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Revisado pela Equipe de Redação da Medprev
Você já ouviu falar sobre a dieta com restrição de glúten? Esta é a principal forma de tratamento da doença celíaca, condição autoimune que provoca uma reação exagerada no sistema imunológico do indivíduo.
Dados da OMS (Organização Mundial da Saúde) mostram que cerca de 1% da população mundial é celíaca. Grande parte dos casos se apresenta ainda na infância, com quadros de diarreias crônicas e deficiências de crescimento.
Saiba mais sobre a doença celíaca: o que é, sintomas e tratamentos a seguir.
A doença celíaca (também conhecida como enteropatia sensível ao glúten) é uma doença autoimune crônica, que afeta o intestino delgado de adultos e crianças geneticamente predispostos.
Seu aparecimento ocorre pela ingestão do glúten, proteína encontrada em alimentos como trigo, cevada, aveia e derivados.
Quando um paciente celíaco consome glúten, o seu sistema imunológico reage de maneira anormal, atacando as vilosidades (dobras da camada interna que aumentam a superfície de absorção de nutrientes) do intestino delgado.
Assim, devido a este ataque, o revestimento intestinal acaba inflamando e a absorção de nutrientes pelo organismo fica comprometida, levando a diversos problemas de saúde.
De forma geral, não há uma classificação da doença celíaca em tipos, mas em manifestações clínicas. A seguir, descubra como cada uma delas se apresenta.
A doença celíaca clássica apresenta-se na forma de sintomas típicos, que incluem:
Costuma ser mais comum na infância, durante os primeiros 5 anos de vida. É a forma que pode ser diagnosticada mais facilmente.
A doença celíaca não clássica ou atípica tem como uma das principais características a manifestação com sintomas fora do trato gastrointestinal, incluindo:
Nesse caso, os sintomas gastrointestinais são praticamente ausentes, o que também dificulta o seu diagnóstico.
Atenção: as informações apresentadas neste texto têm caráter informativo e não substituem a consulta a um profissional qualificado.
Essa forma da doença celíaca causa lesões no intestino delgado do paciente; porém, não apresenta sintomas.
Nestes casos, o diagnóstico correto é essencial para o controle da condição, uma vez que, se não tratada, pode evoluir para problemas de saúde mais sérios, como anemia e também câncer de intestino.
A doença celíaca refratária é a forma mais rara e grave da doença. Neste caso, mesmo com dietas rigorosas sem glúten, o paciente apresenta sintomas agressivos.
Seu tratamento requer uma abordagem mais intensiva. Os pacientes deste tipo costumam ter mais de 50 anos.
Algumas pessoas, mesmo com predisposição genética, podem não desenvolver a doença no início da vida.
Contudo, no caso da doença celíaca latente, sua manifestação pode ocorrer em algum momento da vida, geralmente na fase adulta.
É importante lembrar que boa parte das manifestações da doença pode se sobrepor a outras condições médicas, o que dificulta o diagnóstico correto.
Dessa forma, aos primeiros sinais do problema, deve-se imediatamente procurar ajuda médica, como a do gastroenterologista.
Entre os principais sintomas da doença celíaca, estão:
O glúten, em pessoas celíacas, estimula a produção de determinados tipos de anticorpos (como a antigliadina), que danificam o intestino delgado.
Dessa forma, a causa para a doença não reside em fatores externos e sim, em uma predisposição genética.
Portanto, pessoas com variantes genéticas específicas estão mais propensas a desenvolver a condição, em especial o gene MHC (Complexo Principal de Histocompatibilidade). Ele é responsável pela codificação das estruturas proteicas da resposta imunológica do corpo.
Essa produção exagerada de anticorpos leva a uma resposta inflamatória do organismo, resultando em danos ao revestimento do intestino delgado.
A predisposição genética é a causa principal para a doença celíaca. Porém, existem também os fatores de risco, que aumentam as chances da manifestação do problema. Entre eles, estão:
O diagnóstico pode ser realizado por um clínico geral ou também por um gastroenterologista.
