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Revisado pela Equipe de Redação da Medprev
O transtorno de ansiedade de separação é uma condição que afeta pessoas de todas as idades, mas é mais comum em crianças e adolescentes.
As crianças, muitas vezes, passam por fases de ansiedade, especialmente quando se trata de separação dos pais ou cuidadores.
No entanto, em alguns casos, essa ansiedade pode se manifestar de forma mais intensa e persistente, o que pode ser denominado como transtorno de ansiedade de separação (TAS).
Esse transtorno é caracterizado por um medo excessivo e irracional de se separar de pessoas significativas e próximas.
Confira mais sobre o transtorno de ansiedade de separação (TAS): o que é, sintomas e tratamento a seguir.
A ansiedade de separação é natural entre 6 e 12 meses de idade, persistindo normalmente até os 3 anos e diminuindo depois, à medida que a criança ganha autonomia e compreende o retorno da figura de apego.
Quando essa ansiedade é mais intensa ou duradoura do que o esperado para a idade, ou se manifesta em crianças mais velhas, adolescentes e adultos, ela se torna o transtorno de ansiedade de separação (TAS).
O TAS impacta severamente a qualidade de vida, afetando escola, trabalho e relacionamentos.
Além disso, pode desencadear outros problemas de saúde mental e física, como preocupação excessiva, insônia, dificuldades sociais, baixo desempenho acadêmico e queixas físicas.
O transtorno de ansiedade de separação (TAS) é mais comum na infância, mas pode afetar também adolescentes e adultos, segundo as classificações do DSM-5 e da CID-11.
Esta é uma condição psicológica caracterizada por uma ansiedade intensa e persistente quando a criança ou indivíduo é separado de pessoas com as quais tem um forte vínculo afetivo, geralmente os pais, cuidadores ou pessoas próximas.
Assim, há um impacto significativo na execução de atividades diárias, no desenvolvimento pessoal e/ou profissional daquela pessoa, inclusive diante da ideia de uma possível separação.
Enquanto é natural que as crianças sintam alguma ansiedade ao se separarem de seus entes queridos, no TAS, essa ansiedade ultrapassa os limites esperados para a idade e o estágio de desenvolvimento da criança.
O transtorno de ansiedade de separação (TAS) é um quadro bem comum na juventude, acometendo entre 3% e 8% dos jovens.
Os sintomas do TAS podem se manifestar de várias formas e podem ser observados tanto como aspectos comportamentais quanto físicos na criança afetada.
Atenção: as informações apresentadas neste texto têm caráter informativo e não substituem a consulta a um profissional qualificado.
Entre os principais sintomas comportamentais do transtorno de ansiedade de separação, estão:
Além dos sintomas comportamentais, o transtorno de ansiedade de separação (TAS) pode manifestar-se através de sintomas físicos que impactam na qualidade de vida da criança.
Estes sintomas somáticos podem incluir:
Muitas vezes, esses sintomas surgem quando a separação é iminente ou anunciada.
Essas queixas físicas podem ser um reflexo do estresse emocional associado ao TAS e podem impactar negativamente no bem-estar geral da criança.
Embora as causas exatas do TAS não sejam completamente compreendidas, diversos fatores podem contribuir para o seu desenvolvimento.
Os pais podem, sem querer, passar a ansiedade para os filhos, influenciando como as crianças desenvolvem esse sentimento. Isso acontece de várias maneiras:
Além disso, filhos de pais com depressão ou transtornos de ansiedade têm um risco maior de desenvolverem esses mesmos tipos de problemas.
O diagnóstico do transtorno de ansiedade de separação (TAS) é realizado por profissionais de saúde mental especializados, como psicólogos clínicos ou psiquiatras, que conduzem uma avaliação completa dos sintomas da criança, seu histórico médico e a gravidade das manifestações.
Para isso, o profissional de saúde analisará cuidadosamente os sintomas do paciente, seu histórico médico e a frequência e gravidade das manifestações de ansiedade durante a separação, visando proporcionar o suporte necessário para o bem-estar da criança.
