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Revisado pelo(a) Dra. Bárbara Serafini Breda, CRM/RS 57350
Quando um hábito se torna incontrolável, modificando a rotina e a qualidade de vida, pode indicar que há um vício em desenvolvimento. Quando isso acontece, é preciso buscar o auxílio de profissionais especializados para evitar que haja mais prejuízos para a vida do indivíduo.
Para isso, é importante saber o que é o vício, como identificá-lo e tratá-lo, além de conhecer seus efeitos no cérebro.
Saiba mais sobre como funciona o vício no cérebro a seguir.
O vício, um transtorno neuropsiquiátrico, é a dependência de substâncias ou comportamentos, o que gera uma falta de autonomia e controle relacionado ao elemento viciante.
Mesmo que o vício traga prejuízos significativos para a vida, o indivíduo é incapaz de interromper a busca pelo que traz satisfação momentânea.
A dependência pode afetar seriamente tanto a saúde mental quanto física, além de trazer consequências para o dependente e para as pessoas à sua volta.
O vício abrange tanto substâncias lícitas (como álcool, cafeína e nicotina), ilícitas (como cocaína), quanto comportamentos (como realização de compras, busca por sexo e prática de jogos).
Quando uma pessoa realiza algo que a faz sentir prazer, ativa o sistema de recompensa no cérebro.
A regulagem desse sistema é feita por neurotransmissores como a dopamina.
Se a pessoa experimenta ou faz algo que provoca uma sensação intensa de prazer, o cérebro libera uma quantidade maior de dopamina, o que leva o indivíduo a buscar repetir o uso da substância ou o comportamento.
O que inicialmente era um hábito, com o tempo, pode se tornar uma dependência e prejudicar a qualidade de vida.
É importante destacar que os vícios progridem porque o cérebro fica cada vez menos sensível à dopamina.
Ou seja, para conseguir a mesma quantidade de prazer, é preciso usar a substância viciante mais vezes (ou em maior quantidade) ou intensificar o comportamento que traz satisfação.
Quando chega a este estágio, é comum a busca por fontes maiores de prazer. No caso da dependência química, por exemplo, isso pode levar o indivíduo a usar substâncias mais fortes na tentativa de obter a mesma sensação.
O vício pode causar diversos prejuízos, desde o comprometimento da saúde e das finanças, até risco de morte.
Além disso, pessoas dependentes lidam com o sofrimento contínuo, que está relacionado tanto ao uso da substância ou realização do comportamento, quanto às suas consequências.
Além de entender como funciona o vício no cérebro e os seus prejuízos, é importante saber que há :
Atenção: as informações apresentadas neste texto têm caráter informativo e não substituem a consulta a um profissional qualificado.
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O vício no cérebro é baseado, principalmente, na relação intensa com o sistema de recompensa, o que causa a dependência das sensações que o vício traz.
Geralmente, é mais fácil que as pessoas ao redor identifiquem os sinais, do que a própria pessoa com vício.
Isso ocorre, porque os sintomas do vício evoluem e se intensificam com o tempo, podendo não apresentar indicativos preocupantes inicialmente.
Além disso, há vícios que são percebidos como comportamentos sociais, como é o caso do álcool e dos cigarros.
Assim, podem se manifestar como comportamentos ocasionais, mas com o passar do tempo, tornam-se uma forma de contenção do estresse, causando dependência física e psicológica.
Entre alguns dos sintomas do vício no cérebro, estão:
Além desses sintomas, a pessoa viciada pode ter problemas emocionais aumentados, como depressão, ansiedade e insônia.
Entre os sintomas físicos, estão o aumento do cansaço, perda de apetite e dores musculares.
Nos casos mais graves de vício no cérebro, as consequências podem ser desde a redução da capacidade cognitiva e incapacidade de socializar até risco de morte.
O primeiro passo para o tratamento de um vício no cérebro é o reconhecimento, pela pessoa viciada, de que tem um problema.
