percepção sensorial, do comportamento e alterações específicas de pensamento. Dessa forma, ela pode causar dificuldades no relacionamento interpessoal do paciente e também na sua vida diária.

Tanto a depressão psicótica quanto a esquizofrenia incluem sintomas psicóticos, por essa razão, somente um profissional de saúde mental (como o psiquiatra) pode realizar o diagnóstico e tratamento.

Portanto, as principais diferenças são:

  • A depressão psicótica é uma forma grave da depressão, enquanto a esquizofrenia é um transtorno mental crônico e grave (que pode evoluir para um quadro depressivo);
  • A esquizofrenia comumente surge na adolescência ou no início da vida adulta, enquanto a depressão psicótica não tem tempo específico para se manifestar;
  • A depressão psicótica apresenta episódios recorrentes ou únicos, enquanto a esquizofrenia é constante (e inclui outros sintomas como diminuição da fala).

Dúvidas comuns sobre depressão psicótica

Por ser um subtipo raro da depressão, a depressão psicótica pode causar certas dúvidas. Confira algumas das mais comuns a seguir.

1. A depressão psicótica tem cura?

Ainda não existe uma cura para a depressão psicótica.

Contudo, é possível controlar os seus sintomas e ter uma vida normal. Com um tratamento adequado e contínuo, pessoas com a doença podem experimentar uma melhora significativa em seus sintomas e qualidade de vida.

2. Quanto tempo dura a depressão psicótica?

Na verdade, a depressão psicótica não possui tempo de duração bem definido, pois varia de pessoa para pessoa.

Porém, por tratar-se de uma condição crônica, os seus sintomas podem retornar ao longo da vida do paciente.

Assim, os sintomas psicóticos podem estar presentes a qualquer momento, durante os episódios depressivos (que podem durar semanas, meses e até anos).

3. Como ajudar uma pessoa que tem depressão psicótica?

Ajudar pessoas com depressão psicótica pode ser um grande desafio. Porém, existem diversas maneiras de oferecer suporte.

Entre eles, estão:

Como ajudar alguém com depressão psicótica? Infográfico Medprev

  • Manter-se sempre informado sobre o assunto - buscar informações confiáveis sobre a condição é a chave para entender melhor os sintomas e os impactos que ela tem na vida da pessoa. Isso ajuda em uma abordagem mais empática de toda a situação;
  • Incentivar a busca por ajuda profissional - encorajar na busca por ajuda profissional também é fundamental, já que o acompanhamento médico é essencial para controle e tratamento da depressão psicótica;
  • Estar sempre atento aos sinais de emergência - estar ciente dos sintomas relacionados à depressão psicótica ajuda a buscar ajuda adequada, principalmente se a pessoa apresenta comportamentos de risco. Assim, é possível buscar apoio psicológico ou ajuda médica quando necessário;
  • Incentivar o estilo de vida saudável - encorajar a pessoa a adotar hábitos saudáveis, como a prática de exercícios físicos regulares e alimentação equilibrada, auxilia na melhora da qualidade de vida;
  • Ter empatia - é muito importante que a rede de apoio da pessoa que lida com a depressão psicótica entenda que frases como “é apenas uma fase” ou “você precisa se animar”, não são indicadas. É preciso ter empatia e lembrar-se que a depressão psicótica é uma condição séria, ou seja, minimizar seus sintomas pode fazer a pessoa se sentir incompreendida ou mesmo isolada.

Conclusão

A depressão psicótica é uma condição desafiadora, tanto para a pessoa que lida com a doença, quanto para familiares, amigos e pessoas relacionadas.

Além de todo o tratamento profissional, o apoio de amigos e familiares é fundamental. Ouvir, mostrar empatia e oferecer suporte emocional são maneiras importantes de ajudar. Estar ciente dos sinais de emergência também é crucial na hora de procurar ajuda.

Com tempo, paciência, e apoio adequado, é possível enfrentar e gerenciar a depressão psicótica.

Lembrando que todo o tratamento é individualizado e varia de acordo com as características de cada pessoa.

Doenças mentais têm impacto não somente psicológicos, mas também físicos. Portanto, com ações efetivas, é possível oferecer todo o suporte necessário para trabalhar em direção à recuperação e ao bem estar mental de pacientes com depressão psicótica.

17/08/2023   •   há 10 meses