
• Tempo de leitura 11 min
Revisado pelo(a) Dra. Claudia Eliane Massola, CRP/SP 06141519
Distúrbios alimentares são doenças que podem e devem ser tratadas. Chamados também de transtornos alimentares, os distúrbios são perturbações na alimentação e nos comportamentos relacionados a ela.
Eles podem resultar em perda de peso extrema, no oposto, em obesidade ou outros prejuízos ao organismo, ao aspecto psicológico e às relações sociais do paciente, sejam elas pessoais ou profissionais.
Em geral, afetam principalmente as mulheres jovens (90% dos indivíduos acometidos são pessoas do sexo feminino de 14 a 18 anos), podendo ter origem ainda na infância.
Mas é importante não se limitar a esses dados, já que esses transtornos também podem atingir os homens e até crianças, embora com menor frequência.
Para saber quais são os principais distúrbios alimentares, confira o conteúdo a seguir.
Existem inúmeros distúrbios alimentares, mas alguns deles são mais frequentes. Confira os principais a seguir.
A anorexia nervosa é um transtorno alimentar que se caracteriza pela busca da magreza extrema.
Isso leva o paciente a seguir dietas muito rígidas e adotar uma rotina exaustiva de exercícios físicos, devido ao medo intenso de engordar.
A anorexia atinge principalmente adolescentes, atletas, artistas e modelos do sexo feminino, estando relacionada, inclusive, à pressão estética pela busca do padrão físico ideal.
No entanto, homens também podem manifestar o distúrbio, sendo necessário identificar os seus sinais, independente do gênero.
Uma pessoa anoréxica pode manifestar o distúrbio por meio das seguintes ações:
Esse distúrbio pode levar a sintomas como:
Atenção: as informações apresentadas neste texto têm caráter informativo e não substituem a consulta a um profissional qualificado.
Relacionados
A bulimia nervosa tem semelhanças com a anorexia, mas sua principal característica são os períodos de compulsão alimentar.
Nele, a pessoa consome enormes quantidades de comida, intercaladas com comportamentos compensatórios, como a indução de vômitos e o uso de laxantes, na tentativa de evitar o ganho de peso.
Em função desses episódios alternados, as pessoas com bulimia costumam apresentar peso normal.
Porém, esse ciclo traz complicações, como feridas no esôfago, na garganta e na mucosa oral, e causa prejuízos à arcada dentária, ambos devido à exposição ao ácido gástrico.
Além disso, a bulimia pode aumentar a tendência ao abuso de álcool e drogas e levar à morte.
Conheça seus principais sintomas:
Outro distúrbio alimentar é o transtorno de compulsão alimentar. Em partes, ele é semelhante à bulimia, pois se caracteriza por episódios em que a pessoa consome rapidamente grandes quantidades de comida, mesmo sem sentir fome.
A diferença entre esses distúrbios é que, na compulsão, não há o comportamento compensatório com a indução de vômitos ou a prática de exercícios exaustivos.
Como consequência, a pessoa ganha peso e pode se tornar obesa.
Além da associação com a obesidade (estima-se que o distúrbio esteja presente em 30% dos casos), ela está relacionada a transtornos de ansiedade e depressão.
Conheça os principais sintomas da compulsão alimentar:
A ortorexia nervosa é a obsessão patológica pela alimentação saudável. Trata-se de um comportamento paradoxal porque, por um lado, faz com que a pessoa apresente uma preocupação excessiva em ingerir apenas produtos saudáveis e nutritivos.
Mas, por outro lado, o conceito de saúde é distorcido pela pessoa com o distúrbio e, ainda que ela não seja obcecada com a magreza, ela acaba tendo consequências físicas prejudiciais, como:
Esse distúrbio não está na lista oficial dos transtornos alimentares, porque seus critérios diagnósticos ainda não foram totalmente estabelecidos pela Organização Mundial de Saúde (OMS) e pelo Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais (DSM-5).
A ortorexia exige atenção, devido aos seus impactos na saúde e qualidade de vida, como a perda de interesse nas atividades antes prazerosas e outras interferências emocionais.
Entre seus principais sintomas, estão:
Também conhecida por síndrome de Adônis ou transtorno dismórfico muscular, a vigorexia é um transtorno em que a pessoa visa o "corpo perfeito" e distorce a recomendação de fazer exercício para a saúde, se exercitando demais.
Quem tem esse distúrbio nunca se sente forte ou musculoso o suficiente, porque sua visão sobre si mesmo é distorcida.
Dessa forma, a pessoa se enxerga fraca e sem músculos, e continua se exercitando horas por dia, na busca pelo corpo ideal.
Seus principais sintomas são:
O transtorno alimentar noturno, ou síndrome do comer noturno, tem como sua principal característica evitar comer de manhã e comer muito à noite.
Quem sofre com ele não possui apetite mais cedo, por isso evita comer. Mas, quando a noite chega, a pessoa fica faminta, ingerindo grandes quantidades de comida.
Como consequência, ela não consegue dormir bem, porque o corpo precisa focar em fazer a digestão.
Os pacientes com esse transtorno apresentam os seguintes sintomas:
Os sintomas podem indicar essa síndrome se eles permanecem por, pelo menos, 3 meses, nos quais o paciente não faz o desjejum em, pelo menos, 4 dias na semana.
Além disso, sonâmbulos que se levantam à noite para comer, estão excluídos desse diagnóstico, uma vez que para caracterizá-lo, a pessoa precisa comer conscientemente e se lembrar disso no outro dia.
Não há uma causa exata para que uma pessoa apresente distúrbios alimentares, porque eles têm causas multifatoriais.
