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    Quais são os tipos de gorduras corporais que todo mundo tem?

    25/09/2025 • Tempo de leitura 10 min

    Revisado pelo(a) Dra. Eva Gabryelle Vanderlei Carneiro Machado, CRM/PR 58112

    Ao se falar sobre gordura corporal, é comum acreditar que este é um componente muito prejudicial à saúde. Mas há diferentes tipos de gordura no corpo, e nem todos fazem mal.

    Existe uma série de gorduras, inclusive aquelas que são essenciais para que o organismo funcione plenamente.

    Outras auxiliam na sua proteção, sendo, portanto, positivas para o corpo. E isso varia conforme a localização e a quantidade de gordura.

    Quer saber mais sobre o assunto? Descubra quais são os tipos de gorduras corporais que todo mundo tem a seguir.

    Principais tipos de gorduras corporais

    1. Gordura essencial

    A gordura essencial é um dos tipos de gorduras corporais imprescindíveis para o bom funcionamento do organismo.

    Esse é o tecido adiposo que atua na regulação da temperatura corporal, na produção de vários hormônios e na absorção de vitaminas, além de ser o principal constituinte da membrana das células, junto com as proteínas.

    A gordura essencial também funciona como reserva de energia para vários órgãos e é necessária para a manutenção dos processos que ocorrem no cérebro, no coração, nos pulmões, no fígado, entre outros.

    Além dessas funções vitais, ela desempenha um papel fundamental na proteção dos órgãos internos, ajudando a amortecer impactos e a reduzir o risco de lesões.

    Ela também está envolvida na resposta imunológica do organismo, contribuindo para a defesa contra infecções e auxiliando na recuperação de tecidos danificados.

    Contudo, ainda que seja indispensável para o corpo, o excesso de gordura essencial pode gerar desequilíbrios que afetam diversas funções fisiológicas. Por isso, manter um nível adequado deste tipo de gordura é fundamental para a saúde geral e o bom funcionamento do organismo.

    2. Gordura branca

    A gordura localizada que não pode ser completamente eliminada mesmo com dieta e exercícios é a gordura branca.

    Ela recebe esse nome porque é realmente esbranquiçada em função da sua baixa quantidade de vasos sanguíneos.

    Esse tipo corresponde a 90% do tecido adiposo do organismo e ajuda a proteger os órgãos dos impactos do dia a dia. Contudo, em excesso, causa uma série de problemas.

    O principal papel da gordura branca é fazer a transformação das calorias excedentes da dieta em mais gordura, o que é importante para que o organismo tenha energia. Porém, esse tipo de gordura tende a se acumular, tornando-se prejudicial.

    Além de ser a principal reserva de triglicerídeos do organismo, a gordura branca promove uma resistência à leptina, um hormônio que confere sensação de saciedade.

    Atenção: as informações apresentadas neste texto têm caráter informativo e não substituem a consulta a um profissional qualificado.


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    Como resultado, uma pessoa com excesso desse tipo de gordura vai sentir mais fome, e sua tendência será ganhar ainda mais peso.

    3. Gordura marrom

    Um dos tipos benéficos para o organismo é a gordura marrom, que tem essa coloração por receber um maior aporte de sangue.

    Esse tipo de tecido adiposo tem a função de fazer o isolamento térmico do corpo e, ao contrário da gordura branca, queima calorias para cumprir seu papel.

    Existe um estudo da Universidade de Harvard que demonstrou que a gordura marrom é ativada por temperaturas mais baixas, de forma que o frio ajudaria a reduzir o excesso de gordura branca ao estimular a queima calórica.

    Contudo, a quantidade desse tipo de tecido adiposo não é muito alta no organismo, por isso, não é eficaz considerar a gordura marrom no planejamento para o emagrecimento.

    4. Gordura bege

    De forma semelhante à gordura marrom, a gordura bege é um dos tipos de gorduras corporais que também queima calorias para produzir calor corporal e manter a temperatura do organismo em uma faixa adequada.

    Esse tipo de tecido adiposo tem origem na gordura branca, que é transformada em bege quando uma pessoa pratica exercícios físicos regulares.

    Porém, a gordura bege também ajuda a transformar a gordura branca ("ruim") em marrom ("boa").

    Ou seja, é importante saber que os exercícios não apenas queimam a gordura prejudicial, mas também estimulam a produção da gordura benéfica.

    5. Gordura subcutânea

    A gordura subcutânea fica armazenada logo abaixo da pele, sendo aquela que fica perceptível ao beliscar braços, pernas e barriga com os dedos.

    Embora não seja tão prejudicial quanto a gordura branca ou a visceral, o excesso de gordura subcutânea pode incomodar devido ao aspecto que confere, impedindo a visualização dos músculos. Além disso, essa é a gordura responsável pelo surgimento da celulite.

    6. Gordura visceral

    Ao tratar dos tipos de gordura corporal, não se pode deixar de citar a gordura visceral, que é a mais prejudicial de todas.

