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Transtorno de ansiedade generalizada (TAG) tem cura?

Revisado pela Equipe de Redação da Medprev

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Na sociedade repleta de desafios cotidianos, é notável o aumento dos transtornos mentais, como o transtorno de ansiedade generalizada (TAG). Inclusive, após a pandemia de COVID-19, muitos problemas de saúde mental foram intensificados, tanto devido aos impactos da doença na saúde quanto no modo de viver.

O TAG é uma condição mental caracterizada por uma preocupação excessiva no dia a dia, o que pode desencadear tanto sintomas psicológicos quanto físicos, como irritabilidade, inquietação, alterações nos batimentos cardíacos e dificuldade de concentração.

Devido aos prejuízos para a qualidade de vida e necessidade de acompanhamento profissional para tratá-la, é comum que muitas pessoas tenham dúvida se o transtorno de ansiedade generalizada (TAG) tem cura.

Você quer aprender mais sobre a doença e como ela se manifesta? Confira o conteúdo a seguir.

O transtorno de ansiedade generalizada tem cura?

O transtorno de ansiedade generalizada não é considerado curável, visto que a ideia de cura é compreendida como uma eliminação completa da doença.

No contexto do TAG, é importante ressaltar a distinção entre cura e remissão. A remissão se refere à supressão ou diminuição dos sintomas, sem a erradicação completa do transtorno.

Então, quando o transtorno é abordado, o paciente pode entrar em remissão, ou seja, embora o paciente possa vivenciar um período em que os sintomas estão ausentes ou substancialmente reduzidos, existe a possibilidade de que esses sintomas retornem quando o tratamento é interrompido.

O transtorno de ansiedade costuma apresentar uma característica persistente e desafiadora de tratamento, uma vez que os pacientes podem vivenciar períodos de remissão, indicando uma redução significativa ou até mesmo ausência temporária dos sintomas associados ao transtorno (o que pode contribuir para o abandono do tratamento).

Assim, é importante compreender que a remissão não indica uma solução definitiva.

Dependendo do quadro clínico do paciente, o tratamento (inclusive, medicamentoso) pode ser necessário ao longo de toda a vida.

Também pode ser necessário o acompanhamento psicológico contínuo para auxiliar no controle e manejo dos sintomas.

Nesse sentido, é importante compreender a importância de uma abordagem multidisciplinar e personalizada no tratamento do TAG, envolvendo a psicoterapia, o uso de medicamentos e mudanças no estilo de vida.

A eficácia do tratamento pode variar de acordo com cada pessoa, o que inclui o comprometimento do paciente com os cuidados necessários para o controle da doença.

O que é transtorno de ansiedade generalizada (TAG)?

O transtorno de ansiedade generalizada, também conhecido como TAG, é um distúrbio mental caracterizado por uma preocupação persistente e excessiva em relação a diversas situações e atividades cotidianas por um período de seis ou mais meses.

É importante ressaltar a distinção entre este transtorno mental e a ansiedade natural, visto que essas são condições completamente diferentes.

Todo ser humano se sente ansioso em algum momento da vida, seja em relação à expectativa de um acontecimento ou a um receio específico, por exemplo.

Esta é uma característica que faz parte dos instintos de sobrevivência, visto que o indivíduo, quando está em situações reais de perigo, tem respostas fisiológicas que o preparam para a luta ou fuga.

No entanto, quando o nervosismo e a preocupação são excessivos e possuem relação com diversas atividades ou acontecimentos (seja financeiros, da área da saúde ou familiar, por exemplo), podem indicar que um transtorno está em desenvolvimento.

A ansiedade intensa, que prejudica significativamente diferentes esferas da vida (como aspectos sociais, profissionais e familiares) e reduz a qualidade de vida por tempo prolongado, pode ser categorizada como um transtorno de ansiedade.

No caso de um transtorno ansioso, podem existir tanto sintomas psicológicos quanto físicos que se manifestam de forma prolongada e intensa, tais como cansaço, insônia, inquietação, dificuldade de concentração, alterações cardíacas e respiratórias.

Sintomas do transtorno de ansiedade generalizada

A presença dos sintomas do transtorno de ansiedade generalizada (TAG) de forma prolongada (por pelo menos seis meses) é essencial para o diagnóstico da condição.

A partir da avaliação pelo psiquiatra (seja da intensidade e da frequência dos sintomas), o tratamento pode ser indicado, comumente incluindo uma abordagem multidisciplinar.

O principal sintoma do TAG é descrito como uma combinação de preocupação e angústia excessiva, difícil de ser controlada e que resulta em prejuízos na vida do paciente.

Contudo, além dele, o transtorno também pode se manifestar de forma psicológica e/ou física.

Sintomas psicológicos do transtorno de ansiedade generalizada

Entre alguns dos principais sintomas psicológicos do TAG, estão:

  • inquietação;
  • dificuldade de concentração;
  • irritabilidade;
  • medo frequente;
  • sensação de estar no seu limite;
  • perda de memória;
  • sentimento de medo e apreensão frequentes;
  • incapacidade de relaxar;
  • dificuldade com autoexpressão;
  • pensamentos extremistas e negativos.

