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Revisado pelo(a) Dra. Bárbara Ponce, CRM/MA 8911
A úlcera é uma ferida que pode aparecer em qualquer local do organismo, incluindo pele e também no estômago. Neste último, surge devido à ação de ácidos estomacais nas paredes do órgão, causando feridas e sintomas que comprometem a qualidade de vida do indivíduo.
Conhecida como úlcera gástrica, as causas para o seu aparecimento são inúmeras.
A mais comum, que abrange grande parte dos diagnósticos, é a infecção pela bactéria Helicobacter pylori.
A doença debilita a mucosa protetora do estômago, permitindo que o ácido estomacal danifique o tecido do órgão.
Saiba mais sobre os 6 sintomas de úlcera gástrica (péptica) a seguir.
Os sintomas da úlcera gástrica (péptica) costumam causar um desconforto significativo.
A intensidade da dor, assim como a gravidade, é proporcional ao tamanho das lesões.
Por essa razão, é fundamental buscar ajuda médica, como a de um clínico geral ou gastroenterologista, assim que os sintomas se manifestarem.
A azia é uma sensação de queimação que tem origem na parte superior do abdômen, subindo em direção ao peito e à garganta.
Este sintoma também pode estar ligado à indigestão de alguns alimentos.
Em quadros de úlcera gástrica, a azia ocorre, principalmente, após as refeições (devido à ação do suco gástrico) e pode ser aliviada de forma momentânea com a ingestão de líquidos.
As dores abdominais são um sintoma central de um quadro de úlcera gástrica.
Geralmente, a dor localiza-se na região superior do abdômen, logo abaixo do osso esterno.
Essa dor costuma variar em intensidade, podendo ser desde uma leve sensação de queimação até uma dor mais intensa e latejante.
Além disso, piora quando o estômago está vazio ou no intervalo entre as refeições.
Nestas situações, o ácido estomacal entra em contato direto com a úlcera gástrica, causando este desconforto.
Entre os vários danos que a úlcera gástrica causa no organismo, um dos maiores destaques é o potencial de afetar o apetite e a capacidade de absorção de nutrientes.
Assim, o paciente perde peso sem explicação aparente, especialmente quando não busca ajuda médica ou quando os sintomas persistem.
As náuseas costumam estar presentes em quadros de úlcera gástrica.
Seu aparecimento está ligado ao aumento da produção de ácido clorídrico no estômago.
Como consequência, ocorre uma irritação adicional no revestimento do órgão, levando a náuseas.
Esses sintomas podem vir ainda acompanhados por vômitos, ocorrendo principalmente após as refeições.
Embora não seja tão comum quanto os sintomas descritos anteriormente, a úlcera gástrica pode levar a hemorragias internas no estômago.
Isto resulta em fezes mais escuras ou vômitos acompanhados de sangue. Trata-se de um sintoma grave e requer atenção médica imediata.
O inchaço abdominal costuma aparecer mesmo após o indivíduo consumir pequenas quantidades de alimentos.
Isto ocorre pelo fato de a úlcera gástrica afetar a capacidade do estômago de se esvaziar naturalmente.
Este processo é conhecido como desaceleração do esvaziamento gástrico e pode levar a desconfortos e náuseas após as refeições.
O estômago é revestido naturalmente por um muco espesso que protege o órgão contra os ácidos produzidos na digestão dos alimentos.
A úlcera gástrica, ou péptica, ocorre quando esta proteção apresenta falhas, seja devido a uma quantidade elevada de produção de ácido estomacal ou à quantidade de muco reduzida.
Assim, o órgão torna-se vulnerável, havendo a formação de feridas ou lesões agudas que se desenvolvem na camada mais superficial da mucosa estomacal.
A úlcera gástrica é uma doença crônica, podendo afetar de 5% a 10% da população mundial.
Existem, atualmente, três tipos de úlceras que afetam o sistema digestivo:
A úlcera gástrica é aquela que ocorre dentro do estômago. Sua principal causa é a infecção por Helicobacter pylori, que danifica a camada protetora do órgão.
Este dano permite que o ácido gástrico cause erosão nas paredes do estômago.
A úlcera esofágica se desenvolve na mucosa do esôfago (tubo que conecta a garganta ao estômago).
