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AIDS: o que é, quais os sintomas, como é feito o diagnóstico, qual o tratamento, tem cura?

Entenda a diferença entre AIDS e HIV e conheça os sintomas de cada fase da doença, os exames usados no diagnóstico e as formas de tratamento.

Segundo o boletim divulgado em novembro de 2019 pelo Ministério da Saúde, os casos de AIDS registrados entre mulheres brasileiras caiu em todas as faixas etárias se comparados os dados de 2008 e 2018.

Contudo, nesse mesmo período, os casos de AIDS aumentaram de forma significativa entre os homens, especialmente os jovens. O crescimento entre os rapazes de 15 a 19 anos foi de 62,2%, e para aqueles de 20 a 24 anos, 94,6%.

Além disso, estima-se que há cerca de 135 mil brasileiros que vivem com o vírus e não sabem, mostrando que ainda há muito que se discutir sobre AIDS e HIV.

O que é AIDS? 

AIDS é uma síndrome causada pelo vírus da imunodeficiência humana (mais conhecido como HIV) que afeta o sistema imunológico e enfraquece as defesas do organismo. A sigla “AIDS” corresponde à expressão “acquired immunodeficiency syndrome”, ou “síndrome da imunodeficiência adquirida” em português.

A AIDS é a fase avançada da infecção pelo HIV. Nessa fase específica, os mecanismos de defesa ficam seriamente prejudicados e a pessoa se torna mais suscetível a doenças oportunistas que podem levar à morte, como tuberculose, pneumonia e alguns tipos de câncer relacionados a infecções.

A sobrevida estimada para pessoas com AIDS que não estejam recebendo tratamento é de três anos, e essa expectativa cai para aproximadamente um ano caso haja a instalação de uma doença oportunista.

AIDS x HIV

Os termos “HIV” e “AIDS” muitas vezes são utilizados como sinônimos, mas eles significam coisas diferentes. Enquanto o HIV é um vírus transmitido principalmente pela via sexual, a AIDS é a síndrome causada por ele.

Mais especificamente, o HIV destrói células do sistema imunológico conhecidas como linfócitos T-CD4+, responsáveis por identificar microrganismos estranhos e despertar as reações de defesa do corpo. 

Quando o número de linfócitos T-CD4+ fica muito reduzido em função do HIV, o organismo não consegue mais se defender contra as ameaças, caracterizando o quadro de AIDS.

Embora a AIDS não exista sem o HIV, os tratamentos disponíveis atualmente podem evitar que uma pessoa infectada pelo vírus (pessoa soropositiva) desenvolva a síndrome. Contudo, ainda não há cura para a infecção pelo HIV, de modo que o vírus sempre estará presente no organismo mesmo que não haja sintomas.

Transmissão da AIDS/HIV

Quando se fala em transmissão da AIDS, na verdade estamos nos referindo à transmissão do HIV, o vírus causador da AIDS. 

A infecção pelo HIV é predominantemente uma infecção sexualmente transmissível (IST, antigamente chamada de DST), mas existem outras formas menos frequentes. Desse modo, as principais formas de transmissão da AIDS/HIV são:

  • Contato sexual desprotegido (sem utilização de camisinha ou preservativo), incluindo sexo oral, vaginal e anal independentemente da orientação sexual dos parceiros;
  • Uso de agulhas e seringas por mais de uma pessoa, principalmente para a aplicação de drogas injetáveis;
  • Compartilhamento de objetos que furam ou cortam;
  • Da mãe infectada para o filho (transmissão vertical) durante a gestação, o parto ou a amamentação;
  • Transfusão de sangue contaminado com o HIV (apenas no recebimento do sangue, não na doação).

Fatores de risco da AIDS/HIV

Os únicos fatores de risco da AIDS são ter sido infectado pelo HIV e não fazer o tratamento adequado, pois a doença não existe sem a presença desse vírus. 

Já em relação ao HIV, não existem fatores de risco inerentes à pessoa, pois o vírus não tem preferência por gênero, idade, orientação sexual ou etnia.

