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Revisado pelo(a) Dra. Isabela Messias Rocha, CRM/MG 96131
A compulsão alimentar é um transtorno alimentar e psicológico caracterizado por episódios recorrentes de consumo exagerado e descontrolado de alimentos, ou seja, é mais do que uma relação disfuncional com a comida.
Ela envolve uma complexa série de fatores psicológicos, emocionais e sociais que podem resultar em sérios riscos para a saúde física e mental daqueles que a vivenciam.
Saiba mais sobre o transtorno de compulsão alimentar: o que é, sintomas e tratamento a seguir.
O transtorno de compulsão alimentar (TCA) é um distúrbio alimentar caracterizado pela ingestão de grandes quantidades de comida, muitas vezes de forma rápida e em excesso, mesmo quando a pessoa não está fisicamente com fome.
Esses episódios são acompanhados por uma sensação avassaladora de culpa pela perda de controle.
Diferente de outros transtornos alimentares (como a bulimia nervosa), os episódios de compulsão alimentar não são seguidos por uma tentativa de compensar a ingestão excessiva de alimentos (como no caso da purgação, que é a indução de vômito).
A compulsão alimentar é uma condição debilitante que pode levar a diversos problemas de saúde física e mental.
O transtorno de compulsão alimentar é caracterizado por uma série de sintomas que afetam a relação de uma pessoa com a comida e a sua saúde mental. Confira alguns dos principais abaixo.
Durante um episódio compulsivo, uma pessoa ingere uma quantidade de alimentos muito maior quando comparado aos seus hábitos alimentares.
Isso pode incluir uma ingestão rápida e descontrolada de alimentos, muitas vezes levando à sensação de estar cheio.
Os alimentos consumidos durante esses episódios geralmente são ricos em calorias, carboidratos e gorduras, escolhas pouco saudáveis.
As pessoas afetadas podem relatar que, durante esses episódios, sentem uma urgência incontrolável de comer, independentemente de estarem fisicamente com fome.
Esses episódios são frequentemente vivenciados como emocionalmente angustiantes e podem ser seguidos por sentimentos de culpa, vergonha e remorso.
É importante observar que os episódios de compulsão alimentar são um sintoma central do transtorno de compulsão alimentar.
Os episódios de compulsão alimentar são caracterizados por sua recorrência, ocorrendo, em média, pelo menos uma vez por semana durante um período prolongado de três meses, sendo classificado como um .
Atenção: as informações apresentadas neste texto têm caráter informativo e não substituem a consulta a um profissional qualificado.
A ocorrência de mais de 4 episódios semanais o classifica como moderado, acima de 8 como grave e acima de 14 ocorrências, como extremo.
Essa constância de episódios intensifica os impactos negativos na saúde física e mental, tornando fundamental a intervenção terapêutica.
A frequência com que esses episódios ocorrem também pode variar para cada pessoa, sendo possível que aconteçam com maior regularidade em outros casos.
Independentemente da constância, esses episódios são um indicativo importante do transtorno e da necessidade de tratamento especializado.
Além da falta de controle, episódios de compulsão alimentar podem incluir comportamentos, como:
Além dos efeitos físicos, o transtorno de compulsão alimentar também tem um impacto significativo no bem-estar emocional das pessoas afetadas.
Geralmente, aqueles que enfrentam esse transtorno alimentar apresentam traços de transtorno de ansiedade generalizada (TAG) e transtorno depressivo, sendo este último principalmente ligado às pessoas que estão acima do peso, com sintomas como tristeza, perda de interesse em atividades anteriormente apreciadas e sentimentos de desesperança e imediatismo.
A preocupação excessiva com sua forma e peso corporal é uma constante na vida das pessoas afetadas, levando a uma baixa autoestima e problemas de autoimagem.
Essa preocupação constante pode levar a um ciclo de autocrítica e sofrimento emocional, tornando o transtorno ainda mais difícil de enfrentar devido a sua associação com o transtorno depressivo.
Diferentemente da bulimia nervosa, o transtorno de compulsão alimentar não envolve purgação, como indução de vômitos, uso inadequado de laxantes, diuréticos ou enemas, excesso de exercícios ou jejum.
As causas do transtorno de compulsão alimentar podem envolver uma combinação de fatores genéticos, psicológicos, sociais e ambientais.
Pessoas com histórico familiar de transtornos alimentares têm maior probabilidade de desenvolver o problema.
Eventos traumáticos e estressantes na vida de uma pessoa, como abuso, perda, bullying ou pressão para atender a padrões de beleza irreais, podem desencadear ou contribuir para o desenvolvimento do transtorno de compulsão alimentar.
Dificuldades em lidar com emoções ou conflitos pessoais podem levar algumas pessoas a usar a comida como uma forma de interrupção do estresse, contribuindo para a compulsão alimentar.
