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Revisado pelo(a) Dra. Bárbara Ponce, CRM/MA 8911
A gastrite é uma condição mais comum do que muitas pessoas imaginam. A OMS (Organização Mundial da Saúde), estima que no mundo, cerca de 50% da população mundial lida com os sintomas da doença.
No Brasil, a situação é ainda mais grave: números da Federação Brasileira de Gastroenterologia (FBG) estimam que a gastrite está presente em cerca de 70% da população.
Dores, azia e queimação estomacal são alguns dos sintomas típicos da gastrite.
Ela pode ser do tipo aguda (que surge de repente) ou crônica (também conhecida como enantematosa, evoluindo aos poucos e muitas vezes de forma assintomática).
Confira a seguir 6 causas da gastrite e como evitar o seu desenvolvimento.
A gastrite é uma doença na qual ocorre uma inflamação da mucosa do estômago.
Ela pode ser causada por diversos fatores, como infecções por bactérias, excesso de medicamentos, lesões, distúrbios do sistema imunológico, além de estresse.
Seu diagnóstico é realizado através da análise do histórico do paciente e de exames (como a endoscopia digestiva alta).
Na endoscopia, insere-se um tubo através da boca do paciente, que vai até o estômago.
O tubo está equipado com um mini câmera na extremidade, permitindo ao médico que analise todas as regiões internas do estômago.
Uma vez que o diagnóstico é realizado de acordo com as características do paciente, análise dos hábitos alimentares e gravidade dos sintomas, o tratamento é prescrito.
Entre as opções que podem ser incluídas para a melhora do quadro de saúde, estão o uso de antibióticos e medicamentos que auxiliam no diminuição da acidez do estômago.
A gastrite pode ter diversas causas. Confira a seguir 6 causas da gastrite!
A H. pylori é uma bactéria que se instala na mucosa superficial do estômago, desencadeando um processo inflamatório.
Assim, pode tornar-se uma gastrite ou uma úlcera gástrica, o que causa diversos sintomas.
Atenção: as informações apresentadas neste texto têm caráter informativo e não substituem a consulta a um profissional qualificado.
A inflamação ocorre quando a bactéria produz amônia para se proteger do ácido estomacal, o que pode levar à penetração na camada da mucosa do estômago.
Essa produção de amônia provoca lesões nessa região, levando a quadros inflamatórios, e no pior caso, ao aumento das chances do desenvolvimento de câncer no estômago.
O risco de contrair H. pylori aumenta conforme a idade avança. Estima-se que, pelo menos até os 60 anos, 50% das pessoas ao redor do mundo serão infectadas pela mesma.
O tratamento mais adequado para a H. pylori é o medicamentoso e geralmente ocorre através da administração de substâncias antibióticas em conjunto com inibidores da bomba de prótons.
Se não for tratada adequadamente, a infecção pode persistir por longos períodos (meses e até anos) e contribuir para que o quadro de gastrite aguda evolua para uma gastrite crônica.
Cada remédio possui seus efeitos colaterais, e entre os que podem ser notados, estão a azia e a queimação.
Medicamentos anti-inflamatórios não esteroides (AINEs), ao serem usados em médio e/ou longo prazo, podem causar sintomas que refletem os danos causados no estômago.
Entre os AINEs mais comuns, estão:
Todos estes medicamentos inibem a produção de prostaglandinas, substâncias responsáveis na proteção da mucosa gástrica.
Dessa forma, o órgão fica mais suscetível a inflamações e também ao dano causado pelo ácido clorídrico no suco gástrico.
Também conhecido como refluxo biliar, o refluxo de bile para o estômago ocorre quando a bile (substância auxiliar na digestão da gordura) volta do estômago para o esôfago, promovendo um aumento de pH.
Este aumento provoca alterações nas camadas protetoras do estômago, causando irritação e inflamação.
Dessa forma, o paciente apresenta dores abdominais, sensação de queimação no peito, e em casos mais intensos, vômitos na cor amarela.
Ao notar a recorrência do refluxo e sintomas de problemas no estômago, é essencial buscar um especialista como o gastroenterologista.
O álcool pode irritar diretamente a mucosa gástrica, levando à inflamação e erosão do revestimento do estômago.
A substância leva também a um aumento da produção de ácido clorídrico, agravando ainda mais a condição.
É válido lembrar que bebidas com menor teor alcoólico (como a cerveja e o vinho) contribuem para a piora da gastrite, assim como bebidas com um teor maior.
O estresse crônico é conhecido por agravar ou desencadear uma série de condições de saúde, incluindo a gastrite. Ele não é a causa em si, mas contribui diretamente para o problema.
Esse tipo de estresse pode levar a alterações na produção de ácido clorídrico e nas secreções naturais produzidas pelo estômago, tornando o mesmo mais suscetível à erosão (aparecimento de úlceras) e inflamação.
Além destes problemas, uma saúde mental comprometida também pode afetar o sistema imunológico, diminuindo a capacidade do organismo de se defender e combater infecções, como a causada pela H. pylori.
As doenças autoimunes são um grupo de doenças e condições no qual o sistema imunológico ataca suas próprias células saudáveis, considerando-as ameaças.
O sistema imunológico desempenha papel fundamental na defesa do organismo contra todo tipo de organismo patogênico, incluindo bactérias, vírus e células cancerígenas.
Porém, em casos de doenças autoimunes, isto não acontece, levando a uma resposta imunológica excessiva e prejudicial para o próprio corpo.
As causas dessa doença ainda são desconhecidas, porém, acredita-se que fatores genéticos e ambientais contribuem para o aparecimento do problema.
Existem, atualmente, mais de 80 tipos diferentes de doenças autoimunes e cada uma delas pode atingir diferentes órgãos e tecidos específicos do corpo.
Se tratando especificamente das gastrite, alguns distúrbios autoimunes, como a doença de Crohn e a doença celíaca, podem causar inflamação crônica no trato gastrointestinal, incluindo o estômago.
Como consequência, ocorre o aparecimento e desenvolvimento da gastrite crônica.
Além das causas já citadas, existem ainda outras que podem levar ao aparecimento da gastrite. Entre elas, estão:
A gastrite é uma condição que não pode ser ignorada, pois a falta de diagnóstico e tratamento podem intensificar os sintomas e agravar o quadro de saúde.
Conforme as inflamações avançam no estômago, o paciente pode desenvolver úlceras, que são feridas mais complexas na parede do órgão.
Além de impactar diretamente na qualidade de vida, dependendo da gravidade da úlcera, a única opção é intervenção cirúrgica.
Embora ocorra raramente, as úlceras e inflamações podem induzir as células do estômago a sofrerem mutação, levando ao desenvolvimento de um câncer de estômago.
Para evitar o problema, existem algumas medidas que devem ser tomadas, como:
A gastrite é uma doença que gera uma inflamação estomacal, e como consequência, diversos sintomas como a azia.
Conhecer as 6 causas da gastrite e como evitar o seu desenvolvimento é essencial para a prevenção da inflamação.
Também é importante ressaltar que mudanças alimentares e de vida são primordiais no combate da doença.
Vale lembrar que cada pessoa é única e pode ter necessidades específicas. Um profissional como o nutricionista é essencial para o planejamento de uma alimentação balanceada, personalizada e adequada para quem quer prevenir a gastrite ou controlá-la.
Com um diagnóstico e plano de tratamento individualizado, é possível controlar a gastrite e minimizar seus efeitos.