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    O que é Doença de Lyme e por que ela é perigosa?

    25/09/2025 • Tempo de leitura 5 min

    Revisado pela Equipe de Redação da Medprev

    Ter uma infecção grave que pode causar complicações neurológicas e é capaz de confundir até mesmo os médicos não é algo que você deseja experimentar, certo? Por isso, é importante saber o que é doença de Lyme, conhecer seus sintomas e ficar alerta para essa condição.

    Conhecida como “a grande imitadora”, essa doença é um desafio para a comunidade médica, pois seus sinais e sintomas “imitam” outras doenças mais comuns, como a gripe. O problema é que, com a dificuldade de diagnóstico, a doença de Lyme pode resultar em consequências perigosas para o coração e o sistema nervoso.

    O que é doença de Lyme?

    Também chamada de borreliose, a doença de Lyme é uma infecção causada pela bactéria Borrelia burgdorferi, que é transmitida pela picada de alguns carrapatos. Essa condição se trata de uma zoonose, o que significa que, além dos humanos, ela também pode infectar animais domésticos e silvestres.

    O nome dessa doença surgiu a partir de um surto da infecção em 1975 que aconteceu na cidade de Lyme, em Connecticut, nos EUA. Na ocasião, as famílias estavam preocupadas porque as crianças começaram a desenvolver artrite reumatoide, uma doença autoimune que costuma afetar indivíduos mais idade.

    Ao investigar a grande quantidade de crianças com problemas nas articulações, os cientistas descobriram que havia uma bactéria por trás desse surto. Dessa forma, a doença recebeu o nome de “doença de Lyme” por ter sido identificada primeiramente nessa cidade.

    Transmissão da doença de Lyme

    A bactéria causadora da doença de Lyme é transmitida pela picada do carrapato-de-veado, que existe nos Estados Unidos (Ixodes scapularis) e na Europa (Ixodes ricinus). Isso, porém, não significa que os brasileiros estejam livres desse problema: por aqui, essa bactéria passou por modificações e consegue viver no carrapato-estrela, da espécie Amblyomma cajennense. Por isso, a infecção transmitida no Brasil recebe o nome de borreliose humana brasileira.

    Esses carrapatos costumam viver em regiões arborizadas, portanto a transmissão da doença de Lyme é mais comum em áreas de floresta e bosque.

    Para que aconteça a infecção, é necessário que o carrapato fique pelo menos 24 horas fixado na pele, de forma que a remoção imediata desse inseto diminui as chances da instalação da doença. Contudo, por ser muito pequeno quando jovem (menos de 1,5 mm), muitas vezes o carrapato acabando passando despercebido.

    Sintomas e evolução da doença de Lyme

    A doença de Lyme apresenta três etapas características com sintomas que variam de acordo com o grau de espalhamento da bactéria pelo corpo do paciente:

    1. Etapa precoce localizada

    Essa etapa é caracterizada por uma mancha vermelha de até 15 cm (eritema migratório) na pele, ao redor do local da picada do inseto, que pode ficar mais quente que o restante da superfície.

    Atenção: as informações apresentadas neste texto têm caráter informativo e não substituem a consulta a um profissional qualificado.


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    Por apresentar uma região mais clara no centro, essa mancha costuma lembrar a aparência de um alvo. O eritema pode migrar para outras partes do corpo e pode se manifestar em mais de um local ao mesmo tempo.

    Essa etapa também é o período de incubação da bactéria, que dura de 3 a 32 dias. Nessa fase, a mancha pode sumir e aparecer novamente, podendo também passar despercebida dependendo da região do corpo.

    2. Etapa de disseminação prematura

    Com a bactéria já instalada e espalhada pelo organismo, o paciente apresenta sintomas como cansaço, febre, dor de cabeça, dores musculares, dores nas articulações e dor de garganta – muito semelhantes aos sintomas de gripe ou resfriado. Justamente por isso, é comum que as pessoas não procurem atendimento de médico, o que permite que a doença se agrave. Outros sintomas são rigidez no pescoço, náuseas e vômitos.

    Para piorar a situação, os sintomas desaparecem por um período que pode ser de semanas ou anos, mas isso não significa que o paciente está curado.

    Em 15% dos casos, pode haver complicações do sistema nervoso, como meningite e paralisia do nervo da face, conhecida como paralisia de Bell. Além disso, 8% dos pacientes apresentam problemas cardíacos como arritmias, miocardite (inflamação no tecido do coração) e pericardite (inflamação na membrana que envolve esse órgão).

    3. Etapa tardia (crônica)

    Se o paciente não receber o tratamento correto, a doença de Lyme pode apresentar uma fase crônica na qual os sintomas dão origem a complicações. A principal delas é a artrite, que causa inchaços e dores nas articulações, especialmente nos joelhos. Em alguns casos, essas dores podem ser incapacitantes, impedindo o paciente de se movimentar.

    Outras consequências podem incluir problemas no funcionamento do cérebro e do sistema nervoso, como alterações de humor e sono, dificuldades de fala, esquecimentos e formigamento pelo corpo.

    Diagnóstico  e tratamento da doença de Lyme

    Por ser uma doença rara no Brasil e ter sintomas pouco específicos (exceto pelo eritema migratório), o diagnóstico correto pode levar anos, diminuindo as possibilidades do tratamento.

    Assim, para poder identificar a doença, o médico precisa levar em consideração os sintomas, o relato do paciente sobre possíveis oportunidades de transmissão (como morar ou ter visitado uma região onde a doença de Lyme seja comum) e exames de sangue, do líquido articular e do líquido cefalorraquidiano (obtido por punção na coluna vertebral).

    A doença de Lyme felizmente tem cura, mas ela pode deixar sequelas se o paciente demorar muito em receber o tratamento ou não segui-lo corretamente. Em geral, o tratamento costuma ser feito com antibióticos para combater a bactéria e anti-inflamatórios para amenizar a artrite.

    Como prevenir a doença de Lyme

    Por ser transmitida pelos carrapatos, a melhor forma de prevenir a doença de Lyme é evitar a exposição a esse inseto. Para isso, devem-se tomar os seguintes cuidados ao visitar locais de bosque e floresta:

    • proteger o corpo com mangas e calças compridas;

    • escolher roupas claras para facilitar a visualização do carrapato;

    • utilizar repelentes com DEET;

    • inspecionar o corpo minuciosamente em busca de insetos depois de entrar em contato com a natureza;

    • remover carrapatos o mais rápido possível com o auxílio de uma pinça e sem esmagá-los.

    Agora que você sabe o que é doença de Lyme, certamente você ficará mais atento à presença do carrapato e aos sintomas da infecção. Na dúvida, não deixe de procurar assistência médica e relatar a sua suspeita para aumentar suas chances de uma cura sem sequelas.