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Revisado pelo(a) Dra. Eva Gabryelle Vanderlei Carneiro Machado, CRM/PR 58112
Uma das complicações mais graves da diabetes é o chamado pé diabético, um problema associado até a 85% das amputações de membros inferiores na rede pública.
De acordo com o Ministério da Saúde, o número de pessoas afetadas pela diabetes no país aumentou 61,8% entre 2006 e 2016, atingindo 8,9% da população.
Como consequência, a incidência de complicações dessa doença também cresceu, incluindo pé diabético, perda da visão, acidente vascular cerebral (AVC) e infarto.
Você quer saber mais sobre o pé diabético: o que é, sintomas, causas e tratamentos? Confira o conteúdo a seguir.
O pé diabético é uma complicação da diabetes caracterizada por uma ferida (úlcera) nos membros inferiores agravada por uma infecção.
Ele também pode englobar qualquer alteração de origem neurológica, ortopédica ou vascular que afete essa região do corpo.
Esse quadro costuma acontecer porque, com o passar do tempo, a diabetes leva a um problema chamado neuropatia periférica.
Essa situação causa um prejuízo aos nervos, resultando em deformações nos ossos e nos músculos dos pés, além da redução da sensibilidade da pele.
Com isso, ao mesmo tempo em que os pés se tornam mais propensos a sofrer um machucado (bolhas, calos, traumas, etc.), o paciente perde parte de sua capacidade de sentir dor, o que faz com que ele não perceba que tem uma ferida e, assim, não procure tratamento.
Além disso, as pessoas com diabetes tendem a apresentar problemas de circulação, o que dificulta a chegada do sangue até os membros mais distantes do coração, especialmente os pés.
Em consequência, essa região recebe menos oxigênio, o que prejudica a cicatrização e pode levar à morte do tecido, conhecida como necrose ou gangrena.
Por esse quadro evoluir de forma silenciosa, o paciente passa semanas ou meses com uma úlcera aberta, ou seja, uma porta de entrada para microrganismos causadores de infecções, principalmente as bactérias.
Dessa forma, geralmente a lesão já está muito avançada quando a pessoa procura o médico, em suas últimas fases, levando a um alto risco de amputação.
O pé diabético apresenta diferentes graus, conforme seus sintomas e características:
Atenção: as informações apresentadas neste texto têm caráter informativo e não substituem a consulta a um profissional qualificado.
Buscar atendimento médico precoce é a melhor forma de evitar que um machucado simples se alastre e leve à amputação.
Por isso, pessoas com diabetes e seus familiares devem estar atentos a estes sinais e sintomas do pé diabético, que afetam pés e tornozelos:
Estes sintomas geralmente pioram à noite, quando o paciente se deita, e melhoram durante o dia, conforme a pessoa se movimenta e faz suas atividades.
São sinais e sintomas na pele:
A combinação desses sintomas pode indicar de forma precoce a instalação do chamado pé de Charcot, uma condição que leva à fragilidade óssea e favorece a ocorrência de luxações e fraturas.
O inchaço em um dos pés, por exemplo, aparece de duas semanas até dois meses antes de qualquer alteração óssea que possa ser revelada por uma radiografia.
São sinais e sintomas ortopédicos:
Em geral, esses sinais são identificados apenas pelo médico especialista e também podem caracterizar o pé de Charcot crônico, um fator que aumenta o risco de amputação quando ocorre simultaneamente a uma infecção.
Têm maior chance de sofrer com úlceras e gangrena dos membros as pessoas que apresentam os seguintes sintomas ou características:
O pé diabético é causado por uma sequência de fatores que fazem uma pequena ferida evoluir para a necrose do tecido, pois o organismo é incapaz de curá-la.
Dessa forma, a causa desse problema é o somatório de eventos como:
O diagnóstico do pé diabético é clínico, o que significa que o médico faz uma avaliação dos sintomas visíveis no paciente, considerando também os seus relatos e histórico médico.
O especialista indicado para realizar o diagnóstico é o cirurgião vascular que, por meio de testes, pode também identificar a sensibilidade do paciente e avaliar o fluxo sanguíneo nas artérias que fornecem sangue aos membros inferiores.
No passado, o único tratamento para o pé diabético era a amputação, com perda parcial ou total desse membro, incluindo parte da perna em casos mais graves.
Contudo, já existem outros recursos para tentar evitar ou retardar essa medida.
O tratamento depende do grau das lesões. Em feridas não infeccionadas, ele pode consistir na limpeza e no uso de curativos especiais.
Já no caso de infecção, é necessário o uso de antibióticos por via oral ou endovenosa, dependendo das condições da circulação sanguínea do paciente.
Podem também ser associados medicamentos para aumentar a irrigação sanguínea dos membros inferiores.
Além disso, deve-se avaliar a necessidade do debridamento cirúrgico, um procedimento feito em ambiente hospitalar que consiste na limpeza da ferida e na remoção do tecido necrosado.
Dessa forma, a extensão da infecção é reduzida, favorecendo a cicatrização.
Existem, ainda, métodos inovadores que podem ajudar, como a oxigenoterapia hiperbárica, utilizados em feridas muito avançadas.
Nesses casos, o paciente fica dentro de uma máquina com pressão atmosférica aumentada e concentração de oxigênio a 100%, o que estimula a formação do colágeno e a cicatrização dos tecidos.
Outro recurso moderno é a fototerapia, que consiste na aplicação da luz por um cabo de fibra óptica com a finalidade de destruir as bactérias.
Em muitos casos, as pessoas com pé diabético demoram para buscar tratamento, porque não sentem que as feridas estão se formando em seus pés.
Além disso, elas continuam fazendo ações diárias que provocam e intensificam a ferida.
