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    1. Hiperatividade infantil: o que é, sintomas e tratamento
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    TDAH
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    Hiperatividade infantil: o que é, sintomas e tratamento

    25/09/2025 • Tempo de leitura 10 min

    Revisado pelo(a) Sr. Ari Henrique Faustino Batista, CRP/PR 0838955

    A hiperatividade infantil é uma condição caracterizada por um nível excessivo de atividade motora e impulsividade, o que pode interferir no cotidiano da criança e trazer dúvidas para os pais e responsáveis sobre como lidar com ela.

    Quando está relacionada ao diagnóstico do transtorno do déficit de atenção e hiperatividade (TDAH), a hiperatividade infantil requer atenção e compreensão por parte dos pais, educadores e profissionais de saúde.

    É importante diferenciar a hiperatividade como traço de temperamento (comum em muitas crianças) da hiperatividade como sintoma do TDAH, que é mais severa, persistente e causa prejuízo funcional significativo em múltiplos ambientes.

    Independente do diagnóstico, compreender os efeitos da hiperatividade é fundamental para oferecer suporte adequado às crianças que lidam com essa agitação.

    Neste artigo, veja mais sobre a hiperatividade infantil: o que é, sintomas e tratamento disponíveis!

    O que é hiperatividade infantil?

    A hiperatividade infantil é uma condição caracterizada por um nível excessivo de atividade motora e impulsividade em crianças.

    Embora a hiperatividade seja uma das principais características necessárias para o diagnóstico de TDAH, uma criança hiperativa não necessariamente possui o transtorno.

    A hiperatividade pode ser um sintoma de outras condições, como ansiedade, trauma, problemas sensoriais ou até mesmo ser um aspecto do temperamento da criança em desenvolvimento. A avaliação profissional é crucial para esse diferencial.

    É indicado que os pais ou responsáveis, ao notarem a hiperatividade infantil em conjunto com outros sintomas, busquem orientação profissional.

    O diagnóstico é multidisciplinar, mas tipicamente envolve uma avaliação médica com psiquiatra infantil, neurologista infantil ou pediatra, que pode contar com o apoio de um psicólogo para uma avaliação detalhada.

    Quais são os sintomas da hiperatividade infantil e do TDAH?

    Além da hiperatividade infantil, é importante conhecer mais sobre os sintomas do TDAH para buscar orientação e diagnóstico, se necessário (uma vez que são condições diferentes, mas que podem estar vinculadas).

    1. Hiperatividade

    As crianças com hiperatividade estão constantemente em movimento e têm dificuldade em ficar paradas ou sentadas por longos períodos de tempo.

    Elas podem correr, pular, subir em móveis e apresentar agitação constante, como se estivessem sempre "ligadas".

    Atenção: as informações apresentadas neste texto têm caráter informativo e não substituem a consulta a um profissional qualificado.


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    Sinais específicos incluem: remexer ou batucar mãos e pés, levantar-se da cadeira em sala de aula, correr ou subir em objetos em situações inadequadas, dificuldade em brincar ou se envolver em atividades de lazer calmamente, falar excessivamente.

    Essa agitação excessiva pode ser observada em casa, na escola e em outras atividades, o que pode dificultar o engajamento em tarefas que exigem concentração por um longo período.

    2. Desatenção

    Crianças com hiperatividade frequentemente têm dificuldades em manter a atenção em tarefas específicas, embora elas não necessariamente possuam déficit de atenção.

    As crianças podem parecer distraídas, ter dificuldade em seguir instruções e cometer erros por falta de cuidado.

    Além disso, a desorganização é um aspecto comum da desatenção, tornando difícil para essas crianças colocarem em ordem as suas atividades e pertences.

    Por isso, é comum que percam objetos com frequência e que tenham dificuldade em cumprir tarefas diárias.

    Outros sinais de desatenção incluem: parecer não ouvir quando lhe dirigem a palavra, dificuldade em organizar tarefas, evitar tarefas que exijam esforço mental sustentado, distrair-se facilmente com estímulos externos e esquecer de atividades diárias.

    3. Impulsividade

    As crianças com TDAH ou com hiperatividade, comumente, apresentam a impulsividade, ou seja, podem agir sem pensar nas consequências, interromper uma conversa ou ter dificuldade em esperar sua vez, por exemplo.

    A impulsividade no TDAH vai além da social; inclui impulsividade cognitiva (dar respostas precipitadas antes de a pergunta ser completada) e impulsividade motora (agir sem pensar no perigo).

    Além disso, elas podem tomar decisões precipitadas e ter dificuldade em avaliar os riscos associados a determinadas situações.

    Essa impulsividade pode causar problemas em suas relações sociais e dificultar a adaptação às regras sociais e escolares.

    4. Dificuldades acadêmicas e sociais

    As crianças com TDAH ou hiperatividade também podem enfrentar desafios acadêmicos e sociais.

    Elas podem ter dificuldade em se concentrar nas tarefas escolares, seguir as regras em sala de aula e interagir com os colegas de forma apropriada.