    Esse tipo de tecido adiposo consiste na gordura branca que se deposita entre os órgãos, atrás da parede do abdômen e na cavidade peritoneal.

    O excesso dessa gordura está relacionado a uma maior propensão a várias doenças e complicações, como hipertensão, níveis elevados de colesterol, infarto e acidente vascular cerebral.

    Além disso, ela agrava os processos inflamatórios e diminui o metabolismo e a queima de gordura.

    Gordura no fígado (esteatose hepática)

    A esteatose hepática é um distúrbio que provoca o acúmulo de gordura no interior das células do fígado.

    Quando ela ocorre de forma recorrente e por tempo prolongado, leva a uma inflamação seguida de condições graves. São exemplos delas a cirrose hepática, a hepatite gordurosa e o câncer.

    Estima-se que 30% da população sofra com essa condição, incluindo crianças, e que metade dessas pessoas desenvolva problemas de saúde graves a partir dela.

    Ainda que a esteatose hepática possa ser causada pelo consumo excessivo de álcool, nem sempre é ele o responsável pelo distúrbio. Outros fatores também podem levar ao seu surgimento, como:

    • sobrepeso;
    • perda repentina de peso;
    • má nutrição;
    • sedentarismo;
    • cirurgias;
    • gravidez;
    • colesterol alto;
    • pressão alta;
    • resistência à insulina;
    • obesidade abdominal.

    O distúrbio pode aparecer em pessoas magras e com exames sem alterações, mas é mais raro.

    Sintomas da esteatose hepática

    Inicialmente, a esteatose hepática não dá sinais de que está presente no corpo, eles aparecem apenas com o tempo, quando a doença está se complicando. Nesse caso, é possível observar os seguintes sintomas:

    • aumento do fígado;
    • perda de apetite;
    • fraqueza;
    • cansaço;
    • dor.

    Se a doença se agravar, sintomas mais sérios podem aparecer, como:

    • acúmulo anormal de líquido no abdômen;
    • doenças no encéfalo;
    • confusão mental;
    • icterícia;
    • hemorragias.

    Diagnóstico da esteatose hepática

    O diagnóstico da esteatose hepática gordurosa não alcoólica costuma ser feito por exames de rotina.

    Para confirmar, é necessário diferenciar o problema de outras doenças hepáticas e avaliar o histórico do paciente, exames de sangue e de imagem.

    A elastografia transitória é o exame mais importante, porque mede a elasticidade e a gordura do fígado de forma indolor.

    A gordura no fígado não tem tratamento, e sim recomendações para alterações na rotina, que deve ser mais saudável, incluindo prática de atividades físicas e uma alimentação balanceada.

    Como evitar o excesso de gordura?

    Não importa qual é o tipo de gordura que se deseja queimar: para eliminar o excesso de tecido adiposo, é necessário fazer uma reeducação alimentar, adotando uma dieta saudável, além de praticar exercícios físicos aeróbicos e de força regularmente.

    Em alguns tipos de gorduras corporais, como a branca e subcutânea, pode ser necessário recorrer aos tratamentos estéticos para obter resultados mais visíveis, como a criolipólise ou radiofrequência. Contudo, é fundamental o acompanhamento médico antes de optar por eles.

    Em geral, é possível perder peso com as seguintes dicas (dentre outras):

    • ampliar a ingestão de proteínas, que promovem a saciedade e colaboram para o desenvolvimento muscular, acelerando o metabolismo;
    • apostar na ingestão regular de fibras solúveis, que também promovem maior saciedade, além de reduzir a absorção de açúcares e gorduras;
    • consumir álcool com moderação, considerando que não há quantidades seguras para sua ingestão e que ele pode ser responsável pelo crescimento da barriga;
    • evitar gorduras trans, que aumentam o colesterol ruim e reduzem o bom, aumentando os riscos de doenças graves como o AVC;
    • manter uma rotina regular de sono, porque aqueles que dormem mal tendem a ter mais gordura na barriga;
    • não fumar, porque o fumo promove o aumento de peso e o acúmulo de gordura na barriga;
    • praticar exercícios aeróbicos, que além de queimar muitas calorias, ajudam na redução do acúmulo de gordura na cintura;
    • treinar força, já que a musculação estimula o crescimento de músculos e a aceleração do metabolismo, reduzindo a gordura visceral;
    • reduzir a ingestão de carboidratos, preferindo os integrais aos refinados, ajudando a reduzir a absorção de açúcar e gordura;
    • reduzir o consumo de açúcar, que é o responsável pelo desenvolvimento de condições como diabetes, obesidade e esteatose hepática.

    Relação entre gordura corporal e obesidade

    A obesidade é caracterizada pelo acúmulo excessivo dos tipos de gorduras corporais que fazem mal ao organismo, concentração geralmente causada pela alimentação inadequada.