Os fatores podem ser genéticos, biológicos, psicológicos, familiares e até ambientais.
São exemplos dessas causas:
É importante salientar que a vivência desses fatores pode colaborar com o surgimento de um distúrbio alimentar, mas não necessariamente o desencadeia.
Isso porque pessoas lidam de formas diferentes com os mais diversos aspectos da vida.
Contudo, vale observar que uma pessoa com tendência a esse tipo de distúrbio, iniciará fazendo dietas restritivas, as quais passará a tratar de forma prioritária e exagerada.
Por isso, é importante observar o conjunto de informações, o comportamento de uma pessoa, seu histórico de vida, como o distúrbio está se manifestando e qual é o seu tipo.
Para isso, é necessário o acompanhamento com o psicólogo ou psiquiatra.
A melhor forma de identificar um distúrbio alimentar em alguém é avaliando os sintomas que essa pessoa apresenta.
Em alguns distúrbios, como a anorexia, a bulimia ou a vigorexia, é possível observar um culto excessivo ao corpo.
Desse modo, quem tem esses distúrbios está constantemente buscando o "corpo perfeito", que pode ser magro ou musculoso.
Essa busca leva a pessoa a uma autocrítica excessiva e prejudicial, que reforça sua baixa autoestima.
Outro sentimento comum nas pessoas com distúrbios alimentares é a culpa por comer muito, por comer pouco (pois acha que não está comendo de forma saudável), por achar que não está alcançando seus objetivos, dentre outros motivos.
Além desses sentimentos, o comportamento do paciente muda, de modo que, diariamente, ele pode tomar diversas medidas prejudiciais, como:
Ao se identificar com os sintomas de algum dos transtornos apresentados acima ou suspeitar que um familiar esteja enfrentando esses problemas, a orientação é buscar tratamento o mais rápido possível.
Isso porque, podem causar diversos efeitos negativos e, inclusive, aumentar o risco do desenvolvimento de condições de saúde graves.
Por isso, é importante deixar claro que os distúrbios alimentares têm tratamento e podem melhorar, desde que haja ajuda médica.
Devido à natureza diversificada das causas desses distúrbios alimentares, o tratamento deve ser feito por uma equipe multidisciplinar com profissionais como endocrinologista, nutricionista, psiquiatra e psicólogo.
Primeiramente, é importante que o paciente compreenda que ele precisa de ajuda, já que muitas vezes quem tem distúrbios alimentares nega essa possibilidade.
Ao consultar-se com um profissional de saúde, o seu quadro e seus sintomas serão avaliados para indicação do tratamento correto.
Será recomendado que o paciente faça terapia, tome remédios e faça acompanhamento com um nutricionista, para se cuidar de forma saudável.
A família e os amigos de quem sofre com algum transtorno alimentar também podem ajudar, acolhendo e monitorando, além de incentivar a continuidade do tratamento.
A seguir, estão as respostas para as principais dúvidas relacionadas aos distúrbios alimentares.
As causas são multifatoriais, e podem ser genéticas, biológicas, psicológicas, familiares, ambientais, ou a combinação de duas ou mais dessas.
Cada distúrbio alimentar tem suas características próprias mas, em geral, começam com dietas restritivas, autoimagem distorcida e preocupação excessiva com a aparência.
Distúrbios são disfunções que afetam a saúde mental ou física de uma pessoa, enquanto os transtornos são distúrbios que levam ao funcionamento incomum físico ou psíquico dela.
Dessa forma, os distúrbios alimentares são disfunções, já os transtornos envolvem padrões específicos de comportamento alimentar e de pensamentos relacionados à alimentação.
Os distúrbios alimentares são problemas sérios e que precisam de atenção imediata, porque afetam a saúde e podem gerar as seguintes consequências:
Além disso, eles aumentam as chances de uma pessoa desenvolver:
Os distúrbios alimentares podem acontecer em qualquer idade, seja com mulheres, homens, crianças e adolescentes.
Especialmente com estes últimos, ele pode acontecer por causa do desejo de ter o "corpo perfeito", em comparação aos padrões de referência.
Muitas vezes, esses padrões são encontrados nas redes sociais ou os adolescentes comparam seus corpos com o de seus colegas.
Quando o adolescente estiver abordando insistentemente o tema em casa, os pais devem ficar atentos.
Os transtornos alimentares não têm idade para acontecer, assim, adolescentes podem manifestar qualquer um deles.
Contudo, os mais comuns nesse período da vida são a anorexia, a bulimia e a compulsão alimentar.
É possível identificar o distúrbio quando o adolescente restringe sua alimentação, ou come em excesso.
Também é preciso se atentar à sua preocupação excessiva em ter corpo perfeito e com a sua aparência.
Em geral, esses sintomas vêm acompanhados de culpa e vergonha. Por isso, os pais devem procurar ajuda o quanto antes.
Como mostrado neste post "Quais são os principais distúrbios alimentares?" essa condição de saúde mental exige atenção e, com acompanhamento profissional, possibilita a cura.
No entanto, para que isso seja possível, o paciente deve compreender o que tem, e aceitar ajuda dos profissionais da saúde.
Assim, ele pode reconhecer quem é, e aprender a se cuidar de forma saudável e equilibrada.
Ainda que os distúrbios sejam mais comuns, predominantemente, em mulheres, eles alcançam pessoas de todas as idades, inclusive crianças, e podem levar à morte.
Portanto, é importante observar a manifestação dos sintomas e, caso haja suspeita de um distúrbio alimentar em uma pessoa próxima, ou até em si mesmo, procurar ajuda, especialmente de psicólogo, psiquiatra, endocrinologista e nutricionista.