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Revisado pelo(a) Sr. Ari Henrique Faustino Batista, CRP/PR 0838955
O mutismo seletivo é uma condição de ansiedade rara que afeta principalmente crianças entre os 2 e 5 anos, sendo mais comum em meninas.
Este é um transtorno que afeta a comunicação, sendo caracterizado pela dificuldade em falar em determinados contextos sociais, mesmo que o desenvolvimento da linguagem seja normal. Ou seja, a criança fala somente com pessoas específicas.
Apesar de parecer semelhante à timidez, esse transtorno vai além da falta de conforto ao falar em público, não sendo uma recusa intencional de articular palavras.
Você quer saber mais sobre o mutismo seletivo: o que é, sintomas e como tratar? Confira o conteúdo a seguir.
O mutismo seletivo vai além da timidez comum; caracteriza-se pela incapacidade da criança em se comunicar verbalmente em situações sociais específicas, mesmo possuindo desenvolvimento normal da fala em outros ambientes.
Em geral, o transtorno se manifesta entre os 4 e 6 anos, mas o diagnóstico comumente é realizado a partir dos 3 anos.
A desordem não está relacionada ao desconforto com o idioma e também não é uma recusa intencional de falar.
O transtorno foi descrito pela primeira vez em 1877 por Kussmaul como “aphasia voluntária” e, em 1934, Tramer introduziu o termo mutismo eletivo.
A criança com mutismo seletivo pode falar normalmente com pais e familiares próximos, mas enfrenta dificuldades em interagir verbalmente com professores, colegas ou parentes mais distantes.
Além da recusa em falar, essas crianças podem apresentar dificuldade em manter contato visual, movimentos rígidos, sensibilidade ao ruído e desafios em situações sociais.
Alguns sintomas ajudam a identificar o mutismo seletivo, como:
Atenção: as informações apresentadas neste texto têm caráter informativo e não substituem a consulta a um profissional qualificado.
Embora seja mais comum em crianças, o mutismo seletivo também pode afetar adultos.
Cerca de 30% a 50% dos casos apresentam também o transtorno de ansiedade social (como mencionado por Steinhausen et al., em 2021).
Quando acompanhada de outros sintomas como constrangimento em locais públicos ou medo excessivo de julgamento alheio, pode ser uma condição chamada de fobia social.
O mutismo seletivo é um transtorno complexo e suas causas envolvem uma interação de fatores que podem variar de natureza psicológica a influências genéticas.
As origens do mutismo seletivo, mesmo não sendo requisito para diagnóstico, comumente estão ligadas a situações traumáticas, sejam elas de natureza psicológica ou emocional.
Conflitos familiares, mudanças na dinâmica familiar ou experiências emocionais intensas têm o potencial de desencadear esse transtorno.
Eventos traumáticos, como divórcios, perdas familiares, transições abruptas e situações de violência física, são exemplos de situações que podem contribuir para o desenvolvimento da condição, afetando de forma negativa a forma como elas conseguem falar.
O mutismo seletivo, embora possa se manifestar em qualquer faixa etária, é observado em crianças por volta dos 3 anos, quando já adquiriram a capacidade de fala.
Durante o período crítico entre os 3 e 8 anos, o transtorno tende a se consolidar, sendo essencial observar atentamente as manifestações nesse intervalo.
Nessa fase, as crianças estão desenvolvendo suas habilidades de comunicação, e os sinais de mutismo seletivo podem se tornar mais evidentes, especialmente em situações sociais e escolares.
No decorrer do desenvolvimento típico nessa faixa etária, espera-se que as crianças avancem na expressão verbal, interagindo com professores, colegas e familiares de forma crescente.
No entanto, no caso do mutismo seletivo, observa-se uma relutância persistente em falar em determinadas situações.
A não superação desse comportamento ao longo desses anos críticos pode indicar a consolidação do transtorno, exigindo uma abordagem cuidadosa para compreender e tratar as complexidades associadas à condição.
A rede de apoio durante essa fase pode ser determinante para minimizar o impacto a longo prazo do transtorno na vida da criança.
A predisposição genética cria uma suscetibilidade maior para o desenvolvimento do mutismo seletivo (duas a três vezes mais comum em crianças com histórico familiar de ansiedade), principalmente quando há a exposição a eventos traumáticos.
