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Revisado pelo(a) Sr. Ari Henrique Faustino Batista, CRP/PR 0838955
A solidão é considerada por muitas pessoas como algo negativo, podendo gerar consequências quando não se sabe como lidar com ela.
Embora seja inevitável, é possível aplicar estratégias para reduzir a negatividade que pode surgir, além de tornar esse sentimento uma forma de explorar o autoconhecimento e promover o crescimento pessoal.
Quer saber mais sobre a solidão: causas, sintomas e tratamento? Confira o conteúdo a seguir.
A solidão é uma experiência subjetiva e angustiante de desconexão social, caracterizada por uma discrepância entre as relações sociais que a pessoa deseja ter e aquelas que ela efetivamente possui.
Contudo, este sentimento não reflete apenas o exterior e a falta da companhia de alguém. Na verdade, é uma percepção que se tem de si no mundo.
É por isso que é possível sentir completa solidão mesmo estando rodeado de pessoas.
A partir da socialização e convivência com terceiros, há a construção da conexão e sensação de pertencimento.
Porém, quando essas interações sociais não acontecem como o esperado, há uma resposta emocional que surge, provocando o desejo de criar relações de qualidade.
Dessa forma, a solidão é um sinal interno que indica que as necessidades de vínculo e pertencimento não estão sendo atendidas.
Para algumas pessoas, é mais difícil formar ou manter relações interpessoais satisfatórias devido a fatores internos, como timidez excessiva, baixa autoestima ou medo de rejeição. Por isso, elas são mais propensas a se sentirem solitárias.
A solidão não consiste em estar apenas, de fato, sem uma pessoa ao lado. Ela pode abranger outros aspectos, como a percepção de mundo da pessoa.
Por isso, é possível dividir a solidão em alguns tipos, como:
A solidão e a solitude são diferenciadas a partir da forma como a pessoa se sente em relação ao mundo ao seu redor.
A solidão se refere a um sentimento negativo de vazio e a uma necessidade de conexão que não é preenchida.
Atenção: as informações apresentadas neste texto têm caráter informativo e não substituem a consulta a um profissional qualificado.
Uma pessoa que a sente pode ficar vulnerável e desamparada por não conseguir ser aceita em determinado grupo ou por determinadas pessoas.
Assim, pode haver impactos na saúde mental, o que inclui a fragilidade emocional.
Por sua vez, a solitude é estar solitário por escolha própria, havendo tranquilidade interior e sem necessidade de conexão social.
Quando uma pessoa vivencia a solitude, ela encontra autossuficiência na sua própria companhia, e seu tempo sozinha ajuda na renovação de suas energias e no autoconhecimento.
Portanto, enquanto na solidão há uma falta de pertencimento a determinado grupo, na solitude é possível se desenvolver individualmente e ter experiências positivas.
Além disso, enquanto a solitude promove o crescimento pessoal, a solidão pode causar tristeza e até problemas cardiovasculares.
É importante lembrar que ser autossuficiente e independente emocionalmente é fundamental para o crescimento pessoal e amadurecimento.
Não conseguir ficar sem outras pessoas ao redor e precisar da companhia e validação constante pode indicar um problema que precisa de acompanhamento psicológico.
A solidão tem fatores sociais, biológicos e culturais como causa quando favorecem a falta de contato entre as pessoas.
O uso da tecnologia, por exemplo, pode reduzir as interações sociais, substituindo-as por mensagens ou e-mails.
Culturalmente, as pessoas são estimuladas a produzirem no trabalho e conquistarem sua independência e sucesso.
Assim, dedicam-se mais a si mesmas e à carreira, deixando de lado relações interpessoais.
Além dessas causas, fatores psicológicos também podem motivar a solidão. A ansiedade, depressão, baixa autoestima e os estilos de apego inseguro (desenvolvidos na infância), por exemplo, não só estimulam o isolamento social, como fazem com que a pessoa tenha uma percepção distorcida da real idade e do quanto ela é aceita por aqueles à sua volta.
Isso pode dificultar o estabelecimento e a manutenção de conexões sociais, provocando, ainda, medo de rejeição, mesmo quando não existe motivo concreto para essa preocupação.
