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Revisado pela Equipe de Redação da Medprev
O cérebro está constantemente trabalhando, formulando novos e diferentes pensamentos e, na maioria das vezes, todo esse fluxo intenso do raciocínio não é consciente. Embora uma grande parte dos pensamentos seja inofensiva, simples e corriqueira, alguns podem ser assustadores, incomuns e trazer prejuízos para a saúde física e mental.
É possível criar ou aumentar medos e inseguranças, apenas imaginando coisas que não aconteceram. Uma ideia pode surgir de repente e, nem sempre ser facilmente esquecida.
Geralmente, pensamentos intrusivos obsessivos surgem em momentos de ansiedade intensa, mas esse não é um fator estritamente necessário para o surgimento desse tipo de pensamento.
Saiba mais sobre os pensamentos intrusivos: o que é, como identificar e controlar a seguir!
Os pensamentos intrusivos, também conhecidos como pensamentos obsessivos, são descontroles, ou seja, pensamentos inadequados que surgem na mente e não podem ser ignorados facilmente.
Para a maioria das pessoas, os pensamentos intrusivos são apenas um inconveniente passageiro que não implica em consequências ou impactos maiores.
É comum que pensamentos assim ocorram como uma forma do cérebro interpretar riscos e se preparar para situações de perigo.
A mente pode imaginar cenários desastrosos para diferentes situações, como por exemplo, ter receio de quebrar algo de grande valor ou tropeçar ao caminhar em um palco.
É importante salientar que nem todos os pensamentos intrusivos são perigosos, mas estão comumente ligados a um medo ou experiência negativa já experienciados pela pessoa.
A preocupação excessiva, relacionada a este tipo de pensamento, pode desencadear quadros de ansiedade.
Os sintomas que se manifestam em pessoas com pensamentos intrusivos, variam de acordo com o conteúdo, intensidade e frequência com que eles se apresentam.
Classificados em diferentes tipos, esses sintomas costumam trazer prejuízos ao indivíduo, podendo comprometer sua saúde física, mental, financeira, profissional e também sua autoestima e relações com colegas e familiares.
Um acompanhamento especializado e práticas terapêuticas podem ser muito úteis para lidar com os pensamentos e sintomas associados a essa condição.
Em alguns casos, o pensamento obsessivo pode estar associado a algum tipo de condição ou transtorno mental, com:
Atenção: as informações apresentadas neste texto têm caráter informativo e não substituem a consulta a um profissional qualificado.
Reconhecer os sintomas é um passo importante para buscar ajuda profissional e tratamento adequado.
Descubra a seguir sobre como esses pensamentos podem se manifestar:
Este é um sintoma comum de pensamentos intrusivos, onde a pessoa tem medo de causar ferimentos a si mesma ou a outros, intencionalmente ou acidentalmente.
Esses pensamentos podem ser extremamente perturbadores e angustiantes.
Pensamentos intrusivos também podem assumir a forma de fantasias perturbadoras e inadequadas, que podem incluir imagens ou pensamentos sobre atividades sexuais inapropriadas ou violentas, por exemplo.
Essas fantasias muitas vezes causam grande desconforto emocional.
Algumas pessoas experimentam pensamentos intrusivos relacionados à violência, morte ou suicídio.
Esses pensamentos são intensos e persistentes, podendo levar a pessoa a sentir-se impotente para detê-los.
Os pensamentos intrusivos também envolvem tragédias imaginárias relacionadas a si mesmos ou a pessoas próximas.
Isso pode desencadear uma ansiedade significativa e preocupação constante.
Algumas pessoas com pensamentos intrusivos têm uma preocupação extrema com detalhes, como verificar repetidamente se as portas estão trancadas ou manter objetos extremamente organizados.
Esses comportamentos são uma tentativa de lidar com a ansiedade associada aos pensamentos intrusivos.
Para aliviar a angústia causada pelos pensamentos intrusivos, muitas pessoas desenvolvem rituais compulsivos, como lavar as mãos repetidamente, contar objetos ou realizar outras ações com frequência.
Pensamentos intrusivos podem manifestar-se na forma de um medo intenso de contrair ou transmitir doenças.
Isso pode levar a comportamentos obsessivos, como evitar o contato com outras pessoas ou ambientes considerados com risco de contaminação.
Alguns indivíduos com pensamentos intrusivos sentem uma necessidade extrema de manter limpeza, organização e simetria em suas vidas.
Isso pode resultar em um perfeccionismo extremo e em um constante estresse para manter esses padrões.
Além disso, esses pensamentos intrusivos não se limitam a um tipo específico de pessoa: todos estão suscetíveis a eles.
