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Revisado pela Equipe de Redação da Medprev
Os transtornos do neurodesenvolvimento são condições de base neurológica que ocorrem devido a alterações do desenvolvimento cerebral, afetando o funcionamento do cérebro, o que interfere na maneira como uma pessoa cresce, aprende e interage com o mundo ao seu redor.
De modo geral, podem ser manifestados antes que a criança comece a etapa escolar, mas podem ser diagnosticados na adolescência ou na idade adulta.
Esses transtornos podem causar dificuldades significativas em várias áreas da vida, incluindo socialização, linguagem, percepção, comunicação, comportamento e habilidades acadêmicas e profissionais.
Saiba mais sobre 4 transtornos do neurodesenvolvimento a seguir.
Veja a seguir os principais transtornos do neurodesenvolvimento e as suas principais formas de tratamento.
Segundo o Manual Diagnóstico e Estatístico dos Transtornos Mentais (DSM-5), o transtorno do déficit de atenção com hiperatividade (TDAH) é caracterizado como um distúrbio de neurodesenvolvimento que afeta a capacidade de um indivíduo de prestar atenção, controlar impulsos e moderar o comportamento hiperativo.
Suas principais manifestações são:
A desatenção é apresentada nos momentos em que a pessoa possui dificuldade em manter a atenção em tarefas, não seguindo instruções e tendo dificuldade em organizar as atividades.
A hiperatividade é demonstrada, por exemplo, em momentos em que o indivíduo possui dificuldade em se manter estático. Assim, pode se mover excessivamente, apresentando excesso de energia, fala, além de gesticular demasiadamente.
A impulsividade é apresentada , principalmente, nos momentos em que o indivíduo possui dificuldade em esperar, interrompendo ou interferindo nas atividades de outras pessoas.
É importante ressaltar que os sintomas do TDAH podem ser tanto leves quanto graves. Por isso, é essencial procurar um médico como o psiquiatra ou neurologista para o diagnóstico.
Comumente, este transtorno se apresenta no início da primeira infância, mas também pode ter seus sinais identificados na adolescência ou na vida adulta.
Atenção: as informações apresentadas neste texto têm caráter informativo e não substituem a consulta a um profissional qualificado.
O tratamento apresenta uma abordagem multidisciplinar, envolvendo uma combinação de psicoterapia, medicamentos e mudanças no estilo de vida.
A psicoterapia, sobretudo a terapia cognitivo-comportamental (TCC), com o acompanhamento de um psicólogo, pode ajudar a entender melhor a condição do paciente e a desenvolver uma técnica específica para melhorar as habilidades cognitivas, emocionais e sociais.
Além disso, o uso de medicamentos pode ser um tratamento complementar à terapia, dependendo das necessidades e características do paciente, que deve ser avaliado por um profissional específico da saúde, como o psiquiatra.
A mudança no estilo de vida também é essencial, visto que a alimentação balanceada, a prática regular de exercícios físicos e o sono adequado são fundamentais para uma melhora do humor do indivíduo, melhorando a sua autoestima e bem-estar.
O transtorno do espectro autista (TEA) é uma condição neurológica caracterizada por déficits persistentes na comunicação e interação social, padrões de comportamento repetitivos e restritos, dificuldade em se expressar, além de desenvolvimento intelectual irregular.
Utiliza-se o termo “espectro”, porque apresenta há diversidade e variabilidade de apresentações dos déficits, de maneira que as manifestações dessa condição variam muito para cada pessoa.
Assim, há diferentes níveis de gravidade (graus de autismo), síndromes genéticas relacionadas e também a presença de outros transtornos do neurodesenvolvimento.
Entre os principais sintomas de uma pessoa que apresenta TEA, estão:
O tratamento possui uma abordagem multidisciplinar, incluindo uma equipe composta por pediatra, psicólogo, psiquiatra, pedagogo, fonoaudiólogo e terapeuta ocupacional.
Por essa razão, não há um padrão de tratamento, visto que os cuidados necessários dependem da necessidade e perfil do paciente.
Os principais tratamentos utilizados são a terapia comportamental, a fonoterapia e o uso de medicamentos.
A terapia comportamental possui o objetivo de diminuir os problemas comportamentais e desenvolver habilidades sociais de linguagem e também de autocuidado.
A fonoterapia pode ajudar a estimular a fala, o desenvolvimento de frases e também melhorar a modulação da voz, sendo orientada por um fonoaudiólogo.
Em relação ao uso de medicamentos, é importante ressaltar que são indicados quando surgem complicações ou comorbidades.
É orientado por um psiquiatra, o qual irá prescrever um tratamento medicamentoso específico e individualizado para ajudar a atenuar os sintomas.
O transtorno específico de aprendizagem é uma condição neurológica que envolve a dificuldade de adquirir, reter ou usar habilidades ou informações gerais, o que afeta o processo de aprendizagem e o processamento de informações.
É importante diferenciá-lo da dificuldade de aprendizagem, a qual é uma condição passageira em que um indivíduo apresenta dificuldade para ler, escrever ou realizar outras tarefas associadas à aprendizagem em algum momento do período escolar.