A influência da mídia e da cultura na promoção de padrões de beleza inatingíveis pode levar ao desenvolvimento da insatisfação corporal e a uma busca constante por dietas restritivas, que, por sua vez, podem levar à compulsão alimentar.
O diagnóstico do transtorno de compulsão alimentar é previsto com base em critérios clínicos específicos:
O tratamento do transtorno de compulsão alimentar é multifacetado e pode incluir algumas das opções descritas abaixo.
O acompanhamento psicológico, independente de sua abordagem, é essencial, pois rompe ciclos autodestrutivos, ressignifica a relação com a comida e conduz o indivíduo à reconstrução de sua identidade emocional.
Por meio de abordagens específicas, o tratamento promove autonomia, consciência comportamental e fortalece os pilares da saúde mental.
Entre as principais abordagens para o tratamento da compulsão alimentar, estão:
A terapia cognitivo-comportamental (TCC) é o tratamento mais utilizado para o transtorno de compulsão alimentar.
Essa abordagem da psicoterapia visa abordar os pensamentos disfuncionais e comportamentos associados à compulsão alimentar, ajudando os pacientes a desenvolver habilidades para lidar com a doença.
A psicoterapia interpessoal também pode ser eficaz no tratamento do transtorno de compulsão alimentar.
Ela se concentra em melhorar as relações interpessoais e resolver conflitos emocionais que podem contribuir para a compulsão alimentar.
Embora diferentes abordagens psicoterapêuticas possam ser aplicadas conforme a vivência do paciente e a expertise do terapeuta, as evidências científicas mais consistentes destacam as duas metodologias mencionadas anteriormente como as que apresentam os resultados mais eficazes no tratamento.
Em alguns casos, medicamentos podem ser prescritos como parte do tratamento.
Inibidores seletivos de recaptação de serotonina (ISRSs), em sua maioria, antidepressivos e ansiolíticos, além dos anfetamínicos em geral (lisdexanfetamina, por exemplo) e anticonvulsivantes (como o topiramato), são algumas das opções farmacológicas que podem ser consideradas.
Em casos de transtorno de compulsão alimentar em que o paciente está enfrentando problemas de sobrepeso ou obesidade, o apoio de um nutricionista é uma parte essencial do tratamento.
Participar de grupos de autoajuda pode ser benéfico para algumas pessoas como complemento ao tratamento profissional.
Há diversas técnicas para redução do estresse e da ansiedade que buscam tirar o foco do paciente dos episódios compulsivos, quando acontecem.
Dentre elas, há a respiração diafragmática, que utiliza a respiração e contagem de tempo, promovendo uma respiração mais profunda e relaxante, com consequente redução da ansiedade e estresse, além de desviar a atenção do paciente.
Também há a meditação, outra técnica que visa desacelerar o paciente quando está em crise.
Para isso, o paciente (em um lugar tranquilo e calmo) deve se concentrar na respiração ou em um objeto específico qualquer no ambiente para que a compulsão alimentar deixe de ser o seu foco.
Em alguns casos, programas de redução de peso sob orientação profissional podem ser recomendados, especialmente quando uma pessoa tem excesso de peso ou obesidade.
Esses programas geralmente incluem orientação nutricional e apoio para mudanças no estilo de vida.
É importante lembrar que o tratamento para o transtorno de compulsão alimentar é personalizado e objetiva atender às necessidades individuais de cada paciente.
No entanto, é fundamental que o tratamento seja supervisionado por profissionais de saúde mental, como psiquiatras e psicólogos, para que os pacientes tenham um suporte contínuo para alcançar o sucesso a longo prazo.
Como visto neste post "Transtorno de compulsão alimentar: o que é, sintomas e tratamento", esta é uma doença mental que afeta a vida de muitas pessoas em todo o mundo, e baseia-se em episódios recorrentes de consumo descontrolado de alimentos, seguido por sentimentos de culpa e vergonha.
Os sintomas e as causas desse transtorno são diversos e podem ser influenciados por fatores genéticos, emocionais e sociais.
O diagnóstico clínico é essencial para direcionar o tratamento adequado, que geralmente inclui terapia cognitivo-comportamental, apoio nutricional e, em alguns casos, medicação.
Com o tratamento adequado e o apoio necessário, muitas pessoas conseguem superar a compulsão alimentar e melhorar sua saúde física e emocional.
A conscientização sobre a compulsão alimentar e a redução do estigma em torno dos transtornos alimentares são fundamentais para que as pessoas procurem ajuda e recebam o tratamento necessário.
É importante lembrar que a recuperação é possível, e ninguém precisa enfrentar a compulsão alimentar sozinho.