
• Tempo de leitura 8 min
Revisado pelo(a) Dra. Claudia Eliane Massola, CRP/SP 06141519
Lidar com transtornos mentais pode ser uma tarefa desafiadora tanto para aqueles que os possuem quanto para os seus entes queridos.
O transtorno de personalidade borderline é uma condição psicológica complexa que se manifesta por meio de comportamentos instáveis e mudanças de humor súbitas.
A identificação da condição é baseada em critérios clínicos, sendo que o tratamento envolve psicoterapia e, em alguns casos, medicamentos.
O diagnóstico desse transtorno gera muitas dúvidas, devido à sua complexidade e alguns sintomas semelhantes a outras doenças mentais, como o transtorno afetivo bipolar.
Uma das questões mais frequentes levantadas por quem quer conhecer mais sobre o assunto é se o transtorno de personalidade (síndrome) borderline tem cura. Descubra a seguir.
O transtorno de personalidade borderline (TPB) não tem uma cura definitiva. Isso significa que, tecnicamente, os sintomas da condição podem se manifestar ao longo da vida mesmo com acompanhamento profissional.
No entanto, há tratamentos especializados que visam aliviar os sintomas e melhorar a qualidade de vida do paciente.
A terapia pode ajudar os pacientes a aprender estratégias para lidar com seus sintomas, controlar impulsos e melhorar a qualidade de vida.
Outro aspecto a ser considerado, é que as experiências das pessoas com TPB podem variar significativamente.
Ou seja, há casos em que os sintomas não afetam a qualidade de vida significativamente, mas também pacientes que continuam tendo a vida afetada pelo transtorno.
O transtorno de personalidade borderline (TPB), ou síndrome de borderline, é caracterizado por instabilidade emocional, relacionamentos turbulentos e impulsividade, o que causa diversos prejuízos em diferentes esferas da vida.
Pessoas com borderline frequentemente demonstram mudanças rápidas de humor, medo de abandono, relacionamentos instáveis e comportamentos impulsivos.
Embora não tenha uma causa específica, há uma predisposição genética para o seu desenvolvimento, especialmente quando um dos pais também é afetado.
Traumas na infância, como abuso ou negligência, também podem desempenhar um papel importante no desenvolvimento deste transtorno.
Confira os principais sintomas da síndrome de borderline.
Atenção: as informações apresentadas neste texto têm caráter informativo e não substituem a consulta a um profissional qualificado.
As mudanças de humor podem ocorrer de maneira quase instantânea, variando de momentos de extrema felicidade e euforia, para profunda tristeza, raiva ou ansiedade.
Essa "montanha-russa emocional" pode ser angustiante tanto para a pessoa com TPB quanto para seus entes queridos, uma vez que é difícil prever como alguém se sentirá em determinado momento.
A instabilidade emocional pode afetar profundamente a qualidade de vida e a capacidade de agir de maneira consistente no dia a dia.
As relações interpessoais das pessoas com borderline, frequentemente, apresentam um padrão de intensidade e instabilidade.
Elas podem alternar entre idealizar intensamente uma pessoa, vendo-a como "perfeita" e, em seguida, desvalorizá-la rapidamente, acreditando que ela é má ou prejudicial.
Esse ciclo de idealização e desvalorização pode ocorrer repetidamente, gerando conflitos e tensões nos relacionamentos.
Essa dinâmica pode ser desafiadora para todos os envolvidos, e pode resultar em relacionamentos turbulentos e difíceis de manter.
Pessoas com borderline podem tomar decisões impulsivas, como gastar dinheiro de forma imprudente, envolver-se em comportamento sexual de risco ou fazer uso relacionado a substâncias, incluindo álcool e drogas.
Essas ações impulsivas, muitas vezes, são uma tentativa de lidar com a dor emocional intensa e a instabilidade interna experimentada.
Contudo, esses comportamentos podem ter consequências prejudiciais para a saúde física e financeira.
As pessoas com transtorno borderline podem manifestar ideação suicida ou automutilação (como se cortar, queimar ou provocar danos) como forma de aliviar a dor emocional intensa que acompanha o transtorno.
Esses comportamentos são um sinal claro de que uma pessoa está sofrendo profundamente, requerendo intervenção e tratamento imediatos.
A raiva é uma emoção intensa e difícil de ser controlada. Pessoas com borderline podem experimentar essa emoção de forma frequente, e direcioná-la a pessoas próximas ou até a elas mesmas.
Após esses picos de raiva, muitas vezes, há o surgimento de vergonha e culpa intensa.
Essa dificuldade em se controlar emocionalmente, pode resultar em problemas nos relacionamentos e no isolamento social, já que as pessoas ao redor podem ter dificuldades em compreender e lidar com essas explosões emocionais.
Pacientes com esse transtorno têm medo de abandono, o que os leva a fazer esforços intensos para evitar a solidão, como se colocar em situações em que possam receber mais atenção.
Além disso, eles tendem a mudar rapidamente sua visão sobre as pessoas, alternando entre a idealização e o desprezo.
Possuem, também, sentimentos de desvalorização de si, acreditando que os outros não se importam o suficiente, o que aumenta a sensação de solidão e vazio interior persistente.
O diagnóstico da síndrome de borderline é feito por um psiquiatra, que considera os sintomas, o comportamento da pessoa e os prejuízos causados por eles em sua vida pessoal e profissional.
