A endometriose é uma condição que afeta milhares de mulheres ao redor do mundo, impactando negativamente sua saúde física, mental e também sexual.
A doença tem como característica o crescimento de células do endométrio (revestimento interno do útero) para fora do órgão, podendo atingir áreas como os ovários, as trompas de falópio e os ligamentos pélvicos, por exemplo.
Quer entender melhor o que causa endometriose? Saiba mais a seguir.
A endometriose se caracteriza pelo crescimento anormal de tecido endometrial para fora do útero.
Trata-se de uma condição crônica e debilitante que afeta todo o sistema reprodutor feminino.
Manifesta-se principalmente em mulheres em idade reprodutiva, sendo uma das principais enfermidades relacionadas à dor pélvica e infertilidade.
Além das dores, a mulher também pode ter diversos sintomas, como:
O diagnóstico da endometriose envolve a combinação de histórico médico detalhado, juntamente com exames físicos, exames de imagem e, em alguns casos, procedimentos cirúrgicos como a laparoscopia.
O tratamento depende da gravidade dos sintomas e do quadro da paciente. Pode envolver medicamentos, cirurgia e tratamento para infertilidade.
A endometriose é uma condição que possui causa multifatorial, ou seja, pode incluir desde predisposições genéticas até questões hormonais e imunológicas.
Os fatores genéticos têm um papel significativo no desenvolvimento da endometriose.
Estudos indicam que mulheres com parentes de primeiro grau afetadas pela condição têm uma maior probabilidade de desenvolver a doença.
A influência genética sugere uma predisposição hereditária, na qual algumas variantes genéticas aumentam a incidência da enfermidade. Eles sugerem ainda que, em 51% dos diagnósticos, existem fatores genéticos envolvidos.
Essas variantes genéticas estão envolvidas em processos biológicos relacionados à resposta inflamatória, ao sistema imunológico e também ao crescimento celular.
Os hormônios desempenham um papel significativo no desenvolvimento e progressão da endometriose. Entre os dois mais conhecidos, estão o estrogênio e a progesterona.
O estrogênio é produzido pelos ovários durante o ciclo menstrual e tem participação direta no desenvolvimento sexual feminino, na regulação do ciclo menstrual e na manutenção da saúde dos ossos da mulher.
Dessa forma, quando produzido em excesso, pode promover o crescimento e a proliferação do tecido endometrial em locais anormais, como os ovários, trompas de falópio e outros lugares fora do útero.
A progesterona é produzida pelo corpo lúteo, uma estrutura temporária formada no ovário após a liberação do óvulo durante a ovulação.
Trata-se de um hormônio crucial na preparação do endométrio para receber um possível óvulo fertilizado. Caso a gravidez não ocorra, os níveis de progesterona caem, desencadeando a menstruação.
Ao contrário do estrogênio, a progesterona trabalha para ajudar no controle do crescimento do endométrio. Assim, quando produzida em pouca quantidade, não inibe o crescimento endometrial adequadamente.
A menstruação retrógrada se trata de um fenômeno que ocorre quando o sangue menstrual flui no sentido contrário, em direção às trompas de falópio e para a cavidade pélvica, em vez de ser expelido através do útero e vagina.
Esse processo, muitas vezes, pode transportar células do endométrio para fora do útero e para a cavidade pélvica. Assim, essas células podem ser fixadas na superfície dos órgãos pélvicos, crescer e formar as lesões da endometriose.
Apesar de não ser uma causa ainda totalmente compreendida, é importante afirmar que muitas mulheres têm menstruação retrógrada e não desenvolvem a doença.
O sistema imunológico é responsável por defender o corpo contra invasores, incluindo bactérias, vírus e células anormais que possam eventualmente aparecer.
No caso da endometriose, problemas associados ao sistema imunológico podem afetar a capacidade do corpo em reconhecer e eliminar células endometriais fora do útero. Dessa forma, o corpo passa a permitir que estas células cresçam sem intervenção do sistema imunológico.
As abordagens de tratamento para a endometriose incluem muitas vezes estratégias para modular a resposta imunológica, o que depende também da gravidade dos sintomas e dos objetivos gerais do tratamento.
Estudos sugerem que substâncias químicas ambientais, como os disruptores endócrinos, podem ter influência no aparecimento da endometriose.
