4 tratamentos para transtorno dissociativo de identidade (TDI)
Revisado pela Equipe de Redação da Medprev
O transtorno dissociativo de identidade (TDI), conhecido anteriormente como transtorno de personalidade múltipla, é uma condição psiquiátrica complexa que se manifesta através da presença de duas ou mais personalidades distintas.
Este transtorno geralmente está ligado aos traumas opressivos na infância, resultando em fragmentação da identidade e amnésia dissociativa.
Contudo, fatores neurobiológicos, genéticos e relacionados ao ambiente também podem contribuir para o seu desenvolvimento.
Você quer aprender mais sobre o assunto, principais características e opções disponíveis para controle dos sintomas? Conheça 4 tratamentos para transtorno dissociativo de identidade (TDI) a seguir.
Principais tratamentos para TDI
1. TCC-FT
Dentre as abordagens da psicoterapia existentes, destaca-se a terapia cognitivo-comportamental focada no trauma (TCC-FT), que visa ajudar o paciente a explorar as experiências traumáticas e lidar com as identidades dissociativas.
O acompanhamento psicológico é essencial, principalmente para proporcionar suporte durante as crises existenciais.
2. Tratamento medicamentoso
O tratamento medicamentoso é focado no manejo dos sintomas que acompanham a condição, como depressão, ansiedade, impulsividade e abuso de substâncias.
No entanto, é importante salientar que os medicamentos não tratam a dissociação em si.
Os antidepressivos podem ser prescritos para tratar os sintomas depressivos associados ao TDI.
Já os medicamentos ansiolíticos podem ser utilizados para reduzir os sintomas de ansiedade.
Em alguns casos, estabilizadores de humor, como o lítio, podem ser considerados para ajudar a controlar a impulsividade e as oscilações de humor.
Os antipsicóticos podem ser prescritos em casos em que há sintomas psicóticos, como alucinações ou delírios.
No entanto, esses medicamentos exigem prescrição realizada pelo psiquiatra, uma vez que, além de serem recomendados para casos clínicos específicos, são remédios controlados.
É importante destacar que o tratamento medicamentoso deve ser somente parte de uma abordagem mais abrangente, como a terapia psicológica e a educação sobre a condição.
3. Suporte psiquiátrico
O suporte psiquiátrico fornece uma avaliação abrangente dos sintomas e contribui para o desenvolvimento de estratégias terapêuticas eficazes.
O psiquiatra, como parte da equipe de cuidados, realiza uma avaliação detalhada da condição mental do paciente, considerando a natureza complexa do TDI.
Em casos mais graves do transtorno, nos quais os sintomas apresentam risco significativo para o paciente e/ou pessoas ao redor, a internação psiquiátrica pode ser considerada.
A internação proporciona um ambiente controlado e seguro, possibilitando a estabilização do quadro do paciente.
Durante a internação, os profissionais de saúde mental podem monitorar de perto o paciente, ajustar a medicação conforme necessário e oferecer intervenções terapêuticas intensivas.
O acompanhamento psiquiátrico ao longo do tratamento é essencial para avaliar a eficácia das intervenções, realizar ajustes nas abordagens terapêuticas e fornecer rede de apoio ao paciente.
A colaboração entre psiquiatras, terapeutas e outros profissionais de saúde mental é fundamental para um tratamento abrangente e integrado do TDI, visando melhorar a qualidade de vida e promover a estabilidade emocional do paciente.
4. Técnicas modificadas de exposição
As técnicas modificadas de exposição são projetadas para dessensibilizar de forma gradual os pacientes de suas memórias traumáticas. No transtorno, muitas vezes, as memórias estão fragmentadas e associadas a diferentes identidades.
O objetivo desse tratamento é possibilitar que os pacientes enfrentem e processem as lembranças dolorosas de maneira segura e controlada.
Terapeutas especializados em TDI trabalham em colaboração com os pacientes para desenvolver estratégias individualizadas, levando em consideração a tolerância de cada um aos gatilhos traumáticos.
A exposição gradual pode envolver a exposição narrativa, na qual os pacientes são guiados a contar suas experiências traumáticas de maneira estruturada e segura.
Outras técnicas, como a dessensibilização sistemática, que visa reduzir a resposta emocional negativa associada às memórias traumáticas, promovem uma adaptação mais saudável.
O que é transtorno dissociativo de identidade?