Envolve, na maioria das vezes, a combinação de uma avaliação clínica e de exames de sangue específicos.
Em alguns casos, pode ser solicitada também a biópsia de alguma parte do intestino delgado, além de procedimentos de imagem complementares.
A avaliação clínica envolve análise detalhada de todo o quadro do paciente, o que inclui a revisão dos sintomas, histórico médico e familiar do indivíduo, além dos possíveis fatores desencadeantes.
De forma geral, os exames de sangue são, na verdade, a primeira etapa do diagnóstico.
São realizadas dosagens no sangue dos anticorpos contra o glúten. Entre os marcadores mais utilizados, estão:
Caso os exames de sangue apontem para a presença da doença celíaca, o complemento do diagnóstico pode ser feito por meio da endoscopia digestiva alta com posterior biópsia do intestino delgado.
A endoscopia é realizada através da inserção de um pequeno tubo flexível com uma câmera pela garganta, até o intestino delgado. Ela permite visualizar o revestimento do órgão. Já a biópsia é a retirada do revestimento do intestino delgado para análise laboratorial.
As biópsias são examinadas em microscópios para avaliar a presença de lesões características, como as vilosidades intestinais.
Não existe cura para a doença celíaca. A principal linha de ação do tratamento é a eliminação completa do glúten na dieta do indivíduo.
Uma vez diagnosticada, é fundamental que o paciente siga à risca todas as recomendações médicas.
Isto geralmente envolve consultas com nutricionistas ou profissionais especializados em dieta de doença celíaca.
Assim, é preciso cortar o consumo de alimentos como o trigo, a cevada, o centeio e, em alguns casos, a aveia (pode haver contato com o glúten durante sua manipulação).
A dieta de um celíaco deve conter carne, peixes, frutas, vegetais, arroz, batata e produtos sem glúten.
Vale salientar que o cuidado apenas com os alimentos pode não ser suficiente, também é preciso se atentar a uma possível contaminação.
A contaminação cruzada ocorre quando utensílios de cozinha, como pratos, talheres, entre outros, não são higienizados da forma correta, podendo assim conter glúten em sua superfície.
A supervisão nutricional é outro fator fundamental para o sucesso do tratamento da doença celíaca. É preciso manter o consumo de todos os nutrientes essenciais, mesmo com restrições alimentares, para uma vida saudável.
Em casos nos quais as deficiências nutricionais são graves, o médico ou o nutricionista pode recomendar o uso de suplementos vitamínicos e minerais, como forma de manter os níveis de cálcio, ferro e zinco equilibrados.
Embora a doença celíaca não tenha cura, é possível conviver bem e sem complicações, desde que o paciente siga rigorosamente o plano de tratamento disponibilizado.
É comum a confusão entre a intolerância ao glúten e a doença celíaca. Contudo, ambas as condições possuem algumas diferenças entre si, mesmo que suas causas estejam relacionadas à ingestão de glúten.
A doença celíaca, em si, provoca uma reação exagerada no sistema imunológico do paciente; já a intolerância ao glúten está ligada a uma sensibilidade ao consumo da proteína.
Enquanto a doença celíaca causa um processo inflamatório, levando a diversos outros problemas de saúde, a sensibilidade ao glúten pode ser causada pelo alto consumo da proteína, que não é bem digerida.
Como mostrado neste post "Doença celíaca: o que é, sintomas e tratamentos", esta é uma doença autoimune, o que leva a um processo inflamatório do intestino delgado e dificulta a absorção de proteínas pelo organismo. Ela causa diversos sintomas, incluindo problemas no crescimento, distúrbios gastrointestinais, etc.
A Federação Nacional das Associações de Celíacos do Brasil estima que 2 milhões de brasileiros convivem atualmente com a doença.
O seu diagnóstico é realizado através de exames de sangue e também de imagem, como a endoscopia. Não existe cura e medicação específica para a doença celíaca.
Dessa forma, todo o tratamento se concentra na adoção de uma dieta livre de glúten, o que possibilita ter qualidade de vida e prevenir os seus sintomas.