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Revisado pelo(a) Dra. Bárbara Serafini Breda, CRM/RS 57350
Você sabia que crises de estresse e ansiedade intensas não prejudicam apenas a saúde mental, mas também interferem diretamente no sistema digestivo? Inclusive, muitas pessoas conhecem o intestino como o segundo cérebro do corpo humano.
Essa condição de saúde, que é desencadeada por fatores emocionais, é chamada de gastrite nervosa, um tipo de gastrite que não causa inflamação (como a gastrite clássica), mas que se manifesta através de sintomas iguais ou semelhantes a ela.
Confira a seguir os 5 sintomas da gastrite nervosa, diagnóstico, tratamento e muito mais!
Os sinais da gastrite nervosa podem surgir a qualquer momento.
Contudo, apresentam uma maior intensidade em períodos de estresse, ansiedade ou tensão.
Embora não seja tão grave quantos os outros tipos, a gastrite nervosa prejudica muito a qualidade de vida e a saúde do indivíduo, sendo preciso o acompanhamento médico e cuidados constantes para reduzir os sintomas.
Entre os sintomas mais comuns da gastrite nervosa, estão:
As dores estomacais em quadros de gastrite nervosa variam em intensidade e localização.
Contudo, geralmente surgem na parte superior do abdômen, logo abaixo das costelas. Esse sintoma se manifesta através de:
A dor também é relatada como "dor em cólica", ou seja, como um aperto na região do estômago (situada no centro do abdômen logo abaixo das costelas).
Também vale lembrar que a dor pode ser constante ou aparecer apenas em crises fortes.
A sensação de plenitude (estômago cheio) mesmo sem ter ingerido algum tipo de alimento é um dos sintomas clássicos da gastrite nervosa.
Esse sintoma ocorre devido à influência do estresse, que quando surge, causa a liberação de uma substância conhecida como cortisol, que afeta diretamente o funcionamento do sistema digestivo.
Além disso, esse hormônio influencia diretamente nos hábitos alimentares do indivíduo, promovendo a redução de apetite ou mesmo a repulsa a determinados tipos de alimentos.
Tanto o ardor na boca do estômago quanto a descrevem a azia, um sintoma também comum em crises de gastrite nervosa.
Atenção: as informações apresentadas neste texto têm caráter informativo e não substituem a consulta a um profissional qualificado.
A azia causa uma sensação de queimação e desconforto que tem origem na parte superior do abdômen, irradiando para o peito e para a garganta, devido ao retorno do conteúdo do estômago para o esôfago.
Assim como a sensação de estômago cheio, anteriormente descrito, a azia também é causada pela liberação do cortisol .
Conhecido como o hormônio do estresse, o cortisol eleva os níveis de acidez estomacal por aumentar a produção do ácido gástrico, o que pode levar à inflamação aguda ou crônica do esôfago, retardando o esvaziamento gástrico.
Como dito anteriormente, a relação do intestino com o cérebro é muito significativa.
Por isso, condições de estresse, ansiedade e emoções intensas podem desencadear sintomas como náuseas e vômitos.
Isso ocorre devido a uma alteração na coordenação entre o estômago e o intestino delgado, levando a um esvaziamento gástrico mais lento.
Assim, o alimento permanece mais tempo no estômago, aumentando a sensação de náusea e levando também ao vômito.
Outro fator importante neste processo são as contrações musculares no estômago e no intestino, facilitando as crises de náusea (enjoos).
O inchaço abdominal em crises de gastrite nervosa geralmente é associado a sensação de plenitude e desconfortos na região abdominal.
Este inchaço pode ser explicado por diversos fatores, que incluem:
Para alívio do inchaço, recomenda-se eliminar alimentos que provoquem o problema e praticar técnicas de gerenciamento do estresse, como exercícios de relaxamento e meditação.
A gastrite nervosa, ou dispepsia funcional, é um tipo de gastrite que está relacionada a situações emocionais, como estresse, ansiedade e nervosismo.
Uma das principais diferenças deste tipo de gastrite para a gastrite clássica, é a ausência de inflamação intestinal da forma clássica (quando é causada por outros desencadeantes, como medicamentos, infecções ou doenças crônicas).