Assim, uma pessoa que apresenta esse transtorno possui dificuldade de compreender ou utilizar a linguagem falada e escrita, números, raciocínios e até mesmo de coordenar movimentos e focar a atenção em uma tarefa.
Os transtornos específicos de aprendizagem mais comuns são:
O tratamento depende substancialmente do transtorno de aprendizagem que o paciente possui.
De modo geral, consiste em um tratamento multimodal, que envolve a abordagem educacional, terapia comportamental e, ocasionalmente, uso de medicamentos.
É fundamental que as escolas ofereçam uma educação adequada, incluindo estratégias de ensino, adaptações curriculares e suporte individualizado para ajudar a superar as dificuldades de aprendizagem.
O uso de medicamentos deve ser prescrito e acompanhado por um profissional específico da saúde, sobretudo um psiquiatra, o qual irá recomendar um medicamento que seja individualizado e específico para aquela pessoa, com o objetivo de diminuir o impacto dessa condição nas habilidades de aprendizagem.
O transtorno do desenvolvimento intelectual, também conhecido como deficiência intelectual, é uma condição neurológica caracterizada por limitações significativas no funcionamento intelectual e no comportamento adaptativo.
Sendo assim, uma pessoa que apresenta esse transtorno possui dificuldade para realizar atividades diárias simples e adequadas para sua idade e condição sociocultural, além de ter déficits no desenvolvimento do raciocínio, planejamento e resolução de problemas, o que afeta a aprendizagem.
Pode ser percebido pelas famílias ou pela equipe de professores na escola, já que as principais manifestações desse transtorno estão relacionadas à aprendizagem.
Além dessa característica, há a dificuldade de adaptação a qualquer ambiente, falta de interesse nas atividades do dia a dia, isolamento da família e dos colegas e dificuldades na coordenação e concentração.
O tratamento possui uma abordagem multidisciplinar, podendo envolver pediatras, assistentes sociais, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais, fisioterapeutas, psicólogos, professores e família, visto que é preciso haver um programa abrangente e individualizado para a criança com deficiência intelectual.
O tratamento precoce na infância, em conjunto com o suporte familiar, pode ajudar a reduzir os seus impactos na qualidade de vida e até mesmo diminuir a gravidade dessa condição.
Assim, o tratamento envolve uma intervenção educacional especializada em que as crianças que apresentam o transtorno possam ter programas educacionais adaptados às suas necessidades individuais, como aulas e suportes individualizados.
Enquanto fisioterapeutas e terapeutas ocupacionais podem atender as comorbidades das crianças com déficit motores, fonoaudiólogos podem ajudar no atraso da linguagem ou perdas auditivas caso o indivíduo tenha essa necessidade.
Segundo o Manual de Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais (DSM-5), os transtornos do neurodesenvolvimento podem ser entendidos como um grupo de condições de base neurológica, manifestadas, principalmente, durante a etapa de desenvolvimento da criança.
São caracterizados pela dificuldade em habilidades cognitivas e motoras que afetam o desenvolvimento pessoal, social, acadêmico e profissional.
Podem ser manifestados, com uma maior frequência, durante a infância, antes do início da etapa escolar, mas também podem ser diagnosticados na adolescência ou na idade adulta.
Por isso, é importante que os familiares ou responsáveis legais fiquem atentos aos comportamentos dos pequenos para que tomem as medidas e cuidados necessários assim que possível.
Inclusive, é importante ressaltar que os transtornos do neurodesenvolvimento podem afetar o indivíduo de forma leve, média ou intensa.
Ou seja, podem haver limitações específicas na aprendizagem ou no controle das funções motoras, como o planejamento e a execução de tarefas, déficit na memória e no raciocínio, assim como dificuldades na interação social.
As causas dos transtornos do neurodesenvolvimento podem estar relacionadas não apenas a fatores genéticos, mas também a fatores biológicos, ambientais e socioculturais.
Dentre esses fatores, estão inclusas a exposição ao estresse, a toxinas e a determinados medicamentos.
Além disso, complicações durante o período gestacional, baixo peso ao nascer e prematuridade também podem contribuir para o desenvolvimento de transtornos do neurodesenvolvimento.
Como visto no post “4 transtornos do neurodesenvolvimento”, estas são condições que afetam o desenvolvimento do cérebro, resultando em dificuldades significativas em áreas do funcionamento neurológico, cognitivo e comportamental.
De modo geral, esses transtornos se manifestam durante a primeira infância, mas também podem ser percebidos na adolescência ou idade adulta.
Há uma variedade de transtornos, como transtorno do déficit de atenção e hiperatividade (TDAH), transtorno do espectro autista (TEA), transtorno específico de aprendizagem e transtorno do desenvolvimento intelectual.
Além disso, os sintomas e sinais podem variar para cada pessoa, incluindo dificuldades no aprendizado, na comunicação, nas habilidades sociais, no comportamento adaptativo e em outras áreas da vida diária.
O tratamento também deve ser multidisciplinar e individualizado, levando em consideração todo o contexto sociocultural e socioeconômico em que o paciente está inserido.