Por isso, é muito importante adotar medidas preventivas, que possam contribuir para que o paciente, ativamente, evite ou minimize essas feridas.
Entre as principais estão:
O pé diabético recebe este nome por estar diretamente relacionado à diabetes. Por isso, faz-se necessário entender também o que é essa condição.
Diabetes mellitus, conhecida apenas como diabetes, é uma doença que se caracteriza pela elevação da glicose no sangue, que acontece porque há problemas na secreção ou na ação da insulina no organismo.
A insulina é o hormônio que o organismo, especificamente o pâncreas, produz para possibilitar a absorção da glicose pelo organismo.
Por isso, quando ela está em falta ou não está agindo como deveria, a glicose se acumula no sangue.
As consequências da diabetes são graves, causando problemas no coração, complicações arteriais e interferência no funcionamento dos rins e nervos. Em alguns casos, inclusive, o quadro de saúde pode ser fatal.
Há dois tipos principais de diabetes, o tipo 1, causado por um defeito no sistema imunológico que leva à destruição das células que produzem a insulina no organismo; e o tipo 2, que é o mais comum, que tem como causa a deficiência na secreção da insulina pelo organismo (conhecido como diabetes adquirida).
Os sintomas de cada um deles são diferentes:
O pé diabético é um risco em qualquer um dos tipos de diabetes.
As causas da diabetes variam conforme o seu tipo. O tipo 1 se trata de uma doença crônica, ou seja, ela é hereditária.
Já as causas do tipo 2 estão relacionadas ao sobrepeso, sedentarismo, hipertensão, triglicérides elevados e maus hábitos alimentares.
O diagnóstico da diabetes é feito a partir da medição do nível da glicemia no sangue. Se ela estiver em 126 mg/dl (7,0 mmol/l) ou mais em jejum, e superior a 200 mg/dl (11,1 mmol/l) sem jejum, isso indica que a pessoa tem a doença.
A diabetes não tem cura, por isso, trata-se os sintomas buscando a melhor qualidade de vida dos pacientes.
Pacientes com diabetes tipo 1 precisam fazer insulinoterapia, que se trata da injeção diária de insulina no corpo, de forma a regular os valores da glicose.
Já as pessoas com diabetes tipo 2 têm como opção de tratamento os inibidores da alfalglicosidase, os sulfonilureias e as glinidas.
Os sintomas incluem perda de sensibilidade, queimação, formigamento, dor em pontadas, dormência, além de sinais na pele como ressecamento, vermelhidão, inchaço e rachaduras.
O tratamento varia conforme a gravidade. Em estágios iniciais, o cuidado envolve limpeza e curativos.
Em casos de infecção, antibióticos e, em situações graves, cirurgia ou outros tratamentos podem ser necessários.
Os estágios variam do grau 0 (sem úlcera) até o grau 5 (gangrena em todo o pé), de modo que cada estágio reflete a profundidade e a gravidade da lesão.
O exame é clínico, feito pelo cirurgião vascular, que avalia sintomas visíveis e pode realizar testes para verificar a sensibilidade e o fluxo sanguíneo nos membros inferiores.
O cirurgião vascular é o médico especializado no tratamento de complicações relacionadas ao pé diabético.
Pomadas antibacterianas ou cicatrizantes podem ser usadas conforme orientação médica, para prevenir infecções e promover a cicatrização.
A cicatrização pode demorar semanas ou meses, dependendo do grau da lesão e da qualidade da circulação sanguínea do paciente.
O tratamento domiciliar inclui higienizar os pés com cuidado, manter curativos nas feridas e evitar andar descalço. No entanto, é essencial seguir as orientações médicas.
O uso de medicamentos para aumentar a circulação pode ser recomendado, além de medidas como exercícios físicos supervisionados para estimular o fluxo sanguíneo.
Antibióticos orais ou intravenosos são usados no caso de infecção, sendo o tipo e a dosagem determinados pelo médico com base na gravidade da infecção.
Entre os fatores estão lesões nos pés, neuropatia diabética, má circulação, uso de calçados inadequados, diabetes descontrolada e tabagismo.
O risco é maior em pacientes com histórico de úlceras, neuropatia, deformidades nos pés, problemas de circulação, e idosos com visão comprometida.
O pé diabético geralmente começa com uma pequena lesão, que se agrava devido à falta de sensibilidade e má circulação, levando à infecção e necrose em casos graves.
A limpeza deve ser feita com água morna, evitando água muito quente, e com cuidado para não causar feridas. O uso de sabonetes neutros é recomendado.
Hidratar os pés com cremes sem fragrância e evitar passar entre os dedos para não causar umidade excessiva, que pode gerar infecções.
Curativos especiais, fototerapia e medicamentos podem ajudar na cicatrização e melhorar a circulação.
O tratamento inclui limpeza das feridas, curativos, uso de antibióticos em caso de infecção e, em casos mais graves, debridamento (remoção de tecidos desvitalizados ou infectados) ou até amputação.
O pé diabético pode ser identificado por sinais como úlceras, calos, perda de sensibilidade, ressecamento, inchaço e deformidades.
O exame é feito por um cirurgião vascular, que avalia a sensibilidade, o fluxo sanguíneo e as lesões visíveis nos pés.
Como mostrado neste post "Pé diabético: o que é, sintomas, causas e tratamentos", quando não é diagnosticada precocemente, a condição pode se agravar rapidamente e causar diversos sintomas.
Para evitar problemas mais sérios e, inclusive, a necessidade da amputação, é indicado tomar alguns cuidados.
Um deles é examinar os pés todos os dias em busca de sinais dessa complicação.
Ao encontrar alterações, procure o médico imediatamente para iniciar tratamento de forma que a lesão não se agrave.