Contudo, há alguns comportamentos que aumentam o risco de infecção pelo HIV e, em consequência, aumentam o risco de desenvolver a AIDS. Eles incluem:

  • Qualquer tipo de contato sexual sem preservativo por via oral, vaginal ou anal;
  • Contato com feridas genitais decorrentes de outras IST;

  • Reutilização de instrumentos pontiagudos ou cortantes sem a devida esterilização;
  • Uso compartilhado de seringas e agulhas, especialmente para a aplicação de drogas injetáveis;
  • Não realização do tratamento antes e durante a gravidez e o parto (em caso de mulheres infectadas);
  • Amamentação no peito quando a mãe é soropositiva.

Fases da infecção pelo HIV

A infecção do HIV se desenvolve em diferentes fases, e a AIDS propriamente dita corresponde a apenas uma delas. O vírus pode ser transmitido em qualquer uma dessas etapas; por isso, a ausência de sintomas não significa que uma pessoa não tenha HIV.

Veja como a infecção pelo HIV e a AIDS se desenvolvem:

1ª fase: infecção aguda

A infecção aguda, também chamada de infecção primária, corresponde ao surgimento dos primeiros sintomas do HIV, que se assemelham aos de uma gripe. 

Ela acontece cerca de três a seis semanas depois da exposição ao vírus e causa sintomas em cerca de 50% a 90% das pessoas infectadas. É no fim dessa fase que o organismo começa a produzir os anticorpos anti-HIV que são detectados pelos exames.

Nessa etapa, o HIV utiliza células de defesa chamadas linfócitos T-CD4+ para se replicar (fazer cópias de si mesmo), mas esse processo destrói essas células e diminui o número delas no organismo. 

Contudo, com o passar do tempo, o sistema imunológico começa a combater o HIV, o que reduz a quantidade de vírus circulando pelo corpo. Isso permite que os níveis de linfócitos T-CD4+ voltem a aumentar, mas eles costumam ficar um pouco abaixo dos valores anteriores à exposição ao HIV.

Como a taxa de multiplicação do vírus é altíssima na infecção aguda, a possibilidade de transmitir o HIV também é muito alta. Porém, o teste para o HIV ainda não é capaz de detectá-lo devido à janela imunológica (veja mais sobre esse assunto na seção Diagnóstico do HIV).

2ª fase: latência clínica (fase assintomática)

A segunda fase da infecção pelo HIV pode ser chamada de latência clínica, inatividade ou dormência. O vírus não está realmente “dormindo” nem inativo, mas, devido à ação do sistema imunológico, ele se reproduz em um ritmo muito lento.

Em função disso, embora continue transmitindo o vírus, a maior parte das pessoas infectadas pelo HIV não apresenta sintomas, pois o organismo não fica debilitado. 

Nesse período, o diagnóstico do HIV costuma acontecer apenas se a pessoa for ao médico com o intuito de avaliar sua sorologia para IST ou se ela passar por triagens para doar sangue. 

Para as pessoas soropositivas que fazem tratamento, a fase de latência clínica pode durar várias décadas, proporcionando uma boa qualidade de vida. Contudo, sem tratamento, essa fase tem uma duração bem menor, variando entre 2 a 10 anos conforme as características individuais.

3ª fase: fase sintomática inicial

Embora o HIV se torne menos ativo por um período, o ataque às células do sistema imunológico continua acontecendo. Assim, com o passar do tempo, ocorrem prejuízos à capacidade de defesa do organismo.

É nessa fase que surgem os sintomas mais conhecidos da infecção, como a perda de peso e as manchas vermelhas na pele, fazendo com que essa etapa seja conhecida como fase sintomática.

Além disso, como acontece uma redução no número de linfócitos T-CD4+, a pessoa fica muito mais sujeita a adquirir outras doenças infecciosas, como diarreia, sinusite, candidíase oral e vaginal, gengivite, aftas, herpes simples e herpes-zoster, entre outras.