Sintomas físicos do transtorno de ansiedade generalizada

Entre alguns dos principais sintomas físicos do TAG, estão:

  • cansaço;
  • alterações respiratórias (como falta de ar);
  • alterações cardíacas (aceleração dos batimentos cardíacos);
  • tensão muscular;
  • dor de cabeça;
  • tremores e espasmos;
  • náuseas;
  • boca seca;
  • suor excessivo;
  • insônia;
  • palpitação.

Muitos pacientes diagnosticados com transtorno de ansiedade generalizada podem apresentar outros transtornos psiquiátricos associados, como síndrome do pânico, depressão maior e fobias (como a agorafobia).

Por essa razão, é fundamental procurar ajuda de um profissional de saúde mental (como psiquiatra), visto que ele irá auxiliar na adoção da melhor estratégia de tratamento de acordo com o quadro clínico.

Diagnóstico do transtorno de ansiedade generalizada

O diagnóstico do transtorno de ansiedade generalizada é realizado por profissionais de saúde mental, tais como psicólogos e psiquiatras, e é essencialmente clínico.

Para o TAG, o Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais (DSM) estabelece critérios diagnósticos específicos que incorporam a presença persistente de ansiedade e preocupação excessivas ao longo de um período mínimo de seis meses.

Além disso, no quadro clínico, deve ser apresentado um sofrimento significativo em relação a aspectos sociais, familiares, profissionais ou em outras áreas essenciais de sua vida.

É importante ressaltar que essa abordagem clínica não visa apenas a identificação dos sintomas, mas toda uma compreensão do impacto real que esse transtorno exerce no cotidiano do indivíduo.

Quando são analisados os sintomas, a ansiedade e a preocupação precisam estar associadas a pelo menos três sintomas na maioria dos dias nos últimos seis meses.

Isso é necessário, pois o diagnóstico é realizado a partir da exclusão de outros fatores, como medicamentos e comorbidades clínicas.

Tratamento do transtorno de ansiedade generalizada

O tratamento do transtorno de ansiedade generalizada é, de modo geral, abordado combinando intervenções relacionadas à psicoterapia, farmacoterapia e modificações no estilo de vida.

O objetivo principal do tratamento é ajudar o paciente a recuperar sua qualidade de vida a partir da redução dos sintomas ansiosos.

Em relação à psicoterapia, uma das principais formas de abordagem terapêutica no tratamento do TAG é a terapia cognitivo-comportamental (TCC), responsável por identificar e modificar padrões de pensamentos e comportamentos disfuncionais associados à ansiedade.

Para isso, é necessário o acompanhamento pelo psicólogo, que pode compartilhar estratégias de mudança de padrões de acordo com as necessidades do paciente.

Outra forma de tratamento complementar ao TCC é a terapia farmacológica (realizada com medicamentos).

Os fármacos de primeira linha são da classe dos antidepressivos como, por exemplo, os inibidores seletivos de recaptação de serotonina (ISRS), responsáveis por aumentar o nível de serotonina (neurotransmissor que atua na melhora do humor).

No caso do tratamento de curto prazo, o medicamento mais utilizado é o ansiolítico, visto que ajuda a aliviar os sintomas de forma rápida.

Além do tratamento psicológico e farmacológico, é essencial adotar um estilo de vida saudável.

Com uma dieta equilibrada, prática regular de exercícios físicos e rotina de sono adequada, por exemplo, é possível ajudar a reduzir parte dos sintomas.

Inclusive, também podem ser recomendadas técnicas de relaxamento, tais como a respiração profunda e o mindfulness, para ajudar a reduzir as respostas ao estresse e a promover a consciência do momento presente.

Conclusão

Como mostrado neste post “Transtorno de ansiedade generalizada (TAG) tem cura?”, quando se torna uma doença, a ansiedade exige diagnóstico e tratamento multidisciplinar.

Um dos maiores desafios enfrentados por quem lida com o transtorno é o abandono do tratamento devido à remissão dos sintomas, uma vez que a melhora temporária pode levar o paciente a acreditar que não é mais preciso manter o acompanhamento profissional.

Por essa razão, é fundamental compreender a diferença entre remissão e cura, destacando que os sintomas podem retornar após a interrupção do tratamento.

O transtorno de ansiedade generalizada é caracterizado tanto por sintomas psicológicos, como inquietação, irritabilidade, medo frequente e falta de concentração, quanto físicos, como alterações respiratórias e cardíacas, cansaço e tensão muscular.

Além de seguir as orientações indicadas pelo psiquiatra (o que pode incluir a prescrição de medicamentos), é fundamental ter suporte psicológico e fazer mudanças no estilo de vida para auxiliar na redução dos impactos do transtorno no dia a dia.

14/03/2025   •   há 20 dias