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Revisado pelo(a) Sr. Ari Henrique Faustino Batista, CRP/PR 0838955
O transtorno de personalidade borderline é caracterizado por mudanças rápidas de humor, medo de ser abandonado por amigos ou parceiros, além de relacionamentos instáveis e comportamentos impulsivos.
Estima-se que entre 1% e 6% da população mundial sofra com este transtorno. Não há estatísticas oficiais sobre ocorrências no Brasil, mas pesquisas sugerem a existência de 2 milhões de casos anuais, atingindo principalmente mulheres.
Geralmente, as pessoas com esse transtorno alternam entre momentos de normalidade, ansiedade, depressão e ira, que muitas vezes são confundidos com sinais de esquizofrenia ou bipolaridade.
As crises, desencadeadas por frustração ou situação inesperada, podem se estender por horas ou dias.
Além disso, o transtorno é mais comum em pessoas que possuem histórico de maus-tratos na infância e abuso de álcool ou drogas pelos pais, por exemplo.
Para buscar o diagnóstico e suporte médico adequado, é preciso conhecer as características do transtorno, além dos 9 sintomas do transtorno de personalidade (síndrome) borderline. Saiba mais a seguir.
Embora os sinais se manifestem de formas diferentes para cada pessoa e em intensidades variadas, há sintomas comuns no transtorno.
As mudanças súbitas de humor são um sintoma característico do transtorno de personalidade borderline (TPB).
Essas alterações são intensas e podem ocorrer rapidamente, fazendo com que o paciente passe de um estado de euforia para um estado depressivo em questão de minutos.
Essa variação pode ser desencadeada por eventos aparentemente insignificantes, como um "não" recebido.
O tratamento para as mudanças súbitas de humor associadas ao TPB geralmente envolve terapia cognitivo-comportamental (TCC) ou terapia dialética comportamental.
A TCC ajuda o paciente a identificar e modificar padrões de pensamento negativos, enquanto a terapia dialética comportamental se concentra na regulação das emoções e no desenvolvimento de habilidades de enfrentamento. Em casos graves, medicamentos podem ser prescritos para ajudar a estabilizar o humor.
Além disso, as pessoas com transtorno de personalidade borderline geralmente têm medo de que as emoções fujam do seu controle, demonstrando dificuldade para lidar com situações de estresse e criando uma grande dependência de outras pessoas nestes momentos.
Atenção: as informações apresentadas neste texto têm caráter informativo e não substituem a consulta a um profissional qualificado.
A irritabilidade é uma consequência comum das flutuações de humor intensas observadas no TPB.
Em momentos de crise, o paciente pode perder o controle e se tornar verbal ou fisicamente agressivo em relação às pessoas ao seu redor.
A terapia, especialmente a terapia dialética comportamental, pode ajudar o paciente a desenvolver estratégias para lidar com a irritabilidade e a agressividade.
A terapia de grupo também pode ser benéfica, pois proporciona um ambiente seguro para a expressão de emoções.
Além disso, o uso de medicamentos, como estabilizadores de humor ou antipsicóticos, pode ser considerado em casos de irritabilidade grave.
A sensação de solidão é comum em pessoas com TPB, uma vez que elas podem se sentir extremamente isoladas e vazias, buscando atenção e validação de outras pessoas, por exemplo.
No entanto, também podem experimentar uma sensação profunda de falta de propósito.
Para tratar, indica-se a terapia individual e de grupo para explorar os sentimentos de solidão e ajudar o paciente a desenvolver relações interpessoais mais saudáveis e gratificantes.
A terapia de apoio social e a terapia ocupacional podem ser úteis para abordar a falta de propósito.
O medo do abandono é uma característica marcante do TPB. As pessoas com esse transtorno vivenciam um medo constante de serem abandonadas, levando a comportamentos de antecipação, como o isolamento social, antes que amigos e familiares possam supostamente abandoná-las.
A terapia, em particular a terapia dialética comportamental, ajuda a abordar o medo do abandono e a desenvolver estratégias de enfrentamento saudáveis.
O terapeuta trabalha com o paciente para identificar pensamentos distorcidos relacionados ao abandono e a promover a autoestima e a independência emocional.
A impulsividade pode se manifestar de várias maneiras, como deixar um emprego estável sem motivo aparente, entrar e sair rapidamente de relacionamentos amorosos, gastos descontrolados, dependência de jogos e consumo excessivo de álcool e drogas.
A terapia de regulação emocional, como a terapia dialética comportamental, é uma das abordagens mais eficazes para tratar comportamentos impulsivos no TPB.
Ela ensina o paciente a identificar e regular emoções intensas e a desenvolver habilidades de controle de impulsos.
Terapias que abordam o autocontrole, resolução de problemas e habilidades sociais também são importantes.