Porém, os sintomas são iguais ou muito parecidos. Este fato, muitas vezes, dificulta o diagnóstico da condição.
O diagnóstico da gastrite nervosa é bastante desafiador, já que é preciso excluir outras possíveis causas para esse problema.
Além disso, o médico gastroenterologista também precisa avaliar o histórico do paciente em relação ao estresse e aos problemas gastrointestinais para identificar a relação entre ambos.
Geralmente, o diagnóstico segue as seguintes etapas:
Existem diversas abordagens que podem ser utilizadas no tratamento da gastrite nervosa.
Todas elas devem ser indicadas por um clínico geral ou gastroenterologista, uma vez que é necessário o acompanhamento profissional do quadro de saúde.
Além de mudanças em hábitos diários, o tratamento pode incluir remédios para diminuir a acidez estomacal.
Veja a seguir algumas das abordagens mais comuns para tratar esse tipo de gastrite.
As modificações na alimentação abrangem uma série de medidas, incluindo evitar alimentos que possam agravar os sintomas gastrointestinais (aqueles que são ricos em gordura, álcool e alimentos ácidos), além de dar preferência a refeições pequenas e frequentes (para facilitar a digestão).
Inclusive, é importante optar por refeições de fácil digestão e evitar comer grandes quantidades de alimentos antes de dormir, o que previne, inclusive, o refluxo ácido durante a noite.
A prática regular de exercícios físicos traz uma série de benefícios, incluindo o bem-estar geral e o controle de estresse. Além disso, promove uma função digestiva saudável.
Manter a hidratação corporal ajuda a manter a motilidade do trato gastrointestinal, além de auxiliar na digestão de alimentos.
Em alguns casos, o médico pode receitar medicamentos para alívio dos sintomas gastrointestinais.
Isto inclui antiácidos, bloqueadores de ácido ou mesmo remédios específicos para diminuir a produção de ácido estomacal.
Ainda, quando há grande comprometimento da qualidade de vida diária, em casos específicos, pode ser indicado o uso de medicamentos antidepressivos ou ansiolíticos, para melhora dos sintomas relacionados ao estresse e à ansiedade.
Contudo, seu uso deve ser estritamente feito apenas com receita médica e com indicação clara do médico responsável.
O acompanhamento psicológico torna-se indispensável para indivíduos com gastrite nervosa.
Recomenda-se aconselhamento ou psicoterapia com um profissional de saúde mental para alívio dos sintomas.
Uma das terapias mais utilizadas para controle e gerenciamento do estresse é a terapia cognitivo-comportamental (TCC).
Trata-se de uma abordagem da própria psicoterapia, que se baseia em conceitos de observação do comportamento e teorias cognitivas.
Ou seja, a TCC ajuda a compreender a forma como o ser humano se comporta, incluindo os acontecimentos da vida diária.
Assim, basicamente, o paciente aprende a compreender seus sentimentos em situações que causam desconforto, dor, tristeza, ou outra sensação negativa.
Sim, é possível prevenir a gastrite nervosa, pois ela é desencadeada por fatores emocionais.
Cuidar da saúde mental é essencial para manter o bem-estar, inclusive físico, já que o corpo pode manifestar problemas psicológicos através de sintomas e doenças.
Por isso, para ajudar a ter uma vida saudável, é preciso não apenas cuidar da alimentação, mas também ter momento de prazer e relaxamento, além de buscar ajuda sempre que necessário.
Vale lembrar que, embora uma alimentação rica em frutas, vegetais, grãos integrais e proteínas magras seja fundamental para ajudar a manter o intestino saudável, é indicado buscar a orientação de um profissional (como nutrólogo ou nutricionista) para um plano alimentar personalizado.
Como visto no post “5 sintomas da gastrite nervosa”, vários problemas de saúde podem surgir como resultado de estresse e ansiedade intensos, entre elas, a gastrite nervosa.
Embora seja similar em relação aos sintomas da gastrite clássica, essa condição pode ser diagnosticada e tratada.
Contudo, além de realizar o tratamento e manter cuidados para evitar a intensificação dos sintomas, é essencial cuidar da causa do problema: fatores emocionais.
Além de ter o acompanhamento médico, também é indicado ter o apoio de um profissional, como um psicólogo, para identificar os possíveis gatilhos.