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    Úlcera gástrica (péptica): o que é, sintomas e tratamento

    25/09/2025 • Tempo de leitura 7 min

    Revisado pelo(a) Dra. Bárbara Serafini Breda, CRM/RS 57350

    A úlcera gástrica, ou péptica, é uma condição médica que afeta a mucosa do estômago, causando lesões na parede interna do órgão. Esse problema de saúde é mais comum em adultos entre os 30 e 60 anos, embora possa ocorrer em qualquer faixa etária.

    O diagnóstico da úlcera gástrica é feito através de exames específicos. Já o tratamento envolve uma combinação de medicamentos que, no geral, tem como finalidade diminuir a produção de ácido gástrico e promover a cicatrização da úlcera.

    Quer saber mais sobre a úlcera gástrica: o que é, sintomas e tratamento? Acompanhe o post a seguir!

    O que é úlcera gástrica?

    Causada pela ação de ácidos gástricos e enzimas digestivas no revestimento estomacal, a úlcera gástrica é uma lesão ou ferida que afeta a mucosa do estômago, levando a uma “erosão” da parede interna do órgão.

    A infecção pela bactéria Helicobacter pylori ainda é a principal causa para o problema, podendo causar diversos sintomas.

    O indivíduo que sofre com a úlcera pode sentir muita sensibilidade, dor e queimação no estômago, principalmente quando ele está vazio. Isto porque, quando não há alimentos para serem digeridos, os ácidos atuam diretamente na ferida.

    Sintomas da úlcera gástrica

    Entre os sintomas mais comuns da úlcera gástrica, estão:

    • dor intensa abdominal (especialmente na região superior do abdômen);
    • sensação de queimação;
    • azia;
    • náuseas constantes;
    • vômitos;
    • perda de apetite;
    • perda de peso não intencional.

    A indigestão também é um dos sintomas característicos.

    A presença da úlcera leva à distensão abdominal, arrotos frequentes e flatulência, características marcantes do processo de indigestão.

    Em casos mais graves da condição, ocorre também sangramento gastrointestinal, perfuração do estômago e obstrução do trato digestivo. Se há a presença de sangue nas fezes ou no vômito, é preciso buscar ajuda médica imediata.

    Algumas pessoas podem não apresentar sintomas perceptíveis. Isto significa que cada pessoa reage de uma forma diferente frente ao problema.

    Diagnóstico da úlcera gástrica

    O diagnóstico da úlcera gástrica envolve uma combinação de ações detalhadas, exames médicos e testes específicos.

    Geralmente, o diagnóstico ocorre como descrito a seguir.

    Avaliação dos sintomas e histórico médico

    Atenção: as informações apresentadas neste texto têm caráter informativo e não substituem a consulta a um profissional qualificado.


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    Primeiramente, são obtidas informações detalhadas sobre o histórico médico do paciente (histórico na família, histórico do uso de remédios, etc), a fim também de descartar qualquer outra possibilidade de doença.

    Após essa etapa, são analisados os sintomas relatados pelo paciente, como a perda de apetite, a perda de peso, as náuseas, os vômitos, a azia, etc. Pode ser realizado também o exame físico para verificar os pontos de dor e desconforto abdominal.

    Testes de laboratório

    Uma vez identificados os sintomas, o médico pode solicitar testes de laboratório. A bactéria Helicobacter pylori é uma das principais causas das úlceras gástricas.

    Para confirmar a presença ou não dela no organismo, utilizam-se testes como o teste de respiração, testes de fezes ou exame de sangue.

    Exames específicos

    Existem três exames específicos para o diagnóstico da úlcera gástrica: endoscopia digestiva alta, biópsia e a radiografia de contraste.

    A endoscopia digestiva alta é um exame amplamente utilizado para descobrir problemas no sistema digestivo. Ela é realizada através da inserção de um tubo fino (com uma câmera na ponta) pela boca, que alcança o esôfago.

    Esta câmera permite visualizar as paredes internas do órgão, inclusive alterações na mucosa ou lesões. Em casos específicos, para uma investigação mais detalhada, pode ser realizada a biópsia (fragmento para análise posterior).

    A biópsia é um exame em que se retira um fragmento de uma parte do corpo. Ela pode ser incisional (quando a parte retirada é parcial) ou excisional (quando envolve um órgão ou lesão como um todo).

    No caso das úlceras gástricas, são retiradas pequenas amostras de tecido do revestimento do estômago para posterior análise laboratorial. Ela serve também para descartar qualquer outro tipo de problema, como o câncer.

    A radiografia de contraste, também conhecida como série gastrointestinal superior, é um exame de imagem que envolve a ingestão de um líquido por parte do paciente, seguido da realização de radiografias. O procedimento ajuda a detectar úlceras e também pode ser solicitado pelo gastroenterologista.

    Tratamento da úlcera gástrica

    Existem várias opções de tratamento para a úlcera gástrica que visam aliviar os sintomas, promover a cicatrização e também prevenir complicações futuras.

    O tratamento pode envolver uma série de combinações, incluindo medicamentos, mudanças no estilo de vida e, em alguns casos graves, intervenções cirúrgicas.