Para ser diagnosticado como transtorno, os sintomas devem persistir por mais de quatro semanas e causar sofrimento significativo.
É fundamental descartar outras condições médicas ou transtornos mentais que possam estar contribuindo para os sintomas, garantindo assim um diagnóstico preciso e um plano de tratamento adequado.
O tratamento do TAS pode envolver uma combinação de estratégias, como a terapia (que pode ou não ser associada ao uso de medicamentos, sempre de acordo com a prescrição do psiquiatra).
O tratamento varia conforme a intensidade dos sintomas. Em casos leves, basta orientar e apoiar a criança, os pais e os cuidadores sobre como lidar com as despedidas de maneira sensível, ajudando a criança a enfrentar gradualmente seus medos e incentivando o retorno às atividades normais.
É fundamental manter rotinas consistentes para alimentação, sono e exercícios, evitando inconsistências. Acompanhar a evolução dos sintomas com ferramentas de avaliação adequadas também é essencial.
A terapia cognitivo-comportamental (TCC) é uma das abordagens que podem ser utilizadas para ajudar a pessoa a identificar e modificar padrões de pensamento e comportamento que contribuem para a ansiedade da separação.
A terapia individual proporciona à criança um ambiente seguro para explorar e compreender suas emoções, pensamentos e comportamentos relacionados à ansiedade de separação.
Por meio de técnicas terapêuticas adequadas à idade, como jogos, desenhos e conversas direcionadas, o terapeuta ajuda a criança a identificar e expressar seus medos, preocupações e sentimentos de forma saudável.
Além disso, a terapia familiar possibilita fortalecer os laços familiares e melhorar a comunicação entre os membros da família.
Durante as sessões de terapia em família, os pais são capacitados a compreender as necessidades emocionais da criança, a reconhecer e responder adequadamente aos seus sinais de ansiedade e a estabelecer uma rede de apoio sólida e acolhedora.
Ao promover um ambiente familiar seguro e de apoio, a terapia familiar ajuda a criança a se sentir mais segura e confiante em lidar com as situações de separação.
Em casos mais graves, quando os sintomas causam um grande impacto na vida da criança e a terapia ou outras intervenções de forma isolada não reduzem significativamente os efeitos do transtorno, os médicos podem considerar o uso de medicamentos, como os inibidores seletivos de recaptação de serotonina (ISRSs).
Os ISRSs ajudam a aumentar os níveis de serotonina no cérebro, o que pode reduzir os sintomas de ansiedade.
No entanto, é importante ressaltar que o uso de medicamentos deve ser cuidadosamente avaliado e monitorado por um médico especializado.
Antes de iniciar qualquer tratamento medicamentoso, o médico irá realizar uma avaliação, considerando a gravidade dos sintomas, o histórico médico da criança, a presença de quaisquer condições médicas coexistentes e possíveis efeitos colaterais.
Além disso, os pais ou responsáveis devem ser totalmente informados sobre os benefícios e riscos associados ao uso de medicamentos, assim como sobre as opções de tratamento alternativas disponíveis.
O objetivo do uso de medicamentos é proporcionar alívio dos sintomas e facilitar o progresso no tratamento, permitindo que a criança desenvolva habilidades de enfrentamento saudáveis e retome suas atividades diárias com mais confiança e tranquilidade.
Conforme visto neste post "Transtorno de ansiedade de separação (TAS): o que é, sintomas e tratamento", esse transtorno pode representar um desafio significativo para os indivíduos e suas famílias, mas com o diagnóstico precoce e o tratamento adequado, é possível gerenciar e superar essa condição.
É importante que os pais e cuidadores estejam atentos aos sinais de ansiedade de separação em seus filhos e busquem ajuda profissional quando necessário.
Com o apoio necessário, as crianças podem aprender a enfrentar seus medos e desenvolver habilidades emocionais importantes para o seu bem-estar futuro.