    Dificuldades sociais muitas vezes surgem da impulsividade (interromper os outros), da hiperatividade (invasão do espaço pessoal) e da dificuldade em interpretar pistas sociais sutis, e não apenas da desatenção.

    Essas dificuldades podem levar a problemas de aprendizado, baixo rendimento escolar e isolamento social.

    O TDAH ou a hiperatividade também pode tornar difícil manter a atenção e controlar impulsos, o que interfere na capacidade de absorver e processar as informações apresentadas em sala de aula.

    Cabe salientar que nem todas as crianças com TDAH e/ou hiperatividade apresentarão todos os sintomas listados.

    Além disso, é preciso mencionar que o TDAH se manifesta de três formas diferentes, de acordo com os sintomas predominantes:

    • Apresentação combinada - quando existem vários sintomas de desatenção e de hiperatividade-impulsividade;
    • Apresentação predominantemente desatenta - quando predominam os sintomas de desatenção, sem hiperatividade motora evidente (o que antigamente era chamado de 'TDA');
    • Apresentação predominantemente hiperativa/impulsiva - quando predominam os sintomas de hiperatividade e impulsividade."

    Como é feito o diagnóstico de TDAH?

    O diagnóstico do TDAH com a hiperatividade infantil como sintoma é um processo complexo que requer a avaliação de profissionais de saúde capacitados, como médicos, psicólogos e psiquiatras.

    Esses profissionais realizam uma análise criteriosa dos sintomas apresentados pela criança, levando em consideração também o histórico clínico e comportamental.

    Durante a avaliação, os profissionais observam os sintomas característicos do transtorno.

    É importante ressaltar que esses sintomas devem estar presentes em diferentes contextos, como em casa, na escola e em outras atividades, além de causar um prejuízo significativo no desenvolvimento geral da criança.

    Além disso, os profissionais também consideram outros aspectos que podem estar contribuindo para os sintomas, como transtornos de aprendizagem, problemas emocionais ou de saúde física.

    É fundamental descartar outras condições médicas ou psiquiátricas que possam estar relacionadas aos sintomas apresentados pela criança.

    O diagnóstico precoce e preciso é fundamental para que a criança receba o tratamento adequado e possa desenvolver estratégias de enfrentamento para lidar com os sintomas do TDAH.

    Em relação à hiperatividade infantil, como uma característica isolada, esse não é um sintoma suficiente para o diagnóstico de TDAH, mas é importante ter uma avaliação de um especialista para orientação adequada sobre os cuidados e tratamentos necessários.

    Qual é o tratamento da hiperatividade infantil no TDAH?

    O tratamento da hiperatividade infantil no TDAH requer uma abordagem multidisciplinar, envolvendo diferentes estratégias terapêuticas para auxiliar a criança no manejo dos sintomas e no desenvolvimento de habilidades de autorregulação. Veja alguns a seguir.

    Terapia comportamental

    A terapia comportamental é considerada um pilar fundamental no tratamento da hiperatividade infantil.

    Essa abordagem visa auxiliar a criança a desenvolver habilidades de autorregulação e a promover o controle dos impulsos e melhorar a concentração.

    Entre as técnicas de terapia comportamental estão:

    • técnicas de treinamento de pais;
    • terapia cognitivo-comportamental;
    • estratégias de organização e planejamento.

    Essas intervenções têm como objetivo ajudar a criança a lidar com os desafios diários, promover a autoconfiança e melhorar o funcionamento em diferentes contextos.

    Ambiente estruturado

    Um ambiente estruturado e organizado pode ser extremamente benéfico para crianças hiperativas.

    Estabelecer rotinas consistentes, fornecer instruções claras e estabelecer limites e regras adequados à idade da criança são medidas importantes.

    Estratégias práticas incluem: usar agendas visuais, quebrar tarefas grandes em passos menores, oferecer escolhas limitadas, usar lembretes e alertas visuais, além de criar um espaço de estudos com poucos distratores.

    Um ambiente estruturado ajuda a criança a ter uma noção clara do que é esperado dela, reduzindo a ansiedade e proporcionando um senso de segurança.

    Além disso, é importante minimizar as distrações e criar espaços propícios para a concentração e o foco.

    Medicação

    Em casos mais graves de TDAH, quando outras estratégias terapêuticas não são suficientes, pode ser considerado o uso de medicamentos estimulantes.

    Esses medicamentos ajudam a controlar os sintomas da hiperatividade, melhorando a capacidade de concentração e reduzindo a impulsividade.

    No entanto, é importante ressaltar que o uso de medicamentos deve ser sempre feito sob a supervisão de um médico especialista, que avaliará os riscos e benefícios, assim como ajustará a dosagem de acordo com as necessidades individuais da criança.

    Suporte educacional

    Um suporte educacional adequado é essencial para crianças com TDAH. É importante que a escola esteja ciente do diagnóstico e ofereça adaptações necessárias para promover o sucesso acadêmico da criança.