Inclusive, podem ocorrer a qualquer momento, já que o cérebro continua a processar informações constantemente.
Os pensamentos intrusivos podem ocorrer de diversas formas e podem causar desconforto e até mesmo prejudicar o cotidiano de quem sofre com eles.
De maneira geral, a forma de manifestação dos pensamentos invasivos pode ser dividido em três principais categorias: agressivos, sexuais e de dúvida.
O pensamento agressivo é aquele que traz à mente imagens violentas e a pessoa pode se imaginar executando atitudes agressivas e violentas em entes queridos ou em um desconhecido fisicamente próximo, por exemplo.
Vale lembrar que pensar em ações agressivas não significa que elas serão realizadas.
Outro ponto está relacionado ao estresse que a pessoa com o pensamento pode sofrer, já que apenas imaginar o cenário pode ser suficiente para causar mal-estar.
Os pensamentos sexuais estão relacionados principalmente a interesses e curiosidades sobre atividades sexuais, incluindo desde questionamentos repetitivos sobre a sexualidade, até a orientação sexual.
Às vezes, também podem ser pensamentos voltados à possível infidelidade dos parceiros ou questionamentos excessivos quanto à orientação sexual própria.
Os pensamentos de dúvida se manifestam através do questionamento das próprias habilidades, ou seja, não ter a segurança sobre a execução de uma determinada ação, por exemplo.
Esses pensamentos podem levar à repetição de comportamentos, como checar várias vezes se a porta está trancada ou se o gás do fogão foi desligado.
Embora possam causar um alívio momentâneo quando a ação é repetida, o questionamento pode retornar em seguida.
Lidar com pensamentos intrusivos não é necessariamente prejudicial.
Na verdade, eles podem fazer parte do processo de autodescoberta e indicar áreas em que é preciso prestar mais atenção.
Também é importante compreender que esses pensamentos não representam necessariamente uma realidade: são apenas ideias e o fato de tê-los não significa que se tornarão realidade.
Atualmente, a terapia com psicólogos e o acompanhamento com psiquiatras é o tratamento mais eficaz para o controle desses pensamentos.
Embora haja evidências de que a supressão ativa de memórias pode ser útil, ainda não existe um plano de tratamento específico baseado nessa abordagem.
Porém, com algumas dicas, é possível melhorar o controle dos pensamentos intrusivos:
A atenção plena é uma técnica que baseia-se na consciência sobre o momento presente sem julgamento.
Além de seus benefícios pessoais, como redução do estresse, ela pode ser aplicada para ajudar a reconhecer esses pensamentos, além de enfrentá-los sem reagir de maneira prejudicial.
A terapia cognitivo-comportamental é uma abordagem terapêutica indicada para tratar pensamentos intrusivos, uma vez que se concentra em identificar padrões de pensamento negativos e fornece estratégias para reestruturá-los de maneira mais saudável.
A atividade física regular não é benéfica somente para a saúde física, mas também desempenha um papel significativo na saúde mental.
O exercício ajuda a reduzir a ansiedade e a melhorar o humor, o que, por sua vez, pode diminuir a frequência dos pensamentos intrusivos.
Práticas de relaxamento, como a respiração profunda, meditação e relaxamento muscular progressivo, podem ser incorporadas nas rotinas diárias.
Essas técnicas ajudam a reduzir o estresse e a ansiedade, tornando mais fácil lidar com pensamentos intrusivos, especialmente em momentos de pressão.
Identificar e evitar gatilhos que desencadeiam pensamentos intrusivos é uma estratégia útil. Isso pode incluir evitar lugares, situações ou pessoas que desencadeiam esses pensamentos.
Promover a aceitação é fundamental. É importante compreender que os pensamentos intrusivos são normais e que todos têm pensamentos absurdos de vez em quando.
Se esses pensamentos trazem sofrimento ou outros efeitos negativos, é importante buscar ajuda especializada para ajudar a controlá-los.
Como visto no post "Pensamentos intrusivos: o que é, como identificar e controlar", esses pensamentos são uma parte normal da experiência humana, mas podem se tornar problemáticos quando são frequentes, intensos e causam sofrimento.
Com o tratamento adequado, é possível aprender a lidar com eles e melhorar a saúde mental geral.
Além disso, estratégias como a atenção plena, a TCC e as técnicas de relaxamento, podem ser úteis para ajudar a controlar os pensamentos intrusivos e reduzir o impacto na saúde mental.
*Conteúdo revisado pela psicóloga Josiane Prado - CRP/PR 29199.