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Revisado pelo(a) Dra. Bárbara Serafini Breda, CRM/RS 57350
A doença do refluxo gastroesofágico (DRGE), conhecida popularmente como refluxo, é uma condição que afeta cerca de 20% de toda a população brasileira. Em números, são aproximadamente 25 milhões de pessoas afetadas.
Inclusive, você sabia que o refluxo gastroesofágico se manifesta com mais frequência em adultos? Entre os sintomas mais comuns desse refluxo, destacam-se a azia (queimação que se origina na boca do estômago e que pode atingir a garganta), a tosse seca e a regurgitação (sensação de retorno do conteúdo estomacal).
Nas crianças, os episódios da condição são caracterizados por regurgitação e arrotos frequentes, podendo desaparecer por volta dos 18 meses de vida.
Para a realização do diagnóstico do refluxo, são analisados, primeiramente, o histórico médico do paciente, além dos sintomas. Caso seja necessário, são realizados exames mais complexos, como a pHmetria esofágica.
Em muitos casos, a DRGE é multifatorial, o que requer abordagem individualizada para investigar suas causas e impedir que o quadro de saúde se torne mais grave.
Se você quer saber mais sobre o refluxo gastroesofágico (DRGE): o que é, sintomas e tratamento, acompanhe esse post até o final.
O refluxo gastroesofágico é o retorno involuntário do conteúdo do estômago para o esôfago.
Este conteúdo inclui gases, líquidos e também sólidos. Vale salientar que ele pode ocorrer em qualquer momento do dia; e pode ou não indicar a forma mais grave da doença, conhecida como DRGE (Doença do Refluxo Gastroesofágico).
O retorno deste conteúdo causa inflamação na parede do esôfago, resultando em sintomas característicos.
Para entender melhor como surge o refluxo, é preciso conhecer o esfíncter, uma válvula contrátil, geralmente em forma de anel, que regula a entrada e saída de um fluxo.
O corpo humano possui, pelo menos, 43 esfíncteres, e no caso do aparelho digestivo, essa estrutura (esfíncter esofágico inferior) fica localizada entre o estômago e o esôfago.
Essa válvula se abre e se fecha automaticamente assim que o alimento pré-digerido passa, para impedir que o suco gástrico do estômago entre no esôfago. Quando ela não funciona corretamente, o conteúdo acaba retornando.
Adultos que estão acima do peso ou que possuem uma alimentação rica em gordura e bebidas alcoólicas têm mais probabilidade de desenvolver a condição.
Atenção: as informações apresentadas neste texto têm caráter informativo e não substituem a consulta a um profissional qualificado.
Os sintomas mais comuns do refluxo gastroesofágico são a sensação de queimação no peito (azia) e a regurgitação (retorno de alimentos na boca). Porém, a condição não se limita apenas a estes sintomas.
Entre os outros sinais que podem surgir, estão:
Além destes, alguns pacientes podem apresentar náuseas, mau hálito e dor de garganta crônica.
Vale salientar que cada pessoa manifesta sintomas específicos que variam de acordo com a intensidade e duração.
Existem diversas causas associadas ao refluxo gastroesofágico, já que essa doença possui diversas causas associadas. Entre algumas que podem ser citadas, estão:
É válido citar que há pessoas que possuem maiores chances de desenvolver o refluxo gastroesofágico devido à genética, ou seja, mesmo que não apresentem fatores de risco, podem ser acometidas pela doença.
Uma das complicações mais sérias associadas ao refluxo gastroesofágico é o esôfago de Barrett.
Essa doença pré-cancerosa afeta todo o revestimento do esôfago. Seu surgimento pode estar ligado à condição crônica do retorno do líquido ácido ao estômago, o que gera alterações nas células do esôfago.
Segundo a Medtronic, estima-se que aproximadamente 95% dos pacientes que têm o esôfago de Barrett também lidam com a doença do refluxo gastroesofágico (DRGE) .
Além de sofrer com acidez estomacal crônica, pessoas com a condição também podem apresentar sintomas parecidos com o refluxo gastroesofágico.
O diagnóstico inicial do refluxo gastroesofágico é feito, inicialmente, com base na gravidade e frequência dos sintomas pelo gastroenterologista. Após essa etapa, há uma extensa avaliação do histórico médico e realização de exames com procedimentos específicos.
Os exames e procedimentos mais utilizados são os descritos a seguir.
Trata-se, na verdade, de um exame fundamental para o diagnóstico da condição. Ele é realizado da seguinte maneira: insere-se um tubo fino através do nariz e da boca do paciente, posicionando-o no esôfago, próximo ao estômago.
O tubo tem como função medir os níveis de acidez do esôfago ao longo de 24 horas, permitindo assim a detecção dos piores episódios de refluxo.
O paciente deve realizar as atividades normais do seu dia a dia, incluindo aquelas que contribuem para o aparecimento dos sintomas.
Existem poucos efeitos colaterais associados ao exame, porém pode haver, em alguns casos, leves desconfortos na parte de trás da garganta.
O médico realiza uma entrevista detalhada como forma de obter informações sobre os sintomas, a frequência e a gravidade do refluxo ácido. Além disso, são avaliados também o histórico médico e os fatores de risco associados.
A endoscopia digestiva alta tem como finalidade permitir ao médico detectar úlceras e a presença da inflamação no estômago do paciente. Ela é realizada através da inserção de um tubo flexível pela boca, que desce pelo esôfago até o estômago.
Na ponta deste dispositivo, existe uma câmera, que permite assim visualizar diretamente o revestimento interno do esôfago e estômago, verificando a presença de inflamação, úlceras e outras lesões causadas pelo refluxo ácido.
O exame é bastante seguro. É necessário, antes de sua realização, um jejum de 8 horas. Além disso, devido à necessidade de sedação do paciente, é indispensável a presença de um acompanhante.
A impedância esofágica mede a quantidade de refluxo ácido e não ácido no esôfago. Assim como os outros exames anteriormente citados, para a sua realização, insere-se um tubo fino no nariz do paciente, que vai até o esôfago.
Nele, existem sensores que registram a passagem do ácido e outros conteúdos do estômago para o esôfago, mesmo na ausência de sintomas típicos da condição.
Também conhecida como esofagografia baritada, a radiografia contrastada do esôfago é um exame no qual são tiradas radiografias para detectar possíveis anormalidades estruturais no órgão.
Para o exame, o paciente precisa ingerir uma substância de contraste que contém bário (que reveste o esôfago e o estômago). A radiografia contrasta com a substância, permitindo a análise.
A manometria avalia a função do estômago e a pressão dos músculos envolvidos na deglutição. Novamente, existe a inserção de um tubo pelo nariz, que se dirige até o esôfago.
Este tubo mede a pressão exercida pelas contrações musculares ao longo do esôfago, identificando anormalidade em seu funcionamento.
O tratamento para o refluxo gastroesofágico envolve mudanças no estilo de vida, medicamentos e, em último caso, processos cirúrgicos.
Em relação às mudanças no estilo de vida, podem ser incluídas a perda de peso (em caso de indivíduos obesos ou acima do limite saudável), evitar refeições volumosas, elevar a cabeceira da cama (diminuir o refluxo durante o sono).
O tratamento medicamentoso envolve o uso de:
O tratamento cirúrgico é realizado em casos extremos.
Como mostrado no post "Refluxo gastroesofágico (DRGE): o que é, sintomas e tratamento", esta é uma condição tratável.
Na maioria dos casos, pode ser controlada por meio de medidas de estilo de vida adequadas e medicamentos apropriados. Buscar orientação médica é fundamental para um diagnóstico correto e um tratamento efetivo.