Geralmente, está ligada ao consumo excessivo de álcool, além de tabagismo e condições autoimunes.
A úlcera duodenal é aquela formada na mucosa do duodeno. Assim como a úlcera gástrica, tem como principal agente causador a infecção por Helicobacter pylori.
Condições emocionais como o estresse também contribuem para o seu desenvolvimento.
As causas para a úlcera gástrica envolvem, basicamente, três situações:
A Helicobacter pylori é uma bactéria que habita o revestimento do estômago e também do intestino.
Ela é capaz de sobreviver e se reproduzir em um ambiente extremamente ácido.
Sua alimentação é composta por mucosa gástrica (o que a torna responsável pelo aparecimento das úlceras gástricas), além de aminoácidos, açúcares, lipídios e proteínas.
Não se sabe ao certo como ocorre a sua contaminação. Contudo, estima-se que isso possa acontecer por meio de contato direto (saliva de pessoas que já tenham a bactéria no organismo) ou pela má qualidade da alimentação.
Assim, a H. pylori infecta todo o revestimento estomacal, enfraquecendo as defesas do órgão e permitindo que o ácido gástrico cause danos à mucosa.
Comumente abreviados por AINEs, os medicamentos anti-inflamatórios não esteroides são uma classe de medicamentos amplamente utilizados para o alívio da dor, redução da inflamação e controle da febre.
Basicamente, sua principal ação está em inibir uma enzima chamada COX (ciclooxigenase), que está envolvida na resposta inflamatória do organismo humano.
Ao bloquear essa enzima, este medicamento reduz a inflamação e os sintomas associados a ela.
Em relação à úlcera gástrica, os AINEs podem irritar ou diminuir a capacidade do estômago de proteger-se contra os efeitos corrosivos do ácido, facilitando assim o aparecimento da doença.
O tabagismo e o álcool desempenham papéis significativos no desenvolvimento das úlceras gástricas.
Estes são hábitos não saudáveis que afetam o sistema digestivo de muitas maneiras, facilitando inclusive o aparecimento do câncer.
O tabagismo pode afetar o organismo de diversas formas, como:
Já em relação aos efeitos negativos do álcool, pode haver:
O diagnóstico da úlcera gástrica é baseado nos sintomas relatados pelo paciente e nos resultados de exames.
Em relação aos exames, existem três mais comuns:
De forma geral, o tratamento para a úlcera gástrica envolve a combinação de medicamentos e mudanças no estilo de vida.
Em casos extremos, quando as abordagens não invasivas não obtiveram resultado, pode ser indicada a cirurgia.
Entre os medicamentos usados para tratar essa condição de saúde, destacam-se os antibióticos, os protetores de mucosa, os inibidores da bomba de prótons (IBPs) e os antiácidos.
Em relação às mudanças de vida, recomenda-se uma alimentação balanceada (com o acompanhamento do nutricionista) e a suspensão do uso de fatores desencadeantes.
A úlcera pode ser tratada. O que mais influencia o desenvolvimento do câncer gástrico (apesar da porcentagem baixa) é a infecção por H. pylori.
Contudo, vale salientar que a úlcera pode esconder células cancerosas.
Ou seja, é preciso que o paciente mantenha-se atento aos sintomas, realize exames periódicos e todos os procedimentos indicados pelo médico gastroenterologista.
É importante destacar que, diretamente, a úlcera não causa câncer, mas é importante manter o controle da doença para evitar o agravamento do quadro clínico.
Como mostrado no post "6 sintomas de úlcera gástrica (péptica)", essa doença é um tipo de ferida que atinge o estômago, causando sérios danos ao órgão.
Costuma ser resultado de diversos fatores, incluindo tabagismo, álcool, uso de medicamentos e infecção por H. pylori.
Seu diagnóstico é realizado por exames de imagem, além de testes específicos, como os destinados a detectar a presença da bactéria H. pylori no organismo.
O tratamento envolve a administração de medicamentos, assim como mudanças no estilo de vida.
Apesar de não ser um fator causador de câncer, a úlcera gástrica causa dano significativo à qualidade de vida e ao bem-estar, sendo necessária a intervenção médica imediata, com um plano de tratamento individual e adequado.
Atenção: as informações apresentadas neste texto têm caráter informativo e não substituem a consulta a um profissional qualificado.