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Revisado pelo(a) Dra. Bárbara Ponce, CRM/MA 8911
De causa desconhecida, a síndrome do intestino irritável (SII) é uma doença crônica que causa dores abdominais e altera toda a microbiota intestinal. Confundida muitas vezes com outras condições, como intolerância à lactose ou glúten, essa condição necessita de um diagnóstico preciso para um tratamento adequado.
A síndrome é mais comum em mulheres e costuma ter seus sintomas agravados durante o período menstrual. Sem acompanhamento especializado, pode ter um impacto negativo na saúde e qualidade de vida.
Confira neste artigo sobre a síndrome do intestino irritável (SII): sintomas, tratamento e muito mais!
A síndrome do intestino irritável (SII) é uma doença oscilante e crônica que afeta o intestino grosso (cólon), levando a dores abdominais, inchaço, desconforto, entre outros sintomas.
Essa condição comum representa cerca de 30% dos casos encaminhados a médicos gastroenterologistas.
Como mencionado na introdução, sua causa ainda é desconhecida; porém, sabe-se que alguns fatores, como estresse, ansiedade e o consumo de alguns alimentos e bebidas, favorecem o seu aparecimento.
Não existe cura para a SII. Ela pode ser apenas controlada com medidas não invasivas, como:
Os sintomas da SII podem ser facilmente confundidos com os de outras doenças do intestino.
Por essa razão, é necessário ficar atento aos sinais e procurar ajuda médica o mais rápido possível, principalmente quando os sintomas apresentarem uma periodicidade.
Confira a seguir alguns dos principais sintomas.
As dores abdominais crônicas surgem geralmente na parte inferior do abdômen. Porém, isto não é uma regra. Elas podem aparecer em qualquer região abdominal.
Os episódios mais fortes se apresentam após as refeições ou em crises de estresse.
Pelo fato de as dores abdominais serem um sintoma comum em outros problemas e doenças gastrointestinais, geralmente o médico gastroenterologista parte do princípio de reconhecer a dor como não sendo da SII (método de exclusão).
Atenção: as informações apresentadas neste texto têm caráter informativo e não substituem a consulta a um profissional qualificado.
A diarreia é o sintoma mais comum da síndrome do intestino irritável.
Grande parte das crises ocorre pela manhã ou após as refeições. O indivíduo sente fortes dores abdominais, que aliviam após o fim da evacuação. Outra característica marcante é a diarreia súbita. O paciente, inclusive, não consegue segurar as fezes por muito tempo.
Além disso, mesmo após defecar, a sensação de “intestino preso” costuma permanecer.
Conhecida popularmente como prisão de ventre, a constipação é um sintoma comum da síndrome do intestino irritável e se caracteriza pela dificuldade em defecar, além de fezes extremamente endurecidas.
Em pacientes com SII, o quadro de constipação pode durar de dias a meses.
Passado este tempo, os sintomas desaparecem e podem permanecer por meses sem se manifestar, ressurgindo subitamente com a mesma intensidade anterior.
Outros sintomas comuns da doença são:
Estes sintomas geralmente não surgem todos ao mesmo tempo. Comumente alternam entre si: alguns ficam mais acentuados durante um certo período e depois diminuem a intensidade. Portanto, é preciso prestar atenção na sua periodicidade.
A causa exata da SII é desconhecida. O estresse e a ansiedade (ou qualquer outro fator emocional) costumam agravar ainda mais os sintomas da síndrome do intestino irritável.
Diversas pesquisas foram feitas ao longo dos últimos anos sobre o assunto e algumas hipóteses foram levantadas; mas nenhuma chegou a ser conclusiva.
Sabe-se, porém, que a SII é provocada por múltiplos fatores: qualquer tipo de anormalidade no trato gastrointestinal pode levar à doença. Ela costuma surgir antes dos 35 anos e é 3 vezes mais comum em indivíduos do sexo feminino.
Por ser difícil de identificar, a síndrome do intestino irritável necessita de um diagnóstico cuidadoso, feito através da avaliação minuciosa dos sinais e sintomas do paciente.
Dessa forma, foram criados, em 1992, os chamados “Critérios de Roma”, que vêm sendo atualizados ao longo dos anos.