Para diagnosticar o transtorno de personalidade borderline, os pacientes devem atender a critérios clínicos específicos, que incluem instabilidade nos relacionamentos, na autoimagem e nas emoções, assim como a presença de impulsividade, entre outros.
É necessário que o paciente apresente, pelo menos, cinco dos critérios estabelecidos.
O tratamento do transtorno de personalidade borderline é uma abordagem complexa e multifacetada, que visa melhorar a qualidade de vida e a rotina do indivíduo afetado.
Consiste, principalmente, na psicoterapia, e no uso de medicamentos, em determinados casos, de forma complementar.
A psicoterapia é essencial para ajudar o paciente a desenvolver habilidades de enfrentamento e estabilização emocional.
Esse recurso, quando aplicado de forma contínua, pode ajudar a manter o progresso e fornecer um espaço seguro para lidar com os desafios do transtorno.
A psicoterapia desempenha um papel central no tratamento do transtorno de personalidade borderline.
A terapia cognitivo-comportamental (TCC) e a terapia dialética comportamental (TDC) são as abordagens mais comumente utilizadas.
Essas terapias ajudam os pacientes a desenvolver habilidades de enfrentamento, gerenciamento emocional e resolução de conflitos, além de contribuir para a identificação e a modificação de padrões de pensamento disfuncionais.
O uso de medicamentos, em alguns casos, pode ser uma parte importante do tratamento do transtorno de personalidade borderline.
Antidepressivos, como os inibidores seletivos de recaptação de serotonina (ISRS), podem ser prescritos para ajudar a aliviar sintomas de depressão e ansiedade, comuns em pessoas com transtorno de personalidade borderline.
Eles podem ajudar a estabilizar o humor, e a reduzir a intensidade das oscilações emocionais.
Esses medicamentos ajudam a regular as flutuações de humor, proporcionando uma sensação geral de estabilidade emocional.
Nos casos em que os sintomas incluem paranoia, ideias delirantes ou descontrole emocional grave, os antipsicóticos podem ser recomendados.
Eles ajudam a reduzir os sintomas psicóticos e podem melhorar a capacidade de raciocínio e o controle emocional.
É importante ressaltar que o uso de medicamentos no tratamento do transtorno de personalidade borderline deve ser cuidadosamente avaliado e monitorado pelo psiquiatra.
Os medicamentos não são uma cura definitiva para o transtorno de personalidade borderline, mas podem ser uma ferramenta útil no gerenciamento e controle dos sintomas, permitindo ao paciente uma vida mais funcional e proporcionando um ambiente emocionalmente estável para a terapia, e desenvolvimento de habilidades de enfrentamento.
A escolha do medicamento e sua dosagem devem ser individualmente prescritas de acordo com as necessidades de cada paciente e revisadas regularmente sob a supervisão do psiquiatra.
A rede de apoio desempenha um papel vital no manejo eficaz do transtorno de personalidade borderline, uma vez que familiares e amigos podem proporcionar um ambiente emocionalmente seguro para o paciente.
Uma das maneiras mais eficazes de apoiar alguém com TB é se informar e educar sobre a condição.
Compreender os seus sintomas, os desafios encarados pela pessoa e as estratégias de enfrentamento, pode ajudar entes queridos a oferecerem o suporte necessário de forma mais eficaz.
Isso envolve ouvir sem julgamento, mostrar compreensão e empatia, e estar disponível para a pessoa quando ela precisar conversar ou desabafar.
Em alguns casos, familiares e amigos podem ser convidados a participar de sessões de terapia em grupo ou terapia familiar, o que ajuda a melhorar a comunicação, fortalecer os laços e promover um ambiente mais harmonioso.
Estabelecer limites de segurança, também é importante para proteger tanto a pessoa com o transtorno quanto os membros da rede de apoio.
Isso envolve definir limites claros sobre o que é aceitável em termos de comportamento e comunicação, garantindo que todos se sintam seguros e respeitados.
Manter um estilo de vida saudável é essencial para o bem-estar emocional de qualquer pessoa, incluindo aquelas com transtorno de personalidade borderline.
Isso inclui adotar uma dieta equilibrada, praticar exercícios regulares e garantir um sono adequado. Esses hábitos podem ajudar a reduzir a intensidade dos sintomas.
Muitas vezes, o transtorno de personalidade borderline coexiste com outros problemas de saúde mental, como depressão e ansiedade.
Portanto, é fundamental identificar e tratar esses transtornos, simultaneamente, para uma melhora significativa.
Além disso, é importante realizar um diagnóstico diferencial para distinguir o transtorno de personalidade borderline de outras condições que possam apresentar sintomas semelhantes, como o transtorno afetivo bipolar.
Como mostrado neste post "Transtorno de personalidade (síndrome) borderline tem cura?", o transtorno pode ser tratado e gerenciado com sucesso por meio de abordagens terapêuticas e, em alguns casos, medicamentos.
O prognóstico da condição varia, sendo assim, pode haver o controle e remissão dos sintomas, mas também a possibilidade de manifestá-los durante a vida.
Ter acompanhamento profissional com o psiquiatra e o psicólogo é parte fundamental para o manejo do transtorno.
A rede de apoio, que inclui familiares e amigos, desempenha um papel crucial no processo de recuperação.
Além disso, o autocuidado e o tratamento contínuo, são fundamentais para melhorar a qualidade de vida das pessoas com TPB.