Isso é necessário para que ela quebre os padrões que associam o vício à recompensa de forma consciente.
No início pode ser difícil, já que o cérebro sente necessidade de manter a produção de dopamina aumentada. Porém, com o tratamento ao longo do tempo, é possível reconstruir uma vida saudável.
É importante alertar, contudo, que o vício é uma condição crônica. Por isso, embora não tenha cura, pode ser controlada e entrar em remissão com o tratamento adequado.
É possível reduzir os sintomas da dependência da pessoa e melhorar a qualidade de vida, mas o contato com a substância ou a realização do comportamento viciante deve ser totalmente interrompido.
Após o reconhecimento do vício, profissionais de saúde (como psiquiatra, psicólogo, assistente social e clínico geral) podem compor uma equipe integrada para acompanhar o paciente, uma vez que cada especialidade é importante para o tratamento.
O tratamento para o vício, feito de forma multidisciplinar, envolve:
É preciso procurar ajuda assim que o vício for identificado, para impedir o seu avanço.
Durante o processo, além do suporte profissional, também é importante contar com uma rede de apoio com familiares e amigos.
A longo prazo, a capacidade cognitiva da pessoa é cada vez mais prejudicada, com capacidade de memória, atenção e aprendizado reduzida.
Além disso, há uma tendência ao isolamento, incluindo o afastamento de amigos e familiares.
O vício, sem tratamento adequado e acompanhamento por profissionais especializados, pode levar o indivíduo a ter prejuízos em todas as áreas de sua vida.
A seguir, confira as perguntas mais comuns, feitas por quem se interessa em saber como funciona o vício no cérebro.
O cérebro viciado sofre alterações físicas, tornando-se menos sensível à dopamina e exigindo doses maiores para sentir prazer.
A mente associa o vício à sensação de recompensa e passa a depender disso emocionalmente, perdendo o controle.
Predisposição genética, dor psicológica intensa, influência do meio e impulsividade estão entre as causas.
O vício libera a dopamina no cérebro, neurotransmissor responsável pelo prazer, o que leva a pessoa a precisar da fonte do vício.
Para um dependente químico, tudo gira em torno do vício e da obtenção do prazer por meio do objeto do vício. Por isso, família, amigos, trabalho e outras atividades que eram importantes, perdem importância.
Vêm do sistema de recompensa do cérebro, que libera dopamina sempre que se faz algo prazeroso.
Quando ele acessa algo que libera muita dopamina, passa a repetir o uso da substância ou a realização do comportamento para sentir prazer.
Cada pessoa tem uma raiz (causa) diferente, que pode ser emocional, genética ou ambiental.
O vício não pode ser curado. Ele é um problema crônico que pode ser controlado com o devido acompanhamento profissional.
Geralmente não, porque vencê-lo demanda muito esforço e técnica, por isso é preciso ajuda profissional para superar.
A personalidade mais encontrada entre as pessoas com vício tem como características: impulsividade, imediatismo, emocional fragilizado e autocontrole reduzido.
Uma pessoa com vício adota o isolamento social, até mesmo com a família, e abandona atividades que antes considerava importantes.
Além disso, ela tem vergonha do próprio comportamento, mesmo mantendo-o em sua vida.
A pessoa precisa, primeiro, reconhecer o problema e desejar buscar ajuda.
Como mostrado neste post "Como funciona o vício no cérebro?", um comportamento que gera sensação de prazer pode evoluir ao longo do tempo para um hábito e, consequentemente, para um vício se há uma busca descontrolada por satisfação.
O acompanhamento profissional é essencial para controlar os impactos do vício na vida do indivíduo, uma vez que a falta de suporte pode levar a diversas consequências negativas.
Os profissionais que podem ser procurados por pessoas que sofrem com vício são: psicólogo, psiquiatra, clínico geral e assistente social, quando for o caso.
Com tratamento personalizado e acompanhamento contínuo, é possível restaurar a qualidade de vida.