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Revisado pelo(a) João Carlos Camolez, CRP/PR 21360
O estresse crônico é um fenômeno complexo e prejudicial que pode se manifestar em resposta a desafios persistentes na vida cotidiana.
Isso ocorre porque o estresse é uma parte normal da vida (mecanismo natural), visto que auxilia o indivíduo a evitar o perigo ou a recuperar-se de algum estímulo desestabilizador, aversivo ou não, fazendo com que o corpo reestabeleça sua homeostase (equilíbrio).
No entanto, há uma diferença entre o estresse considerado normal e o estresse crônico, já que o último ocorre quando os problemas persistem por vários meses ou anos, impactando de forma significativa a qualidade de vida.
Saiba mais sobre o estresse crônico: o que é, sintomas e tratamento a seguir!
O estresse, em seu estado natural, é uma resposta do corpo (com componentes físicos, psicológicos, mentais e hormonais) gerada pela necessidade de lidar com algo, alterações do ambiente, ou aspectos que ameacem a estabilidade mental ou física, ajudando os seres humanos a se adaptar e também a lidar com os desafios da vida cotidiana.
O estresse pode se manifestar de duas formas distintas: estresse agudo e estresse crônico.
O estresse agudo é uma resposta imediata e de curta duração do corpo a uma situação específica.
Geralmente, ocorre em horários específicos e temporariamente, ocasionando um quadro de ansiedade.
Apesar do estresse, em pequenas doses, é importante para o funcionamento do corpo.
Porém, em excesso, pode afetar a saúde mental e física, causando sintomas como:
Atenção: as informações apresentadas neste texto têm caráter informativo e não substituem a consulta a um profissional qualificado.
O estresse crônico é uma forma prolongada e persistente que afeta de forma negativa diversos aspectos da vida de uma pessoa, podendo persistir por semanas, meses ou até mesmo anos.
O estresse prolongado, persistente e intenso provoca a ativação do eixo HHA (hipotálamo-hipófise-supra renal), acarretando aumento e manutenção do nível de cortisol no corpo.
Assim, o sistema imunológico se torna fragilizado e a probabilidade de ocorrerem problemas de saúde aumenta com a intensificação do processo (principalmente, ocasionando a morte de células nervosas do cérebro, os neurônios).
Isso pode resultar em um desequilíbrio no funcionamento de todo o corpo, o que ocasiona uma exaustão física, emocional e mental.
Além disso, o estresse crônico pode estar associado a uma variedade de problemas de saúde, induzindo emoções, alterando o comportamento e interferindo em mecanismos biológicos e cognitivos, tanto como causa, como fator desencadeador (comorbidades). Entre alguns exemplos, estão:
O estresse crônico pode afetar todas as áreas da vida de uma pessoa, desde a saúde física até a saúde mental.
Além disso, os sintomas podem se manifestar tanto cognitivamente quanto emocionalmente e fisicamente.
Os sintomas cognitivos são aqueles que se referem a alterações em processos mentais que envolvem a percepção, a memória, o raciocínio, a atenção e as outras áreas relacionadas às funções cognitivas.
Alguns dos sintomas cognitivos relacionados ao estresse crônico são:
Os sintomas emocionais se referem a manifestações de mudanças no estado emocional de uma pessoa, implicando em diferentes aspectos (tanto biológicos e cognitivos quanto psicossociais), podendo variar em intensidade e duração.
Os sintomas emocionais manifestados no estresse crônico são:
Tal condição pode contribuir para o desenvolvimento ou agravamento de outros problemas de saúde mental, como depressão e ansiedade.
Os sintomas físicos são as manifestações que são observáveis ou percebidas no corpo, indicando uma mudança no estado de saúde de um indivíduo.
Alguns exemplos de sintomas físicos no estresse crônico são:
Também podem ocorrer mudanças comportamentais, visto que o indivíduo, quando em estresse, pode ter dificuldades em tomar decisões, pode tornar-se agressivo, teimoso e hostil ou passivo, deixando-se afetar pelos acontecimentos (sem tentar resolver as suas dificuldades), isolando-se.
Além disso, o estresse crônico pode ser um fator que favorece a dependência (seja de substâncias ou outros vícios), visto que, em uma tentativa de escapar de todos esses sentimentos e sintomas negativos, os indivíduos buscam formas de se sentir bem e relaxar temporariamente.
É fundamental reconhecer os sintomas e sinais do estresse crônico para procurar a ajuda de um profissional de saúde, como o psicólogo ou o psiquiatra, para diagnóstico e tratamento adequado.
