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Revisado pelo(a) Sr. Ari Henrique Faustino Batista, CRP/PR 0838955
A depressão crônica (transtorno depressivo persistente) é uma condição mental séria que afeta cerca de 3% da população adulta mundial, segundo a OMS (2022). E uma das principais dúvidas sobre essa doença é se ela tem cura.
Se você convive ou conhece alguém que foi diagnosticado com o transtorno depressivo, é essencial buscar mais informações sobre o assunto, além de conhecer alguns dos seus principais tratamentos.
Descubra, a seguir, se a depressão crônica tem cura e como reduzir os seus sintomas.
A depressão, quando é uma condição crônica e recorrente, requer tratamento ao longo da vida para manter os seus sintomas sob controle.
Inclusive, segundo dados de 2018 da Nature, neuroimagens mostram redução de 10-20% no volume hipocampal em pacientes não tratados.
Por esse motivo, esse tipo de depressão não pode ser curado, uma vez que pode se manifestar novamente mesmo com tratamento, necessitando de acompanhamento constante com psicólogo e psiquiatra.
No entanto, com o protocolo adequado que combina medicamentos ISRS e terapia cognitivo-comportamental (TCC), cerca de 60% dos pacientes alcançam remissão sustentada dos sintomas.
Contudo, no caso da depressão pós-parto, por exemplo, a doença pode ser tratada e pode ter remissão completa dos sintomas por meio de diferentes tratamentos, como terapia e medicação.
Independente do tipo de depressão, o tratamento adequado é essencial para reduzir os sintomas e possibilitar a melhora da qualidade de vida e bem-estar.
A depressão crônica, também conhecida como transtorno depressivo persistente (TDP) ou distimia, se caracteriza por um estado de humor deprimido que dura um longo período.
Enquanto na depressão maior (TDM) os sintomas podem ocorrer em episódios distintos e intercalados com períodos de humor normal, na depressão crônica os sintomas estão presentes na maior parte do tempo, podendo persistir por anos.
Atenção: as informações apresentadas neste texto têm caráter informativo e não substituem a consulta a um profissional qualificado.
Isso significa que a pessoa pode manifestar uma tristeza constante, desesperança e desânimo crônicos, que afetam significativamente sua qualidade de vida e seu funcionamento diário.
Outra característica importante da depressão crônica é a sua associação com outros transtornos psiquiátricos, como:
Quando isso ocorre, o quadro clínico se torna mais complexo e requer abordagens terapêuticas mais abrangentes.
É importante ressaltar que a depressão crônica não deve ser confundida com um estado de tristeza passageiro ou reações naturais a eventos estressantes da vida.
Ela é uma condição médica que necessita de atenção profissional adequada.
Os sintomas da depressão crônica são semelhantes aos da depressão maior, porém eles persistem por um período mais longo. Alguns dos sintomas comuns são:
Além dos sintomas psicológicos, estudos de neuroimagem mostram que a depressão crônica está associada a alterações em estruturas cerebrais como o hipocampo, e a processos inflamatórios sistêmicos.
As causas exatas da depressão crônica ainda não são totalmente compreendidas, mas acredita-se que uma combinação de fatores genéticos, biológicos, ambientais e psicológicos desempenha um papel importante no seu desenvolvimento.
Entre alguns dos fatores que podem contribuir para a depressão crônica, estão:
Um dos principais desafios no tratamento da depressão crônica é o diagnóstico adequado.
Devido à natureza crônica dos seus sinais, muitas vezes, há confusão entre traços de personalidade e sintomas do transtorno.
A doença pode se manifestar em diferentes faixas etárias, desde a infância até a terceira idade.
É mais comum que surja na adolescência e há evidências de que sintomas semelhantes podem ter sido presentes desde a infância em muitos casos.
É essencial que os profissionais de saúde estejam atentos aos critérios diagnósticos estabelecidos e realizem uma avaliação abrangente para determinar se o paciente está sofrendo de distimia.
Embora não haja uma cura definitiva para a depressão crônica, existem várias opções de tratamento disponíveis para ajudar os pacientes a gerenciar seus sintomas e melhorar sua qualidade de vida.
A terapia de conversa, também conhecida como psicoterapia, é frequentemente recomendada como tratamento para a depressão crônica.
Diferentes abordagens terapêuticas, como a terapia cognitivo-comportamental (TCC), a terapia interpessoal (TIP) e a terapia psicodinâmica, podem ajudar os pacientes a entender e lidar com seus sintomas.
Em alguns casos, o tratamento com medicamentos, como inibidores seletivos da recaptação de serotonina (ISRSs) e inibidores da recaptação de serotonina-norepinefrina (IRSNs), pode ser prescrito para ajudar a aliviar os sintomas da depressão crônica.
Para casos resistentes, pode-se considerar a terapia eletroconvulsiva (TEC) ou estimulação magnética transcraniana (EMT).
Além disso, alguns pacientes podem se beneficiar do uso de suplementos como ômega-3, que podem ser coadjuvantes em alguns casos, embora seja importante consultar um médico antes de iniciar qualquer novo tratamento.
Estratégias de autoajuda específicas podem ser úteis para complementar o tratamento profissional da depressão crônica.
Isso inclui buscar apoio de amigos e familiares, praticar exercícios regularmente, estabelecer uma rotina de sono saudável e participar de atividades que tragam prazer e satisfação.
Desenvolver relacionamentos sólidos com amigos e familiares pode fornecer um apoio crucial durante os momentos difíceis.
Participar de atividades sociais e esportivas em grupo também pode ajudar a reduzir o isolamento e fortalecer os laços sociais.
Manter um diário, para anotar pensamentos, sentimentos e atividades diárias, pode ajudar a pessoa a se manter conectada ao presente e a avaliar seu próprio progresso ao longo do tempo.
É fundamental que as pessoas que sofrem de depressão crônica busquem ajuda profissional para obter um diagnóstico preciso e um plano de tratamento individualizado.
Psicólogos, psiquiatras e clínicos gerais podem oferecer apoio e orientação durante todo o processo de tratamento.
Como mostrado no post “Depressão crônica tem cura?”, esta é uma condição que, embora não tenha uma cura definitiva, pode ter seus sintomas gerenciados e reduzidos.
Com uma abordagem integrada que combina terapia, medicamentos, autocuidado e apoio social, os pacientes podem encontrar alívio e esperança em sua jornada de recuperação.
O acompanhamento médico e psicológico é determinante para a melhora da qualidade de vida e sucesso do tratamento.