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Revisado pelo(a) Sr. Rodrigo Pizzotti, CRP/SP 06200142
Você já deve ter se deparado com situações que despertaram preocupações momentâneas, como durante a espera pelo resultado de um exame médico, ao caminhar em um local potencialmente perigoso ou em uma entrevista de emprego.
A reação física provocada por esse tipo de situação pode estar relacionada a um termo chamado ansiedade.
Seja no dia a dia ou em um momento importante, saber como controlar seus efeitos no corpo e na mente é essencial para aliviar os sintomas e evitar que eles se tornem uma condição de saúde mental grave.
Quer saber mais sobre como controlar (regular) a ansiedade? Confira esse post até o final!
A ansiedade é uma reação emocional natural, um tipo de sinal que prepara a pessoa para o que está por vir.
Contudo, quando essa sensação passa a prejudicar o sono, a alimentação ou o trabalho, pode evoluir para problemas que afetam a saúde, como o transtorno de ansiedade generalizada (TAG).
De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), o Brasil é considerado o país com maior número de ansiosos da América Latina.
Estima-se que cerca de 9,3% da população sofra com esse problema. Ou seja, é um número que vem crescendo na última década, principalmente após a pandemia de COVID-19.
Outro dado importante sobre esse levantamento é em relação ao grupo que está mais propenso a sofrer com a ansiedade: as mulheres representam a maior parcela.
Enquanto cerca de 7,7% são consideradas ansiosas, no caso dos homens o índice é de 3,6%.
Inicialmente, a ansiedade é temporária e natural, mas ao tornar-se um transtorno, pode ser categorizada em alguns tipos, como:
Os sintomas da ansiedade podem se intensificar ao longo do tempo, gerando crises (com causas definidas) ou levando o indivíduo a ter (que comumente não têm uma origem exata).
Atenção: as informações apresentadas neste texto têm caráter informativo e não substituem a consulta a um profissional qualificado.
Porém, quando crises de ansiedade e/ou ataques de pânico ocorrem com frequência, podem ser indícios de um transtorno.
Em geral, as pessoas acometidas por essa condição de saúde não têm consciência sobre o seu diagnóstico.
Por isso, a maneira mais eficaz e segura de descobrir se os níveis de ansiedade estão mais altos do que o normal é recorrendo ao clínico geral, psicólogo ou psiquiatra.
Somente um profissional da saúde pode avaliar a condição do paciente com assertividade, fazendo a indicação de tratamentos ou encaminhando para outro especialista.
Comumente, a ansiedade causa mais de um sintoma ao mesmo tempo, podendo agravar o quadro de saúde de pessoas que já sofrem com outros problemas, como os cardíacos.
Conhecer os sinais do corpo é fundamental para saber como controlá-los.
Entre alguns dos sintomas físicos e psicológicos da ansiedade, estão:

Palpitações, falta de ar, taquicardia, sudorese excessiva, náuseas e perturbações do sono também ocorrem com frequência e em diferentes níveis de intensidade.
Os sintomas da ansiedade são similares a condições médicas diversas, por isso, é importante saber se a reação do organismo está diretamente ligada à saúde mental ou ao diagnóstico de doenças, como as que afetam a pressão arterial.
Durante o desenvolvimento das crianças, os pais, responsáveis e professores podem notar comportamentos que têm chances de serem sinais de transtornos e/ou distúrbios.
A ansiedade pode afetar crianças de diferentes idades e estar relacionada a alterações neurológicas e outras condições de saúde.
Para realizar o diagnóstico, é necessário que os responsáveis agendem uma consulta com o pediatra e descrevam os hábitos e rotina das crianças, além de histórico médico e informações complementares importantes.
Entre alguns dos sintomas que podem indicar ansiedade nos pequenos, estão:
É muito importante que os pais entendam a necessidade de buscar a ajuda de um profissional para realizar o diagnóstico e acompanhamento das crianças, já que a ansiedade pode ser temporária ou ter longa duração.
Quando não tratada, a ansiedade infantil pode evoluir para a TAG e aumentar as chances de desenvolver outros tipos de problemas mentais, como a depressão.
O tratamento pode ser realizado tanto com psicoterapia quanto com medicamentos (por exemplo), mas somente o especialista pode prescrever a melhor opção de acordo com o caso.
