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Revisado pelo(a) Ana Laura Sanches Pandori, CRM/SP 217553
As chuvas e as altas temperaturas que caracterizam o verão em várias regiões brasileiras aumentam os casos de diversas doenças transmitidas por insetos. Com sintomas semelhantes, nem sempre é possível identificá-las em casa, mas existem algumas diferenças entre dengue, chikungunya, zika e virose.
Conhecer alguns detalhes sobre essas doenças pode ajudar a entender melhor as diferenças entre elas.
Quer saber mais sobre quais as diferenças entre dengue, chikungunya, zika e virose? Confira o conteúdo a seguir!
A virose é um termo usado para doenças causadas por um vírus, gerando diversas reações físicas, além de ser muito comum em crianças.
A virose costuma durar até 10 dias e inclui sintomas que se manifestam de forma leve, como:
A virose tem como causa a transmissão de um vírus, que leva à contaminação da pessoa.
Ela pode acontecer por meio de gotículas respiratórias, pelo contato direto com secreções corporais e mucosas de pessoas infectadas.
Além disso, é possível que haja contaminação por meio de superfícies, objetos e alimentos contaminados.
Outra possibilidade de contaminação é por vias aéreas, ou seja, a transmissão do vírus que ocorre pelo ar, como a tosse, espirros ou falas de uma pessoa infectada.
O diagnóstico da virose geralmente é realizado durante a consulta e com base nos sintomas relatados pelo paciente.
Isso porque os exames laboratoriais e de imagem (exame de sangue, exame de urina e raio-x, por exemplo) costumam estar inalterados.
O tratamento da virose varia conforme o tipo de vírus que a originou. Em alguns casos, antivirais podem ser necessários para combater a doença.
Mas, em geral, as viroses passam sozinhas, sendo indicado apenas o repouso, a ingestão adequada de líquidos e o controle da febre e de possíveis dores no corpo.
Atenção: as informações apresentadas neste texto têm caráter informativo e não substituem a consulta a um profissional qualificado.
Esses últimos podem ser feitos com antitérmicos e analgésicos.
Além de serem transmitidas pelo mosquito Aedes aegypti (embora sejam causadas por vírus diferentes), a dengue, chikungunya e zika têm vários sintomas em comum.
Porém, alguns deles são mais ou menos intensos em cada uma dessas doenças, o que auxilia na identificação da doença.
A dengue costuma ter os sintomas mais intensos entre essas doenças e também é considerada a mais agressiva em função do maior número de mortes no mesmo período.
O sintoma mais característico é a febre alta, acima de 38 graus, que pode durar de 4 a 7 dias.
O quadro clássico da dengue inclui outras manifestações clínicas, como:
Um paciente com dengue clássica costuma se recuperar em cerca de 5 a 7 dias e não apresenta sequelas.
Contudo, em casos de dengue hemorrágica, as alterações no organismo resultam em sangramentos intensos que podem ser fatais por causarem choque e dificuldades respiratórias.
A causa da dengue é a picada pelo mosquito, comumente da espécie Aedes aegypti, que esteja contaminado com a doença.
O diagnóstico da dengue é feito por meio de avaliação médica, considerando os sintomas aparentes e relatados pelo paciente.
O médico pode solicitar exames laboratoriais para confirmação da doença para fins de vigilância epidemiológica.
O tratamento da dengue consiste, principalmente, em fazer a ingestão adequada de líquidos e repousar.
Medicamentos poderão ser utilizados para amenizar os sintomas, conforme orientação médica do clínico geral.
A principal diferença da chikungunya em relação à dengue e à zika são as dores nas articulações.
Embora esse sintoma possa aparecer nas três doenças, ele é muito mais frequente e intenso nos pacientes com chikungunya, chegando a impedir os movimentos da pessoa.
A pessoa contaminada sofre principalmente com edema e dores nas articulações. A dor pode atingir qualquer articulação, mas é mais comum nos dedos das mãos, pulsos e tornozelos.
Em alguns casos, ela permanece por vários meses, prejudicando a qualidade de vida dos pacientes.
Os outros sintomas costumam durar cerca de duas semanas e incluem:
A chikungunya tem três fases:
Quando uma pessoa atinge sua fase crônica, as dores nas articulações podem persistir por anos.
A chikungunya raramente leva a óbito, e os casos fatais costumam estar relacionados a doenças preexistentes.
A causa da chikungunya é o vírus Chikungunya (CHIKV), que é transmitido pela picada de mosquitos Aedes.
Eles picam uma pessoa contaminada e, ao picar uma pessoa saudável, esta é infectada também. Outra forma de transmissão do vírus é de mãe para filho, durante o parto.
O diagnóstico da chikungunya é feito por meio de avaliação clínica, onde o médico considera os sintomas do paciente.
O profissional também pode solicitar testes laboratoriais como o PCR (Reação em Cadeia da Polimerase) para detectar o vírus no sangue.
Além disso, é possível realizar testes rápidos para detectar a produção de anticorpos pelo organismo, direcionados ao combate da chikungunya.
O tratamento é apenas sintomático, principalmente para combater a febre e a dor nas articulações, mas alguns pacientes podem precisar de fisioterapia.