    No Brasil, o aluno com TDAH tem direito a um Plano de Ensino Individualizado (PEI) e a adaptações curriculares garantidas por lei.

    Isso pode incluir: tempo adicional em provas, provas em ambiente separado, instruções por escrito, sentar-se na frente da sala e focar a avaliação no conteúdo e não na formatação ou limpeza do trabalho.

    A colaboração entre pais, educadores e profissionais de saúde é fundamental para garantir que a criança receba o suporte necessário em todas as áreas de sua vida.

    O acompanhamento regular por profissionais especializados é fundamental para monitorar o progresso da criança e ajustar as estratégias terapêuticas conforme necessário.

    Como lidar com o TDAH e a hiperatividade infantil?

    Além do tratamento, existem algumas dicas práticas que podem ajudar os pais e cuidadores a lidar com as crianças com TDAH e/ou hiperatividade infantil.

    Essas estratégias complementares podem auxiliar no manejo dos sintomas e a promover um ambiente mais favorável ao desenvolvimento da criança. Veja parte delas a seguir.

    1. Estabeleça rotinas consistentes

    Rotinas previsíveis e consistentes podem ser extremamente benéficas.

    Estabelecer horários fixos para as refeições, atividades, tarefas escolares e hora de dormir proporciona uma sensação de segurança e controle para a criança.

    2. Ofereça atividades físicas regulares

    A hiperatividade está associada a um acúmulo excessivo de energia, e o exercício físico pode ajudar a canalizar essa energia de forma produtiva.

    A atividade física regular aumenta os níveis de dopamina e norepinefrina no cérebro, os mesmos neurotransmissores afetados pelos medicamentos para TDAH, ajudando naturalmente a melhorar o foco e a regulação do humor.

    Atividades como brincadeiras ao ar livre, esportes, dança ou apenas correr e pular podem ajudar a criança a liberar o excesso de energia, promover o relaxamento e melhorar o foco e a concentração.

    3. Forneça um ambiente calmo para os estudos

    É importante criar um ambiente tranquilo e livre de distrações para que a criança possa se concentrar nos estudos.

    Por isso, é indicado reduzir o barulho ao redor, desligar dispositivos eletrônicos que possam causar distração e oferecer um espaço organizado e limpo para as atividades escolares.

    Ferramentas, como fones de cancelamento de ruído ou música instrumental suave, podem ser muito úteis para crianças mais velhas.

    O uso de uma estação de trabalho definida apenas para estudos ajuda a criar um "contexto" mental para a concentração.

    Uma mesa de estudos organizada e livre de estímulos desnecessários pode ajudar a criança a manter o foco por mais tempo e melhorar sua capacidade de aprendizado.

    4. Estabeleça regras claras

    Definir limites e regras claras é fundamental para auxiliar a criança no controle de seus impulsos e comportamentos.

    Explicar de maneira clara as consequências das ações e estabelecer regras consistentes para diferentes situações é essencial, além de ser firme e consistente na aplicação das regras, proporcionando à criança um ambiente estruturado e seguro.

    Utilize mais reforço positivo (elogios, sistema de recompensas) do que punição. Crie um sistema de pontos ou adesivos para comportamentos-alvo específicos, como "permanecer sentado durante o jantar".

    Ao mesmo tempo, é essencial reforçar o comportamento adequado com elogios e recompensas, valorizando os esforços da criança em seguir as regras estabelecidas.

    5. Promova a comunicação aberta

    Manter uma comunicação aberta e honesta com a criança é essencial, ou seja, encorajar a expressar seus sentimentos, preocupações e frustrações.

    Estar disponível para ouvir e oferecer apoio emocional também é muito importante.

    Permitir que a criança se sinta compreendida e acolhida cria um espaço seguro para que ela compartilhe suas experiências.

    Uma comunicação aberta fortalece o vínculo entre pais/cuidadores e a criança, ajuda a desenvolver habilidades de autorregulação e promove um ambiente familiar saudável.

    Além disso, o suporte profissional contínuo de psicólogos é essencial para monitorar o progresso da criança e ajustar as estratégias conforme necessário.

    Com paciência, compreensão e apoio adequado, é possível ajudar a criança a lidar com os sintomas e a desenvolver habilidades que promovam seu bem-estar emocional.

    Conclusão

    Como visto no post “Hiperatividade infantil: o que é, sintomas e tratamento”, essa condição pode afetar a vida da criança e de sua família, principalmente se a hiperatividade é um dos sintomas do TDAH.

    Buscar orientação profissional é o primeiro passo para um possível diagnóstico de TDAH ou para a indicação de cuidados e tratamentos para a agitação excessiva.

    O TDAH é um transtorno neurobiológico com forte componente genético. Não é resultado de má criação ou falta de limites. Entender isso é fundamental para reduzir a culpa dos pais e o estigma da criança.

    Além disso, vale salientar que a compreensão, o suporte e o amor dos pais e cuidadores são fundamentais para ajudar a criança a lidar com os desafios associados à hiperatividade infantil e ao TDAH.