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Revisado pela Equipe de Redação da Medprev
Doença autoimune que atinge o intestino delgado, a doença celíaca tem como característica a rejeição ao glúten, proteína encontrada em boa parte dos alimentos. Ela não tem cura, mas pode ter controle com acompanhamento profissional.
Dados da FENACELBRA (Associação dos Celíacos do Brasil), mostram que, até 2020, o Brasil contava com aproximadamente 2 milhões de celíacos.
Grande parte destas pessoas ainda está sem diagnóstico devido à pouca informação sobre a doença.
Saiba mais sobre 8 sintomas da doença celíaca (intolerância ao glúten) a seguir!
A doença celíaca tem como característica a rejeição ao glúten, uma proteína presente em diversos cereais, como trigo, centeio e cevada.
Dessa forma, o glúten passa a ser identificado como algo potencialmente prejudicial, desencadeando uma resposta imunológica.
Assim, ele ataca a mucosa do intestino delgado com o objetivo de destruir essa "substância nociva", causando sintomas, lesões e comprometendo até o seu funcionamento.
Embora seja comum em crianças até um ano de idade (no início da introdução alimentar com alimentos sólidos), a doença celíaca pode se desenvolver em qualquer idade, inclusive em idosos, acompanhando o indivíduo por toda a vida.
Os sintomas da doença celíaca são variados e podem estar relacionados a diversos outros problemas de saúde.
Os três grupos mais comuns de sintomas da doença celíaca são:
É importante citar que há casos em que o quadro é assintomático, o que é chamado de doença celíaca silenciosa.
A diarreia crônica é um dos sintomas mais comuns da doença celíaca.
Ele tem como principal característica as evacuações frequentes, soltas e aquosas, que podem ocorrer diversas vezes durante o dia.
Geralmente, elas são precedidas por estufamento abdominal, flatulência e dores fortes.
A gravidade da diarreia crônica varia para cada pessoa e, em casos graves, pode levar a pontos críticos de desidratação e a deficiências nutricionais severas.
Atenção: as informações apresentadas neste texto têm caráter informativo e não substituem a consulta a um profissional qualificado.
O diagnóstico da doença celíaca em pessoas que manifestam esse sinal pode envolver exames de sangue e endoscopia do intestino delgado, para avaliar os danos à mucosa intestinal.
A constipação é outro sintoma comum em quadros de doença celíaca.
Ao contrário da diarreia crônica, em que as fezes, por vezes, são aquosas, o indivíduo passa por evacuações raras, além de esforços excessivos durante o processo.
Para promover a regularidade das fezes e do trânsito intestinal, de forma complementar aos cuidados com a doença, recomenda-se a prática de atividade física regular e hidratação constante.
Devido ao dano causado pelo sistema imunológico às vilosidades intestinais (estruturas responsáveis pela absorção de nutrientes), o indivíduo com doença celíaca pode apresentar má absorção de nutrientes essenciais (como proteínas e carboidratos, por exemplo).
Assim, a pessoa pode começar a perder peso, mesmo consumindo uma quantidade adequada (ou até maior) de alimentos.
Este é um sintoma relativamente comum e pode ser um sinal importante da presença da doença.
A doença pode prejudicar o crescimento de diversas maneiras, incluindo:
A fadiga crônica é um sintoma comum em muitos casos de doença celíaca. Indivíduos celíacos muitas vezes experimentam fadiga persistente e debilitante, mesmo que estejam dormindo ou tenham um estilo de vida saudável.
Um ponto importante que liga a fadiga crônica à doença celíaca é o estresse emocional.
Além da deficiência nutricional, o estresse contribui para um corpo cansado, que sente dificuldades em realizar atividades do dia a dia.
A anemia é uma condição na qual o corpo não possui hemoglobina (proteína dos glóbulos vermelhos que transporta oxigênio dos pulmões para o resto do corpo) suficiente.
Quando os níveis de hemoglobina estão baixos, o corpo pode não receber oxigênio suficiente, levando a outros problemas, como falta de ar, palidez e fraqueza.
