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Ansiedade aumenta a pressão arterial?

Revisado pela Equipe de Redação da Medprev

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A ansiedade é uma condição cada vez mais presente na sociedade. Além dos impactos psicológicos conhecidos, como preocupação excessiva, medo e nervosismo, ela também pode exercer influência sobre a saúde física, incluindo a pressão arterial.

A pressão arterial é a força exercida pelo sangue contra as paredes das artérias. Quando seus valores estão elevados, o que é chamado de hipertensão, há uma associação com um maior risco de desenvolvimento de doenças [cardiovasculares, como infarto e acidente vascular cerebral (AVC).

Conhecer a relação entre ansiedade e pressão arterial, e como o estado emocional pode impactar diretamente na saúde cardiovascular, é essencial para prevenir problemas de saúde.

Descubra se a ansiedade aumenta a pressão arterial e como gerenciar os sintomas ansiosos a seguir.

Como a ansiedade aumenta a pressão arterial?

A ansiedade, assim como o estresse, pode desencadear uma série de reações no corpo, incluindo o aumento da pressão arterial.

Esse fenômeno ocorre porque o corpo interpreta a ansiedade como um sinal de perigo, preparando-se para uma possível ameaça.

Como resultado, a pressão arterial pode subir temporariamente em resposta a situações desgastantes ou preocupantes.

Quando uma pessoa está ansiosa, o corpo libera hormônios do estresse, como adrenalina e cortisol, que podem aumentar a frequência cardíaca e contrair os vasos sanguíneos.

Isso, por sua vez, eleva a pressão arterial. Embora essa elevação seja geralmente temporária, no caso dos transtornos de ansiedade, ela pode se tornar um problema persistente.

De acordo com o Centro de Controle e Prevenção de Doenças (CDC) há uma relação entre a ansiedade crônica e o desenvolvimento da hipertensão arterial.

Estudos mostraram que pessoas com histórico de depressão grave ou ansiedade têm duas a três vezes mais chances de desenvolver hipertensão no futuro.

A conexão entre ansiedade e pressão arterial pode ser atribuída a vários mecanismos fisiológicos, incluindo o impacto do estresse crônico no sistema cardiovascular e o comportamento de risco associado à ansiedade, como tabagismo, consumo excessivo de álcool e dieta inadequada.

Além disso, a ansiedade, quando crônica, pode manter o corpo em constante estado de alerta, exercendo pressão sobre diversos sistemas orgânicos.

Sintomas da pressão arterial elevada

A pressão arterial é uma medida vital da saúde cardiovascular e é frequentemente expressa em dois números, como 120/80 mmHg, conhecidos como "12 por 8".

Esses números têm significados específicos e são fundamentais para entender o estado da saúde cardiovascular de uma pessoa.

Quando a pressão arterial atinge ou ultrapassa 130/80 mmHg, ou "13 por 8", isso já pode ser considerado um estado de hipertensão dependendo da pessoa.

Isso significa que a pressão nas artérias está consistentemente elevada, aumentando o risco de complicações cardiovasculares, como ataques cardíacos, derrames e doenças renais.

Identificar os sintomas da hipertensão é fundamental para buscar tratamento adequado e reduzir o risco de complicações cardiovasculares.

Confira alguns sinais comuns a serem observados.

Dor de cabeça

A dor de cabeça associada à pressão arterial elevada é geralmente descrita como uma sensação de pressão ou aperto na cabeça, especialmente nas têmporas ou na parte de trás da cabeça.

É importante observar que essa dor, além de ocorrer geralmente em crises hipertensivas graves, é diferente de outras cefaleias, como enxaquecas, por exemplo.

Enquanto as enxaquecas tendem a ser pulsáteis e, muitas vezes, acompanhadas de náuseas e sensibilidade à luz, a dor de cabeça relacionada à pressão arterial elevada pode ser mais constante e acompanhada de outros sintomas cardiovasculares.

Tontura ou vertigem

A tontura ou vertigem causada pela pressão arterial elevada geralmente ocorre devido ao comprometimento do fluxo sanguíneo para o cérebro.

Essa sensação de desequilíbrio pode ser distinguida de outras causas. Enquanto a tontura está frequentemente associada a mudanças na posição da cabeça, aquela relacionada à hipertensão tende a ocorrer independentemente da posição.

Falta de ar

A falta de ar ou dificuldade respiratória associada à pressão arterial elevada ocorre devido à dificuldade do coração em bombear sangue eficientemente para os pulmões.

Isso pode ser distinguido de outras causas de falta de ar, como doenças pulmonares obstrutivas crônicas (DPOC) ou asma.

Enquanto essas condições respiratórias geralmente apresentam sintomas como chiado no peito e tosse, a falta de ar relacionada à pressão arterial elevada pode ser mais sutil e ocorrer principalmente durante atividades físicas ou em momentos de estresse.

Cansaço

O cansaço ou fadiga excessiva causados pela pressão arterial elevada podem ser diferenciados de outras causas, como anemia ou distúrbios da tireoide, pela presença de outros sintomas cardiovasculares.

Enquanto a fadiga relacionada à anemia geralmente está associada a uma sensação de fraqueza e palidez, o cansaço causado pela hipertensão pode ser acompanhado por sintomas como dor no peito ou falta de ar durante o esforço físico.

