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Gastrite: o que não comer?

Revisado pela Equipe de Redação da Medprev

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Você sabia que a alimentação pode impactar diretamente nas crises de gastrite? Embora essa condição gastrointestinal afete inúmeras pessoas ao redor do mundo, muitas não sabem o que deve-se ou não comer para evitá-la.

Conhecer os alimentos que podem aliviar ou agravar os sintomas é fundamental para ter uma melhor qualidade de vida.

Vale lembrar que embora mudar os hábitos alimentares contribua para a melhora da gastrite, somente um médico especialista como o gastroenterologista pode indicar o tratamento adequado de acordo com o quadro de saúde do paciente.

Conheça mais sobre a Gastrite: o que não comer, o que é, diagnóstico e tratamentos a seguir!

O que é gastrite e como é diagnosticada?

Problema de saúde muito comum e que causa incômodo, a gastrite tem como característica a inflamação do revestimento que protege o estômago (a mucosa gástrica).

Diversos fatores podem estar relacionados aos seu surgimento, como:

  • infecção bacteriana;
  • uso excessivo de medicamentos;
  • tabagismo;
  • estresse;
  • reação autoimune.

A mucosa gástrica tem um papel fundamental no sistema digestivo, uma vez que sua função é proteger o estômago contra o ácido clorídrico e as enzimas digestivas, presentes nesse órgão.

Assim, funciona basicamente como uma barreira de proteção, impedindo que ambas as substâncias lesionem o revestimento do estômago.

Quando esta proteção falha, as substâncias causam danos à mucosa, resultando em sintomas bastante desconfortáveis.

Entre os sintomas da gastrite mais comuns, destacam-se:

  • dor abdominal;
  • sensação de queimação no estômago;
  • náuseas;
  • vômitos;
  • perda de apetite.

Ao notar um ou mais sintomas, é recomendado procurar ajuda médica imediatamente.

Como é feito o diagnóstico da gastrite?

O diagnóstico da gastrite segue uma combinações de ações, como:

  • Análise do histórico médico;
  • Exames físicos (como toque, massagem abdominal, etc);
  • Exames complementares (como endoscopia digestiva alta, exames de sangue);
  • Detecção de infecção (bactéria H. pylori).

Com a confirmação do diagnóstico, o médico gastroenterologista elabora um plano de tratamento específico para promover a cicatrização da mucosa gástrica e controlar os sintomas da gastrite.

Entre as principais formas de tratamento, estão:

  • mudança no estilo de vida, o que inclui evitar alimentos irritantes (como café, álcool, alimentos condimentados,etc);
  • uso de medicamentos para reduzir a produção de ácido estomacal e eliminar a infecção bacteriana.

É importante lembrar que a gastrite pode variar em relação à gravidade, sendo preciso abordagens específicas para cada caso.

O que não comer diante de uma gastrite?

Além de conhecer o que é gastrite, causas e tratamentos, é muito importante aprender quais alimentos são aliados e quais agravam o quadro de saúde.

É importante destacar que um profissional como o nutricionista é o mais indicado para definir o plano alimentar do paciente de acordo com suas necessidades e restrições.

Veja a seguir os alimentos que podem piorar a gastrite.

1. Alimentos picantes

Pimentas, molhos apimentados e condimentos fortes têm potencial para irritar o revestimento do estômago e agravar os sintomas da gastrite. Por isso, recomenda-se reduzir ou até evitar o seu consumo.

2. Alimentos fritos ou muito gordurosos

Alimentos ricos em gordura, como frituras, carnes gordas e laticínios, contribuem diretamente para o aumento da produção de ácido estomacal. Ou seja, o organismo precisa produzir mais ácido para poder digerir este tipo de alimento.

Além disso, a digestão se torna bem mais lenta, levando a uma irritação ainda maior do estômago. Assim, é recomendado optar por alimentos mais leves e com menor índice de gordura.

3. Alimentos ácidos

Frutas cítricas muito ácidas (como limão e laranja) são prejudiciais para quem sofre com a gastrite, além de poderem causar azia.

Entre os principais alimentos ácidos que precisam ser evitados, estão:

  • Frutas ácidas como abacaxi, laranja, limão, lima;
  • Tomates e alimentos em conserva;
  • Bebidas carbonatadas ácidas como os refrigerantes;
  • Café e chá, especialmente quando consumidos em grandes quantidades.

Vale salientar que algumas pessoas, mesmo com gastrite, conseguem consumir pequenas quantidades destes alimentos sem problemas, enquanto outras podem apresentar sintomas intensos, mesmo com pouca quantidade.

4. Álcool e tabaco

O álcool e o tabaco são substâncias que afetam a mucosa do estômago e induzem a uma maior produção de ácido gástrico, agravando ainda mais o quadro de gastrite.

A nicotina (presente no tabaco) é conhecida por reduzir a produção de muco no estômago, mas também prejudica o fluxo sanguíneo para a mucosa gástrica, dificultando a capacidade da mesma em se recuperar de úlceras e outras lesões associadas.

