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Revisado pelo(a) Sr. Ari Henrique Faustino Batista, CRP/PR 0838955
Transtorno que acomete cerca de 2 a 3% da população geral, sendo considerado pela OMS um dos 10 transtornos mentais mais incapacitantes, o transtorno obsessivo-compulsivo (ou TOC) tem como característica a presença de comportamentos e pensamentos que causam ansiedade intensa e sofrimento emocional ao indivíduo.
Esses comportamentos podem ser desde rituais em que se lava as mãos várias vezes, até mesmo ter uma fixação por limpeza e organização dos objetos.
Contudo, é importante saber que a condição não se limita a esses exemplos.
O sofrimento e o desconforto de quem sofre com os sintomas do TOC podem ser intensos, assim como daqueles que convivem com quem tem o transtorno.
Você quer saber mais sobre o TOC (transtorno obsessivo-compulsivo): o que é, sintomas e tratamentos? Confira o conteúdo a seguir.
O transtorno obsessivo-compulsivo (TOC) recebe este nome porque seus portadores manifestam obsessão, compulsão ou ambos.
TOC é um distúrbio psiquiátrico de ansiedade, gerado por pensamentos que geralmente são acompanhados de rituais repetitivos e rigorosos.
A pessoa com a condição não consegue controlar seus pensamentos e acaba realizando ações repetidamente como uma tentativa de aliviar os sintomas de ansiedade causados pelo distúrbio.
Como exemplos, há a obsessão por higiene e a busca constante por deixar os lugares extremamente limpos, além da necessidade de organização e de simetria.
Muitas vezes confundido com manias ou traços de personalidade, o TOC, quando não diagnosticado e tratado, pode impactar significativamente na qualidade de vida da pessoa.
Isso porque não basta um esforço pessoal para lidar com seu impacto no dia a dia, é necessário diagnóstico correto e ajuda profissional para amenizar os seus sintomas.
Devido às suas características, o transtorno pode trazer diversos prejuízos em diferentes esferas da vida.
Contudo, a psicoterapia, em conjunto com a associação do uso de medicamentos psiquiátricos quando necessário, pode ajudar a controlar os sintomas e oferecer uma qualidade de vida melhor para quem tem o transtorno.
Não existe apenas um tipo de TOC, já que o impacto do transtorno pode variar para cada pessoa (inclusive, sua funcionalidade).
Por essa razão, para auxiliar os profissionais a realizar um diagnóstico correto, o transtorno obsessivo-compulsivo foi classificado em dois tipos:
Atenção: as informações apresentadas neste texto têm caráter informativo e não substituem a consulta a um profissional qualificado.
O TOC subclínico significa que o paciente apresenta sinais do transtorno, ou seja, alterações comportamentais sugestivas relacionadas a ele.
Porém, esses sintomas aparecem em um grau leve, não sendo suficiente para um diagnóstico completo do transtorno.
Essa categoria de TOC pode evoluir para um quadro grave ou pode regredir até que a pessoa não apresente mais sinais.
Caso os sintomas apresentados sejam incômodos, o paciente pode buscar auxílio psicológico para lidar com eles.
Entretanto, geralmente, neste tipo, as obsessões se repetem com frequência, mas não interferem na vida e no dia a dia.
O TOC propriamente dito é um transtorno mental cuja descrição se encontra no "Manual de Diagnóstico e Estatística de Transtornos Mentais -- DSM V" da Associação de Psiquiatria Americana.
Fazem parte dele os pensamentos intrusivos (obsessões) e os rituais (compulsões).
Quando um indivíduo convive com o TOC, ele tem sua qualidade de vida inevitavelmente abalada e precisa de auxílio profissional para melhorar.
Isso porque, neste tipo de transtorno, as obsessões persistem até que a pessoa com a condição execute a compulsão para aliviar a ansiedade. Por essa razão, apenas o tratamento adequado o ajudará a melhorar.
Os sintomas do TOC se manifestam de formas diferentes e, geralmente, começam gradualmente, variando em intensidade ao longo da vida do indivíduo.
