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Revisado pelo(a) Sr. Ari Henrique Faustino Batista, CRP/PR 0838955
A compulsão alimentar, um distúrbio que leva à ingestão descontrolada de grandes quantidades de alimentos, impacta não apenas a saúde física, mas também o bem-estar emocional. Segundo a National Eating Disorders Association, estima-se que atinja cerca de 3,5% das mulheres, 2% dos homens e até 1,6% dos adolescentes.
O tratamento do TCA tem como objetivos: a redução ou eliminação dos episódios de compulsão alimentar, o estabelecimento de padrões alimentares regulares, o desenvolvimento de hábitos saudáveis e o cuidado de complicações físicas e comorbidades psiquiátricas.
O tratamento bem-sucedido também visa melhorar a autoestima, a imagem corporal e a regulação emocional, que são fatores subjacentes cruciais no TCA.
Quer saber mais sobre o assunto? Conheça 4 tratamentos para compulsão alimentar a seguir.
A terapia cognitivo-comportamental (TCC) é uma das abordagens terapêuticas que podem ser utilizadas para tratar o transtorno de compulsão alimentar (TCA).
Estudos mostram que mais de 60% das pessoas tratadas com TCC têm melhorias significativas que duram por muito tempo.
A TCC se concentra em entender e mudar padrões de pensamento e comportamento que levam à compulsão alimentar. A ideia é dar ferramentas práticas para melhorar de forma gradual.
Além de tratar os sintomas mais aparentes, essa abordagem também investiga a relação da pessoa com o seu corpo e a comida.
Durante o tratamento, o indivíduo aprende estratégias específicas para mudar pensamentos negativos e lidar de forma mais saudável com situações difíceis.
Técnicas incluem a identificação de gatilhos emocionais e situacionais, o desenvolvimento de respostas alternativas ao impulso de compulsão e a exposição gradual a alimentos temidos de forma controlada.
Em vez de apenas tratar os sintomas temporários, a TCC ajuda a entender o que está por trás do problema.
Os terapeutas ajustam o tratamento de acordo com as necessidades e desafios do paciente.
Além da terapia cognitivo-comportamental, a psicoterapia junguiana também se destaca como uma abordagem eficaz no tratamento da compulsão alimentar.
Ao focar nas relações interpessoais e na resolução de conflitos emocionais, essa forma de terapia oferece uma valiosa alternativa para quem busca superar a compulsão alimentar.
A psicoterapia abrange mais do que os padrões de pensamento e comportamento.
Ela explora as relações interpessoais, buscando entender como as dinâmicas sociais podem influenciar a relação de alguém com a comida.
Atenção: as informações apresentadas neste texto têm caráter informativo e não substituem a consulta a um profissional qualificado.
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Ao identificar e resolver conflitos emocionais, a psicoterapia ajuda a construir uma base sólida para lidar com o transtorno.
Caso seja necessário, em conjunto com o tratamento terapêutico, pode ser iniciado o tratamento medicamentoso no combate à compulsão alimentar.
Esta modalidade frequentemente inclui o uso de inibidores seletivos da recaptação de serotonina (ISRSs) ou lisdexanfetamina, ambos com resultados promissores.
Contudo, vale lembrar que somente um médico especializado, como o psiquiatra, pode prescrever os medicamentos e realizar o acompanhamento do paciente, avaliando os efeitos dos remédios e realizando a manutenção do tratamento, caso necessário.
Além dos ISRSs e da lisdexanfetamina, há outras opções farmacológicas que podem ser consideradas em casos específicos:
Cabe salientar que a escolha por tratamento farmacológico deve ser bem avaliada em conjunto com um profissional de saúde especializado no transtorno.
A resposta a diferentes medicamentos pode variar para cada pessoa, e a supervisão médica é essencial para ajustes adequados e monitoramento contínuo.
O tratamento farmacológico, quando indicado, pode ser uma ferramenta eficaz contra a compulsão alimentar, proporcionando um apoio adicional no caminho para uma relação mais equilibrada com a comida.
Além das abordagens terapêuticas e farmacológicas, o aconselhamento nutricional também pode ser utilizado no tratamento da compulsão alimentar.
Esta estratégia visa fornecer orientação profissional sobre nutrição, concentrando-se em promover hábitos alimentares saudáveis e garantir a ingestão adequada de nutrientes essenciais.
Entre os principais objetivos do aconselhamento nutricional, estão:
Cabe salientar que o aconselhamento nutricional não deve priorizar a perda de peso até que o transtorno alimentar seja devidamente tratado.
O foco dessa estratégia está na construção de uma base nutricional sólida, proporcionando ao paciente ferramentas para tomar decisões alimentares conscientes e benéficas.
Além disso, a condução do aconselhamento nutricional deve ser realizada por profissionais, como o nutricionista, que possuam expertise específica no tratamento de transtornos alimentares.
Descubra como lidar com a compulsão alimentar com algumas estratégias.
É recomendado evitar dietas extremamente restritivas, pois aumentam os episódios de compulsão alimentar.
Restrições alimentares desequilibram a dieta, aumentam a fome e podem resultar em comportamentos alimentares descontrolados.
A organização e o planejamento de refeições saudáveis contribuem para o controle de porções e evitam episódios impulsivos de compulsão alimentar.
Registrar a alimentação diária é eficaz para controlar a qualidade dos alimentos ingeridos e identificar gatilhos emocionais relacionados à compulsão alimentar.