Devido aos sintomas e às infecções, a pessoa tende a procurar o médico, fazendo com que o diagnóstico de HIV seja mais comum nessa fase.

4ª fase: AIDS (síndrome da imunodeficiência adquirida)

Com o avanço da fase sintomática, acontece a transição entre a infecção pelo HIV para a AIDS propriamente dita. Esse momento pode ser definido de duas formas:

  • Contagem de linfócitos T-CD4+: em pessoas soronegativas, a contagem de linfócitos T-CD4+ varia entre 800 e 1.200 células por mm³ (milímetro cúbico) de sangue. Mas, para pessoas soropositivas na fase sintomática, esse número pode ser menor do que 200 células/mm³, caracterizando a evolução da infecção do HIV para a AIDS;
  • Doenças oportunistas: o desenvolvimento de algumas doenças oportunistas também pode definir a AIDS, mesmo que a contagem de linfócitos T-CD4+ esteja acima de 200 células/mm³.

Quando o paciente não recebe o tratamento ou não segue o plano terapêutico corretamente, a AIDS faz com que o sistema imunológico fique ainda mais debilitado, aumentando o risco de adquirir doenças oportunistas perigosas. Em geral, essas doenças são de origem infecciosa, por exemplo: 

  • Candidíase de esôfago, traqueia, brônquios ou pulmão; 
  • Criptococose extrapulmonar; 
  • Encefalite por HIV; 
  • Hepatite viral;
  • Meningite criptocócica; 
  • Pneumonia; 
  • Salmonelose; 
  • Septicemia; 
  • Toxoplasmose; 
  • Tuberculose

Embora as infecções oportunistas sejam mais famosas, a AIDS em estágio avançado pode incluir o desenvolvimento de alguns tipos de câncer que são favorecidos pelo HIV, como o sarcoma de Kaposi, o linfoma não Hodgkin e o câncer de colo de útero.

Além disso, a infecção pelo HIV em estágio avançado pode prejudicar o funcionamento de tecidos e órgãos como nervos, rins e coração, seja por danificar diretamente essas estruturas ou por provocar processos inflamatórios.

Sintomas de AIDS/HIV

É difícil dizer que uma pessoa tem AIDS ou foi infectada pelo HIV apenas pelos sintomas, pois eles variam de acordo com a fase da infecção e podem desaparecer por muitos anos.

Por isso, em vez de falar em sintomas da AIDS como um todo, é mais interessante conhecer os sintomas que surgem nas diferentes fases da infecção pelo HIV:

1ª fase: sintomas da infecção aguda

Cerca de quatro semanas depois da exposição ao HIV, podem surgir sintomas semelhantes aos de outras infecções virais, como gripe ou mononucleose. Essas manifestações correspondem a um quadro conhecido como síndrome retroviral aguda (SRA) e acontecem em 50% a 90% das pessoas infectadas.

Os principais sintomas dessa fase são:

  • Febre moderada a alta;
  • Fadiga;
  • Manchas avermelhadas no rosto e no corpo;
  • Inchaço dos gânglios do pescoço, nuca e axila;
  • Dor de cabeça e nos olhos;

  • Dor muscular ou nas articulações;
  • Dor de garganta;
  • Náusea, vômito ou diarreia;
  • Suor noturno;
  • Feridas na boca ou nos genitais.

Como esses sintomas são muito parecidos aos de outras infecções e costumam desaparecer sozinhos depois de alguns dias ou semanas, as pessoas não costumam procurar o médico, fazendo com que seja muito raro o diagnóstico da infecção pelo HIV nessa fase.

2ª fase: sintomas da latência clínica

A latência clínica é conhecida como fase assintomática porque não costuma haver sintomas nesse período. Isso acontece porque a multiplicação do vírus é muito baixa nessa etapa, embora ele ainda esteja ativo.

Em alguns casos, pode haver um inchaço dos gânglios aparentemente sem explicação que dura pelo menos de 3 a 6 seis meses, afetando principalmente os linfonodos do pescoço, da nuca e das axilas.

