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Revisado pela Equipe de Redação da Medprev
Segundo dados da Organização Mundial de Saúde (OMS), o Mal de Parkinson atinge cerca de 1% da população mundial com idade acima de 65 anos. A prevalência da doença aumenta em pacientes com idade mais avançada, mas há casos diagnosticados já a partir dos 55 anos.
No Brasil, a estimativa é que 200 mil pessoas sofram com essa doença neurológica. Entender como ela ocorre no organismo e compreender os seus sintomas é fundamental para que amigos e familiares possam adotar cuidados especiais com idosos portadores dessa doença. Embora a doença tenha sido descrita na literatura médica ainda no século XIX, não se sabe ao certo quais são as suas causas.
Os primeiros estudos relacionados a esse mal datam de 1817. À época, o médico inglês James Parkinson publicou um artigo chamado “An Essay on the Shaking Palsy” em que descrevia uma espécie de “paralisia agitante” em pessoas idosas.
Posteriormente, o médico francês Jean-Martin Charcot contribuiu com estudos em diversas áreas da neurologia e foi ele que, juntamente com o médico francês Alfred Vulpian, diferenciou em um artigo a esclerose múltipla do mal de Parkinson, batizando a doença em homenagem ao estudo do seu antecessor.
O Mal de Parkinson é uma doença degenerativa do sistema nervoso central e que afeta a coordenação motora. O que se sabe é que ocorre uma degeneração dos neurônios produtores de dopamina.
As causas da doença ainda não são completamente conhecidas, mas acredita-se que fatores genéticos e ambientais possam contribuir para o surgimento desta patologia. A doença acomete especialmente pessoas de mais idade, a partir dos 55 anos.
Embora a doença possa ser assintomática em estágio inicial, pacientes com Mal de Parkinson tendem a apresentar sintomas como tremores, rigidez, lentidão de movimentos e dificuldade em caminhar. Em casos mais avançados pode ocorrer depressão e ansiedade, levando a pessoa a desenvolver demência.
Infelizmente, não há cura para o Mal de Parkinson, mas existem diversos tratamentos que podem ser empregados para que o paciente tenha uma melhor condição de vida. Isso inclui medicamentos, sessões de fisioterapia, acompanhamento psicológico, prescrição nutricional e, se necessário, intervenção cirúrgica.
Além da idade avançada, os sintomas do Mal de Parkinson contribuem para agravar o quadro clínico do paciente, impactando em suas atividades de rotina. Dificuldade para caminhar, tremores e problemas de raciocínio costumam se intensificar com o passar dos anos, fazendo com que a pessoa precise de auxílio mesmo para realizar tarefas de rotina.
Além do paciente, as pessoas que estão à sua volta também são impactadas pelo agravamento da doença. Não é raro que filhos, netos, irmãos e irmãs tenham que assumir determinadas funções que impliquem em sair de casa ou realizar tarefas domésticas. O portador da doença se frustra com o fato de não ter controle absoluto sobre a coordenação motora, e pode demonstrar irritação e ansiedade.
Atenção: as informações apresentadas neste texto têm caráter informativo e não substituem a consulta a um profissional qualificado.
A paciência é a maior virtude do cuidador ou responsável por um idoso com Mal de Parkinson. É preciso compreender que mesmo as tarefas mais simples demandarão mais tempo por parte do paciente. Portanto, ao acompanhá-lo, certifique-se de dar ao portador da doença o tempo necessário para realizar qualquer atividade, sem apressá-lo ou criticá-lo pela demora.
Orientar o repouso é outro aspecto importante. Pessoas com Parkinson tendem a sentir um cansaço maior ao longo do dia, e isso deve ser respeitado. Contudo, há que se encontrar um equilíbrio entre repouso e sono, pois caso contrário corre-se o risco de que o idoso desenvolva um quadro de insônia, tendo muita dificuldade para dormir à noite.
As limitações impostas pela doença podem requerer que a residência do idoso precise de algumas adaptações. Na cozinha, no banheiro e nos demais cômodos, os itens mais utilizados devem estar sempre acessíveis. Retirar tapetes escorregadios e adicionar corrimões ou barras de suporte em algumas áreas também é recomendável. O uso de uma bengala também é indicado para que a pessoa possa ter um ponto de apoio frequente.
No que diz respeito à alimentação, uma dieta equilibrada também é importante para evitar o excesso de perda de peso. Os sintomas da doença podem inibir o apetite ou dificultar a mastigação, por isso dê preferência para alimentos leves e de fácil preparo e ingestão. Estimular várias refeições ao dia é melhor do que centralizar toda a alimentação no almoço e no jantar.
Fique atento também ao acompanhamento médico necessário. O uso de medicamentos pode atenuar os sintomas da doença, mas é importante que os familiares ajudem o paciente a organizá-los de maneira que eles sejam tomados conforme a orientação. Uma caixa apropriada para os comprimidos com as indicações de horário de cada medicamento é o ideal.
Por último, mas não menos importante, aproveite para estabelecer um diálogo com o portador da doença. As limitações físicas podem causas abalos emocionais que levam à depressão. Ajudar o idoso a ver o mundo sob outro ponto de vista, envolvendo outros familiares nas atividades e trazendo-o para o convívio do dia a dia é fundamental para que ele mantenha a percepção de que, apesar das dificuldades, é possível levar uma vida saudável e feliz ao lado de pessoas queridas.