    Vale salientar que apenas o médico é qualificado para definir o diagnóstico preciso e um plano de tratamento de acordo com as necessidades do paciente.

    Medicamentos

    Os medicamentos para a úlcera gástrica são usados para curar ou facilitar a sua cicatrização, além de tratar qualquer inflamação na mucosa do trato gastrointestinal.

    Vale lembrar que os medicamentos só podem ser usados segundo a indicação de um médico, como o gastroenterologista. Entre as opções medicamentosas, estão:

    • Antibióticos - caso seja detectada a presença da bactéria H. pylori, o profissional de saúde pode prescrever uma combinação de antibióticos para erradicá-la;
    • Medicamentos protetores da mucosa - este tipo de medicamento forma uma camada protetora no revestimento do estômago. Dessa forma, ele ajuda a aliviar a dor e a proteger a úlcera (já formada) de danos adicionais;
    • IBPS (Medicamentos inibidores da bomba de prótons) - são medicamentos que reduzem a produção de ácido estomacal, ajudando assim na cicatrização da úlcera;
    • Antagonistas dos receptores de histamina H2 - assim como os IBPs, este tipo de medicamento também ajuda a reduzir a produção de ácido no estômago e pode ser usado para controlar os sintomas e promover a cicatrização.

    Mudanças no estilo de vida

    As mudanças no estilo de vida englobam mudanças práticas no dia a dia do indivíduo, como a adoção de hábitos mais saudáveis e que evitem o agravamento da úlcera gástrica. Entre eles, estão:

    • Parar de fumar - o tabagismo pode impactar significativamente na cicatrização e aumentar o risco de complicações (inclusive o câncer do trato digestivo);
    • Evitar consumir alimentos irritantes - alimentos picantes, álcool e cafeína, por exemplo, devem ser evitados ou consumidos com moderação;
    • Reduzir o estresse - o estresse não é causa direta para as úlceras gástricas. Contudo, ele pode agravar os sintomas. Existem diversas práticas para o gerenciamento do estresse, incluindo meditação, terapia e exercícios físicos específicos, que podem contribuir para a melhora dos sintomas.

    Cirurgia (casos extremos)

    Em alguns casos, a úlcera gástrica evolui para quadros graves. Quando não há uma resposta ao tratamento medicamentoso e uma grande piora do quadro de saúde, pode ser necessária uma intervenção cirúrgica.

    Essa cirurgia pode, por exemplo, remover parcialmente uma parte do estômago ou ainda reparar complicações, como perfuração ou sangramentos.

    Complicações da úlcera gástrica

    Caso a úlcera gástrica não seja tratada de forma adequada, existem várias complicações que podem surgir e exigir intervenção médica imediata. As principais são as seguintes:

    • Hemorragia - existem casos em que a úlcera pode sangrar, resultando em vômitos com sangue e presença de sangue nas fezes;
    • Perfuração - é raro, mas em alguns casos, a úlcera pode perfurar completamente a parede do estômago, levando a uma condição chamada peritonite. Esta situação requer intervenção cirúrgica imediata;
    • Obstrução - quando ocorre uma cicatrização repetida das úlceras, o estômago pode formar o que é conhecido como tecido cicatricial, levando à obstrução do órgão. Nesse caso, comumente o paciente apresenta náuseas, vômitos e perda de peso;
    • Câncer no estômago - embora seja muito raro, a úlcera gástrica não tratada pode aumentar o risco de desenvolver câncer de estômago (adenocarcinoma gástrico).

    Qual a diferença entre gastrite e úlcera gástrica?

    Tanto a úlcera gástrica quanto a gastrite afetam o revestimento do estômago; contudo, possuem características distintas.

    Para compreender melhor as diferenças, é importante lembrar, primeiramente, o que é a gastrite e como ela se manifesta no organismo.

    A gastrite é uma inflamação da mucosa do estômago.

    Ela possui dois tipos distintos: aguda ou crônica. A aguda caracteriza-se por eventos esporádicos, já a crônica é persistente e recorrente.

    Causada por diferentes fatores, a doença causa sintomas, como dor abdominal, sensação de queimação, náuseas, vômitos e indigestão.

    Seu tratamento envolve o uso de medicamentos e mudanças no estilo de vida para reduzir a acidez estomacal e aliviar os sintomas.

    A gastrite aumenta o risco de desenvolver úlceras gástricas, contudo, nem todas as pessoas com gastrite desenvolvem úlceras.

    O diagnóstico para diferenciar ambas as condições é feito através de exames clínicos, endoscopia e testes específicos para identificar ambas.

    Conclusão

    Como mostrado no post "Úlcera gástrica (péptica): o que é, sintomas e tratamento", as úlceras se manifestam por meio de diferentes sintomas, podendo, inclusive, ser confundidas devido às suas características.

    Assim que o diagnóstico é realizado, é fundamental seguir à risca as orientações médicas para evitar a piora do quadro de saúde do paciente.

    Com o suporte médico e tratamento adequados, grande parte das úlceras gástricas cicatriza completamente.