3ª fase: sintomas iniciais

A fase sintomática se instala quando o sistema imunológico não consegue mais conter a reprodução do HIV, o que causa uma redução muito grande no número de linfócitos T-CD4+. Nesse período, os sintomas mais comuns são:

  • Perda de peso (95% a 100% das pessoas);
  • Suor noturno;
  • Fadiga;
  • Diarreia;
  • Febre;
  • Feridas na boca e na garganta;
  • Perda do apetite;
  • Fraqueza;
  • Sangramento nasal;
  • Pontos vermelhos e manchas roxas na pele.

Além desses sintomas, esta fase inclui o surgimento de infecções oportunistas que aproveitam o enfraquecimento do sistema imunológico para se instalar, por exemplo:

  • Infecções bacterianas, como sinusite, bronquite e pneumonia;
  • Candidíase oral e vaginal;
  • Leucoplasia pilosa oral (manchas brancas nas laterais da língua e na mucosa oral);
  • Gengivite e doença periodontal (inflamação e infecção da gengiva e tecidos subjacentes);
  • Herpes simples recorrente;
  • Herpes-zoster.

Devido ao surgimento dos sintomas e das infecções oportunistas, é mais comum que as pessoas procurem o médico. Por isso, o diagnóstico do HIV é mais frequente nessa fase.

4ª fase: AIDS

Os sintomas da AIDS em estágio avançado são decorrentes das doenças oportunistas que se instalam devido ao comprometimento do sistema imunológico, variando de acordo com cada tipo de doença. 

Como essas doenças são graves, a pessoa vai a óbito em pouco tempo se não receber o tratamento adequado.

Diagnóstico do HIV

Embora seja muito difícil receber um diagnóstico de HIV, conhecer a sorologia de forma precoce é a melhor forma de prolongar a expectativa de vida de uma pessoa infectada pelo vírus.

Por isso, é fundamental buscar assistência médica imediatamente depois de passar por uma situação em que houve risco de exposição ao HIV, seja pelo contato sexual desprotegido ou pelo compartilhamento de objetos como agulhas e seringas.

O que é janela imunológica?

Janela imunológica é o intervalo entre a exposição ao HIV e o momento a partir do qual é possível detectar anticorpos contra esse vírus presentes no sangue ou na saliva. A janela imunológica do HIV é de aproximadamente 30 dias.

Anticorpos são proteínas produzidas pelo sistema imunológico que têm função de proteger o organismo contra as ameaças. Eles são produzidos depois do contato das células de defesa com um microrganismo causador de doenças, mas esse processo leva alguns dias ou semanas.

Como o teste anti-HIV detecta os anticorpos produzidos contra o HIV e não o vírus em si, é preciso esperar a janela imunológica para fazer o exame. 

Caso o teste seja feito antes de 30 dias, existe o risco de ainda não haver anticorpos no sangue ou na saliva, dando um resultado negativo mesmo que a pessoa tenha sido infectada. Por isso, pode ser necessário repetir o teste anti-HIV depois de algumas semanas até o término da janela imunológica para confirmar o resultado.

Vale lembrar que, mesmo que a infecção pelo HIV seja indetectável pela maioria dos exames antes da produção dos anticorpos, a pessoa infectada já está transmitindo o vírus.

Como é feito o diagnóstico do HIV

O diagnóstico do HIV é feito por meio de exames que utilizam amostras de sangue ou saliva para detectar a presença de anticorpos contra esse vírus.

Caso o resultado dê negativo (não reagente), a pessoa não tem HIV, desde que não esteja na janela imunológica. Caso o resultado seja positivo (reagente), é realizado um segundo exame, diferente do primeiro, para confirmar o diagnóstico.

