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Revisado pelo(a) Dra. Bárbara Ponce, CRM/MA 8911
Você já se perguntou qual é a diferença entre doença, síndrome, sintoma e transtorno? Embora todos esses termos estejam relacionados a uma alteração do estado normal de saúde, eles se referem a coisas diferentes.
Quando surge algum problema de saúde e é realizada uma consulta com o médico, há a expectativa de que ele atribua um nome, ou seja, um diagnóstico, ao que está sendo sentido.
Porém, nem sempre as queixas constituem uma doença propriamente dita, sendo possível ouvir do médico que o diagnóstico é uma síndrome ou um transtorno.
Entenda a seguir qual a diferença entre doença, síndrome, sintoma e transtorno e o que cada um desses termos significa!
Os sintomas são as queixas que um paciente relata ao profissional de saúde em uma consulta.
Esses são indicativos de que há uma alteração no corpo que é percebida pelo próprio paciente, como:
Embora os sintomas possam ser subjetivos, uma vez que não é possível medi-los, eles não devem ser descartados ou ignorados.
Inclusive, é importante diferenciar os sintomas dos sinais. Os sinais são alterações no aspecto, na estrutura física ou no metabolismo de um paciente que podem ser percebidos por outra pessoa (como um médico, um dentista ou outro profissional de saúde, o que pode indicar um possível adoecimento).
Diferente dos sintomas, os sinais não dependem do relato do paciente, pois eles podem ser percebidos mesmo sem a queixa, como nos seguintes casos:
Quando se analisam sintomas e sinais em conjunto, tem-se a sintomatologia do quadro clínico, que é essencial para o diagnóstico de doenças, síndromes e transtornos.
De acordo com a Organização Mundial de Saúde (OMS), doença é qualquer “ausência de saúde” acompanhada por alterações do estado de equilíbrio de uma pessoa em relação ao meio ambiente.
Dessa forma, o termo “doença” engloba o prejuízo das funções da psique, de um órgão em específico ou do organismo como um todo, o que origina sintomas e sinais característicos.
Atenção: as informações apresentadas neste texto têm caráter informativo e não substituem a consulta a um profissional qualificado.
Para que uma condição seja considerada uma doença, é preciso que ela atenda a três critérios:
As doenças podem ser causadas tanto por fatores externos (como infecções por vírus, bactérias e fungos) quanto por fatores internos (como malformações ou disfunções).
Alguns exemplos de doenças causadas por fatores externos, são:
Alguns exemplos de doenças causadas por fatores internos, são:
O termo síndrome tem origem na palavra grega “syndromé”, que significa “reunião”.
Em um contexto médico, a síndrome é definida como uma reunião de sintomas e sinais que estão associados a mais de uma causa.
Ou seja, na síndrome não é possível definir com exatidão o que desencadeia os sintomas e sinais apresentados pelo paciente.
Assim, enquanto as doenças podem ser mapeadas e reconhecidas por meio de sua manifestação clínica, as síndromes são quadros difíceis de definir.
Um exemplo disso é a síndrome de Raynaud, uma condição em que a pele fica gelada e pálida (ou azul) em função do estreitamento dos vasos sanguíneos em temperaturas frias.
Embora os sintomas sejam bem conhecidos, a síndrome de Raynaud está associada a diversas doenças, incluindo a esclerose sistêmica, o lúpus e a doença mista do tecido conjuntivo.
Como o quadro clínico apresentado não é específico de apenas uma doença, o fenômeno de Raynaud permanece sendo classificado como uma síndrome.
Algo parecido acontece com a síndrome de Down: embora se conheça muito bem como ela ocorre (trata-se de um erro na divisão do material genético que faz com que um cromossomo extra se junte ao 21º par), não se sabe exatamente o que causa essa alteração.
Por razões históricas, algumas síndromes que já tiveram suas causas e origens esclarecidas, mesmo atualmente sendo consideradas doenças, mantiveram seu nome antigo, como a síndrome da imunodeficiência adquirida (AIDS) e a síndrome metabólica.
Entre outros exemplos de síndromes, estão:
Um transtorno é uma alteração na saúde que nem sempre está associada a uma doença propriamente dita, embora possa afetar a qualidade de vida do paciente.
Em sua maioria, os transtornos estão relacionados à ordem mental ou psicológica.
Os transtornos mentais incluem qualquer quadro que possa comprometer a vida pessoal, familiar, social e profissional de um paciente, influenciando inclusive a forma como ele enxerga a si próprio e o que está ao seu redor.
Alguns exemplos de transtornos, são:
Esses e outros transtornos mentais não apresentam uma única causa definida, podendo ser resultado de aspectos biológicos (como o déficit ou o excesso de produção de um neurotransmissor) e psicológicos (a forma como o paciente se comporta e interage com o ambiente). Algumas vezes, eles também são chamados de “distúrbios”.
Quando se fala em alterações de ordem mental, prefere-se o termo “transtorno” porque o paciente raramente apresenta todos os sintomas e sinais que caracterizariam o quadro clínico.
Além disso, a escolha desse termo colabora para a mitigação do preconceito que ainda existe em torno das alterações mentais.
Conhecer qual a diferença entre doença, síndrome, sintoma e transtorno é importante para que o paciente busque suporte profissional sempre que necessário e mantenha a saúde em dia.
Fonte(s): Unicamp e Vya Estelar