Além disso, a educação sobre as consequências negativas dos comportamentos impulsivos e o estabelecimento de metas de mudança podem ser parte do tratamento.
A insegurança muitas vezes está ligada a traumas passados e ao medo de sofrer abusos ou negligência novamente.
Nesse caso, a terapia é uma ferramenta fundamental para abordar a insegurança.
A terapia de trauma pode ajudar a paciente a processar experiências passadas e a trabalhar na construção de uma maior sensação de segurança.
Estratégias de enfrentamento e desenvolvimento de habilidades de autoestima também podem ser indicadas.
Em casos mais graves, podem ocorrer pensamentos suicidas, automutilação e tentativas de tirar a própria vida.
A avaliação de risco de suicídio é fundamental e deve ser realizada por um profissional de saúde mental, como psicólogo e psiquiatra.
O tratamento geralmente envolve uma combinação de terapia, acompanhamento medicamentoso e, em casos graves, hospitalização.
A segurança do paciente é uma prioridade absoluta e um plano de segurança é frequentemente desenvolvido em colaboração com o paciente e o terapeuta.
Além dos comportamentos impulsivos, as pessoas com transtorno de personalidade borderline (TPB) podem desenvolver comportamentos de dependência em relação a várias substâncias ou atividades.
Isso pode incluir vícios em jogos, gastos descontrolados de dinheiro, consumo excessivo de comida e abuso de drogas.
O tratamento para comportamentos de dependência no TPB envolve abordagens terapêuticas específicas.
Terapias cognitivo-comportamentais (TCC) e terapias de grupo podem ser eficazes para tratar a dependência.
O foco do suporte psicológico é identificar os gatilhos para esses comportamentos e desenvolver estratégias saudáveis de enfrentamento.
Em alguns casos, pode ser necessário encaminhar o paciente para programas de reabilitação específicos, como grupos de apoio.
A baixa autoestima é uma característica comum em pessoas com TPB.
Elas frequentemente se consideram inferiores aos outros, o que pode afetar negativamente sua vida pessoal e profissional.
A terapia é fundamental para abordar a baixa autoestima. Terapeutas trabalham com os pacientes para identificar crenças autodepreciativas e distorcidas e ajudam a desenvolver uma autoimagem mais saudável.
A terapia focada na construção de autoestima e na promoção da resiliência pode ser especialmente benéfica.
Além das características clínicas associadas ao TPB, como mudanças de humor intensas, impulsividade e instabilidade emocional, esse transtorno também pode desencadear uma série de consequências que afetam várias áreas da vida de uma pessoa.
Uma das características mais marcantes do transtorno de personalidade borderline é uma tendência a ter relações interpessoais muito instáveis.
Isso pode incluir relacionamentos com parceiros românticos, amigos e familiares.
As pessoas com TPB muitas vezes experimentam uma montanha-russa emocional em seus relacionamentos, alternando entre idealização e desvalorização de outras pessoas.
Essa instabilidade pode resultar em conflitos frequentes, rupturas de relacionamentos e sentimentos de solidão e isolamento.
Outro aspecto característico do transtorno de personalidade borderline é a dificuldade para manter um emprego estável.
A instabilidade emocional e a impulsividade podem levar a comportamentos no local de trabalho como conflitos com colegas e superiores, dificuldades em lidar com críticas construtivas e mudanças frequentes de emprego devido a conflitos interpessoais ou insatisfação.
Em situações de grande sofrimento emocional, as pessoas com transtorno de personalidade borderline podem recorrer a comportamentos autodestrutivos, como autolesões.
Isso ocorre como uma forma de aliviar a dor emocional intensa que é experimentada.
Além disso, em casos mais graves, o sofrimento constante e a sensação de desespero podem levar à ideação suicida e, em alguns casos, à tentativa de suicídio.
Portanto, é fundamental que as pessoas com TPB recebam apoio profissional e familiar e tenham acesso a recursos de saúde mental, como terapias, medicamentos e, em casos mais graves, a hospitalização.
O transtorno de personalidade borderline não tem cura. No entanto, com tratamento adequado e o apoio de amigos e familiares, os sintomas podem ser controlados, proporcionando uma melhor qualidade de vida para os pacientes.
O transtorno de personalidade borderline é um transtorno caracterizado por mudanças bruscas de humor, medo do abandono de familiares, amigos e parceiros, relacionamentos amorosos e trabalho estáveis e comportamento impulsivo que pode levar à dependência.
Como mostrado no post sobre os 9 sintomas do transtorno de personalidade (síndrome) borderline, os primeiros sinais surgem durante a adolescência e podem ser confundidos com momentos de rebeldia comuns dos jovens, mas na maioria dos casos diminuem de intensidade na vida adulta.
Buscar ajuda profissional é essencial para auxiliar os indivíduos com o transtorno a lidarem com os sintomas e melhorarem tanto a qualidade de vida quanto as relações sociais.