A zika é uma arbovirose causada pelo vírus Zika (ZIKV), ou seja, se trata de uma doença transmitida pela picada de mosquitos.
Pessoas de todos os sexos e faixas etárias estão sujeitas à contaminação, mas pessoas acima de 60 anos correm um risco maior de desenvolver complicações da zika, como a síndrome de Guillain-Barré, que ataca o sistema nervoso e causa paralisia.
As mulheres grávidas também correm riscos porque o vírus provoca malformação cerebral nos fetos, causando microcefalia, aborto espontâneo ou morte do bebê logo após o nascimento.
A maior parte dos sintomas da zika é mais leve do que na dengue e na chikungunya, e cerca de 75% dos pacientes não apresentam nenhuma manifestação clínica da doença, podendo nem saber que foram infectados.
Nos casos sintomáticos, o sinal mais frequente da zika é o rash cutâneo acompanhado por coceira intensa a ponto de não deixar a pessoa dormir.
A lista de sintomas também pode incluir:
A causa da zika é a transmissão do vírus, que leva à contaminação das pessoas. Ela pode acontecer das seguintes formas:
O diagnóstico é feito por meio de exames laboratoriais de sorologia e biologia molecular solicitados pelo médico.
A zika não costuma levar os pacientes a óbito e seus sintomas desaparecem sozinhos em uma semana. Mas alguns cuidados são recomendados, como:
Em casos de alterações visuais, um oftalmologista deverá ser consultado para avaliação.
Já nos casos em que a pessoa apresentar alterações no nível de consciência ou sensação de formigamento nos membros, é preciso procurar atendimento médico imediato. Isso porque esses sintomas podem indicar quadros neurológicos.
A dengue causa febre alta e dores musculares intensas; a zika tem sintomas leves e pode causar microcefalia em bebês; já a chikungunya provoca dores articulares fortes e persistentes.
A dengue é transmitida pelo Aedes aegypti e pode ser grave; viroses comuns têm diversas origens e costumam ter sintomas leves.
A dengue é a mais perigosa, pois pode causar choque hemorrágico e óbito.
Contudo, a zika e a chikungunya também precisam de auxílio médico por terem sintomas muito desconfortáveis.
O vírus chikungunya, transmitido pela picada do Aedes aegypti e Aedes albopictus.
O Aedes aegypti, que é o mesmo transmissor da dengue e da chikungunya.
A dengue causa febre alta e dor muscular intensa, mas passa com o tempo; a chikungunya tem dor articular forte e persistente e pode durar meses ou anos.
Geralmente, a pessoa sente febre, dor no corpo, diarreia, vômito e mal-estar geral.
A fase crítica, entre o terceiro e o sexto dia, quando pode ocorrer choque hemorrágico.
Pode acontecer de uma pessoa ter dengue, mas não apresentar febre. Contudo, essa situação é rara.
Pode ficar escura devido à desidratação, por isso é fundamental beber água.
De 3 a 7 dias.
Inicialmente, a dipirona não apresenta riscos, mas deve ser indicada por um médico.
Sintomas leves, como erupções na pele, febre baixa e coceira, mas ela pode provocar microcefalia em bebês.
Atualmente, não há vacina contra o vírus da chikungunya disponível, por isso o ideal é adotar outras medidas preventivas, como evitar água parada, usar repelente e instalar telas em portas e janelas.
Sim, mas apenas contra o mesmo sorotipo.
Sim, são vírus diferentes e a imunidade contra um não está relacionada à imunidade contra o outro.
Ele pode ser transmitido sexualmente, mas não é classificado como IST.
Porque aumenta o risco de sangramentos.
Febre e mal-estar.
Hidratação e repouso.
Não há como acelerar a cura, mas a hidratação adequada ajuda na recuperação.
Podem ficar escuras se houver sangramento digestivo.
Sim, mas a melhor opção para manter a hidratação é soro caseiro ou água.
Apenas contra o mesmo sorotipo.
Pernas, braços e pés, principalmente durante o dia.
Choque hemorrágico e falência de órgãos.
Ainda não há estudos suficientes para vacinação de idosos.
Anti-inflamatórios como ibuprofeno e AAS, porque eles aumentam o risco de sangramentos, já que a dengue pode reduzir as plaquetas no sangue.
Algumas, como: chikungunya, zika, leptospirose e febre amarela.
Na região abaixo das costelas, devido ao fígado inflamado.
Sim, por causa da desidratação.
Com manchas vermelhas e coceira.
O vírus zika, transmitido pela picada do Aedes aegypti.
Febre alta e dor intensa nas articulações são sintomas, mas um médico precisa avaliar e confirmar.
Os principais são: febre baixa, manchas vermelhas, coceira e conjuntivite.
Como mostrado neste post "Quais as diferenças entre dengue, chikungunya, zika e virose?", foi possível conhecer as diferenças entre essas doenças e aprender a distingui-las umas das outras.
Embora tenham sintomas em comum, exigem cuidados específicos de acordo com a gravidade.
Por isso, ao perceber febre alta persistente e outros sintomas, é fundamental consultar-se com o clínico geral.