Os disruptores endócrinos são substâncias que podem interferir no sistema endócrino humano, afetando todo o equilíbrio hormonal.
Eles são encontrados em diversos produtos químicos, como plásticos, pesticidas, produtos de cuidado pessoal, alimentos processados e outros materiais.
A exposição a estas substâncias pode estar associada a diversos problemas de saúde, incluindo também a endometriose. Ou seja, estes compostos podem interferir na ação de hormônios naturais, como o estrogênio.
Traumas e cirurgias na região pélvica podem também influenciar no aparecimento de endometriose.
Mulheres submetidas a cirurgias ginecológicas, como cesarianas, por exemplo, apresentam um risco ligeiramente maior de desenvolver a condição.
Isto ocorre devido à disseminação de células endometriais durante o procedimento, levando ao crescimento de pontos em locais fora do útero.
Além disso, lesões na região pélvica, como trauma físico direto, podem contribuir para o crescimento de células para fora do útero. É importante salientar que nem todas as mulheres submetidas a traumas desenvolvem endometriose.
O diagnóstico da endometriose requer uma abordagem completa, que envolve avaliação clínica, histórico médico detalhado, exame físico e, em alguns casos específicos, procedimentos mais detalhados.
O primeiro passo para a avaliação é o histórico clínico, em que deverão ser relatados os sintomas, incluindo, por exemplo, dores pélvicas, dores ao menstruar, dores durante a relação sexual e problemas relacionados à fertilidade. Uma vez identificados, o ginecologista poderá solicitar exames por imagem.
A ultrassonografia pélvica é um dos principais exames solicitados, uma vez que a ressonância magnética fornece imagens mais detalhadas dos órgãos pélvicos, auxiliando na identificação das lesões da endometriose.
A laparoscopia, procedimento minimamente invasivo, também é um dos procedimentos necessários para o diagnóstico da endometriose.
Durante a laparoscopia, pequenas incisões são feitas na região abdominal e um laparoscópio é inserido para examinar e, se necessário, tratar as lesões.
Lidar com a endometriose pode ser desafiador. Contudo, existem estratégias e abordagens que ajudam no gerenciamento dos sintomas e contribuem para uma melhora na qualidade de vida.
Uma vez diagnosticada a doença, é fundamental manter sempre as consultas em dia com o ginecologista, responsável por oferecer informações sobre a condição e desenvolver um plano de tratamento personalizado.
Um grande número de mulheres com endometriose se beneficia de opções medicamentosas. Isto inclui, por exemplo, o uso de contraceptivos para regular o ciclo menstrual, analgésicos para o alívio das dores e outros medicamentos que visam reduzir o crescimento do tecido endometrial para fora do útero.
Em casos em que as abordagens comuns não surtiram o efeito desejado, a cirurgia pode ser considerada para a remoção das lesões da endometriose.
Geralmente, utiliza-se a laparoscopia, que proporciona uma recuperação mais rápida para a mulher.
Assim como em outras condições de saúde, adotar um estilo de vida saudável é essencial para lidar com a endometriose.
Manter uma dieta balanceada e realizar exercícios físicos regularmente são alguns dos pontos fundamentais.
Práticas de gerenciamento de estresse, como a ioga, também podem ser utilizadas de forma complementar.
A endometriose tem um impacto emocional significativo na vida da mulher. Neste sentido, buscar apoio de amigos, familiares ou grupos específicos pode ser muito valioso.
Além disso, a consulta com um profissional de saúde mental (como o psicólogo) pode ser benéfica para lidar com o estresse emocional associado à condição.
A medicina tem evoluído muito em relação ao tratamento da endometriose, mas é importante também que a mulher esteja aberta a aprender mais sobre a condição e mantenha o acompanhamento médico.
Como visto neste post "O que causa endometriose?", esta é uma condição médica complexa, que envolve uma interação entre fatores genéticos, hormonais, imunológicos e ambientais.
Não existe uma causa específica para a endometriose; ela é multifatorial. Dessa forma, sua abordagem de tratamento também necessita ser multidisciplinar, com ação de diversas áreas, incluindo ginecologista, nutricionista e especialistas em saúde mental.
O apoio contínuo da comunidade médica, juntamente com a conscientização pública, é essencial para avançar no entendimento e no tratamento eficaz desta complexa doença.
Atenção: as informações apresentadas neste texto têm caráter informativo e não substituem a consulta a um profissional qualificado.