As causas do estresse crônico são multifacetadas e, além disso, também podem variar para cada pessoa.
As principais causas estão relacionadas à pressão no trabalho, problemas financeiros, conflitos interpessoais, eventos traumáticos e estilo de vida pouco saudável.
No ambiente profissional, quando há situações estressantes e persistentes, como prazos apertados, metas quase inatingíveis e excesso de responsabilidade, há maiores chances de desenvolver o estresse crônico.
Problemas financeiros também são um dos exemplos de situações que comumente desencadeiam o estresse crônico, pois uma pessoa que apresenta instabilidade financeira, muitas dívidas e dificuldades para pagar as contas, comumente vive em um estado de estresse contínuo.
Conflitos interpessoais também podem ocasionar o estresse crônico, visto que indivíduos que apresentam conflitos familiares, problemas conjugais, amigos tóxicos ou ausência de rede de apoio, por exemplo, estão propensos ao problema.
É importante lembrar que o estresse crônico também pode ser resultado de eventos e experiências traumáticos (transtorno de estresse pós-traumático), como abusos (físicos, emocionais e sexuais), que podem marcar profundamente a vida das pessoas, gerando um estado de estresse constante.
Inclusive, a falta de um estilo de vida saudável, como má alimentação, sedentarismo e consumo de drogas e álcool, pode contribuir para o desenvolvimento dessa condição mental.
Em uma situação de estresse, um indivíduo saudável produz os hormônios relacionados ao estresse (como cortisol, adrenalina e noradrenalina), o que acaba resultando no aumento da frequência cardíaca, da glicemia, na dilatação das pupilas, suor excessivo, diminuição das atividades do trato gastrointestinal e do sistema imunológico de forma temporária.
No entanto, no caso do estresse crônico, o fator estressante se apresenta de forma repetida e longa (durante dias, meses ou anos), ocasionando a produção de hormônios específicos de forma contínua, além de desencadear diversos sintomas e problemas de saúde.
O diagnóstico do estresse crônico envolve uma avaliação clínica feita por um psiquiatra em conjunto com o psicólogo, na qual são aplicados questionários e escalas de avaliação para quantificar a gravidade dos sintomas.
Além disso, são solicitados exames médicos para descartar outras condições médicas e é realizada uma entrevista clínica abrangente com o paciente, visto que o diagnóstico de estresse e de outra patologia nem sempre é fácil ou simples.
Embora não haja critérios diagnósticos específicos no DSM-5, critérios gerais de estresse e transtornos de adaptação são frequentemente utilizados como guias.
Uma abordagem multidisciplinar é essencial, envolvendo médicos, psicólogos e outros profissionais de saúde para garantir um diagnóstico preciso e um plano de tratamento individualizado.
O tratamento para o estresse crônico requer uma abordagem abrangente, considerando tanto sintomas cognitivos, quanto emocionais e físicos.
Embora não tenha um medicamento específico para o tratamento do estresse, o médico psiquiatra pode indicar o tratamento medicamentoso para a melhora de sintomas adjacentes ao estresse (como depressão, ansiedade, síndrome do pânico, entre outros), assim como indicar outras ações complementares, como:
Como visto no post “Estresse crônico: o que é, sintomas e tratamento”, esta é uma resposta prolongada a desafios persistentes na vida cotidiana, afetando negativamente a saúde física e mental.
As diferenças entre o estresse crônico e o agudo são, principalmente, a sua duração e os impactos na vida do indivíduo.
O estresse manifesta-se por meio de sintomas físicos, emocionais e cognitivos, como cansaço constante, desmotivação, dores físicas, irritabilidade e dificuldade de concentração.
As principais causas incluem pressão no trabalho, problemas financeiros, conflitos interpessoais e também eventos traumáticos.
O tratamento do estresse crônico envolve uma abordagem multifacetada, incluindo psicoterapia, mudanças no estilo de vida, técnicas de relaxamento e rede de apoio.
Fonte (s): LIPP, M. e MALAGRIS, L. E. N. Estresse: aspectos históricos, teóricos e clínicos. In Bernard Rangé e colaboradores - Psicoterapias cognitivo-comportamentais: um diálogo com a psiquiatria. 2ª ed. Porto Alegre: Artmed, 2011. AMARAL, A. P. Stresse e Saúde - Contextualização teórica e intervenção em Educação para a Saúde - Escola Superior de Tecnologia da Saúde Instituto Politécnico de Coimbra - Portugal, 2022.