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Revisado pela Equipe de Redação da Medprev
O período pré-menstrual é uma fase que impacta o humor de muitas mulheres. O transtorno disfórico pré-menstrual (TDPM) é uma condição mais severa e intensa da síndrome pré-menstrual (SPM), também conhecida como tensão pré-menstrual (TPM).
Esse transtorno disfórico representa uma forma mais severa e intensa da SPM, afetando cerca de 3 a 5% das mulheres de maneira mais acentuada.
A condição não se limita apenas a desconfortos físicos; pode se estender a sintomas emocionais mais graves, capazes de interferir nas atividades diárias. Em geral, pode desencadear crises de ansiedade e sintomas depressivos, por exemplo.
Você quer saber mais sobre o transtorno disfórico pré-menstrual: o que é, sintomas e tratamento? Acompanhe o conteúdo a seguir.
O transtorno disfórico pré-menstrual (TDPM) é descrito como uma condição capaz de provocar alterações de humor significativas, impactando diversos aspectos da vida da mulher negativamente (pode ser desde a esfera familiar até a profissional).
Ao contrário da TPM comum, o TDPM revela-se como um desafio mais profundo, desencadeando irritabilidade, depressão e ansiedade intensa.
Mulheres afetadas por esse transtorno podem se sentir mais tristes, desesperançosas e apresentar sintomas de ansiedade, além de choro fácil e flutuações de humor.
Os sintomas do TDPM surgem entre 2 a 10 dias antes da menstruação e diminuem poucos dias após o início do fluxo menstrual. Podem afetar tanto o aspecto emocional quanto o físico.
Os sintomas emocionais se manifestam de maneira intensa durante o período pré-menstrual e podem incluir:
Atenção: as informações apresentadas neste texto têm caráter informativo e não substituem a consulta a um profissional qualificado.
Os sintomas físicos do TDPM podem variar em intensidade e, comumente, incluem:
Para diagnosticar o TDPM, é necessário que esses sintomas persistam por pelo menos dois ciclos menstruais consecutivos, impactando de forma negativa a vida profissional, familiar ou social da mulher.
As causas do TDPM estão ligadas a mudanças hormonais que ocorrem no período pré-menstrual.
Essas flutuações hormonais envolvem a progesterona e o estrógeno, hormônios sexuais femininos.
Durante o ciclo menstrual, ocorre uma queda abrupta nos níveis desses hormônios, o que pode impactar no sistema de neurotransmissão responsável pelo controle da ansiedade.
Enquanto essas flutuações hormonais são parte natural do ciclo menstrual, mulheres com TDPM podem vivenciar uma sensibilidade exacerbada a essas mudanças.
Inclusive, a influência genética pode tornar algumas mulheres mais propensas a reagir intensamente às flutuações hormonais, ampliando os sintomas associados ao transtorno.
O diagnóstico do TDPM não envolve exames específicos, mas é baseado na descrição dos sintomas pela paciente.
O acompanhamento de um profissional de saúde, preferencialmente um psiquiatra, é fundamental para uma avaliação minuciosa.
Durante a avaliação, é recomendado que a paciente registre os sintomas por pelo menos dois meses antes da consulta, como informações sobre os dias de menstruação.
Esse registro detalhado auxilia o profissional na análise dos padrões sintomáticos ao longo do ciclo menstrual, contribuindo para uma compreensão mais precisa do quadro.
Os critérios temporais são essenciais para o diagnóstico e os sintomas devem estar relacionados ao período menstrual.
Eles devem ocorrer cerca de 5 a 7 dias antes do início da menstruação e persistir até 7 dias após o início do fluxo menstrual.
Essa correlação temporal é um elemento-chave na diferenciação do TDPM de outras condições de saúde.
Transtornos de ansiedade, depressão, endometriose e problemas da tireoide são exemplos de condições que podem apresentar sintomas sobrepostos ao TDPM.
A exclusão dessas possibilidades contribui para um diagnóstico mais preciso e a implementação de um plano de tratamento mais eficaz e direcionado.
O tratamento do TDPM é individualizado e considera a gravidade dos sintomas, além das características específicas de cada paciente.
Médicos, como ginecologistas e psiquiatras, são alguns dos especialistas capacitados para avaliar a condição e prescrever o tratamento, que pode incluir medidas não farmacológicas, assim como medicação.
Entre as medidas não farmacológicas que podem ser indicadas para a promoção da saúde mental e redução dos sintomas do transtorno, estão a mudança dos hábitos alimentares (com a orientação de um nutricionista) e a adoção de exercícios físicos regulares.
A inclusão de alimentos ricos em triptofano (como peixes, ovos e cereais) na dieta, por exemplo, contribui para o equilíbrio da serotonina, melhorando o bem-estar emocional da paciente.
Já práticas como ioga e meditação podem ser incorporadas para alívio do estresse e gerenciamento emocional.
A terapia cognitivo-comportamental (TCC), uma abordagem da psicoterapia, destaca-se como uma opção eficaz para lidar com os aspectos emocionais do TDPM.
Psicólogos podem ajudar o paciente a desenvolver habilidades para enfrentar as flutuações de humor e promover um equilíbrio emocional durante o período pré-menstrual.
Em casos mais graves, o uso de medicamentos pode ser recomendado para alívio dos sintomas.
Os antidepressivos, como os inibidores seletivos da recaptação de serotonina (ISRSs), têm demonstrado eficácia na melhoria do humor e na redução das reações físicas associadas.
Alguns contraceptivos hormonais também podem ser uma opção para minimizar os sintomas pré-menstruais, enquanto analgésicos podem ser prescritos para aliviar dores físicas.
Suplementos vitamínicos, contendo cálcio, magnésio e vitamina B6, podem ser recomendados para complementar o tratamento.
Cada mulher pode responder de maneira diferente ao tratamento do TDPM. Muitas vezes, é necessário um processo de tentativa e erro para encontrar a abordagem mais eficaz para cada caso.
A avaliação contínua dos sintomas e o ajuste das estratégias terapêuticas são essenciais para garantir um tratamento personalizado e efetivo ao longo do tempo.
Como mostrado no post "Transtorno disfórico pré-menstrual: o que é, sintomas e tratamento", essa condição é uma realidade para muitas mulheres, impactando não apenas o aspecto físico, mas também o emocional.
Compreender os seus sintomas, causas e conhecer as opções de tratamento disponíveis é essencial para buscar ajuda profissional especializada.
A combinação de mudanças em hábitos diários, intervenções farmacológicas (quando necessário) e acompanhamento médico pode fazer mudanças significativas na vida das mulheres que enfrentam o TDPM.