Conheça os principais exames para o diagnóstico do HIV: 

  • Teste rápido: exame que detecta a presença de anticorpos contra o HIV em uma amostra de sangue obtida da ponta do dedo (punção digital). O resultado fica pronto em 30 minutos;
  • Fluido oral: também é considerado um teste rápido por fornecer o resultado em 30 minutos, mas utiliza uma amostra de saliva em vez de sangue;
  • Autotestes: são kits de teste rápido que podem ser aplicados pela própria pessoa. É considerado um exame de triagem, de modo que resultados positivos (reagentes) devem ser confirmados;
  • Testes confirmatórios: são exames de sangue feitos em laboratório que confirmam ou refutam um resultado positivo (reagente) obtidos nos testes rápidos. Esses testes utilizam diferentes metodologias, como ELISA (exame imunoenzimático), Western-blot e biologia molecular.

Diagnóstico do HIV em crianças e durante infecções agudas

Os exames que detectam os anticorpos contra o HIV oferecem resultados altamente confiáveis e são mais acessíveis, fazendo com que eles sejam os testes de primeira escolha para o diagnóstico. 

Contudo, esses testes apresentam a desvantagem de não funcionar em infecções recentes, já que os anticorpos ainda não foram produzidos.

Além disso, no caso das crianças nascidas de mulheres com HIV, eles podem dar um resultado falso-positivo, pois os anticorpos anti-HIV da mãe atravessam a placenta e permanecem na corrente sanguínea do bebê até os 18 meses.

Portanto, nessas situações, são utilizados exames que detectam o vírus em si, incluindo:

  • Pesquisa de antígeno p24: detecta uma proteína do HIV chamada antígeno p24;
  • Cultura viral: detecta o vírus em culturas laboratoriais de sangue ou plasma;
  • Testes de amplificação de genoma viral: detectam a carga viral por meio de técnicas que amplificam o material genético do HIV em laboratório.

Exame de carga viral para HIV

O exame de carga viral para HIV mede a quantidade do vírus no sangue da pessoa. Ele é realizado com tecnologias de biologia molecular que fazem cópias do material genético do HIV, como a PCR e a NASBA. 

Esse teste pode ser utilizado para como exame de confirmação quando o teste de triagem tiver resultado reagente ou para o diagnóstico do HIV em crianças com menos de 18 meses.

Além disso, o monitoramento da carga viral em pessoas com diagnóstico de HIV confirmado serve para conhecer os riscos de transmissão do vírus e as chances de evolução para a AIDS: quanto mais alta a carga viral, maiores eles serão. 

Para pacientes adultos, o exame de carga viral pode ser interpretado da seguinte forma:

  • Acima de 100.000 cópias/mm³: alto risco de desenvolver AIDS;
  • De 10.000 a 100.000 cópias/mm³: risco moderado de desenvolver AIDS;
  • Abaixo de 10.000 cópias/mm³: baixo risco de desenvolver AIDS.

Para pessoas com HIV que fazem tratamento com medicamentos antirretrovirais, resultados abaixo de 50 cópias/mm³ são conhecidos como “carga viral indetectável”, o que significa que o vírus não é transmitido.

Diagnóstico da AIDS

Ter HIV é diferente de ter AIDS. Por isso, um diagnóstico positivo para o HIV não significa necessariamente que a pessoa tenha AIDS.

Assim, para uma pessoa infectada pelo HIV, o diagnóstico da AIDS pode ser definido por dois critérios: 

  • Contagem de linfócitos T-CD4+: quando o resultado desse exame estiver abaixo de 200 células/mm³;
  • Presença de doenças oportunistas: quando a pessoa desenvolver qualquer uma das seguintes manifestações, infecções oportunistas e/ou neoplasias, independentemente da contagem de linfócitos T-CD4+:
  • Infecções por vírus: citomegalovirose, herpes simples (> 30 dias), encefalite por HIV (demência por HIV);
  • Infecções por bactérias: tuberculose, pneumonias, salmonelose;
  • Infecções por fungos: pneumocistose, candidíase (esôfago, traqueia, pulmão), criptococose, histoplasmose, micoses disseminadas;
  • Infecções por protozoários: toxoplasmose, criptosporidiose, isosporíase;
  • Alguns tipos de câncer: sarcoma de Kaposi, linfoma não Hodgkin, linfoma de Burkitt e câncer de colo do útero;
  • Alterações neurológicas atribuídas à demência por HIV, como perda de memória, déficit de atenção e lentidão de movimentos;
  • Problemas renais ou cardíacos causados pelo HIV;
  • Reativação da doença de Chagas, causando meningoencefalite e/ou endocardite;
  • Síndrome consumptiva da AIDS: perda involuntária de 10% do peso corporal associada a diarreia crônica (mais de 2 episódios por dia por mais de 30 dias), fraqueza e febre.