A compreensão dessa ligação genética é fundamental para identificar potenciais casos de mutismo seletivo, especialmente em crianças com históricos familiares de transtornos emocionais.
A abordagem personalizada e o suporte nesses casos podem ser essenciais para minimizar o impacto do transtorno e promover o desenvolvimento saudável da criança.
O diagnóstico do mutismo seletivo é frequentemente subestimado pelos pais, que podem inicialmente considerar a condição como timidez normal.
Ele é realizado por psicólogos ou psiquiatras infantis, após os 3 anos de idade, quando a criança já desenvolveu a capacidade de fala, considerando a análise do comportamento da criança em diferentes situações.
A escola desempenha um papel importante na identificação do mutismo seletivo, pois é frequentemente o primeiro ambiente social sistemático para a criança.
Professores podem notar a falta de comunicação e possíveis sofrimentos relacionados a isso.
Questionários específicos, como o Questionário de Mutismo Seletivo e/ou , ADIS-C/P (Anxiety Disorders Interview Schedule for Children/Parent) podem ser aplicados para a avaliação.
A ausência de fala em situações especiais deve persistir por pelo menos mais de 1 mês para confirmar o diagnóstico.
É essencial descartar causas orgânicas ou psiquiátricas que possam confundir o diagnóstico, como transtornos neurológicos, deficiência auditiva, transtorno do espectro autista (TEA), entre outros.
Contudo, é importante lembrar que o mutismo seletivo pode coexistir com transtornos e outras condições.
O tratamento do mutismo seletivo proporciona à criança um ambiente propício para superar as barreiras na comunicação.
Entre os principais tratamentos, estão: sessões de psicoterapia, estratégias familiares e, em alguns casos específicos, o uso de medicamentos.
As sessões de psicoterapia desempenham um papel fundamental no tratamento do mutismo seletivo.
Profissionais especializados em saúde mental trabalham para compreender as causas subjacentes do transtorno e desenvolver estratégias adaptadas às necessidades específicas da criança.
Técnicas da terapia cognitivo-comportamental (TCC) são frequentemente aplicadas, visando modificar padrões de pensamento disfuncionais e promover uma abordagem mais saudável à comunicação.
Os pais desempenham um papel fundamental no tratamento. Evitar forçar a criança a falar é essencial, pois pressioná-la pode aumentar a ansiedade.
Em vez disso, os pais são orientados a criar um ambiente encorajador, onde a criança se sinta segura para expressar seus sentimentos.
Estratégias como não responder pela criança, elogiar seu progresso na comunicação e incentivá-la a enfrentar atividades desafiadoras são implementadas para fortalecer gradualmente suas habilidades comunicativas.
Parceria com professores para criar estratégias de comunicação alternativa (gestos, cartões).
Em casos específicos, quando a ansiedade e a depressão estão significativamente presentes e outros tratamentos não geraram efeito, o uso de medicamentos pode ser considerado.
Os inibidores seletivos da recaptação de serotonina (ISRS) são uma das opções (como, por exemplo, a fluoxetina), mas sua prescrição deve ser cuidadosamente avaliada por um psiquiatra.
A terapia medicamentosa, quando necessária, deve ser aplicada com cautela, especialmente em crianças, devido à falta de estudos conclusivos sobre os efeitos dos ISRS em casos de mutismo seletivo.
O tratamento do mutismo seletivo requer uma abordagem personalizada, e a avaliação contínua do progresso é essencial.
A adaptação das estratégias terapêuticas conforme necessário garante uma intervenção eficaz ao longo do tempo.
A participação ativa dos pais no processo de tratamento, juntamente com o apoio contínuo de profissionais de saúde mental, contribui para uma abordagem abrangente e eficiente.
Como mostrado no post “Mutismo seletivo: o que é, sintomas e como tratar”, este é um desafio que pode afetar significativamente o desenvolvimento e a qualidade de vida da criança.
A busca por diagnóstico precoce (antes dos 5 anos tem melhor resposta terapêutica) e tratamento adequado, envolvendo psicólogos e, se necessário, psiquiatras, é fundamental para superar esse transtorno.
A terapia cognitivo-comportamental, aliada ao apoio da família e da escola, desempenha um papel essencial no tratamento eficaz da condição.