    Para ganhar peso, uma pessoa come mais do que o organismo utiliza para sua manutenção diária, e essa energia é revertida em acúmulo de gordura no corpo.

    Outras causas para essa condição médica são a falta de atividades físicas para equilibrar a ingestão de calorias, fatores genéticos que podem influenciar o metabolismo e problemas metabólicos como a resistência à insulina.

    O peso não é o único problema da obesidade, já que as pessoas com sobrepeso podem apresentar:

    • dificuldades para dormir;
    • cansaço recorrente;
    • falta de ar, decorrente de pressão no pulmão e coração;
    • problemas de pele, como estrias e acne.

    Além disso, a obesidade aumenta os riscos do desenvolvimento de doenças, como:

    • diabetes;
    • gota;
    • pedras na vesícula;
    • pressão alta;
    • problemas nas articulações;
    • determinados tipos de câncer.

    O tratamento da obesidade é realizado mediante a adoção de um estilo de vida mais saudável e acompanhamento com profissionais, para orientações mais precisas, conforme cada caso.

    Profissionais da saúde que podem ajudar na perda de peso, indicar exames, medicamentos e outros tipos de tratamento, se for o caso, são o nutricionista, o nutrólogo e o endocrinologista.

    Para que serve a bioimpedância e por que é importante?

    A bioimpedância é um exame que revela a taxa de metabolismo basal de uma pessoa e outras informações sobre sua composição corporal, como:

    • área corporal total;
    • massa muscular;
    • massa gorda;
    • gordura visceral;
    • água.

    Muitos profissionais podem usar este exame para avaliar um paciente, como médicos de diversas especialidades e nutricionistas.

    Além disso, profissionais de educação física também costumam utilizá-lo, especialmente para montar o treino, conforme o objetivo do aluno (por exemplo, perder peso ou ganhar massa magra) e acompanhar sua evolução.

    Por meio da bioimpedância, é possível avaliar a nutrição do organismo, seus riscos relacionados ao sobrepeso e obesidade e monitorar as mudanças pelas quais uma pessoa passa ao longo do tempo.

    FAQ (Perguntas Frequentes)

    Quais são as principais gorduras do nosso organismo?

    O corpo humano possui três tipos principais de gordura: a gordura branca, que armazena energia; a gordura marrom, que auxilia na queima de calorias para gerar calor; e a gordura bege, que combina características das duas e pode ajudar no gasto energético.

    Qual o pior tipo de gordura corporal?

    A gordura visceral é considerada a mais prejudicial, pois se acumula ao redor dos órgãos internos e está associada a riscos elevados de doenças cardiovasculares, diabetes e outras complicações metabólicas.

    Qual a diferença entre gordura branca, bege e marrom?

    A gordura branca é a mais abundante e serve para armazenar energia, enquanto a gordura marrom gera calor ao queimar calorias. A gordura bege é um subtipo da branca, influenciada por carotenoides, mas funcionalmente semelhante à branca.

    Qual é o nome da gordura que fica ao lado da barriga?

    A gordura localizada na região lateral da barriga é a subcutânea. Nessa região, ela é chamada de gordura do flanco, mas popularmente é conhecida como "pneuzinho".

    Qual a gordura mais difícil de perder?

    A gordura subcutânea, especialmente a acumulada na região abdominal e nos quadris, pode ser difícil de eliminar, pois o corpo tende a utilizá-la como reserva energética de longo prazo.

    Como saber se tenho gordura visceral ou subcutânea?

    A gordura subcutânea é visível e palpável sob a pele, enquanto a gordura visceral envolve os órgãos internos e pode ser identificada por exames como tomografia, ressonância magnética ou pela relação entre circunferência abdominal e medidas corporais.

    Como se chama a gordura da barriga?

    A gordura abdominal pode ser dividida em dois tipos: subcutânea, que fica abaixo da pele, e visceral, que envolve os órgãos internos.

    Por que a gordura marrom emagrece?

    A gordura marrom ajuda na queima de calorias porque seu principal papel é produzir calor, ativando o metabolismo e contribuindo para o gasto energético.

    Qual o percentual de gordura ideal por idade?

    O percentual de gordura ideal varia conforme a idade e o sexo. Para homens, pode variar de 10% a 25%, enquanto para mulheres, de 18% a 30%, sendo que valores mais baixos são recomendados para faixas etárias mais jovens e atletas.

    Conclusão

    Como mostrado neste post "Quais são os tipos de gorduras corporais que todo mundo tem?", há diferentes tipos de gorduras corporais, inclusive benéficas e prejudiciais (quando em grande quantidade).

    Independente do tipo de gordura corporal, ter bons hábitos de vida é sempre o melhor caminho para evitar o acúmulo de tecido adiposo e o consequente sobrepeso.

    Por isso, para manter a saúde em dia e prevenir doenças, é essencial manter o acompanhamento com profissionais como nutricionistas e médicos.