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Crise de depressão: o que é, sintomas e como lidar

Revisado pelo(a) Sr. Ari Henrique Faustino Batista, CRP/PR 0838955 , Psicologia

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A crise de depressão se caracteriza por uma persistente sensação de tristeza, além de falta de interesse em atividades diárias e perda de energia.

Segundo a OMS (2023), a depressão afeta mais de 280 milhões de pessoas globalmente, com sintomas que variam em gravidade.

Nem sempre os sinais da crise depressiva são claros e, quando tornam se intensos, podem afetar tarefas do dia a dia.

Reconhecer suas características e buscar ajuda profissional quando necessário são alguns dos aspectos essenciais para ajudar a pessoa que está enfrentando essa condição de saúde mental.

Descubra mais sobre a crise de depressão: o que é, sintomas e como lidar a seguir.

O que é uma crise de depressão?

A crise de depressão é caracterizada por sentimentos persistentes de tristeza, desesperança, falta de energia e interesse, além de outros sintomas emocionais e físicos.

Algumas pessoas podem experimentar episódios de depressão que são mais graves e intensos do que o seu estado depressivo habitual.

É importante ressaltar que a depressão é uma condição de longo prazo, e os episódios depressivos podem ocorrer de forma recorrente ao longo da vida de uma pessoa.

A busca por ajuda profissional é fundamental para avaliar o quadro clínico, determinar a gravidade da depressão e desenvolver um plano de tratamento adequado.

A depressão pode ser tratada. Além disso, o apoio adequado pode fazer uma grande diferença na vida da pessoa que vive com depressão.

Sintomas da crise de depressão

Os sintomas variam em intensidade e podem ser combinados. Segundo o DSM-5, a presença de 5 ou mais sintomas por pelo menos duas semanas (incluindo humor deprimido ou perda de interesse) sugere um episódio depressivo.

Sintomas emocionais

Entre os sintomas emocionais, estão:

  • tristeza persistente, vazio ou desesperança;
  • irritabilidade ou agitação (especialmente em crianças/adolescentes);
  • sentimentos excessivos de culpa ou inutilidade.

Sintomas físicos

Entre os sintomas físicos, estão:

  • fadiga crônica, mesmo após descanso;
  • alterações no sono (insônia ou excesso) e no apetite (perda ou ganho de peso);
  • dores inexplicáveis (cabeça, costas, músculos).

Sintomas cognitivos e comportamentais

Entre os sintomas cognitivos e comportamentais, estão:

  • dificuldade de concentração, memória ou tomada de decisões;
  • isolamento social e perda de interesse em hobbies;
  • pensamentos recorrentes sobre morte ou suicídio (busque ajuda imediata se este for o caso).

É importante lembrar que a depressão pode afetar pessoas de maneiras diferentes, e nem todos os indivíduos apresentam os mesmos sintomas.

Por exemplo, os homens podem manifestar mais irritabilidade do que tristeza, enquanto idosos podem ter queixas físicas predominantes, como descrito pela APA (American Psychological Association) em 2022.

Os sintomas também podem variar de acordo com a gravidade. Uma crise de depressão é uma condição de saúde mental grave e debilitante que afeta o bem-estar emocional, mental e físico da pessoa.

Causas da crise de depressão

A crise de depressão está associada a desequilíbrios em neurotransmissores, como serotonina, noradrenalina e dopamina, além de fatores genéticos e ambientais, resultando na falta de vontade de fazer coisas que habitualmente fazia, desânimo, insônia, vontade de ficar em casa e não ver ninguém, entre outros sintomas que atrapalham seu desempenho.

Uma crise de depressão não é desencadeada por uma causa única, mas sim por uma interação complexa de diversos fatores que podem variar de pessoa para pessoa, como:

  • Fatores genéticos - há uma predisposição genética para a depressão. Se o paciente tem familiares com histórico de depressão, pode estar em maior risco de desenvolvê-la;
  • Fatores biológicos - desequilíbrios químicos no cérebro, como diminuição da atividade de neurotransmissores como serotonina, norepinefrina e dopamina, estão associados à depressão;
  • Alterações no funcionamento cerebral - algumas áreas do cérebro que regulam o humor, como o córtex pré-frontal e o hipotálamo, podem funcionar de maneira diferente em pessoas com depressão;
  • Eventos estressantes - experiências estressantes da vida, como perda de emprego, morte de um ente querido, abuso, trauma ou problemas financeiros, podem desencadear ou contribuir para desencadear crise de depressão;
  • Histórico de doença mental - ter um histórico de transtornos de ansiedade, transtorno bipolar ou outros transtornos mentais aumenta o risco de desenvolvimento de depressão.

Diagnóstico da depressão

O diagnóstico é feito por profissionais de saúde mental (psiquiatras, psicólogos ou clínicos gerais), que avaliam sintomas e histórico do paciente.

O processo geralmente segue três etapas:

  • Avaliação clínica - o profissional de saúde faz perguntas sobre os sintomas e o histórico médico e psicossocial do paciente;
  • Critérios diagnósticos - é baseado nos critérios estabelecidos no Manual - Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais (DSM-5) ou em outras diretrizes diagnósticas reconhecidas;
  • Exclusão de outras condições - o profissional de saúde pode realizar exames médicos para descartar outras condições médicas que possam estar causando os sintomas.