Visão turva ou alterações na visão

Enquanto a pressão arterial elevada pode afetar os vasos sanguíneos dos olhos, levando a sintomas como visão turva ou alterações na visão, é importante destacar que outros problemas oculares, como glaucoma ou degeneração macular, também podem causar esses sintomas.

Dor no peito

Embora a dor no peito possa ser um sintoma de pressão arterial elevada, especialmente durante atividades físicas ou situações de estresse, é fundamental diferenciar essa dor da angina de peito, que é um sintoma comum de doenças cardíacas, como a doença arterial coronariana.

A angina de peito geralmente é descrita como uma dor ou desconforto no peito que pode se espalhar para os braços, pescoço, mandíbula ou costas, sendo desencadeada pelo esforço físico ou estresse emocional.

Portanto, se a dor no peito persistir ou piorar, especialmente acompanhada de falta de ar, sudorese ou náusea, é essencial procurar atendimento médico imediato.

Como gerenciar a ansiedade para controlar a pressão arterial?

A ansiedade persistente, se não tratada, pode ter consequências significativas para a saúde cardiovascular, principalmente quando há crises ansiosas.

Além do aumento da pressão arterial, essa condição pode contribuir para o desenvolvimento de problemas de saúde, como doenças cardíacas e acidentes vasculares cerebrais.

No entanto, existem várias estratégias que podem ajudar a controlar a ansiedade e manter a pressão arterial sob controle. Conheça algumas delas.

Praticar atividades físicas regularmente

A prática regular de exercícios físicos pode ser uma maneira de reduzir a ansiedade e melhorar a saúde do coração.

Atividades físicas, como caminhada, corrida, natação e ioga, não apenas beneficiam o corpo, mas também têm um impacto positivo no bem-estar mental.

Por exemplo, uma caminhada diária de 30 minutos pode ajudar a liberar endorfinas, os chamados "hormônios da felicidade", que podem aliviar os sintomas da ansiedade e reduzir a pressão arterial.

Organize o seu dia com antecedência

Embora nem tudo esteja sob controle e imprevistos possam surgir, o planejamento prévio por meio de listas e agendas é uma ferramenta poderosa para manter a organização.

Ao traçar suas tarefas e compromissos, o indivíduo ansioso ganha clareza e foco, o que facilita a reorganização caso algum contratempo ocorra.

Além disso, ao utilizar listas de tarefas, é possível priorizar as atividades mais importantes e urgentes, evitando que sejam esquecidas ou negligenciadas.

Cuidar da saúde emocional

Cuidar da saúde emocional é essencial para controlar a ansiedade e manter a pressão arterial estável.

Atividades como meditação, respiração profunda e terapia podem ser extremamente úteis.

Praticar a atenção plena (mindfulness)

A prática da atenção plena, também conhecida como mindfulness, é uma ferramenta poderosa para o controle da ansiedade e redução da pressão arterial.

Essa técnica de meditação e relaxamento ensina a focar a atenção no momento presente, sem julgamentos.

Ao praticá-la, o indivíduo pode se concentrar na sensação da respiração entrando e saindo do corpo, o que pode ajudar a acalmar, reduzindo a ansiedade e, por consequência, a pressão arterial.

Quando procurar ajuda profissional?

Se a ansiedade estiver afetando a qualidade de vida ou se a pressão arterial estiver consistentemente elevada, é fundamental buscar ajuda profissional.

A intervenção precoce pode ajudar a evitar complicações de saúde mais graves no futuro.

Além disso, é essencial distinguir entre os sintomas de ansiedade e outros problemas de saúde.

Por exemplo, enquanto a ansiedade pode causar palpitações, sudorese e tremores, esses sintomas também podem estar associados a condições como hipertireoidismo ou arritmia cardíaca.

Portanto, a avaliação por um profissional de saúde é fundamental para um diagnóstico preciso e um plano de tratamento adequado.

O psicólogo pode oferecer orientações personalizadas e ensinar estratégias para lidar com a ansiedade.

Já o psiquiatra pode avaliar a saúde geral e prescrever medicamentos, se necessário, para ajudar a controlar os sintomas.

Além disso, o cardiologista pode ser consultado para avaliar e monitorar a pressão arterial, também podendo prescrever medicamentos anti-hipertensivos e fornecer direcionamentos sobre mudanças no estilo de vida, como dieta e exercícios, para ajudar a reduzir a pressão arterial.

Conclusão

Como visto no post “Ansiedade aumenta a pressão arterial?”, embora a ansiedade possa aumentar temporariamente a pressão arterial, ao reconhecer e tratar adequadamente essa reação física, é possível reduzir os riscos de complicações cardiovasculares e melhorar a qualidade de vida geral.

Investir em estratégias de autocuidado, buscar apoio profissional e praticar técnicas de relaxamento, como a atenção plena, são passos importantes para manter a saúde mental e cardiovascular em equilíbrio.

Manter o acompanhamento psicológico também pode fazer toda a diferença na prevenção de transtornos de ansiedade e no manejo dos sintomas ansiosos.

12/02/2025   •   há 2 meses