O início da puberdade é marcado por grandes mudanças, tanto físicas quanto fisiológicas, afetando diretamente a saúde mental dos adolescentes.
É muito comum que os jovens sintam ansiedade, principalmente, durante esse período, já que lidam com situações desafiadoras e uma adaptação constante a novas realidades.
Além disso, a transição da infância para a adolescência pode trazer inseguranças, receio sobre o futuro e também mudar significativamente o comportamento, gerando situações de conflitos familiares, por exemplo.
Cuidar da saúde mental, especialmente nesse período, e ter uma rede de apoio, é essencial para que a intensidade em relação a tantas descobertas seja sentida de maneira mais saudável.
A ansiedade na adolescência, pode ser percebida através de alguns sinais, como:
É importante lembrar que é natural que o adolescente tenha comportamentos e uma rotina diferente de antes, já que a autodescoberta está diretamente relacionada à maneira como o indivíduo se expressa.
Incentivar a comunicação e buscar entender o ponto de vista do jovem é um grande determinante para a sua formação como pessoa.
Embora a ansiedade seja uma reação natural, quando impacta na qualidade de vida do paciente, precisa ser tratada adequadamente.
O acompanhamento psicológico também pode auxiliar o paciente a entender melhor as mudanças e a controlar a ansiedade, inclusive em situações como provas e/ou vestibular.
Tanto o pediatra quanto o psicólogo e o psiquiatra podem auxiliar no mantimento da saúde mental e física na puberdade.
Com algumas ações, é possível melhorar a ansiedade e entender melhor a origem de seus sintomas:
O controle dos sintomas da ansiedade não é exato, já que cada indivíduo possui reações físicas e emocionais únicas.
Mas, embora haja essa variação, alguns cuidados podem ajudar a aliviar os sinais, principalmente em casos mais leves.
É importante lembrar que, ao notar a recorrência das crises de ansiedade, é necessário agendar uma consulta com um profissional para diagnóstico e tratamento adequados.
O profissional de saúde, baseando-se no histórico de vida do paciente (em uma avaliação clínica) e, se necessário, em exames laboratoriais, indica se há a necessidade de administrar medicamentos antidepressivos ou ansiolíticos.
O tratamento, em geral, não é pontual, mas sim prolongado – de seis a doze meses.
Com a constatação de efetividade, no caso de controle medicamentoso, as doses podem ser reduzidas ao longo do tempo.
Além disso, mudanças nos hábitos de vida (como na alimentação e no sono) também podem atuar como aliados no seu tratamento, já que afetam diretamente a qualidade de vida do indivíduo.
Confira abaixo algumas das medidas que podem ser tomadas para ajudar no controle da ansiedade.
As atividades físicas, além de fazerem bem para a saúde como um todo, elevam a produção de serotonina, uma substância que aumenta a sensação de prazer e bem-estar.
A prática de exercícios físicos deve ser feita sempre mediante orientação do médico, independente da idade.
Práticas frequentes, como caminhadas três vezes por semana, fortalecem o organismo e contribuem para a saúde mental. Com somente 30 minutos por dia, os níveis de ansiedade já podem começar a reduzir.
Outras opções são a pedalada ou corrida, exemplos de exercícios aeróbicos que promovem a melhora da oxigenação e, por consequência, das funções do corpo.
Em conjunto com a atividade física, uma alimentação equilibrada é essencial para evitar que os sintomas da ansiedade se intensifiquem.
Há alimentos que podem deixar o indivíduo ainda mais ansioso, mas também há opções como chás e remédios naturais para ansiedade que contribuem para acalmar.
Comidas ricas em gorduras ruins, como fast food e ingredientes industrializados, podem piorar os sintomas.
Já chocolate amargo e chá de erva-doce atuam combatendo a ansiedade e auxiliando principalmente nos primeiros sinais.
É fundamental consultar um nutricionista para o desenvolvimento de um plano alimentar adequado, o que inclui avaliar a alimentação e o consumo de chás naturais.
Na rotina, é comum entrar em contato com situações estressantes, como o pagamento de contas, gerenciamento de problemas com os familiares, planejamento para atingir metas no trabalho ou enfrentamento de cargas horárias intensas.
Nesses casos, a ansiedade ocorre como uma resposta natural do organismo, gerando sintomas diversos no indivíduo.