Estabelecer horários regulares para as refeições é essencial. Pular refeições aumenta o risco de excessos, sendo importante manter três refeições principais e lanches intermediários.
O ideal é não ficar mais de 3-4 horas sem se alimentar durante o dia, para manter a glicemia estável e evitar a fome voraz.
A hidratação adequada auxilia na diferenciação entre fome real e vontade de comer impulsiva, além de reduzir a sensação de vazio associada à compulsão alimentar.
Às vezes, a sede é confundida com fome. Beber um copo de água e aguardar 10 minutos antes de comer pode ajudar a discernir entre a necessidade real de comer e o impulso.
Alimentos ricos em fibras (como frutas, legumes e grãos integrais) aumentam a saciedade, auxiliando na redução do desejo por consumir outros tipos de alimentos, como aqueles que comumente fazem parte dos episódios compulsivos.
Alimentos integrais e ricos em fibras têm uma digestão mais lenta, promovendo níveis de açúcar no sangue mais estáveis e uma sensação de saciedade prolongada.
A realização de atividade física regular não apenas contribui para o controle da compulsão alimentar, mas também auxilia na perda de peso, uma vez que proporciona sensação de prazer e bem-estar.
O exercício deve ser prescrito com cuidado, focando no prazer e no bem-estar e não como uma compensação calórica pela comida. Exercícios muito intensos podem ser uma forma de purgação para alguns pacientes.
A qualidade do sono influencia os hábitos alimentares. Poucas horas de sono podem aumentar a fome e diminuir a saciedade, contribuindo para episódios de compulsão alimentar.
Mastigar os alimentos devagar promove saciedade, reduz o consumo impulsivo e melhora a percepção de quando parar de comer.
O transtorno da compulsão alimentar é caracterizado por episódios recorrentes, nos quais uma pessoa consome grandes quantidades de alimentos em curtos períodos, independente da sensação de fome.
Essa condição, apesar de estar relacionada à alimentação, possui raízes psicológicas profundas, sendo reconhecida como um transtorno psiquiátrico.
Foi oficialmente reconhecido como um diagnóstico distinto no DSM-5 em 2013, o que ajudou a destigmatizar a condição e impulsionar pesquisas.
Durante os episódios, a sensação de perda de controle é comum, seguida por sentimentos intensos de vergonha, nojo e culpa.
O distúrbio também está associado a fatores emocionais, como estresse, traumas emocionais e baixa autoestima.
Durante episódios compulsivos, as pessoas com o transtorno consomem quantidades maiores de alimentos do que o esperado para o período e circunstâncias. Esses episódios são seguidos por uma sensação de perda de controle e, comumente, de culpa.
Diferente de outros distúrbios alimentares, a compulsão alimentar não envolve purgação, exercício excessivo ou jejum. A condição é episódica, não envolvendo excessos constantes.
Ao contrário de outros transtornos alimentares, não há comportamentos compensatórios inadequados, como vômitos ou abuso de laxantes.
Este distúrbio afeta cerca de 3,5% das mulheres e 2% dos homens ao longo de suas vidas, sendo mais comum em pessoas obesas.
No entanto, é importante ressaltar que o TCA ocorre em pessoas de todos os pesos corporais.
A associação com a obesidade se deve ao fato de o transtorno frequentemente levar ao ganho de peso.
Embora as causas exatas ainda sejam objeto de estudo, fatores psicológicos, genéticos, ambientais e neurobiológicos desempenham papéis significativos no surgimento do transtorno.
Diversos fatores podem contribuir para a compulsão alimentar. Dietas rígidas, frequentemente seguidas para perder peso, podem resultar em desânimo e impulsos alimentares, por exemplo.
O transtorno da compulsão alimentar periódica foi classificado como diagnóstico no DSM-5, em 2013.
Antes, estava listado no apêndice como um "Transtorno Alimentar Sem Outra Especificação" (EDNOS).
O diagnóstico do transtorno pelo psiquiatra e/ou psicólogo é fundamental para iniciar o tratamento adequado. Os critérios clínicos são:
Além disso, é necessária a presença de três ou mais dos seguintes sintomas da compulsão alimentar para o diagnóstico:
A avaliação psiquiátrica, o estado médico geral e o estado nutricional são elementos essenciais.
Compreender a relação do indivíduo com o corpo e a influência nos relacionamentos e na qualidade de vida é parte integrante desse processo.
A avaliação médica, que pode incluir exames laboratoriais, é essencial para compreender a saúde geral do paciente e identificar possíveis transtornos mentais associados.
Como mostrado neste post sobre 4 tratamentos para compulsão alimentar, este é um desafio que pode ser superado com estratégias eficazes e o apoio profissional adequado.
A terapia cognitivo-comportamental (TCC), a psicoterapia interpessoal e o tratamento farmacológico são algumas das opções que podem ser aplicadas para auxiliar na recuperação do paciente.
Além disso, evitar dietas extremas, manter uma rotina alimentar consistente, praticar atividade física e buscar tratamento especializado são passos fundamentais para superar esse transtorno.
O prognóstico para o TCA é geralmente bom com tratamento adequado. A recuperação é um processo, mas a maioria das pessoas consegue alcançar uma significativa redução ou até a eliminação dos episódios de compulsão e reconstruir uma relação saudável com a comida.
Buscar ajuda profissional é o primeiro passo rumo à recuperação.