A condição está ligada a quadros de doença celíaca pela má absorção de nutrientes, pela deficiência de ferro, entre outras complicações.
O indivíduo com doença celíaca pode desenvolver também lesões na pele, em especial uma condição conhecida como dermatite herpetiforme.
Trata-se de uma condição cutânea crônica, caracterizada por erupções cutâneas intensas, como bolhas.
Elas ocorrem principalmente em áreas de flexão, incluindo joelhos, costas, cotovelos e nádegas.
Embora seja clinicamente distinta da doença celíaca, a dermatite herpetiforme é considerada uma manifestação da resposta imunológica anormal ao glúten.
A conexão entre as duas condições reside na presença de anticorpos específicos, que são produzidos em resposta à ingestão de glúten.
A coceira na pele, condição conhecida como prurido, também pode figurar como um sintoma associado a quadros de doença celíaca.
Além disso, a deficiência de certos nutrientes também contribui para o desenvolvimento de manifestações cutâneas.
É importante ressaltar que o prurido não é uma condição apenas ligada à doença celíaca.
Existem diversas outras condições que podem levar ao prurido, como a urticária, algumas infecções parasitárias e a dermatite atópica.
Enquanto a doença celíaca é uma condição autoimune que pode causar danos permanentes e, inclusive, aumentar o risco de fatalidade, a intolerância ao glúten (ou sensibilidade não celíaca ao glúten) não possui o mesmo potencial prejudicial ao organismo, embora desencadeie diversas reações.
Os sintomas de ambos os quadros são semelhantes, principalmente em relação ao desconforto após o consumo de glúten.
Porém, no caso da doença celíaca, a ingestão pode causar danos cada vez mais graves e potencializar a resposta autoimune, aumentando as chances do desenvolvimento de doenças crônicas e de sequelas.
A doença celíaca é uma condição autoimune, no qual o sistema imunológico reage de maneira anormal ao glúten, causando danos ao revestimento do intestino delgado e dificultando a absorção de nutrientes essenciais.
Os sintomas da doença celíaca variam amplamente. Entre os principais estão:
Vale salientar que estes sintomas não são específicos de quadros de doença celíaca, mas podem estar presentes em grande parte dos diagnósticos.
O tempo para os sintomas surgirem varia de acordo com o organismo de cada pessoa, podendo ocorrer após horas, dias ou até semanas.
O diagnóstico da doença celíaca envolve uma combinação de exames de sangue, análise do histórico médico e endoscopia do intestino delgado (para avaliar os danos causados à mucosa intestinal).
Sim, a doença celíaca tem forte base genética. Pessoas com parentes de primeiro grau com doença celíaca, por exemplo, têm um risco aumentado de desenvolver a condição.
Além disso, os genes associados à doença celíaca podem estar presentes em pessoas sem sintomas, tornando o diagnóstico precoce ainda mais importante.
Ainda não existe uma cura definitiva para a doença celíaca, contudo, é possível controlá-la e prevenir seus sintomas a partir de uma alimentação sem opções com glúten.
É preciso ter um cuidado minucioso para evitar a ingestão de alimentos com glúten e, inclusive, a contaminação cruzada (presença de glúten devido ao processo de fabricação do alimento, por exemplo).
Assim, além de verificar a composição e os ingredientes das refeições, é necessário adotar estratégias para manter a segurança da pessoa com a doença, como não compartilhar utensílios que foram utilizados em alimentos que têm glúten.
Como visto no post "8 sintomas da doença celíaca (intolerância ao glúten)", identificar os sinais da condição é fundamental para buscar ajuda médica quando necessário.
Dor abdominal e diarreia após se alimentar com opções com glúten, por exemplo, podem indicar necessidade de investigação do quadro de saúde.
O clínico geral, o gastroenterologista e o nutrólogo são alguns dos profissionais que podem realizar a avaliação do paciente e indicar os cuidados necessários, caso preciso.