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Revisado pelo(a) Dra. Bárbara Serafini Breda, CRM/RS 57350
Condição cada vez mais comum ao redor do mundo, devido a diversos fatores como a obesidade, a esteatose hepática, popularmente conhecida como gordura no fígado, é um distúrbio que tem como característica o acúmulo de gordura nas células deste órgão.
Uma pequena quantidade de gordura no fígado é considerada normal em indivíduos saudáveis.
Contudo, quando este índice ultrapassa 5% dos hepatócitos (células do fígado), o quadro não é considerado saudável, apontando o risco do desenvolvimento de doenças perigosas, como a cirrose hepática e o câncer no fígado.
Quer saber mais sobre a gordura no fígado (esteatose hepática): o que é, sintomas e causas? Acompanhe o conteúdo a seguir!
A gordura no fígado (esteatose hepática) se trata de uma condição na qual os hepatócitos (células do fígado) são preenchidos com gordura, tornando-o volumoso e pesado.
O fígado situa-se no lado direito do abdômen e, por ele, circula uma grande quantidade de sangue.
Sua importância é fundamental para diversos processos do organismo humano, incluindo, por exemplo, a regulação do metabolismo e a síntese de proteínas.
Além disso, ele também é responsável pelo armazenamento de determinadas substâncias (como o glicogênio), filtragem do sangue e eliminação de possíveis toxinas que possam ser perigosas para a saúde humana.
Dessa forma, quando o órgão é preenchido com gordura acima do permitido, ele inflama, perdendo ou diminuindo a sua capacidade de exercer suas funções vitais. Além disso, aumenta de tamanho e adquire um aspecto amarelado.
Esta inflamação pode, a médio e a longo prazo, evoluir para quadros graves que, se não tratados, levam à morte. Entre os mais comuns, estão:
Mulheres apresentam maior tendência a desenvolver esteatose hepática, possivelmente devido a flutuações hormonais, embora a causa exata ainda não seja completamente esclarecida.
Além disso, pessoas com obesidade, estilo de vida sedentário ou consumo excessivo de álcool têm maiores chances de apresentar o problema.
Em crianças, os fatores de risco estão mais associados a doenças metabólicas, principalmente aquelas nos primeiros anos de vida (o tratamento nesta época da vida é fundamental para evitar problemas na fase adulta).
Já em adolescentes e jovens, assim como em adultos, essa condição hepática está ligada diretamente ao estilo de vida.
Atenção: as informações apresentadas neste texto têm caráter informativo e não substituem a consulta a um profissional qualificado.
O Ministério da Saúde também alerta para outros fatores de risco associados à gordura no fígado, que incluem:
Inicialmente, a gordura no fígado é assintomática, o que dificulta a sua identificação intencional.
Já quando os sintomas da esteatose hepática começam a surgir, geralmente se manifestam como:
Quando a inflamação do fígado já atingiu proporções maiores, o paciente pode apresentar sintomas como:
É importante mencionar que parte desses sintomas está relacionada a doenças como a cirrose, uma das principais complicações da esteatose hepática.
Em pessoas que desenvolveram gordura no fígado alcoólica, os sintomas são específicos e podem incluir:
A esteatose hepática pode ter duas causas distintas: consumo excessivo de álcool (conhecida como alcoólica) ou pode estar ligada a outros fatores, como diabetes e obesidade (não alcoólica).
Embora seja mais comum entre indivíduos dos 40 aos 50 anos de idade (com maior prevalência em mulheres), a gordura no fígado pode atingir também crianças, geralmente aquelas que possuem doenças metabólicas.
Entre adolescentes e jovens até os 30 anos, o distúrbio costuma surgir devido a hábitos não saudáveis, como o consumo excessivo de alimentos industrializados.
Vale salientar que, apesar da sua relação com a obesidade, a gordura no fígado atinge também pessoas magras.
Entre as principais causas para a gordura no fígado não alcoólica, estão:
A maior parte dos diagnósticos da gordura no fígado é realizada de forma incidental, quando o paciente busca respostas para outros sintomas ou problemas de saúde.
O diagnóstico pode ser feito por meio de uma ultrassonografia do abdômen. Em alguns casos, o médico (clínico geral ou hepatologista) também pode recomendar uma biópsia hepática, que envolve a remoção de uma pequena amostra de tecido do fígado para uma análise mais detalhada.
Além destes exames, podem ser solicitados exames laboratoriais para avaliação dos níveis de colesterol, glicose, insulina, triglicérides e enzimas hepáticas.
A partir da avaliação do quadro de saúde do paciente, é possível classificar a gordura no fígado em três graus diferentes:
No grau leve, o fígado apresenta uma quantidade modesta de gordura, sem quaisquer sinais significativos de inflamação ou fibrose (cicatrização em excesso no tecido conjuntivo, que se acumula no fígado).
Em grande parte dos diagnósticos, o grau leve está associado a casos de gordura no fígado não alcoólica.
Pacientes com o diagnóstico, devem ser acompanhados por um profissional de saúde continuamente.
Com intervenções apropriadas, incluindo mudanças na dieta, no estilo de vida, além do aumento da atividade física, é possível reverter o problema.
No grau moderado, há um acúmulo maior de gordura em comparação com o anterior. Contudo, as evidências relacionadas a algum tipo de inflamação ainda são poucas ou inexistentes.
Assim como o grau 1, a gordura no fígado moderada está associada à classificação não alcoólica, ou seja, não há relação com o consumo de álcool.
Nesse caso, é essencial considerar fatores de risco, como a obesidade e a diabetes, ao desenvolver um plano de tratamento personalizado para a esteatose hepática.
No grau grave, diferente dos estágios anteriores, o acúmulo de gordura no fígado é alto, sendo, inclusive, relacionado ao aumento de progressão para a cirrose hepática (caracterizada por cicatrizes no fígado).
Além disso, as células hepáticas podem estar mais distendidas devido à quantidade significativa de gordura armazenada, sendo mais provável que ocorram sinais e sintomas de inflamação e fibrose no fígado.
Quando o quadro clínico é grave, o paciente pode apresentar fadiga intensa, desconfortos abdominais, dores do lado direito do abdômen e aumento do fígado (condição conhecida como hepatomegalia).
A prevenção de gordura no fígado envolve diversas ações direcionadas para hábitos alimentares equilibrados, exercícios físicos regulares e evitar os fatores de risco associados (como o consumo em excesso de bebida alcoólica).
Entre as principais recomendações, estão:
Como visto neste post "Gordura no fígado (esteatose hepática): o que é, sintomas e causas", esta é uma condição perigosa que deve ser acompanhada de perto.
Para manter a saúde, além de realizar check-ups regularmente, é preciso adotar hábitos saudáveis, como ter uma alimentação equilibrada e fazer exercícios físicos regularmente.
Ao suspeitar de problemas hepáticos, é essencial buscar a orientação do clínico geral ou do hepatologista.