De forma geral, os sintomas do transtorno obsessivo-compulsivo podem ser classificados em dois tipos:
Quando sofre com esses sintomas, a pessoa com TOC tem pensamentos obsessivos que podem estar relacionados a diferentes situações, como à contaminação por germes ao tocar em algum lugar, a dúvidas sobre ter fechado portas ou ter trancado armários, e à simetria dos objetos.
As compulsões também são conhecidas como rituais, e acontecem quando as obsessões deixam de ser pensamentos e passam a ser ações, como uma tentativa de aliviar sua ansiedade e aflição.
É na compulsão que os comportamentos repetitivos se iniciam, como:
Como mostrado, o transtorno não está relacionado a comportamentos específicos do dia a dia, mas à maneira como essas ações são feitas e à quantidade de vezes em que são repetidas.
Contudo, é importante salientar que há compulsões que não podem ser observadas.
É o caso das pessoas que precisam contar até determinado número na mente ou falar determinadas frases em voz baixa para controlar suas angústias, por exemplo.
Em geral, é possível identificar uma pessoa com TOC por meio de determinados sinais no dia a dia, apresentados abaixo.
Para identificar o transtorno, há diferentes sinais do TOC que se pode observar em uma pessoa. Alguns deles são:
Quanto à consciência sobre seus atos, há pessoas que sabem que os seus comportamentos não são comuns.
Porém, há também aquelas que têm justificativas para todos os seus rituais e não os consideram prejudiciais.
Seja de forma consciente ou inconsciente, ao haver a presença de sinais relacionados ao TOC, é indicado procurar um profissional da saúde, como psicólogo ou psiquiatra, para investigar o quadro de saúde mental.
De acordo com a Organização Mundial da Saúde, o TOC está entre as 10 maiores causas de incapacitação do mundo, com início precoce em 50% dos casos antes dos 18 anos.
Entretanto, assim como ocorre com outros distúrbios psicológicos, as causas do transtorno obsessivo-compulsivo ainda não são totalmente esclarecidas.
Contudo, algumas teorias afirmam que as causas são multifatoriais e abrangem:
Além disso, podem existir alguns fatores de risco para o desenvolvimento da doença, como:
Existem pessoas com transtorno obsessivo-compulsivo que não identificam seus sinais, pois confundem as compulsões com manias ou hábitos do dia a dia. Assim, não procuram um diagnóstico.
Por isso, ao notar um ou mais dos sinais mencionados, é recomendado buscar auxílio médico especializado para que um profissional faça o diagnóstico correto.
Para estabelecê-lo, o psiquiatra analisa os sintomas e o histórico do paciente. Além disso, geralmente ele solicita ainda outros exames e avaliações, como:
O tratamento para o transtorno obsessivo-compulsivo pode ser medicamentoso e não medicamentoso.
Estudos mostram que a combinação de terapia cognitivo-comportamental com ISRS tem eficácia de 60-70% na redução de sintomas. Saiba como funciona cada um.
O tratamento medicamentoso costuma utilizar inibidores seletivos da recaptação da serotonina (ISRSs) ou um antidepressivo tricíclico específico.
O tipo e a dose do medicamento são reajustados de acordo com os resultados obtidos e a necessidade do paciente, sendo necessário acompanhamento profissional contínuo para obter melhora significativa.
Em casos nos quais o tratamento não medicamentoso é o indicado, a técnica de exposição, usada na terapia cognitivo-comportamental (TCC), tem eficácia comprovada no tratamento do transtorno obsessivo-compulsivo.
A terapia parte do princípio básico de expor a pessoa com TOC a situações que geram ansiedade, começando pelos sintomas mais brandos.
A exposição aumenta gradualmente, à medida que o paciente se fortalece diante das situações.
Comumente, ela continua até que a pessoa com o transtorno consiga aprender maneiras saudáveis de lidar com a própria ansiedade, sem recorrer aos comportamentos inadequados que acabam aumentando a prevalência dos pensamentos prejudiciais.
Os resultados, geralmente, são mais eficazes ao aliar dois tipos de abordagem terapêutica (medicamentosa e não medicamentosa), de acordo com as orientações dos profissionais.