Ter tempo para si mesmo é fundamental para o controle dos níveis de ansiedade e para acalmar os pensamentos, uma vez que possibilita momentos de descanso do corpo e da mente.
Meditação e ioga, por exemplo, são duas maneiras de aliviar o estresse, já que têm como objetivo direcionar os pensamentos para o próprio indivíduo e se concentrar no presente.
Buscar técnicas que melhorem a respiração também ajuda a se sentir melhor consigo mesmo.
O acúmulo de objetos pessoais e a sobrecarga de compromissos podem ser causas diretas para o surgimento da ansiedade, já que aumentam as situações de frustração e estresse.
Com planejamento e organização, é possível gerenciar todas as responsabilidades, reduzir o desgaste emocional e físico, além de trazer maior estabilidade para a rotina.
Com horários definidos e maior controle sobre o dia a dia, é possível incluir momentos de lazer, em família, e para se exercitar.
Uma boa noite de sono é fundamental para manter a saúde em dia, ter bom humor e se recuperar após um dia cansativo.
Quem não mantém o mínimo de horas de descanso diariamente, pode sofrer com o cansaço acumulado e o esgotamento de energia.
É importante salientar que a fadiga é um dos gatilhos capazes de provocar crises de ansiedade.
Além de dormir de sete a oito horas por dia, é indicado escolher um local de descanso que possibilite uma boa qualidade de sono.
Ambientes arejados, livres de luminosidade e de ruídos são os mais recomendados para garantir o conforto.
Outro aspecto importante está relacionado ao horário de dormir: é preciso se preparar para descansar, evitando usar o celular ou aparelhos eletrônicos.
Uma boa noite é capaz de prevenir sintomas de ansiedade e melhorar a disposição.
Em muitas situações do dia a dia, é comum fazer planos de médio e longo prazo, como viajar, guardar dinheiro e se preparar para uma prova. Esse tipo de preocupação pode causar ansiedade e até atrapalhar a rotina.
Para evitar que isso ocorra, é recomendado focar no presente e, principalmente, em situações reais e/ou verossímeis (que têm chances de acontecer).
Pensar em um dia de cada vez ou buscar ajuda para lidar com a ansiedade pode impactar positivamente nos seus sintomas.
Ao se deparar com uma situação que causa ansiedade, a respiração tende a ficar mais ofegante, atrapalhando a oxigenação.
Nesses casos, é preciso lembrar de controlar a respiração, além de respirar de forma mais lenta.
Inspirar por três segundos e soltar o ar por cinco segundos é um exemplo de exercício de respiração que ajuda a acalmar e controlar os sintomas da ansiedade.
A terapia não é indicada apenas para quem é diagnosticado com condições de saúde mental que precisam de acompanhamento.
Ter ajuda profissional (como a do psicólogo ou do psiquiatra) é muito importante para a autodescoberta, auxílio na resolução de problemas em várias esferas da vida e para o diagnóstico de possíveis problemas precocemente, inclusive da ansiedade.
Cuidar de forma contínua da mente não só previne doenças mentais, mas também ajuda o organismo a ser saudável.
Por isso, além de adotar as mudanças acima, não tenha medo de buscar ajuda para entender os motivos da sua ansiedade.
Cuide-se! A ansiedade pode ser controlada quando recebe a atenção e os cuidados necessários.
Definir quando a ansiedade deve ser tratada é um desafio, uma vez que cada pessoa apresenta reações específicas.
Porém, alguns sintomas indicam que a ansiedade deixou de ser temporária e tornou-se um problema de saúde. Confira alguns deles a seguir:
Além das mudanças no comportamento, é preciso estar atento às variações emocionais frequentes ou constantes.
Para identificar esses pontos, o autoconhecimento é imprescindível, já que é a partir de padrões que é possível mapear variações anormais comportamentais e emocionais.
Como mostrado no post sobre como controlar a ansiedade, é comum que em situações do dia a dia surjam momentos que trazem preocupação e nervosismo.
Contudo, se os sintomas ansiosos tornam-se mais frequentes e/ou intensos, podem ser o início de um transtorno de ansiedade, como no caso da TAG.
Além de buscar medidas para controlar a ansiedade no cotidiano, é fundamental buscar a ajuda de um profissional de saúde para diagnosticar e tratar a condição mental de forma adequada.