Tratamento da depressão

O tratamento da depressão envolve uma abordagem multidisciplinar e individualizada, que pode incluir:

Psicoterapia

A psicoterapia é fundamental no tratamento da depressão, pois aborda os aspectos emocionais, cognitivos e comportamentais da doença.

Além das abordagens mencionadas, como a terapia cognitivo-comportamental (TCC), a terapia interpessoal (TIP) e a ACT (terapia que ajuda a aceitar emoções difíceis enquanto se age alinhado a valores pessoais), existem outras modalidades terapêuticas que podem ser consideradas no tratamento da depressão:

  • Psicoterapia psicodinâmica - essa abordagem explora as influências do inconsciente e as dinâmicas interpessoais em relação à depressão. O foco está na compreensão das origens dos sintomas e na resolução de conflitos emocionais;

  • Terapia de grupo - participar de um grupo terapêutico com outras pessoas que enfrentam a depressão pode proporcionar apoio, compreensão e compartilhamento de estratégias de enfrentamento;

  • Terapia familiar - em alguns casos, a terapia familiar pode ser benéfica, especialmente quando os conflitos familiares desempenham um papel significativo na depressão do paciente;

  • Mindfulness e meditação - práticas de mindfulness (que focam no momento presente, ou seja, em viver cada instante de forma plena) e meditação podem ajudar os pacientes a desenvolver habilidades para lidar com o estresse e os pensamentos negativos;

  • Terapia de exposição e prevenção de resposta - essa abordagem é muito útil para pacientes com depressão e transtorno obsessivo-compulsivo (TOC), uma vez que foca na exposição gradual a situações temidas e na prevenção de respostas compulsivas.

Medicamentos antidepressivos

Os medicamentos antidepressivos atuam de maneiras distintas no cérebro, e a escolha depende das características individuais do paciente e da gravidade dos sintomas:

  • Inibidores seletivos da recaptação de serotonina (ISRS) - esses medicamentos aumentam a disponibilidade de serotonina no cérebro, melhorando o humor;

  • Inibidores da recaptação de serotonina e noradrenalina (IRSN) - esses medicamentos afetam a serotonina e a noradrenalina, neurotransmissores que desempenham um papel na regulação do humor e da energia;

  • Inibidores da monoamina oxidase (IMAO) - embora menos comuns, os IMAOs são eficazes no tratamento da depressão resistente a outros medicamentos. No entanto, eles exigem uma dieta restritiva e interações medicamentosas cuidadosas.

É fundamental destacar que os medicamentos antidepressivos geralmente levam tempo para mostrar efeito completo e, às vezes, várias semanas.

Além disso, eles podem ter efeitos colaterais intensos. É muito importante que o paciente seja monitorado de perto pelo profissional de saúde durante todo o tratamento.

Nunca se deve interromper o uso de antidepressivos sem orientação médica, pois a interrupção abrupta pode levar a sintomas de abstinência e piora dos sintomas da depressão.

Apoio social e familiar

O suporte da família e amigos desempenha um papel importante no tratamento da depressão.

Alguns dos momentos mais desafiadores na vida de alguém que enfrenta a depressão são os de crise.

Chorar incessantemente, sentir uma tristeza profunda, se isolar e, em casos extremos, até considerar o suicídio, são alguns dos sintomas desse período.

Nestas situações, aqueles que estão próximos desempenham um papel fundamental: eles precisam mostrar que estão disponíveis para ouvir e apoiar a pessoa, compreendendo que ela precisa de atenção e cuidado.

O diálogo é extremamente importante, além de ouvir e prestar atenção no que outra pessoa tem a dizer.

Também é importante encorajá-la a pensar no futuro, em seus objetivos e desejos. Isso pode incentivá-la a seguir em frente e ajudar a superar a crise de depressão.

Além disso, negar o problema psicológico que uma pessoa está enfrentando pode atrapalhar. Não contradiga ou minimize o que ela sente. Este não é o momento para sermões ou brigas. Se não souber o que dizer, apenas fique em silêncio.

Conclusão

Como mostrado no post "Crise de depressão: o que é, sintomas e como lidar", as crises são caracterizadas por sentimentos intensos de tristeza, desesperança e outros sintomas emocionais e físicos.

É fundamental entender que a depressão é uma doença que precisa de tratamento.

O diagnóstico envolve uma avaliação clínica detalhada e a exclusão de outras condições médicas.

O tratamento geralmente inclui terapia, como a terapia cognitivo-comportamental (TCC), e, em alguns casos, o uso de medicamentos antidepressivos.

O apoio social e familiar desempenha um papel crucial na recuperação. Inclusive, é importante lembrar que a depressão afeta as pessoas de maneira diferente, tornando o tratamento individualizado uma prioridade.

A depressão é uma condição tratável, mas exige abordagem individualizada. Combinar terapia, medicamentos (quando necessário) e apoio social pode transformar vidas. Se precisar de ajuda, você não está sozinho(a): busque profissionais ou redes de apoio. A recuperação é possível.

04/04/2025   •   há 12 horas


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