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Revisado pelo(a) Dr. Márcio André Rabello Mendes, CRM/PR 27529
As alergias alimentares são reações exageradas do sistema imunológico que podem causar diversos sintomas e, inclusive, representar risco de morte em casos muito graves.
Esse problema é mais frequente entre as crianças com menos de 3 anos, podendo se manifestar entre 6% a 8% dessa população. Já entre os adultos, a ocorrência é de cerca de 3% das pessoas.
A alergia alimentar é diferente da intolerância a determinados alimentos, como a intolerância à lactose.
Isso acontece porque a intolerância não envolve as células do sistema imunológico, mas a dificuldade do organismo em processar algumas substâncias.
Saiba mais sobre a alergia alimentar: o que é, sintomas, como identificar e tratamento a seguir!
A alergia alimentar ocorre quando, em contato com um alimento específico, o sistema imunológico reage de maneira exagerada.
Assim, diversos sintomas podem se manifestar, como:
É importante ressaltar que a alergia alimentar é uma reação anormal do sistema imunológico e está intimamente ligada aos anticorpos.
Os sintomas de alergia alimentar costumam surgir logo depois da ingestão do alimento ou em até duas horas depois, mas podem ocorrer após esse intervalo.
Esse tipo de alergia pode afetar o corpo como um todo, ou seja, atingir diversos órgãos.
Entre os principais sintomas de alergia alimentar, estão:
Em caso de alergia alimentar grave, os sintomas podem se manifestar de forma muito intensa e levar a um quadro grave conhecido como reação anafilática.
Nesse caso, além dos sintomas já mencionados, a pessoa pode sofrer um edema de glote, que consiste no estreitamento da garganta e no bloqueio da passagem de ar.
Atenção: as informações apresentadas neste texto têm caráter informativo e não substituem a consulta a um profissional qualificado.
Ela também pode desencadear o choque anafilático, que inclui queda de pressão, alterações no ritmo cardíaco e colapso hemodinâmico (quando a corrente sanguínea não chega a todos os órgãos de forma suficiente).
Se não houver atendimento médico imediatamente, o choque anafilático pode levar à morte.
A reação anafilática ocorre devido a uma resposta alérgica forte e potencialmente fatal que ocorreu devido à presença de um alimento específico.
Assim, há uma liberação rápida e abundante de substâncias químicas, como a histamina, que causam uma série de sintomas graves, como inchaço na garganta, dificuldade respiratória, queda da pressão arterial e até mesmo colapso circulatório.
As reações alérgicas acontecem quando o sistema imunológico confunde uma partícula inofensiva com uma ameaça ao organismo.
No caso da alergia alimentar, essas partículas costumam ser algumas proteínas específicas.
Quando essas partículas são detectadas na corrente sanguínea, as células de defesa iniciam uma reação em cadeia para destruí-las.
Essa reação envolve a liberação de uma grande quantidade de histamina, que está diretamente ligada aos anticorpos que são produzidos no processo alérgico alimentar.
A histamina desencadeia sintomas como vermelhidão, que comumente surge durante as reações alérgicas.
O diagnóstico da alergia alimentar é realizado pelo médico (prioritariamente o alergologista, com auxílio do gastroenterologista ou do nutrólogo), que faz a avaliação de diversos aspectos da saúde do paciente.
Além do histórico de saúde, podem ser solicitados exames e testes alérgicos, que auxiliam na identificação das alergias alimentares.
Pessoas alérgicas a determinados alimentos manifestam sintomas que podem variar, inclusive em relação à intensidade (sendo preciso relatar na consulta todas as manifestações relacionadas ao consumo de ingredientes específicos).
Quando existem suspeitas de alergia alimentar, o médico pode solicitar um teste de alergia para identificar quais substâncias podem desencadear essa reação.
O diagnóstico de alergias alimentares pode envolver uma combinação de métodos, que incluem:
É fundamental que a avaliação e os testes sejam conduzidos por um especialista em alergias e imunologia, pois a interpretação dos resultados e a condução dos testes podem ser complexas e exigem monitoramento adequado para garantir a segurança do paciente.
Inicialmente, é preciso evitar o contato e o consumo dos alimentos que desencadeiam a reação alérgica.