O transtorno obsessivo-compulsivo não tem cura, mas tratamento para reduzir os sintomas, evitando que eles interfiram na vida da pessoa.
Para que isso aconteça, os profissionais identificam os gatilhos que fazem com que os pensamentos obsessivos e os hábitos compulsivos apareçam.
Assim, trabalham neles para diminuir de forma natural a ansiedade e os episódios, ao longo do tempo.
Diagnosticar o tipo do TOC e fazer o acompanhamento correto é essencial para reduzir os pensamentos e comportamentos característicos do transtorno.
Para controlar o transtorno obsessivo-compulsivo, fazer corretamente o tratamento é essencial.
Contudo, além de medicamentos e/ou terapias, é muito importante poder contar com o apoio da família e de pessoas próximas durante o processo.
Além de incentivar a pessoa com TOC a fazer um acompanhamento com o médico especializado, família e/ou pessoas próximas podem incentivá-la a tomar as medicações prescritas de forma correta e participar das terapias indicadas.
Pessoas com transtorno obsessivo-compulsivo costumam ser vistas como muito organizadas e metódicas.
Porém, em alguns casos, o TOC pode ir além, gerando sérios prejuízos emocionais, o que inclui o aumento do risco de suicídio em 5 vezes quando comparado à população geral.
Isso porque, além dos altos níveis de estresse e ansiedade, as consequências podem se estender para áreas de atuação profissional, relacionamentos familiares, amorosos e de amizade.
Quando isso acontece, especialmente quando a pessoa com o transtorno não está em tratamento, o TOC pode desencadear graves quadros de depressão.
Inclusive, grande parte das pessoas que possuem o transtorno também sofre com a depressão, o que acaba a impedindo, muitas vezes, de buscar ajuda profissional.
A seguir, confira as dúvidas mais comuns sobre o TOC e suas respostas!
TOC é um distúrbio psiquiátrico de ansiedade previsto no "Manual de Diagnóstico e Estatística de Transtornos Mentais -- DSM V" da Associação de Psiquiatria Americana.
Ele se caracteriza pela presença de pensamentos obsessivos e comportamentos compulsivos.
Sem tratamento, uma pessoa com TOC pode sofrer ansiedade, estresse intenso e até cometer suicídio.
Quando interfere na qualidade de vida do indivíduo, atrapalhando-o em suas relações pessoais e em questões profissionais.
TOC subclínico (presença de sintomas leves de TOC) e TOC propriamente dito (sintomas característicos que permitem o diagnóstico).
A pessoa se sente impelida a realizar certo ato diversas vezes, para aliviar sua angústia e ansiedade.
O TOC é um transtorno de ansiedade, já que ele tem como principal sintoma a ansiedade intensa e persistente.
A diferença dele para outros transtornos de ansiedade é a presença de obsessões e compulsões.
Assim, nem todas as pessoas com ansiedade têm TOC, mas todas as pessoas com TOC têm ansiedade.
A vivência de fatores estressantes em qualquer área da vida.
Sim, com o tratamento correto (especialmente aliando medicamentos receitados por um profissional especializado à terapia cognitivo-comportamental, usando a técnica de exposição).
Algumas vezes, não é possível determinar se a pessoa tem o transtorno obsessivo-compulsivo porque ela é discreta em relação aos sintomas.
É possível até mesmo que ela manifeste apenas pensamentos obsessivos.
Em outros casos, o comportamento repetitivo de limpeza, organização, contagem de forma repetitiva e demais sintomas característicos podem indicar a necessidade de um diagnóstico com um profissional.
O não tratamento do transtorno obsessivo-compulsivo leva ao agravamento do quadro, com o surgimento do transtorno de ansiedade generalizada (TAG) e possível depressão.
Como visto neste post "TOC (transtorno obsessivo-compulsivo): o que é, sintomas e tratamentos", esta condição é um problema de saúde mental que exige diagnóstico e tratamento especializado.
Além dos impactos negativos na qualidade de vida, o transtorno pode provocar ansiedade, depressão e grande estresse na pessoa que convive com ele.
Por isso, quando houver suspeitas de que alguns sintomas estão presentes em alguém, é fundamental procurar ajuda profissional.