O transtorno dissociativo de identidade (TDI) é caracterizado pela existência de múltiplas personalidades em uma mesma pessoa, acompanhadas por sintomas, como:
- lapsos de memória;
- esquecimento de informações pessoais;
- sensação de falta de identificação com o próprio corpo.
Essas identidades se alternam, muitas vezes, em resposta ao estresse extremo, levando a descontinuidades na fala, além de mudanças nos comportamentos físico, sexual ou emocional, por exemplo.
O transtorno dissociativo de identidade geralmente tem suas raízes em traumas significativos, especialmente na infância.
Abusos físicos, emocionais ou sexuais são comumente associados ao desenvolvimento desse transtorno.
Também pode surgir após acidentes e outros eventos traumáticos ao longo da vida. O risco de desenvolvimento é maior quando os agressores são familiares ou pessoas próximas.
Além dos traumas, fatores genéticos, influências culturais, volume reduzido do hipocampo e outros traumas psicológicos graves também podem contribuir para o desenvolvimento do TDI.
Embora o transtorno seja grave e complexo, é uma condição rara e tem sintomas que são comuns a outros problemas psiquiátricos, como:
Sintomas do transtorno dissociativo de identidade
O TDI é uma condição crônica e incapacitante, caracterizada por sintomas como os descritos abaixo.
Amnésia dissociativa
Uma característica marcante do TDI é a amnésia dissociativa, na qual os pacientes esquecem eventos recentes ou até informações pessoais.
Esses lapsos de memória, relacionados a eventos traumáticos, podem impactar de forma negativa a vida cotidiana.
Múltiplas Identidades
O TDI manifesta-se por meio de múltiplas identidades, podendo ocorrer sob a forma de possessão (identidade apropria-se do indivíduo de forma indesejada) ou não.
As mudanças de comportamento quando há a manifestação de outra identidade podem ser tão pronunciadas, que é como "se aquela fosse outra pessoa", o que pode afetar profundamente a vida do indivíduo que lida com o transtorno.
Alternância de identidade na rotina
No dia a dia, pessoas com TDI podem vivenciar mudanças abruptas de identidade, o que é refletido por meio de comportamentos distintos em uma mesma situação.
Essa alternância pode ocorrer no ambiente de trabalho, em relacionamentos e em diversas outras áreas da vida.
Além disso, quem lida com o transtorno também pode desenvolver diversos problemas mentais (como depressão e ansiedade) e apresentar comportamentos de risco (como abuso de substâncias, autolesão e tendência suicida), o que causa um grande sofrimento.
Diagnóstico do transtorno dissociativo de identidade
O diagnóstico do TDI é realizado por profissionais de saúde mental, como psiquiatras, considerando critérios específicos do DSM-5, como a presença de dois ou mais estados de personalidade, amnésia dissociativa e comprometimento significativo no funcionamento social ou ocupacional.
Para isso, é essencial uma avaliação criteriosa dos sintomas, histórico e impacto na vida do paciente.
Outros transtornos dissociativos, como a amnésia dissociativa e a desordem de despersonalização, também podem ser considerados no processo diagnóstico.
Informações de familiares e outros profissionais de saúde, como psicólogos, também são essenciais para confirmar o diagnóstico.
Conclusão
Como mostrado neste post sobre 4 tratamentos para transtorno dissociativo de identidade, esta condição psiquiátrica complexa e rara demanda uma abordagem integrada para que os seus sintomas sejam controlados.
A psicoterapia é uma ferramenta essencial para a exploração das experiências traumáticas e a integração das diferentes identidades, proporcionando suporte fundamental durante crises existenciais.
O tratamento medicamentoso, embora não seja a principal abordagem para a dissociação em si, atua no manejo dos sintomas associados, como depressão, ansiedade e impulsividade.
A internação em casos graves (quando há risco para a vida do paciente, por exemplo) atua na avaliação abrangente dos sintomas, permitindo ajustes nas abordagens terapêuticas e oferecendo suporte contínuo ao longo do tratamento.
Por fim, as técnicas modificadas de exposição podem ser utilizadas para auxiliar o paciente a lidar com as memórias traumáticas fragmentadas, atuando na sua dessensibilização.
A colaboração entre psiquiatras, terapeutas e outros profissionais de saúde mental é essencial para um tratamento abrangente, que objetiva melhorar a qualidade de vida e promover a estabilidade emocional do indivíduo com o transtorno.
07/03/2025 • há um mês