Os sintomas da solidão variam e podem ser identificados por meio dos comportamentos de uma pessoa, suas emoções e também reflexos na sua saúde física. Confira os principais:
Além desses sintomas, a longo prazo, a solidão aumenta o risco de:
Para lidar com a solidão, de forma eficaz e duradoura, é necessário um trabalho que combine a busca por conexões externas com um profundo desenvolvimento interno.
É preciso buscar construir conexões que trazem sensação de bem-estar.
Eventos sociais ou encontros contínuos com grupos, como atividades comunitárias, aulas de esportes ou danças, são alguns exemplos.
É possível construir e manter esses vínculos por meio de encontros presenciais, troca de mensagens e/ou ligações, por exemplo.
A solidão também pode ser ressignificada e transformada em solitude, trazendo a oportunidade de focar no autodesenvolvimento e autoconhecimento.
Porém, quando houver grande dificuldade nas tentativas de combater a solidão e os sentimentos de tristeza, inclusive se há um impacto negativo significativo na vida do indivíduo, é indicado buscar ajuda psicológica.
Apenas um profissional, como o psicólogo ou psiquiatra, pode oferecer suporte emocional e guiar o paciente para a implementação de estratégias para lidar com a solidão de forma especializada.
A seguir estão perguntas que geralmente são feitas por quem pesquisa sobre a solidão.
É a sensação de estar desconectado dos outros, como se faltasse um vínculo verdadeiro, mesmo estando cercado de pessoas.
Ansiedade, tristeza, desânimo, insônia, cansaço, falta de vontade de interagir, baixa autoestima e até sintomas físicos, como dor ou doenças.
Ela pode abalar o equilíbrio emocional, aumentar o estresse, causar pensamentos negativos e contribuir para quadros de ansiedade e depressão.
Pode haver prejuízos na saúde mental, dificuldades cognitivas, enfraquecimento emocional e riscos de desenvolver doenças físicas.
Ela tende a evitar interações sociais, sente-se deslocada nos ambientes e pode se fechar em si mesma, mesmo desejando conexão.
Depende do contexto. Ter momentos sozinho pode ser saudável, mas o isolamento constante e involuntário é prejudicial.
É preciso buscar vínculos sociais reais, participar de atividades em grupo e, se necessário, contar com a ajuda de um psicólogo.
É experimentar uma rotina em que falta troca emocional com outras pessoas, o que gera sensação de vazio e desconexão.
Porque o ser humano é social por natureza, e a falta de vínculo afeta diretamente áreas do cérebro ligadas à dor e à recompensa.
Pode gerar tristeza, ansiedade, dificuldade de lidar com emoções, prejuízos cognitivos e até enfraquecimento do sistema imunológico.
Ela pode comprometer o equilíbrio emocional, provocar doenças físicas e mentais, além de aumentar o risco de vícios e declínio cognitivo.
Ela afeta a autoestima, a estabilidade emocional, dificulta relacionamentos e pode provocar ou agravar transtornos mentais.
Desenvolvendo autoconhecimento, praticando o autocuidado, buscando prazer na própria companhia e cultivando a solitude de forma saudável.
Mudanças de vida, perdas, afastamentos, dificuldade de manter relações e até padrões culturais que priorizam a independência extrema.
Emocional, quando falta uma conexão profunda; social, quando há sentimento de não pertencimento; e situacional, causada por eventos como perdas e luto.
Ela pode se sentir deslocada, evitar contato, ter pensamentos negativos sobre si mesma e dificuldade em criar laços duradouros.
Fortalecendo vínculos, participando de atividades coletivas, praticando o autocuidado e, quando necessário, buscando terapia.
Depressão, ansiedade, hipertensão, doenças cardíacas, distúrbios alimentares e declínio das funções cognitivas.
Quando afeta a saúde mental, provoca sofrimento constante e impede a pessoa de se relacionar de forma saudável com os outros.
Como mostrado neste post, "Solidão: causas, sintomas e tratamento", solidão e solitude são conceitos diferentes e que descrevem a percepção do indivíduo sobre si e sua relação com terceiros.
Quando a pessoa solitária identifica prejuízos em sua saúde física e mental, pode ser necessário ter o suporte psicológico de um profissional.
Assim, é possível recuperar a autoconfiança, traçar estratégias para combater sentimentos negativos e prevenir o surgimento de condições prejudiciais.