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Revisado pela Equipe de Redação da Medprev
Medo de ficar sozinho, da rejeição e do abandono são apenas alguns dos aspectos relacionados à dependência emocional, condição multifatorial que leva à dificuldade de confiar nas próprias decisões.
O dependente emocional é aquele que não confia em si mesmo. Como resposta a este problema, ele busca conforto em outras pessoas por meio de um apego afetivo exagerado, mascarado, muitas vezes, como amor.
A dependência emocional não está presente apenas em relacionamentos amorosos; ela atinge também relações familiares ou de amizade.
Saiba mais sobre as 5 causas da dependência emocional a seguir.
Também conhecida como codependência, a dependência emocional é uma condição psicológica e emocional na qual o indivíduo apresenta um comportamento de intensa necessidade de apego em relação a outra pessoa.
Ele necessita da constante aprovação de terceiros para conseguir realizar qualquer tipo de atividade.
A dependência emocional é um padrão interligado de aspectos cognitivos, emocionais, motivacionais e comportamentais que busca no outro a fonte de satisfação e segurança, resultando em crenças errôneas sobre o amor, a relação e a própria identidade.
Essa disfunção leva o indivíduo a conceber a vida apenas dentro de um relacionamento, mesmo que seja doloroso ou insatisfatório, devido a necessidades emocionais não atendidas ou insegurança.
Na cultura atual, a dependência emocional é romantizada. Expressões como "não vivo sem você" naturalizam um apego disfuncional, que é prejudicial e diferente do apego saudável inerente aos relacionamentos.
Reconhecer e compreender as causas da dependência emocional é o primeiro passo para sua superação.
Traumas emocionais, como abuso físico, emocional ou mesmo sexual, podem deixar feridas emocionais profundas, uma vez que levam a uma sensação de desamparo e insegurança.
Diante disso, o indivíduo passa a buscar refúgio emocional em outras pessoas, tornando-se, em grande parte das vezes, emocionalmente dependente.
A insegurança e a baixa autoestima podem alimentar a dependência emocional.
Pessoas com baixa autoestima, por exemplo, duvidam sempre do próprio valor. Assim, buscam de forma constante uma validação externa para se sentirem bem consigo mesmas.
Isso ocorre pois são incapazes de encontrar satisfação emocional em si mesmos.
Padrões de relacionamento prejudiciais na infância refletem diretamente na vida adulta.
Crianças, por exemplo, que cresceram em ambientes problemáticos tendem a ser dependentes emocionalmente.
Isso pode impactar em relacionamentos futuros, nos quais há uma grande chance de ter dependência emocional.
A idealização é um tipo de processo mental no qual o indivíduo percebe ou retrata algo (pessoa, objeto, etc.) como perfeito, sem falhas ou defeitos.
Sob o contexto de relacionamentos amorosos, ela é muito comum nos primeiros meses de relacionamento.
Nesse estágio, a pessoa passa a idealizar seu parceiro, vendo-o como uma pessoa perfeita, e não reconhece suas imperfeições.
Contudo, em casos de dependência emocional, esta idealização ultrapassa os limites, estendendo-se durante todo o relacionamento.
Ela leva a uma ligação emocional excessiva, além da incapacidade de lidar com a realidade do relacionamento.
O medo do abandono e da solidão é uma das causas mais comuns quando se trata de quadros de dependência emocional.
Muitas vezes, o medo de ficar sozinho faz com que a pessoa tolere comportamentos abusivos e negligentes em vez de encerrar a relação.
A dependência emocional pode se manifestar de diversas formas dentro de relacionamentos amorosos.
Ela pode surgir mediante diversos fatores, incluindo, por exemplo, experiências passadas ruins até padrões de relacionamento tóxicos.
Em grande parte dos casos, o problema está enraizado na infância. É nela que as percepções e expectativas são moldadas; principalmente quando o assunto é o relacionamento com outras pessoas.
Crianças que crescem, por exemplo, em ambientes com pouco afeto, podem se desenvolver necessitando de uma intensa validação, o que acaba se manifestando na relação com outras pessoas à medida que envelhecem.
Essas carências se manifestam fortemente na vida adulta, levando à dependência emocional e, até, à idealização romântica.
Outro tipo comum de dependência emocional é aquele ligado à família.
Trata-se de um fenômeno complexo que se desenvolve dentro do seio familiar, tornando o indivíduo excessivamente ligado aos membros da família. Ela se desenvolve, principalmente, em famílias com problemas estruturais.
Estes são ambientes familiares nos quais existe falta de comunicação, poucos limites, abuso emocional ou negligência.
O indivíduo acaba se sentindo incapaz de se separar emocionalmente dos pais ou de outros membros, buscando sua avaliação constante.
Por vezes, os filhos também são educados de forma superprotetora, com um medo excessivo do mundo em si.
Assim, qualquer problema é tratado como uma ameaça, sendo resolvido apenas pelos pais.
Como consequência, a pessoa se sente impotente para enfrentar grandes desafios, recorrendo repetidas vezes aos pais.
Entre os principais passos a serem dados para se livrar da dependência emocional, estão:
Como visto neste post "5 causas da dependência emocional", a dependência emocional apresenta causas profundamente enraizadas, afetando diretamente o modo como as pessoas se enxergam e se relacionam emocionalmente.
As causas vão desde traumas emocionais não resolvidos e padrões relacionais disfuncionais até a busca incessante por aprovação externa e o medo do abandono.
O primeiro passo para superar o problema é reconhecer que ele existe. Assim, por meio do autoconhecimento, do desenvolvimento da autonomia emocional e do trabalho terapêutico, é possível superar os padrões de conduta emocional.
Fonte (s):
E-book: Livre-se da dependência afetiva - Célia Regina.
TERAPIA COGNITIVO-COMPORTAMENTAL E DEPENDÊNCIA AFETIVA: UM ESTUDO DE CASO - Renan Gustavo de Souza; Tatiana de Abreu Braga; Mariana Fortunata Donadon Centro Universitário Estácio de Ribeirão Preto.
Atenção: as informações apresentadas neste texto têm caráter informativo e não substituem a consulta a um profissional qualificado.