Tratamento da AIDS/HIV

A AIDS e a infecção pelo HIV não têm cura, mas o tratamento dessas doenças é imprescindível para aumentar a expectativa e a qualidade de vida dos pacientes, fortalecer o sistema imunológico, prevenir as doenças oportunistas e reduzir o risco de transmissão do HIV.

Dessa forma, o tratamento da AIDS e do HIV, conhecido como terapia antirretroviral, tem como objetivo manter a carga viral da pessoa em níveis indetectáveis (abaixo de 50 cópias/mm³), evitando a redução do número de linfócitos T-CD4+ e o enfraquecimento das defesas do organismo. Além disso, quando a carga viral está abaixo desse valor, o HIV não é transmitido.

Atualmente, o tratamento de primeira escolha no Brasil é uma combinação de três medicamentos chamados lamivudina, tenofovir e dolutegravir. 

Enquanto os dois primeiros agem bloqueando uma enzima necessária para que o HIV faça cópias do seu material genético, e o terceiro impede que as proteínas dos linfócitos T-CD4+ sejam quebradas em partes menores que seriam utilizadas para formar as estruturas do vírus.

Caso a pessoa apresente efeitos colaterais ou contraindicações para esse plano de terapia antirretroviral, existem outras opções disponíveis. Contudo, o tratamento não deve ser interrompido, pois o HIV voltará a se multiplicar (aumento da carga viral) e poderá levar a uma condição ainda mais grave.

Outros cuidados para pessoas que vivem com HIV

Quando a pessoa adere ao tratamento, sua carga viral é reduzida a níveis indetectáveis, permitindo que ela tenha uma boa qualidade de vida. Contudo, existem outros cuidados que devem ser levados em consideração:

Alimentação saudável

O bom funcionamento do sistema imunológico depende de uma alimentação equilibrada que forneça todos os nutrientes necessários para o organismo. Além disso, ter uma alimentação saudável pode contribuir para absorver melhor os medicamentos anti-HIV e reduzir seus efeitos colaterais.

Os cuidados com a alimentação também envolvem medidas para evitar infecções gastrointestinais, que são mais perigosas para pessoas com AIDS/HIV. Por isso, deve-se lavar e desinfetar frutas, legumes e verduras e evitar o consumo de ovos, carnes e peixes crus ou malcozidos.

Atividade física

A prática regular de atividade física é recomendada para pessoas com HIV que não apresentam complicações, pois ela faz bem para a autoestima e reduz a ansiedade e a depressão

Além disso, os exercícios ajudam a prevenir outros problemas concomitantes ao vírus, como acúmulo de gordura localizada, colesterol alto, resistência à insulina, osteoporose e doenças cardiovasculares.

Tabagismo

O tabagismo enfraquece ainda mais as defesas do organismo, aumentando o risco de a infecção pelo HIV evoluir para a AIDS. Por isso, recomenda-se não fumar.

Vacinas

Pessoas com baixa carga viral para o HIV e sem deficiência imunológica podem fazer todas as vacinas de acordo com o calendário nacional. 

Contudo, se houver comprometimento das defesas, existe um risco maior para vacinas produzidas com vírus atenuados (vivos porém enfraquecidos), como vacinas para poliomielite oral, varicela, rubéola, febre amarela, sarampo e caxumba. Por isso, cada caso deve ser avaliado pelo médico.

Vida sexual

Pessoas com HIV podem se relacionar sexualmente com pessoas soronegativas sem que haja transmissão do vírus. Para isso, deve-se utilizar preservativo em todos os tipos de contato sexual e, preferencialmente, ter carga viral indetectável.