5. Alimentos processados e enlatados

Alimentos processados são prejudiciais para quadros de gastrite por vários motivos, como:

  • Elevado teor de gordura - levam a um agravamento e inflamação da mucosa gástrica, além de retardar o esvaziamento gástrico;
  • Aditivos e conservantes - estes ingredientes artificiais são adicionados para aumentar o tempo de vida e realçar o sabor desses alimentos. Embora sejam comestíveis, contribuem para uma piora dos sintomas da gastrite;
  • Excesso de sal - por serem ricos em sódio, estes alimentos aumentam a retenção de líquido corporal e causam inchaço. Além disso, a concentração de sal pode levar à formação de úlceras no estômago.
  • Baixíssimo teor de fibras - as fibras são muito importantes para a saúde digestiva. A falta delas resulta em uma digestão mais lenta, dificultando a regulação dos níveis de acidez no estômago.

Entre os principais exemplos de alimentos enlatados que fazem mal a pessoas com gastrite estão: salgadinhos, molhos prontos e alimentos pré-cozidos.

Como substituição, recomenda-se optar por alimentos frescos, como legumes, grãos integrais, carnes magras (peixe e frango) e iogurtes naturais.

Para ter uma alimentação adequada e de acordo com o nível de gravidade da gastrite, é preciso ter o acompanhamento de um especialista como o nutricionista.

Quem é mais propenso a desenvolver gastrite?

Na verdade, qualquer pessoa pode desenvolver gastrite. O que existe são fatores de risco que aumentam as chances de seu surgimento. Entre os principais fatores, destacam-se:

  • Uso prolongado de medicamentos anti-inflamatórios não esteroides (AINEs);
  • Consumo excessivo de álcool;
  • Infecção por Helicobacter pylori (uma das principais causas da gastrite);
  • Estresse e ansiedade crônica.

Além disso, outras condições de saúde podem contribuir para o aparecimento do problema, como as doenças autoimunes, a Doença de Crohn, infecções virais, doenças renais e as doenças hepáticas.

Complicações associadas à gastrite

Quando a gastrite não é tratada de forma adequada, pode haver consequências e complicações mais graves. Confira algumas das principais a seguir.

Hemorragia gastrointestinal

Quando a gastrite não é tratada, o indivíduo pode desenvolver hemorragias (sangramentos do revestimento do estômago). Essa hemorragia se manifesta na forma de vômito com sangue ou fezes escuras, exigindo atendimento médico imediato.

Anemia

A anemia pode ser uma consequência resultante da hemorragia gastrointestinal, já que quando há sangramentos frequentes, o organismo fica deficiente em ferro, resultando nessa condição de saúde.

A anemia caracteriza-se por baixos níveis de glóbulos vermelhos saudáveis, causando fadiga, fraqueza, falta de ar, entre outros sintomas.

Obstrução gástrica

Em alguns casos, pode ocorrer o bloqueio da passagem do alimento (estreitamento do canal do estômago), causando sintomas como:

  • dificuldade para engolir;
  • náuseas;
  • vômitos frequentes;
  • perda de peso.

Câncer gástrico

É preciso salientar que o câncer gástrico é muito raro em pessoas com gastrite. Porém, a inflamação crônica do estômago pode levar ao nascimento acelerado de células, especialmente se estiver associada à infecção por H. pylori.

Úlceras pépticas

Um dos quadros mais comuns de uma gastrite não tratada é o aparecimento de úlceras pépticas. As úlceras nada mais são que feridas abertas que se formam no revestimento do estômago ou no duodeno (a primeira parte do intestino delgado).

Entre os principais sintomas das úlceras pépticas estão sangramento gastrointestinal e dor abdominal intensa. Em casos mais graves, pode haver a perfuração do órgão.

Infecção por H. pylori e gastrite

A H. pylori é uma bactéria que coloniza a camada protetora do estômago, levando a uma resposta inflamatória e uma inflamação crônica do organismo. Estima-se, atualmente, que cerca de metade da população mundial esteja infectada com H. pylori.

A infecção com este tipo de bactéria ocorre através do contato direto com a mesma em condições insalubres de higiene ou ainda por via oral (através do compartilhamento de utensílios ou água contaminada).

Após a infecção, a bactéria pode permanecer por grandes períodos no estômago se não for tratada de forma correta.

O diagnóstico da H. pylori é feito por meio de testes específicos, como exames de sangue, teste de urease ou amostras de tecido durante uma endoscopia.

O tratamento ocorre através da combinação de antibióticos, medicamentos e supressores de ácido estomacal, geralmente tendo a duração de uma a duas semanas.

Conclusão

Como mostrado no post Gastrite: o que não comer, há alimentos que podem ajudar na recuperação da inflamação, enquanto outros podem piorá-la.

O consumo de comidas picantes e cítricas, por exemplo, podem intensificar os sintomas. Além disso, o uso de tabaco também não é recomendado, visto que pode piorar as lesões do revestimento estomacal.

Ao notar um ou mais sintomas da gastrite, recomenda-se agendar uma consulta com o clínico geral ou gastroenterologista para investigação do quadro de saúde e orientação de tratamento.

25/08/2023   •   há 10 meses