Este documento traz os sintomas e características de várias doenças gastrointestinais, incluindo a síndrome do intestino irritável.
Para a SII, os dados foram atualizados no ano de 2016. São basicamente, três critérios para se definir a presença da doença:
Dentro destes critérios, existem também alguns subtipos, descritos a seguir. São eles:
Podem ser realizados ainda outros exames complementares, como forma de descartar qualquer outro tipo de condição relacionada.
Por não ter cura, o tratamento para a síndrome do intestino irritável foca no alívio dos sintomas e na melhoria da qualidade de vida do paciente.
Para indivíduos em que o quadro da doença é leve, a situação é facilmente controlada por meio de mudanças no estilo de vida e na dieta. Além disso, é importante que se conheçam os alimentos que desencadeiam as crises, como forma de evitá-las.
De forma geral, o tratamento para a SII envolve:
Como foi visto, o estresse pode sim agravar os sintomas da doença. Assim, incluir práticas de relaxamento no dia a dia, por exemplo, como ioga ou meditação, pode ajudar na diminuição das crises.
Existem, na verdade, diversas classes de medicamentos utilizados no combate à síndrome do intestino irritável. Eles ajudam no alívio dos sintomas e contribuem também para o equilíbrio do intestino. São eles:
A fibromialgia é uma doença crônica que causa dores generalizadas por todo o corpo, além de alta sensibilidade em pontos específicos. Além das dores, a fibromialgia pode levar também a sintomas, como:
A síndrome do intestino irritável está presente em quase 60% de todos os pacientes diagnosticados com fibromialgia (como descrito pela Sociedade Brasileira de Reumatologia - SBR).
Não existe relação de causa entre as duas doenças em si. Porém, a SII é como uma manifestação clínica gastrointestinal da fibromialgia.
Existem pacientes, inclusive, que identificam a SII antes de serem diagnosticados com fibromialgia.
A alimentação desempenha papel fundamental no combate à SII. Muitos pacientes apresentam crises agudas após consumir alguns tipos de alimentos, o que reforça ainda mais a importância de adotar uma dieta cuidadosa e equilibrada.
É importante lembrar que a consulta com um profissional (como o nutricionista ou nutrólogo) é essencial para um planejamento alimentar adequado e personalizado com as necessidades e restrições do paciente.
Conheça a seguir alguns cuidados que podem auxiliar na redução dos sintomas da SII.
Saber quais são os alimentos que desencadeiam e intensificam as crises é parte crucial de todo o processo.
Embora o impacto dos alimentos no organismo varie de pessoa para pessoa, entre os exemplos mais comuns que podem piorar a SII, estão:
É indicado reduzir a frequência de consumo desses alimentos e até mesmo evitá-los (de acordo com orientação profissional).
A hidratação adequada ajuda, entre outros diversos benefícios, a manter as fezes moles, contribuindo, por exemplo, para o alívio dos sintomas da constipação. Além disso, também auxilia a manter a saúde intestinal.
Uma dieta rica em fibras, tanto solúveis quanto insolúveis, tem impacto direto na melhora do trânsito intestinal.
As fibras solúveis ajudam, assim como a água, na melhora da constipação, enquanto as fibras insolúveis ajudam a prevenir a diarreia.
Como visto neste post "Síndrome do Intestino Irritável (SII): o que é, sintomas e tratamento", esse problema de saúde é uma condição bastante comum, atingindo cerca de 20% da população mundial. Por não ter uma causa definida, necessita de um diagnóstico preciso, feito por um médico gastroenterologista.
Grande parte dos seus sintomas são comuns a outros problemas e doenças gastrointestinais. Por essa razão, a maior parte dos seus diagnósticos é realizada através da exclusão de outros problemas associados.
Uma das características marcantes dos sintomas é sua periodicidade, ou seja, eles ocorrem com uma certa frequência, caracterizando a doença como crônica.
O tratamento para a síndrome do intestino irritável é planejado de acordo com o perfil e histórico médico do paciente, uma vez que vários fatores podem influenciar no surgimento dos sintomas.
Ao notar os sintomas da síndrome e sua frequência, é muito importante buscar ajuda médica para uma avaliação mais detalhada do quadro de saúde.