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Revisado pelo(a) Dra. Bárbara Serafini Breda, CRM/RS 57350
Você sabia que tomar apenas meio comprimido pode envolver vários riscos?
Seja por achar um medicamento “forte” demais ou porque comprou uma caixa com o dobro da dose necessária, muitas pessoas podem acreditar que parti-lo não é um problema, mas essa ação é contraindicada sem a orientação médica.
Para entender melhor sobre o assunto, é preciso conhecer como os medicamentos funcionam no corpo e como eles são produzidos.
Descubra quais os riscos de cortar o comprimido pela metade a seguir.
O medicamento é produzido para levar para dentro do organismo uma determinada quantidade do princípio ativo (a substância principal, que faz o efeito).
Além disso, os remédios precisam oferecer segurança, ou seja, causar o mínimo possível de efeitos colaterais.
Para que isso seja possível, o princípio ativo é misturado a outras substâncias que não atuam diretamente na melhora da doença, mas que protegem o medicamento de fatores que poderiam reduzir seu efeito, além de evitar seus efeitos colaterais.
Ao ler a bula, é possível encontrar essas substâncias protetoras, chamadas de excipientes.
Assim, depois da ingestão de um comprimido, o princípio ativo é absorvido pelo estômago e/ou pelo intestino, sendo transportado pela corrente sanguínea até o local onde ele deve fazer efeito.
Na sequência, ele é transformado (metabolizado) pelo fígado para que possa ser eliminado pela urina e pelas fezes.
Para que isso ocorra de forma adequada, os medicamentos são desenvolvidos com tecnologias específicas para que eles tenham o resultado esperado, ofereçam menos efeitos colaterais e sejam fáceis de tomar ou usar.
Por isso, existem diferentes formas dos medicamentos, como comprimidos, cápsulas, xaropes, entre outros.
Existem diferentes formas de apresentar um medicamento, pois cada princípio ativo e cada paciente têm requisitos e necessidades diferentes.
Por isso, cada forma farmacêutica é desenvolvida a partir de uma pesquisa densa para torná-la eficiente e segura, de acordo com o seu objetivo de uso.
Conheça algumas dessas apresentações que são utilizadas por via oral:
Atenção: as informações apresentadas neste texto têm caráter informativo e não substituem a consulta a um profissional qualificado.
Além dessas formas, também existem os xaropes, as gotas, as injeções, as pomadas e várias outras apresentações que contêm tecnologias diferentes para poder atender a outras necessidades.
Por esse motivo, ao modificar a apresentação de um medicamento (cortando um comprimido no meio, por exemplo), ele pode não fazer mais o mesmo efeito ou oferecer riscos à saúde.
Quando um comprimido é cortado no meio sem ter sido produzido para esse objetivo, as características originais de sua formulação podem ser perdidas, prejudicando seu efeito ou causando efeitos colaterais.
Esses prejuízos para a saúde do paciente também podem ocorrer pelas alterações físicas e químicas que o medicamento pode sofrer devido a uma maior exposição à luz, ao calor, à umidade e à contaminação por microrganismos.
Alguns sinais de que houve uma alteração em sua composição são mudanças na cor, no odor e na textura.
Ao notar qualquer um desses problemas, o remédio não deve ser utilizado. Nesse caso, é indicado levá-lo até uma farmácia para fazer o descarte correto.
Outro risco ligado à divisão de um comprimido é que não há uma garantia de que as duas partes terão exatamente a mesma dose.
Inclusive, estima-se que pode haver uma diferença de até 15% na quantidade do princípio ativo entre as metades, o que pode prejudicar o tratamento.
Assim, um comprimido que foi partido pode agir de forma mais rápida ou mais lenta, apresentar mais efeitos colaterais e até mesmo aumentar o risco de intoxicação.
Segundo os fabricantes, os comprimidos que podem ser cortados ao meio possuem um sulco para direcionar a divisão.
Porém, nem todos os comprimidos que apresentam esse detalhe podem ser divididos.
Por isso, antes de recorrer a essa prática, sempre consulte o médico e leia a bula do medicamento.
Caso seja possível cortar o comprimido, o ideal é utilizar os cortadores específicos para essa função, que são mais fáceis e seguros do que facas ou outras ferramentas, além de minimizarem erros e perdas na divisão.
Após o procedimento, também é importante observar o local de armazenamento da parte restante para que ela seja conservada adequadamente.
Uma alternativa a essa prática de partição é o uso de outras apresentações, como xarope, gotas, adesivos ou medicamentos manipulados, que podem se adequar às necessidades individuais de cada paciente.
Como mostrado no post “Quais os riscos de cortar o comprimido pela metade?”, essa prática não é segura quando realizada por conta própria.
Ao ter dúvidas sobre a administração do medicamento, é fundamental sempre consultar um médico (como o generalista, o clínico geral ou o especialista para a sua necessidade), uma vez que o profissional é o mais indicado para fazer a prescrição médica de acordo com a necessidade do paciente.