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Você já ouviu falar da Síndrome da Cabeça Explosiva?

Sensação desagradável e assustadora pode ocorrer uma vez na vida ou se tornar frequente; entenda o que é e como combater esse mal.

Um ruído cujo som é tão alto e forte a ponto de parecer uma explosão – e tudo isso acontecendo dentro da sua cabeça. A descrição pode se assemelhar à sinopse de um filme de terror, mas na prática se trata de um distúrbio conhecido como Síndrome da Cabeça Explosiva.

Considerado um tipo de distúrbio do sono, esse fenômeno é relativamente comum. Porém, para algumas pessoas, os sintomas se manifestam apenas uma vez na vida enquanto para outras essa sensação desconfortável pode ocorrer várias vezes ao longo de um determinado tempo.

Por dentro da Síndrome da Cabeça Explosiva

Os primeiros registros desse tipo de distúrbio datam ainda do século XIX. Foi em 1876 que o médico Silas Weir Mitchell incluiu na literatura médica dois casos em que homens sofriam “descargas sensoriais” violentas. Os relatos incluíam ainda “badaladas de sinos” e “sons de disparo” durante o sono.

Embora esse fenômeno tenha sido pouco estudo ao longo dos anos, um estudo realizado pela Universidade do Estado de Washington, nos Estados Unidos, com 211 voluntários, indicou que 18% dos entrevistados disseram ter vivido ao menos um episódio como esse na vida.

Pessoas que dormem pouco, em teoria, estão mais propensas a serem vítimas desse distúrbio. Situações de estresse, quadros de insônia crônica ou viajantes vítimas de jet lag também têm mais chances de passar por quadros como esses. Porém, quais são as razões que levam isso a ocorrer e o que é exatamente esse distúrbio.

Os estudos mostraram ainda que as mulheres estão mais suscetíveis a apresentarem esse quadro. Além disso, muitas pessoas temem ir ao médico e explicitar os sintomas com receio de serem diagnosticadas com algum tipo de doença mental – o que contribuiu para que, na prática, seja maior o número de vítimas desse problema.

Poucos estudos conclusivos

Embora as descrições dos sintomas sejam bastante claras, a ponto de os profissionais de medicina conseguiram com relativa facilidade que se trata de um caso dessa espécie, as causas dessa síndrome ainda são incertas. As especulações vão desde distúrbios auditivos a convulsões epiléticas, porém nada que se possa afirmar com 100% de certeza.

Estudos que monitoraram a atividade cerebral dos pacientes durante o sono indicaram um possível disparo da atividade neural do cérebro como uma das possíveis causas. Quando adormecemos, o corpo “desliga” e fica paralisado para que fiquemos em estado de repouso.

Esse “desligamento” ocorre pouco a pouco. Em pacientes vítimas da síndrome, ocorre um atraso nesse “desligamento”, o que faz com que muitos neurônios disparem ao mesmo tempo, resultando em uma sensação de explosão. É como se fosse uma descarga elétrica recebida na hora mais imprópria possível, ou seja, quando o corpo não está apto a reagir.

Tratamentos específicos ainda não foram encontrados

Ao perceber qualquer tipo de sintoma como esse, o ideal é procurar um neurologista, médico especialista a quem cabe analisar distúrbios relacionados ao sono. Pelo fato de as causas serem desconhecidas, não há um tratamento específico e os casos precisam ser analisados individualmente.

O uso de medicamentos antidepressivos, por exemplo, pode reduzir a frequência com que esses sintomas aparecem. Técnicas de relaxamento e medidas de controle de estresse também são consideradas ótimos mecanismos para se evitar que essas descargas elétricas se tornem comuns.

Além disso, muitos pacientes julgam estar enlouquecendo ou experimentando algum problema de maior gravidade, tamanho é o impacto que ocorre nos momentos mais críticos. O correto diagnóstico do médico, após a realização dos exames, auxilia ainda os pacientes a compreenderem que se trata de um distúrbio natural, e não necessariamente de um problema psicológico.

No passado, a relação dessa síndrome com a paralisia do sono, outra condição igualmente assustadora, fez com que muitos pacientes transformassem relatos de eventuais crises como essa em alucinações ou fenômenos sobrenaturais, como abduções alienígenas ou possessões demoníacas.

Contudo, à luz da ciência, há uma explicação lógica relacionada ao que acontece durante essas descargas elétricas fulminantes. Felizmente para os pacientes, apesar de a descrição dos sintomas ser bastante angustiante, trata-se de um quadro considerado de baixa gravidade.

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Em caso de distúrbios de sono ou dores de cabeça, consulte um neurologista. Acesse o site do Medprev e agende uma consulta.

Fonte(s): BBC e Melhor com Saúde

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