BLOG MEDPREV

Quais os riscos de cortar comprimido pela metade?

Tem problema tomar meio comprimido? Na maioria das vezes, sim! Saiba quais são os riscos de cortar um comprimido pela metade.

Você acha que um medicamento é “forte” demais e gostaria de tomar apenas meio comprimido para não fazer tanto efeito? Ou, então, você só achou uma caixa que tem o dobro da dose que você precisa e por isso você está pensando em dividi-lo? Pois saiba que essa prática não é assim tão inofensiva! Antes de fazer isso, você deve conhecer os riscos de cortar comprimido pela metade.

Embora esse hábito seja contraindicado, muita gente acaba dividindo os comprimidos ao meio quando não encontra a dose correta na farmácia ou quando eles são muito grandes e difíceis de engolir. Ainda, muitas pessoas fazem isso por motivos econômicos, mas a verdade é que esse é um barato que pode sair caro quando pensamos no sucesso e na segurança do tratamento.

Como cada tipo de medicamento possui características específicas, essa prática geralmente não é recomendada, devendo somente ser feita quando houver uma indicação específica. Para entender por que isso acontece, é preciso conhecer como os medicamentos funcionam no nosso corpo e um pouco sobre como eles são produzidos.

Como funciona um medicamento no organismo

O medicamento é produzido para levar para dentro do organismo uma determinada quantidade do princípio ativo (a substância principal, que realmente faz efeito). Além disso, os remédios precisam oferecer segurança, ou seja, causar o mínimo possível de efeitos colaterais.

Para poder fazer tudo isso, o princípio ativo é misturado a outras substâncias que não servem propriamente para curar uma doença, mas sim para protegê-lo de fatores que poderiam reduzir seu efeito e também para evitar esses efeitos colaterais. Se você ler uma bula, vai encontrar essas substâncias protetoras com o nome de “excipientes”.

Assim, depois da ingestão de um comprimido, o princípio ativo é absorvido pelo estômago e pelo intestino e é transportado pela corrente sanguínea até o local onde ele realmente deve fazer efeito. Na sequência, ele é transformado (metabolizado) pelo fígado para que possa ser ser eliminado pela urina e pelas fezes.

Para que isso ocorra de forma adequada, os medicamentos são desenvolvidos com tecnologias específicas para que eles tenham o resultado esperado, ofereçam menos efeitos colaterais e sejam fáceis de tomar ou usar. É por isso que existem diferentes apresentações de medicamentos, como comprimidos, cápsulas, xaropes etc.

Comprimido ou gotas: as diferentes apresentações de um medicamento

Como falamos anteriormente, existem diferentes formas de apresentar um medicamento, pois cada princípio ativo e cada paciente têm requisitos e necessidades também diferentes. Cada uma dessas formas é desenvolvida a partir de muita pesquisa para torná-las eficientes e seguras.

Conheça algumas dessas apresentações que são utilizadas por via oral:


  • Medicamentos de liberação controlada: são comprimidos revestidos com uma camada protetora que controla a liberação do princípio ativo e a sua distribuição no organismo. Dessa forma, o efeito dele não ocorre todo de uma vez, diminuindo também seus efeitos colaterais;

  • Medicamentos gastrorresistentes: são os medicamentos que conseguem passar intactos pelo estômago, sem serem afetados pelos ácidos desse órgão, permitindo que eles tenham ação ou sejam absorvidos pelo intestino;

  • Drágeas: são medicamentos que possuem um revestimento de açúcar, o qual tem por objetivo mascarar sabores, cores ou odores desagradáveis, facilitar a deglutição ou ainda preservar o princípio ativo de degradação química ou física;

  • Cápsulas: nesta apresentação, o princípio ativo está envolvido por uma cápsula de amido ou gelatina que pode ser deglutida mais facilmente e oferece proteção contra a luz (que pode destruir alguns princípios ativos).

Além dessas formas, também existem os xaropes, as gotas, as injeções, as pomadas e várias outras apresentações que contêm tecnologias diferentes para poder atender a outras necessidades. Sabendo de tudo isso, você já deve estar desconfiado de que, ao modificar a apresentação de um medicamento (cortando um comprimido ao meio, por exemplo), ele pode não fazer mais o mesmo efeito ou oferecer riscos à nossa saúde.

Riscos de cortar comprimido pela metade

Como você pôde ver acima, existe muita tecnologia por trás da produção de um medicamento. Por isso, quando cortamos um comprimido ao meio, as características originais de sua formulação podem ser perdidas, prejudicando seu efeito ou causando efeitos colaterais.

Esses prejuízos ao paciente também podem ocorrer pelas alterações físicas e químicas que o medicamento pode sofrer devido a uma maior exposição à luz, ao calor e à umidade e à contaminação por microrganismos.

Alguns sinais de que isso aconteceu são mudanças na cor, no odor e na textura do medicamento. Se você notar qualquer um desses problemas, o remédio não deverá ser utilizado. Nesse caso, o melhor a fazer é levá-lo até uma farmácia para fazer o descarte correto.

Outro risco ligado à divisão de um comprimido é que não existe uma garantia de que as duas partes terão exatamente a mesma dose. Inclusive, estima-se que pode haver uma diferença de até 15% na quantidade de princípio ativo entre duas metades, o que vai prejudicar o tratamento.

Com todas essas mudanças, um comprimido que foi partido ao meio pode agir de forma mais rápida ou mais lenta, apresentar mais efeitos colaterais e até mesmo aumentar o risco de intoxicação.

Quando é possível partir o comprimido com segurança?

Segundo os fabricantes, os comprimidos que podem ser cortados ao meio possuem um sulco para direcionar a divisão. Mas atenção: nem todos os comprimidos que apresentam esse detalhe podem ser divididos! Por isso, antes de recorrer a essa prática, sempre converse com o médico ou o farmacêutico.

Caso seja possível cortar o comprimido, o ideal é utilizar os partidores especiais para essa função, que são mais fáceis e seguros do que facas ou mesmos as mãos, além de minimizarem erros e perdas na divisão. Após o procedimento, é importante observar o local de armazenamento da parte restante para que ela seja conservada adequadamente.

Uma alternativa a essa prática é o uso de outras apresentações, como xarope, gotas ou adesivos, ou a opção por medicamentos manipulados, que podem se adequar às necessidades individuais de cada paciente.

Agora que você já conhece os riscos de cortar comprimido pela metade, lembre-se sempre de conversar com um profissional de saúde devidamente habilitado para saber se você realmente pode fazer isso ou se é melhor optar por outra apresentação do medicamento.

Fonte(s): ANVISA, CFF, CRF SP, Ministério da Saúde, Scielo e G1

Como cada tipo de medicamento possui características específicas, essa prática geralmente não é recomendada, devendo somente ser feita quando houver uma indicação específica

Tags: Saúde, cuidado do corpo, medprev, hospital, clínicas, agendamento, comprimidos, remédios, medicamentos

Voltar para   BLOG MEDPREV

posts relacionados
Vacina faz bem ou mal à saúde? 7 mitos e verdades sobre vacinação
Leia mais...