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Revisado pela Equipe de Redação da Medprev
Pintas e sardas podem ser características supercharmosas que nos diferenciam das outras pessoas. Porém, alguns desses sinais podem ser indicativos de um câncer de pele, que oferece grandes chances de cura se descoberto precocemente. Dessa forma, é muito importante saber como fazer para identificar pintas malignas logo que elas surgirem.
O câncer de pele é o tumor maligno mais frequente no Brasil, responsável por 30% dos casos de neoplasia. Ele é mais comum em pessoas com mais de 40 anos, pele clara e histórico de outras doenças cutâneas, embora possa surgir em pacientes sem fatores de risco aparentes.
Existem dois tipos principais desse câncer: o não melanoma e o melanoma, que se diferenciam pelo tipo de célula atingido, pela taxa de ocorrência e pelo nível de agressividade.
É o mais frequente e corresponde a 97% de tumores malignos desse órgão, mas sua letalidade é baixa – embora ele possa causar deformações. Em geral, esse tipo de tumor se desenvolve nas regiões do corpo que mais recebem a incidência dos raios solares, como rosto, pescoço e orelhas, com duas manifestações principais:
É bem mais raro (3% dos tumores nesse órgão), mas é mais agressivo e leva à morte com uma frequência mais elevada. Isso acontece porque ele oferece um alto risco de metástase (espalhamento do câncer para outros órgãos) e não responde tão bem ao tratamento em estágios mais avançados.
O melanoma pode aparecer em qualquer parte da pele, inclusive nas membranas mucosas e nos olhos. A sua primeira manifestação costuma ser uma pinta que apresenta algumas características sugestivas de malignidade.
Ter muitos desses sinais pelo corpo pode aumentar o risco de desenvolvimento desse tipo de câncer, mas isso não significa que todos eles oferecem perigo e que devam ser removidos. Porém, conhecer os indícios de que uma pinta pode ser um melanoma é importantíssimo, já que há mais chances de cura com um diagnóstico precoce.
Apenas um médico dermatologista ou oncologista pode identificar uma pinta maligna com segurança, confirmando o diagnóstico por meio de uma biópsia. Contudo, ter um bom conhecimento da própria pele, com suas pintas e manchas, ajuda o próprio paciente a detectar alterações suspeitas.
Para auxiliar nesse autoexame, podemos recorrer às Regras do ABCDE, nas quais cada letra representa um aspecto a ser avaliado:
Atenção: as informações apresentadas neste texto têm caráter informativo e não substituem a consulta a um profissional qualificado.
Pintas benignas costumam ser simétricas, ou seja, o formato de suas metades seria igual se você as dividisse ao meio. Porém, se as metades não coincidirem, esse pode ser um indicativo de malignidade.
Em geral, pintas benignas
apresentam bordas contínuas e com limites bem definidos, enquanto
pintas malignas costumam ter bordas irregulares, como se formassem o desenho do litoral visto de cima, cheias de curvas e pontas.
Pintas com uma única cor costumam ser benignas, enquanto aquelas com duas ou mais cores ou que mudaram de cor devem ser investigadas por suspeita de malignidade. Pintas de tons escuros, variando entre preto e castanho, chamam mais atenção porque podem ser um sinal de melanoma.
Pintas com menos de 6 mm de diâmetro provavelmente são benignas, enquanto aquelas maiores do que isso correspondem a lesões que devem ser monitoradas. Vale lembrar que pintas menores com crescimento rápido também podem ser malignas.
Nem toda pinta escura e grande é um sinal de câncer; porém, uma pinta que muda de cor e cresce rapidamente deve ser examinada, pois essas alterações são bastante suspeitas.
Se a sua pinta sempre teve mesma aparência, provavelmente ela não oferece perigo. Na dúvida, porém, não deixe de consultar um médico.
Embora todos os sinais de malignidade das Regras ABCDE devam ser investigados por um médico especialista, a existência de uma ou mais características não significa necessariamente que a pinta seja um melanoma.
Porém, de acordo com a Sociedade Brasileira de Dermatologia, existem pelo menos três conjuntos de sinais e sintomas que apresentam um risco aumentado de corresponder a câncer de pele, incluindo os tipos melanoma e não melanoma:
Ao identificar ocorrências como essas ou uma pinta que, de repente, começou a crescer, coçar, sangrar ou mudar de aparência, é essencial buscar atendimento especializado o mais rápido possível.
Além desses três conjuntos de manifestações, devemos também estar atentos a sintomas como inchaço dos gânglios linfáticos, nódulos na pele, dores abdominais ou de cabeça, falta de ar e tosse.
A principal medida de prevenção é se proteger do sol desde a infância. Por isso, devem ser adotadas medidas como evitar a exposição prolongada entre as 10 e as 16 horas, utilizar roupas, chapéus e óculos com proteção UV e aplicar protetor solar diariamente (mesmo em dias nublados), sem se esquecer de orelhas e lábios.
Pessoas de pele escura e negra não estão livres do câncer de pele e também devem seguir esses cuidados, mas eles são ainda mais importantes para pessoas de pele e olhos claros, cabelos loiros ou ruivos ou que tenham histórico pessoal ou familiar da doença.
Como as chances de cura são mais altas quando o câncer é descoberto no início, colocar em prática seus conhecimentos sobre como fazer para identificar pintas malignas é fundamental. Isso, porém, não elimina a necessidade de fazer consultas periódicas com o dermatologista, que está devidamente habilitado a examinar qualquer sinal suspeito.
Fonte(s): SBD, INCA, Drauzio Varella e Boa Forma