O tratamento medicamentoso das alergias alimentares, comumente, é feito com medicamentos administrados por via oral.
Porém, dependendo da gravidade dos sintomas, o médico pode prescrever um anti-histamínico (que combate os efeitos da histamina no corpo) ou um corticoide (que age diminuindo a ação do sistema imunológico).
Em caso de reação anafilática, o tratamento de emergência pode ser feito com uma injeção de adrenalina e o uso de máscara de oxigênio.
Qualquer alimento pode desencadear uma reação alérgica em pessoas que tenham essa predisposição.
Contudo, estima-se que 90% dos casos sejam causados por alimentos específicos. Conheça parte deles a seguir.
O leite e os seus derivados são os maiores causadores de alergia alimentar no Brasil.
Nesse caso, a reação é desencadeada pelas proteínas do leite (e não pela lactose, que é um açúcar e causa a intolerância).
Em geral, o problema desaparece a partir dos 5 anos.
Algumas pessoas podem ter reação alérgica ao ovo cru ou pouco cozido e não apresentar nenhum problema ao consumir pratos assados que foram preparados com ovos, como bolos e massas.
Quem tem alergia ao ovo também deve se atentar à composição das vacinas, pois algumas contêm proteínas extraídas desse alimento.
Diversos tipos de castanha, incluindo amêndoas, avelãs, castanha-de-caju, nozes e pistache, por exemplo, podem causar alergia.
Porém, o amendoim é uma das principais oleaginosas relacionadas à alergia alimentar.
Entre os frutos do mar que mais se relacionam com as alergias alimentares, está o camarão.
O seu consumo em períodos específicos durante o ano (como no verão) pode influenciar o surgimento de diferentes sintomas, uma vez que o sistema imunológico pode confundir suas proteínas com partículas perigosas em alguns casos.
É necessário evitar ao máximo o consumo do alimento que desencadeou a alergia e, caso você tenha contato com o alérgeno, é importante seguir a prescrição do médico, que pode orientar o uso de um anti-histamínico, por exemplo.
A alergia alimentar pode ser identificada por meio da avaliação detalhada do histórico médico, acompanhamento de um especialista, exames físicos e testes alérgicos (como testes de pele, sangue, punção cutânea e provocação oral). Em alguns casos, pode ser feito o teste de IgE específico.
O IgE específico é uma imunoglobulina (ou seja, um anticorpo produzido pelo sistema imunológico), sendo responsável pelas respostas à alergia.
Essa imunoglobulina está ligada à reação ou sensibilidade alérgica a determinados alimentos.
Em caso de sintomas graves de alergia alimentar (como dificuldades respiratórias, reação anafilática, tonturas ou até perda de consciência), procure ajuda médica para receber o tratamento adequado e tomar as medidas necessárias.
Não, intolerância à lactose não é uma alergia. Ambas são condições distintas que envolvem respostas adversas do corpo a alimentos, mas têm mecanismos e sintomas diferentes.
A intolerância à lactose é causada pela deficiência ou ausência da enzima lactase, responsável por quebrar a lactose no intestino delgado, enquanto a alergia alimentar está ligada à imunoglobulina IgE.
A predisposição para desenvolver alergias alimentares pode ter uma base genética.
Indivíduos que têm outros tipos de alergias, como a rinite alérgica ou que possuem histórico familiar de alergias, estão mais propensos a apresentar reações alérgicas a alimentos.
Assim, a presença de alergias em outros membros da família ou o histórico pessoal pode aumentar o risco de desenvolver alergias alimentares.
Como mostrado no post "Alergia alimentar: o que é, sintomas, como identificar e tratamento", o processo imunológico causado por um alimento alergênico pode causar reações físicas leves a graves.
No caso de uma reação anafilática, há uma manifestação intensa dos sintomas, tornando o quadro de saúde da pessoa com alergia alimentar ainda mais sério.
Portanto, é recomendável estar ciente dos principais alimentos que causam alergias para estar preparado para uma possível intervenção.
É importante lembrar que o acompanhamento médico de especialistas, como o alergologista, o gastroenterologista ou o nutrólogo, é fundamental para investigação e diagnóstico de alergias alimentares, além de possibilitar que o paciente tenha uma melhor qualidade de vida de acordo com as suas necessidades e restrições.