Além disso, no caso de relacionamentos fixos entre pessoas soropositivas e soronegativas, a pessoa que não tem HIV pode utilizar a profilaxia pré-exposição e a profilaxia pós-exposição para evitar a infecção pelo vírus.

Planejamento reprodutivo

Desde que haja a devida assistência médica, homens e mulheres com HIV podem ter filhos sem transmitir o vírus para o bebê e/ou a parceira ou o parceiro.

No caso de homens soropositivos e mulheres soronegativas, a concepção sem transmissão do HIV para a parceira é possível por meio de técnicas de lavagem seminal e fertilização in vitro. 

Já no caso de mulheres com HIV, existem métodos específicos de tratamento antirretroviral que reduzem a praticamente zero o risco de transmissão do vírus para o bebê durante a gestação e o parto. Vale lembrar que a mãe não deve amamentar a criança no peito.

Acompanhamento médico e exames complementares

Devido à maior propensão a apresentar vários tipos de doenças, as pessoas com HIV devem fazer acompanhamento com o médico infectologista para monitorar seu estado geral de saúde e diagnosticar condições concomitantes.

Os exames complementares para a abordagem da pessoa com HIV são:

  • Hemograma completo;
  • Glicemia em jejum;
  • Colesterol total e suas frações;
  • Triglicerídeos;
  • Avaliação do fígado (exames de AST e ALT);
  • Avaliação dos rins (exame de creatinina);
  • Exame parcial de urina;
  • Teste para sífilis;
  • Teste para hepatites virais;
  • Teste para toxoplasmose;
  • Sorologia para doença de Chagas;
  • Prova tuberculínica;
  • Radiografia de tórax;
  • Avaliação cardiovascular;
  • Rastreamento de câncer;
  • Avaliação neuropsiquiátrica.

Prevenção da AIDS/HIV

Para pessoas com HIV, a prevenção da AIDS consiste em seguir corretamente o tratamento antirretroviral para manter a carga viral em níveis indetectáveis, o que evita o enfraquecimento do sistema imunológico e o desenvolvimento de sintomas e doenças oportunistas.

Já para as pessoas que não têm HIV, a prevenção da AIDS na verdade é a prevenção da infecção pelo HIV, que consiste nas seguintes medidas:

  • Utilizar preservativo masculino ou feminino em todos os tipos de contato sexual, incluindo sexo oral, vaginal ou anal;

  • Não reutilizar objetos cortantes ou perfurantes não esterilizados;
  • Não compartilhar seringas e agulhas;
  • Fazer acompanhamento pré-natal com teste para HIV.

PEP: profilaxia pós-exposição

A profilaxia pós-exposição (PEP) ao HIV é um tratamento de urgência para prevenir a infecção pelo vírus depois de uma situação de risco, como em relações sexuais sem preservativo ou se o preservativo estourar, violência sexual ou acidentes biológicos laborais.

A PEP consiste em tomar medicamentos diariamente por 28 dias e deve ser iniciada em até 72 horas depois da exposição.

PrEP: profilaxia pré-exposição

Consiste no uso contínuo de medicamentos para evitar a infecção pelo HIV. A PrEP é indicada para pessoas soronegativas que se relacionam com pessoas soropositivas e deve ser associada ao uso do preservativo (prevenção combinada).

Cura da AIDS/HIV

Embora as pesquisas tenham avançado bastante, ainda não há cura para a AIDS e para a infecção pelo HIV. Por isso, mesmo entre as pessoas que têm carga viral indetectável e não precisam mais tomar medicamentos diariamente, prefere-se falar em remissão da doença.

Com o diagnóstico precoce e o tratamento correto, é possível levar uma vida praticamente normal com o HIV, evitando a progressão para AIDS por muitas décadas.

Se você tem dúvidas sobre o HIV ou a AIDS ou passou por uma situação de risco em que pode ter sido exposto ao vírus, utilize o site ou o aplicativo do MEDPREV para agendar uma consulta com o infectologista.

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