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Revisado pelo(a) Dra. Isabela Messias Rocha, CRM/MG 96131
Consumir açúcar faz com que a ingestão dessa substância estimule o corpo a liberar neurotransmissores como a dopamina, que trazem sensação de bem-estar. Contudo, o que inicialmente seria inofensivo, quando se torna um vício por doce ou por açúcar, pode desencadear diversos problemas ao longo do tempo.
É comum que as pessoas consumam alimentos ricos em açúcar, como balas, chocolate, tortas, sorvetes e similares, para sentir satisfação, principalmente após um dia difícil ou estressante, por exemplo.
Porém, quando esse hábito se torna incontrolável e traz prejuízos para a saúde mental e/ou física, exige atenção profissional.
Saiba mais sobre o vício em doce (compulsão): como controlar e qual profissional procurar, a seguir.
O vício em doce, ou a compulsão alimentar por doces, se desenvolve ao longo do tempo, conforme a pessoa utiliza o açúcar como fonte de prazer.
Ao ingeri-lo, o corpo libera, entre outras substâncias, a dopamina, associada ao prazer e ao bem-estar.
Ao sentir isso, a tendência da pessoa é voltar a comer alimentos açucarados para viver a mesma sensação, o que se assemelha a um vício em drogas.
Contudo, quanto mais esse hábito se repete, maior a tolerabilidade, pois o corpo se acostuma com os efeitos do açúcar e exige uma quantidade maior para trazer a mesma recompensa para o cérebro.
Por essa razão, a tendência é que o consumo aumente progressivamente.
Assim se caracteriza o vício em doce, que leva a comportamentos compulsivos e nocivos devido à busca por prazer imediato.
É importante lembrar que sentir vontade ou desejo de comer doces é algo comum e natural, não causando preocupação.
Contudo, se há um comportamento descontrolado associado a prejuízos em diferentes aspectos da vida e da saúde, é preciso ficar atento.
A compulsão alimentar por doces surge quando há dependência da ingestão do açúcar regularmente.
Quando alguém está viciado, passa por sintomas da dependência, que possibilitam identificar o problema.
Essa dependência é desafiadora, principalmente se não há tratamento com o acompanhamento de um profissional, já que o estímulo dos doces no cérebro é similar ao efeito de outras substâncias viciantes.
Assim, a pessoa viciada sente um desejo incontrolável pelo açúcar e reforça isso sempre que come mais.
É possível identificar o vício em doce a partir de sintomas e de como podem se manifestar:
Atenção: as informações apresentadas neste texto têm caráter informativo e não substituem a consulta a um profissional qualificado.
O primeiro passo em direção ao controle do vício é perceber que o problema existe e que exige auxílio profissional (um psiquiatra ou psicólogo pode auxiliar na recuperação).
O vício em doces é problemático devido aos seus efeitos no organismo. Entre eles, está o surgimento de doenças relacionadas ao alto consumo de açúcar, como descrito abaixo.
A aterosclerose é o acúmulo de placas de gordura nas paredes das artérias, o que dificulta a circulação sanguínea, podendo causar bloqueio de artérias e veias.
O excesso de açúcar no sangue pode contribuir para processos inflamatórios e aumento dos níveis de triglicerídeos, favorecendo o desenvolvimento dessa condição.
O consumo exagerado de açúcar pode levar à hipertensão, obesidade e diabetes, fatores que aumentam significativamente o risco de AVC.
A cárie é a destruição do esmalte dentário causada por ácidos produzidos por bactérias que se alimentam dos açúcares presentes nos alimentos.
Por isso, a ingestão frequente de doces sem higienização adequada da boca acelera esse processo.
O consumo frequente de grandes quantidades de açúcar pode levar à resistência à insulina, aumentando as chances do desenvolvimento do diabetes tipo 2 (adquirida).
A doença compromete a regulação da glicose no sangue e exige cuidados contínuos.
O açúcar em excesso pode afetar o equilíbrio hormonal e promover retenção de sódio e água, o que contribui para o aumento da pressão arterial.
Além disso, a obesidade relacionada ao consumo de açúcar também é um fator de risco para a hipertensão.
O excesso de açúcar aumenta a ingestão calórica e favorece o acúmulo de gordura corporal, especialmente a visceral.
Isso pode levar à obesidade, que é um fator de risco para várias outras doenças crônicas.
Portanto, quando há perda de controle, desejo frequente e compulsivo por doces, além de impactos negativos na saúde ou na vida diária, é essencial buscar ajuda!
Embora o vício em doces seja complexo, quem busca reduzir o seu consumo pode adotar dicas que auxiliam nesse processo:
O tratamento do vício em doces envolve identificar o problema, modificar hábitos alimentares e emocionais, buscar ajuda profissional e, em alguns casos, pode haver indicação de medicamentos que ajudem a controlar a compulsão.
Entre os sintomas mais comuns estão: necessidade diária e frequente de doces, dores de cabeça, estereotipias (se balançar, balançar pernas e braços) ou nervosismo ao ficar sem açúcar, consumo escondido e o uso de doces para aliviar a ansiedade.
Medidas como aumentar a ingestão de proteínas, beber bastante água, consumir frutas no lugar de doces e evitar alimentos açucarados em casa ajudam a reduzir a vontade.
Medicamentos como antidepressivos, estabilizadores de humor ou inibidores do apetite podem ser indicados por psiquiatras para casos graves de compulsão, o que inclui a alimentar.
Durante a abstinência, podem surgir sintomas como dor de cabeça, irritabilidade, ansiedade, cansaço, inquietação e forte desejo por açúcar, especialmente nos primeiros dias sem consumo.
Reduzir a compulsão exige um conjunto de ações, como controlar distúrbios emocionais, evitar estoques de doces, comer frutas com baixo índice glicêmico e aumentar o consumo de proteínas, além de ter acompanhamento psicológico ou nutricional.
A vontade pode ter origem fisiológica, como deficiência de certos nutrientes, ou emocional, como estresse, ansiedade e depressão.
O consumo regular também condiciona o cérebro a buscar prazer no açúcar, gerando dependência.
A compulsão é um comportamento repetitivo e descontrolado, caracterizado pelo consumo de açúcar, mesmo sem fome ou diante de prejuízos físicos e emocionais, tornando-se uma espécie de mecanismo de prazer.
A superação exige tempo, adaptação alimentar, estratégias para substituir os doces por opções mais saudáveis, prática de atividades prazerosas, além de apoio profissional para enfrentar os gatilhos emocionais que alimentam o ciclo de dependência.
Após um exagero, recomenda-se hidratar o corpo, equilibrar a próxima refeição com fibras e proteínas, evitar culpa excessiva e observar os gatilhos que levam ao consumo, como forma de prevenir novos episódios.
A insulina é o principal hormônio responsável por retirar o açúcar do sangue e levá-lo às células.
Para ajudar o corpo, é importante manter uma alimentação equilibrada, praticar atividades físicas e, se necessário, seguir orientações médicas específicas.
Como mostrado neste post "Vício em doce (compulsão): como controlar", há sintomas que indicam o vício e a necessidade de buscar ajuda profissional.
A ingestão de açúcar pode interferir na saúde, causando doenças sérias como diabetes, aterosclerose e AVC, além de afetar a saúde mental.
Por esse motivo, é muito importante adotar estratégias para reduzir o seu consumo, uma vez que diversos fatores podem desencadear a dependência à substância.